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O Ecumenismo e o Sangue dos Mártires


 

 

 
O Ecumenismo e o Sangue dos Mártires
 
                                                              Pr. Airton Evangelista da Costa
 
 
   OS VENTOS DO ECUMENISMO cristão continuam soprando. Porém, depois de algumas décadas de trabalho, verifica-se que os resultados são tímidos. Apesar de alguns avanços localizados, não há muito para comemorar em termos de progresso do diálogo sincero e fraterno, da aceitação mútua, do entendimento consensual entre o catolicismo e demais igrejas, da participação conjunta de católicos e acatólicos em movimentos evangelísticos e sociais.

   Estamos convictos de que barreiras intransponíveis impedem a plena realização das propostas do ecumenismo cristão, que tenta a aproximação entre os ramos da cristandade: a Igreja Católica, a Protestante e a Ortodoxa.  Com o objetivo de identificar tais óbices, divulgaremos neste trabalho diversos pronunciamentos, decisões conciliares, palavra ex cathedra de “infalíveis” papas, da hierarquia católica, de órgãos ligados ao movimento ecumênico, de jornalistas e pesquisadores.

CONCÍLIO DE TRENTO

   Convocado pelo papa Paulo III, o Concílio de Trento (1545-1563) condenou com anátemas todas as teses reformistas dos protestantes acerca da Fé Católica e dos Sacramentos. Vejamos alguns dos cânones.
“Cân. 13. Se alguém disser que para conseguir a remissão dos pecados é necessário a todo homem crer certamente e sem hesitação alguma, mesmo em vista da fraqueza e falta de preparação próprias, que os pecados lhe foram perdoados — seja excomungado”.
   Antes de prosseguirmos, convém esclarecer que tais decisões estão plenamente em vigor. O Código de Direito Canônico, cânon 333, parágrafo 3, declara: “Não há apelação ou recurso contra uma sentença ou decreto do pontífice romano”. A desobediência ao Papa, “Vigário de Cristo”, continua sendo a maior das heresias. O dogma da infalibilidade papal também impede sejam revogadas quaisquer decisões anteriores.

“Cân. 1. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não foram todos instituídos por Jesus Cristo Nosso Senhor, ou que são mais ou menos que sete, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio; ou que algum destes sete não é verdadeira e propriamente sacramento — seja excomungado”.“Cân. 4. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não são necessários para a salvação, mas supérfluos; e que sem eles ou sem o desejo deles, só pela fé os homens alcançam de Deus a graça de justificação — ainda que nem todos [os sacramentos], seja  excomungado”.“Cân. 6. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não encerram a graça que significam; ou que não conferem a graça aos que lhes não opõem óbice, como se fossem apenas sinais externos da graça ou justiça recebida pela fé, e certos sinais da Religião cristã, com que entre os homens se distinguem os fiéis dos infiéis — seja excomungado”.

“Cân. 8. Se alguém disser que pelos mesmos sacramentos da Nova Lei não se confere a graça só pela sua recepção (ex opere operato), mas que para receber a graça basta só a fé na promessa divina — seja excomungado”.
Cân. 10. Se alguém disser que todos os cristãos têm o poder de administrar a palavra de Deus e todos os sacramentos — seja excomungado.
“Cân. 3. Se alguém disser que na Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, não reside a verdadeira doutrina acerca do sacramento do Batismo — seja excomungado”.
“Cân. 12. Se alguém disser que ninguém deve ser batizado senão na idade em que Cristo se deixou batizar, ou na hora da morte – seja excomungado”.
   Como os “irmãos separados”, fiéis às doutrinas bíblicas, continuam pensando do mesmo modo, ou seja, continuam desobedientes ao papa, estamos todos excomungados. Aqui começam os primeiros óbices à pretensão ecumênica. Que conciliação pode haver entre excomungantes e excomungados? Entre a “única Igreja verdadeira” e um bando de “hereges” que resolveu aceitar Jesus como Senhor e Salvador pessoal?
   No período das trevas, tempo em que as fogueiras da Inquisição queimavam continuamente, a excomunhão – apartar o infiel da comunhão da Igreja – era uma arma poderosa nas mãos do catolicismo. Diante dessa ameaça, até reis e príncipes tremiam e temiam.

DOCUMENTO EPISCOPAL

   Extraímos algumas passagens das explicações do Revmo. Antonio, Bispo de Campos, de 19.03.1966, ao comentar as decisões do Concílio Ecumênico Vaticano II:
“Eis que, como a propósito da adaptação, também sobre a falsa aplicação do ecumenismo advertiu Papa os fiéis. Segundo despachos das agências telegráficas, teria o Santo Padre observado, em uma de suas Alocuções nas audiências gerais, que o apostolado junto aos irmãos separados não está isento de ilusões e perigos [grifo nosso]. Ilusões, por uma esperança sem fundamento, perigo pela possibilidade de, no desejo ardente de obter a conversão do herege ou apóstata, falsear o sentido da verdade revelada, ou não expô-la na sua integridade. O texto transmitido pelas agências telegráficas é o seguinte: “Há uma tomada de posição, também por parte daqueles que demonstram demasiado entusiasmo, como se os contactos com irmãos separados fossem fáceis e sem perigo….” [grifo nosso].
   Os milhões que tiveram um encontro com a verdade ficaram muito felizes por saberem que a salvação não é conseguida por pertencer a esta ou àquela denominação, mas por consagrar suas vidas a Cristo Jesus.
“A primeira condição para um apostolado frutuoso junto aos nossos irmãos separados é fugir a todos e quaisquer irenismo doutrinário [atitude conciliadora], ainda que implícito”.
“Entre os preceitos divinos, está a obrigação de ingressar na Igreja Católica [grifo nosso], instituída por Jesus Cristo como meio único de salvação para todos os homens. Como conseqüência, a condição do católico é essencialmente diferente da condição do não católico. O católico, pelo fato de pertencer à Igreja verdadeira, não tem motivo algum para duvidar de que esteja na posse da verdade. O não católico está em condição perfeitamente inversa. Ele não está de posse da verdade [grifo nosso], de maneira que tem todo motivo para duvidar de sua posição religiosa. E se estiver de boa fé, mais facilmente será levado a perceber a falta de fundamento para suas convicções”.

“Estes pontos são pacíficos na teologia católica, e foram objeto de ensino autêntico do Magistério Eclesiástico. A excelência da condição do católico com relação ao não católico, com a conseqüente obrigação, foi definida pelo Concílio Vaticano I (cf. sess. III, cap. III e can. 6).
“Dentro desses princípios, devemos levar o mais longe possível a nossa caridade com os irmãos separados. Sem esquecer a condição de “separados”, isto é afastados da verdadeira Igreja de Cristo [grifo nosso], devemos ter presente a todo momento sua prerrogativa de “irmãos”, e esforçarmo-nos por utilizar os pontos que justificam o apelativo de “irmãos”, para levá-los a uma reflexão mais profunda sobre as realidades cristãs que ainda possuem, a fim de que as compreendam melhor, e percebam que elas só adquirem sua verdadeira autenticidade na Igreja Católica”.
“Isso numa ação direta que a Providência poderá de nós exigir com nossos irmãos separados, onde haja um desejo sincero de amar a verdade. Porquanto, com aqueles que se fixaram na heresia, e a abraçam conscientemente, um diálogo frutuoso é praticamente impossível [grifo nosso]. Podemos ainda e devemos nos compadecer deles, e com nossas orações, penitências e outras boas obras, empenhar a misericórdia divina, que os ilumine e lhes conceda a retidão de vontade, de que hão mister, para chegarem à unidade autêntica do Cristianismo na Igreja Romana” [grifo nosso].
“O que devemos evitar – salvas as necessidades de uma justa e nobre polêmica imposta pelo interesse das almas – são as expressões que possam, de qualquer forma, magoar a nossos irmãos separados; isso ainda quando devamos suportar com paciência as conseqüências de uma vontade que a heresia ou o cisma tornaram mais especialmente ríspida conosco. Vale neste ponto o conselho de São Paulo: procura vencer o mal com o bem (cf. Rom. 12, 21). Mesmo, porém, com os que estão de boa fé, convém evitar a familiaridade [grifo nosso] consoante o prudente e hoje sobremodo oportuno conselho de S. Tomás: “para que nossa familiaridade não dê aos outros ocasião de errar” (Quodlibetum 10, q. 7, a. 1 c).

   Essas regras estão totalmente em conformidade com a Dominus Iesus editada no ano 2000. Os princípios são os mesmos. Como já dissemos, a Igreja de Roma não muda e não pode mudar. Os pronunciamentos de hoje devem guardar coerência com as práxis anteriores, por força da infalibilidade que os papas atribuíram a si mesmos.  Se constituímos uma ameaça; se os católicos são orientados a não ter conosco qualquer tipo de familiaridade; se o diálogo com os protestantes não os removerá de suas “heresias”; se não aceitamos o reingresso na “Igreja Verdadeira”, então não há porque falar em ecumenismo.

CONCÍLIO DE LATRÃO

   Em 1º  de novembro de 1215 iniciou-se o IV Concílio de Latrão convocado pelo papa Inocêncio III através da Bula Vineam Domini Sabaoth, de 10 de abril de 1213. Nele, os hereges são apresentados como os que devem ser combatidos por suas “doutrinas insensatas, fruto de uma cegueira provocada pelo pai da mentira. Suas heresias estão dirigidas contra a fé santa, católica e ortodoxa, sendo um perigo para a unidade da fé da cristandade” [grifo nosso]. Diz mais: 
“Condenamos a todos os hereges sob qualquer denominação com que se apresentem; embora seus rostos sejam diferentes, estes se encontram atados por uma cola, pois a vaidade os une”.
“Assim como o diabo e os demônios, criados por Deus naturalmente bons, pela vaidade foram expulsos do paraíso, também por causa da vaidade os hereges devem ser expulsos do convívio social [grifo nosso]. Os condenados por heresia devem ser entregues às autoridades seculares para serem castigados. No caso de clérigos, deverão ser desligados de suas Ordens. Quanto aos bens, serão confiscados [grifo nosso]”.
“Os que se armarem para dar caça aos hereges, gozarão da indulgência e do santo privilégio concedidos aos que vão, em ajuda, à Terra Santa ” .

ENCÍCLICAS SOBRE O ECUMENISMO

“Com o poder e autoridade sem os quais tal função seria ilusória, o Bispo de Roma deve assegurar a comunhão de todas as Igrejas. Por este título, ele é o primeiro entre os servidores da unidade. Tal primado é exercido a vários níveis, que concernem à vigilância sobre a transmissão da Palavra, a celebração sacramental e litúrgica, a missão, a disciplina, e a vida cristã. Compete ao Sucessor de Pedro recordar as exigências do bem comum da Igreja, se alguém for tentado a esquecê-lo em função dos próprios interesses. Tem o dever de advertir, premunir e, às vezes, declarar inconciliável com a unidade da fé esta ou aquela opinião que se difunde. Quando as circunstâncias o exigirem, fala em nome de todos os Pastores em comunhão com ele. Pode ainda – em condições bem precisas, esclarecidas pelo Concílio Vaticano I – declarar ex cathedra que uma doutrina pertence ao depósito da fé. Ao prestar este testemunho à verdade, ele serve a unidade.” (Encíclica Sobre o Empenho Ecumênico. 1994).“A comunhão de todas as Igrejas particulares com a Igreja de Roma: condição necessária para a unidade. A Igreja Católica, tanto na sua praxis como nos textos oficiais, sustenta que a comunhão das Igrejas particulares com a Igreja de Roma, e dos seus Bispos com o Bispo de Roma, é um requisito essencial – no desígnio de Deus – para a comunhão plena e visível. De facto, é necessário que a plena comunhão, de que a Eucaristia é a suprema manifestação sacramental, tenha a sua expressão visível num ministério em que todos os Bispos se reconheçam unidos em Cristo, e todos os fiéis encontrem a confirmação da própria fé. A primeira parte dos Actos dos Apóstolos apresenta Pedro como aquele que fala em nome do grupo apostólico e serve a unidade da comunidade – e isto no respeito da autoridade de Tiago, chefe da Igreja de Jerusalém. Esta função de Pedro deve permanecer na Igreja para que, sob o seu único Chefe que é Cristo Jesus, ela seja no mundo, visivelmente, a comunhão de todos os seus discípulos” (Encíclica Sobre o Empenho Ecumênico. 1994).
   Essas palavras são traduzidas da seguinte forma: É possível a aproximação ecumênica, desde que reconhecida a supremacia da Igreja Católica, gerida pelo Vigário de Cristo, o Papa, como sucessor de Pedro, a quem compete advertir e avaliar as opiniões contrárias.    Da Encíclica Moratlium Ânimos, de 10.01.1928, do papa Pio XI, vejam algumas diretrizes do tópico “a única maneira de unir todos os cristãos”;

“Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo [grifo nosso], dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela”.
 
“Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultícia afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22). A Obediência ao Romano Pontífice – Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos” [grifo nosso].
 
“Pois se, como repetem freqüentemente, desejam unir-se Conosco e com os nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, “Mãe e Mestra de todos os fiéis de Cristo” (Conc. Later 4, c.5)”?
 
“Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é “raiz e matriz da Igreja Católica” (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que “a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu magistério e regime” [grifo nosso].
 
   O “infalível” papa Pio XI não usou de meias palavras para expressar o pensamento do Vaticano com relação aos não católicos. Em resumo, disse que só fazem do Corpo de Cristo os que reconhecem e acatam o poder do Papa, como legítimo sucessor de Pedro. Disse mais, de forma inequívoca, que a união dos cristãos só será possível com o retorno dos irmãos separados ao catolicismo.
 
PALAVRA DA DIOCESE
 
   A Diocese de Pelotas (RS) divulgou em sua Home Page algumas considerações sobre o Ecumenismo. Destacamos:
 
“Ecumenismo é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes Igrejas Cristãs: os católicos, os ortodoxos, os protestantes, os crentes, os evangélicos. É o caminho proposto por Jesus: “que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Unidade não é a mesma coisa que uniformidade; sermos diferentes pode ser, dentro de certos limites, uma coisa muito enriquecedora”.
“O Ecumenismo significa: conversão de coração para reconhecer o que há de bom nas outras Igrejas cristãs; procurar conhecer as outras Igrejas, sem preconceito e sem ingenuidade; tratar as outras Igrejas como gostamos que a nossa seja tratada”.
   Estas notas soam dissonantes na orquestra ecumênica sob a batuta do Vaticano. A afirmação “outras Igrejas cristãs” sai do tom exigido na Dominus Iesus, mais adiante examinada. Se existem outras igrejas cristãs, então a Igreja Católica e as demais formam uma unidade. Mas uma encíclica de 1994 diz que “as opiniões diferentes são irreconciliáveis com a unidade”. E a Dominus Iesus declara que “os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma das Igrejas e Comunidades eclesiais”. PALAVRAS DE D.ESTEVÃO BETTENCOURT
“O Ecumenismo é o movimento que visa a restabelecer a plena comunhão entre a Igreja Católica e as demais denominações cristãs que no decorrer dos séculos se foram separando do grande tronco católico: orientais (nestorianos, dissidentes em 431; monofisitas em 451; ortodoxos em 1054), protestantes separados em 1517, Velhos Católicos em 1870. O Ecumenismo é algo inspirado pelo Espírito Santo em nosso século, quando se verifica que as separações não têm mais as razões de ser que as suscitaram na época da respectiva cisão. Em nossos dias há quase total identidade de Credo entre católicos e cristãos orientais. Com o protestantismo o diálogo é mais difícil [grifo nosso], dado o esfacelamento do bloco protestante, onde as denominações mais recentes já perderam muito ou quase tudo do patrimônio doutrinário genuinamente cristão, reduzindo o Cristianismo a uma escola de bons costumes inspirados pela Bíblia sem referência explícita aos sacramentos. Além das diferenças doutrinárias (ora mais, ora menos apagadas), nota-se que uma das dificuldades para o bom entendimento entre cristãos provém de questões de ordem histórica (as Cruzadas, por exemplo, no Oriente…), cultural, nacionalista…. Aqueles que se dizem protestantes, mas que não professam o verdadeiro Cristianismo estão alijados do Corpo de Cristo, e, por conseguinte, não podem ser considerados cristãos”.

   É evidente que não pertencem ao Corpo de Cristo os que não professam o verdadeiro Cristianismo. Uma declaração nada mais do que óbvia. Nesse rol estão católicos e evangélicos que não vivem o Cristianismo. Semelhantemente à Dominus Iesus, como veremos a seguir, as palavras de D. Estevão longe estão de admitir a paridade das igrejas cristãs. Ser cristão, no entendimento do Vaticano, não é pertencer a Cristo; é pertencer à Igreja de Roma. Não se pode nivelar as igrejas evangélicas. Não cabe uma generalização com base em grupos dissociados da verdade bíblica. Nas “questões de ordem histórica”, como citado, poderiam ter sido mencionados a famigerada Inquisição, as conversões forçadas e o extermínio recente de Sérvios ortodoxos, dentre outras.

COMENTÁRIOS DE UM PASTOR

Do pastor Addson Araújo Costa:

“Ademais, esta onda de ecumenismo de uma “união” religiosa está cheia de hipocrisia, enquanto nas capitais do Brasil artistas padres propõem o conchavo, no interior padres organizam abaixo-assinados para impedir a entrada de novas igrejas naquelas cidades.  A sua proposta de “amor” está condicionada à adesão, caso esta não ocorra eis a rejeição, o escrutínio pessoal dos líderes, depreciação daquelas igrejas, a exclusão mental dos crentes e todo tipo de prejulgamentos”. “Cabe agora aos evangélicos se irão querer uma nova inquisição travestida de comunhão, ou seja, estar dentro da barriga do leão. Ou se continuarão avante, lutando teológica e biblicamente, por um evangelho autêntico que transforma vidas; se continuarão afirmando que o único Cabeça da Igreja é Cristo, e não um Papa, sabendo portanto que as igrejas e pastores são independentes e autônomos diante de Deus, de conselhos e hierarquias inventadas e portanto contrárias à Bíblia…  A Igreja do Senhor Jesus não é uma instituição em que se nasce nela, mas que se entra nela por meio da fé em Cristo Jesus; ademais a verdadeira Igreja Universal de Cristo não é uma instituição visível e humana e sim composta por todos os salvos desde o Pentecostes até a vinda do Senhor”.

CONSELHO DE IGREJAS

   Vejamos alguns tópicos da declaração assinada pelo Pastor Walter Altmann, Presidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas – CLAI, entidade criada em 1978, e que representa 155 igrejas e organismos ecumênicos em todo o continente latino-americano:
“Com grande surpresa e, mesmo, consternação, o CLAI (Conselho Latino-Americano de Igrejas) tomou conhecimento da «Declaração “Dominus Iesus” sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja», firmada pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, Cardeal Joseph Ratzinger. O CLAI lamenta detectar nela um obstáculo a mais ao ecumenismo, provindo do interior da Igreja Católica Romana, de alto nível e referendada pelo Papa João Paulo II…
“Ao contrário, toma o ensejo para afirmar um exclusivismo católico-romano que em nada pode contribuir para fazer avançar a causa ecumênica, abalando, ao invés, a credibilidade do testemunho de Cristo que nos é comum”.
“Aliás, não é nem tanto na classificação das igrejas protestantes como “não-igrejas” em sentido verdadeiro que reside a maior causa para o desapontamento suscitado pela Declaração, mas sim em suas preocupantes omissões”.

   A polêmica e surpreendente “Dominus Iesus” foi uma água fria na fervura do ecumenismo cristão. Em poucas palavras colocou por terra anos de trabalho em prol do diálogo. Essa declaração nasceu no seio da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, antes denominada Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) e Congregação do Santo Ofício. O espírito conservador, exclusivista e totalitarista continua encarnado na pessoa do cardeal Joseph Ratzinger, seu responsável.

PALAVRA DA MÍDIA

   Notícia do Jornal da Tarde, em 6.9.2000, sob o título “O mais duro golpe no ecumenismo”:
 
“A divulgação de trechos do documento Dominus Jesus (Senhor Jesus, em latim) provocou reações negativas entre líderes de outras igrejas cristãs. Em Paris, o presidente da Federação Protestante da França, pastor Jean Arnold de Clermont, disse que o documento era uma “triste surpresa”. Para o presidente do Conselho da Igreja Evangélica Alemã, reverendo Manfred Kock, foi um “revés”. Na Inglaterra, o chefe da Igreja Anglicana, George Carey, disse que o texto parece ignorar 30 anos de diálogo ecumênico”.
 
   Artigo publicado em “O Estado de S.Paulo, 28.09.2000, com o título “Um retrocesso no ecumenismo religioso”, assinado pelo embaixador Antonio Amaral De Sampaio, diplomata aposentado. Alguns trechos:            

“A declaração formulada recentemente pela Congregação da Doutrina da Fé, denominada Dominus Iesus, consagra surpreendente retrocesso na política da Igreja Católica com referência ao ecumenismo religioso, a qual havia registrado avanços durante o pontificado de João Paulo II. Situação esta que agora incorre no risco de ser comprometida, caso seja mesmo alçado a posição oficial do Vaticano o resultado das elucubrações orientadas e dirigidas pelo cardeal Joseph Ratzinger, o principal guardião da doutrina católica. O referido prelado é o tradicionalista prefeito da antiga Sagrada Congregação do Santo-Ofício, que, se hoje ostenta outra denominação, mais consentânea com a atualidade, ainda não logrou libertar-se do espírito do passado, que gerenciou a Inquisição, perseguiu heréticos e fez perecer na fogueira milhares de inocentes vítimas de superstições, da ignorância e maldade humanas, ou, mais simplesmente, apenas fiéis de outras confissões, algumas tão respeitáveis quanto aquela que tem sua sede política, administrativa e doutrinária em Roma. Significa ela um verdadeiro salto para trás, ensaiado – o que para alguns se afigura inquietante – no mesmo contexto temporal que trouxe a canonização de Pio IX (Giovanni Maria Mastai-Ferretti). Esse papa do século 19, hoje mais conhecido como o autor intelectual do Syllabus, foi também o formulador do dogma da infalibilidade pontifícia.
A essência do dictum do cardeal Ratzinger estabelece que os indivíduos apenas podem alcançar a salvação dos pecados por meio das graças espirituais da Igreja Católica; que as demais confissões religiosas – incluindo os diversos ramos do protestantismo – padecem de equívocos que colocam seus fiéis em situação de deficiência na busca da salvação.

Não se compreende que tal se aplique no caso de outras denominações cristãs de consagrada respeitabilidade, assim como do judaísmo e do Islã.
O pontificado de João Paulo II aproxima-se de seu termo e o papa, avassalado pela doença de Parkinson e outros achaques próprios de sua avançada idade, agravados pelo atentado que sofreu, parece que deixou progressivamente de exercer, sobre a hierarquia eclesiástica e o clero em geral, os poderes de comando e controle que constituem uma de suas prerrogativas”.
 
DOMINUS IESUS          Vejamos fragmentos dessa Declaração assinada pelo cardeal  joseph ratzinger,  e referendada pelo papa joão paulo ii em  6.08.2000, que causou surpresa e consternação a muitos. Abaixo de cada trecho faço alguns comentários.  Os grifos são nossos:
“A Igreja Católica não rejeita absolutamente nada daquilo que há de verdadeiro e santo nessas religiões. Considera com sincero respeito esses modos de agir e de viver, esses preceitos e doutrinas que, embora em muitos pontos estejam em discordância com aquilo que ela afirma e ensina, muitas vezes reflectem um raio daquela Verdade que ilumina todos os homens ».

   Um modo elegante de introduzir o asssunto, porém anunciando uma inverdade. Como veremos a seguir, o Vaticano  exclui a possibilidade de existir alguma coisa santa e verdadeira nas outras religiões. Mais de uma vez o Documento fala desse raio de Verdade, provinda da Igreja Católica,  que alcança as demais religiões. Para melhor compreensão, a Igreja de Roma se assemelha à Lua, que recebe  luz (a Verdade) diretamente do Sol (Jesus) e a repassa à Terra (demais religiões). Ora, a Verdade não vem a nós via Igreja Católica. Recebemo-la diretamente do nosso Salvador, fonte de Luz e de Vida Eterna.
“Este diálogo, que faz parte da missão evangelizadora da Igreja, comporta uma atitude de compreensão e uma relação de recíproco conhecimento e de mútuo enriquecimento, na obediência à verdade e no respeito da liberdade”.
   São declarações que mais adiante ficam anuladas. Como a Igreja Católica poderia se enriquecer num relacionamento com apóstatas, excomungados hereges, alijados  do Corpo de Cristo? “Respeito à liberdade” soa muito mal diante dos fatos. 
“No exercício e aprofundamento teórico do diálogo entre a fé cristã e as demais tradições religiosas surgem novos problemas, que se tenta solucionar, seguindo novas pistas… É por isso que a Declaração retoma a doutrina contida nos anteriores documentos do Magistério, para reafirmar as verdades que constituem o património de fé da Igreja”.

   Em suma, diz o Documento que na Igreja Católica nada mudou. Continua a mesma e continuam valendo documentos anteriores, pois que fazem parte do seu patrimônio de fé. Afirmação desnecesária, pois sabemos todos que são irrevogáveis as decisões dos “infalíveis” papas. O Vaticano desconfia que a aproximação dos católicos com os protestantes, via ecumenismo, seja prejudicial aos seus objetivos, haja vista o real “perigo” decorrente dessa contínua familiaridade.
“O perene anúncio missionário da Igreja é hoje posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de facto, mas também de iure (ou de principio). Daí que se considerem superadas, por exemplo, verdades como…  a mediação salvífica universal da Igreja, a não separação, embora com distinção, do Reino de Deus, Reino de Cristo e Igreja, a subsistência na Igreja Católica da única Igreja de Cristo”. 
“Na raiz destas afirmações encontram-se certos pressupostos, de natureza tanto filosófica como teológica, que dificultam a compreensão e a aceitação da verdade revelada… a tendência, enfim, a ler e interpretar a Sagrada Escritura à margem da Tradição e do Magistério da Igreja. E o mistério de Jesus Cristo e da Igreja perdem o seu carácter de verdade absoluta e de universalidade salvífica”.

   Em outras palavras, ninguém deve ler e interpretar a Bíblia sem a intermediação do Magistério da ICAR. Revela-se aqui o cuidado para que os católicos, em atos ecumênicos, não se disponham a examinar livremente as Escrituras sem levar em conta a Tradição, colocada pela ICAR no mesmo nível de autoridade da Bíblia.   É um  alerta ao perigo do contágio ecumênico, para evitar que o “vírus” da verdade protestante e bíblica  não se propague ainda mais.
“Nem sempre se tem presente essa distinção na reflexão hodierna, sendo frequente identificar a fé teologal, que é aceitação da verdade revelada por Deus Uno e Trino, com crença nas outras religiões, que é experiência religiosa ainda à procura da verdade absoluta e ainda carecida do assentimento a Deus que Se revela.”

   À medida que a Declaração  avança para o final, as palavras vão se tornando mais duras, diretas e específicas. Se no começo  foram ambíguas, certamente para  não causar constrangimentos imediatos, agora elas se revelam sem nenhum receio de declarar o que a Igreja Católica pensa dos não católicos.  “Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica — radicada na sucessão apostólica — entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: Esta é a única Igreja de Cristo”.
   Se os não católicos desejam participar da Igreja de Cristo, então que reconheçam e professem e declarem que a Igreja Católica é a verdadeira, a única instituída por Cristo.

“Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste [subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. Com a expressão « subsistit in », o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que  existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição, isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica. Acerca destas, porém, deve afirmar-se que o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica”.“Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares… Por isso, também nestas Igrejas está presente e actua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objectivamente tem e exerce sobre toda a Igreja”.

   As demais igrejas possuem elementos de santificação, mas não plena, pois lhes falta o vínculo à Igreja-Mãe, diz a Declaração. Dizer que existem elementos de santificação e de verdade nas demais igrejas, deixa margem a dúvidas. É uma ambigüidade.  O que significa mesmo possuir elementos de santificação e verdade e não ser Igreja de Cristo, não ser santa nem verdadeira?  As igrejas que mantém estreitíssimos laços com a “Depositária da Verdade” podem usufruir das benesses da graça divina, porém derivada da graça revelada à Igreja de Roma. Os acatólicos, diz o Documento, não podem obter graça sem a intermediação da Igreja tronco, única e verdadeira.

“As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, não são Igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas Comunidades estão pelo Baptismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que imperfeita, com a Igreja”.

“Os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma — diferenciada e, de certo modo, também unitária — das Igrejas e Comunidades eclesiais; a Eucaristia e da plena comunhão na Igreja”.“Daí a necessidade de manter unidas estas duas verdades: a real possibilidade de salvação em Cristo para todos os homens, e a necessidade da Igreja para essa salvação…”.
   Não somos  igreja, mas podemos batizar, e os batizados são incorporados a Cristo, porém há necessidade de ingressarem na Igreja Católica para serem salvos. Mais ambigüidades. Somos ou não somos Corpo de Cristo. Somos ou não somos cristãos. Somos ou não somos filhos de Deus. A declaração mais estapafúrdia é a de que os homens precisam da Igreja Católica para salvação.

“Para aqueles que não são formal e visivelmente membros da Igreja, a salvação de Cristo torna-se acessível em virtude de uma graça que, embora dotada de uma misteriosa relação com a Igreja, todavia não os introduz formalmente nela, mas ilumina convenientemente a sua situação interior…”“Seria obviamente contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma, embora convergindo com ela para o Reino escatológico de Deus”.
   Ecumenismo, para o catolicismo,  representa incorporação, adesão. O Vaticano não entende que nenhuma igreja é caminho de salvação. O Caminho é Jesus. Aquele que nele crê será salvo, e passa a fazer parte da verdadeira Igreja de Cristo. Em todo o Documento está nítida a crença de que a Igreja Católica é o Caminho, e fora dela não há salvação. Ser batizado, participar dos Sacramentos e pertencer à Igreja-Mãe são condições que levariam à salvação. Nada mais contrário ao ensino das Sagradas Escrituras. O Corpo de Cristo é o somatório de todos os salvos em Cristo, vivos ou mortos, de todas as épocas.

Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel de preparação ao Evangelho… Não se lhes pode porém atribuir a origem divina nem a eficácia salvífica ex opere operato, própria dos sacramentos cristãos”. “Se é verdade que os adeptos das outras religiões podem receber a graça divina, também é verdade que objectivamente se encontram numa situação gravemente deficitária, se comparada com a daqueles que na Igreja têm a plenitude dos meios de salvação”.
   As palavras do Vaticano se revelam aqui na plenitude de seu exclusivismo. Tudo agora ficou bem claro. Não há salvação para os que estão fora do catolicismo. A situação destes é grave e deficitária, pois só Roma tem a plenitude dos meios de salvação. Os protestantes têm o único e verdadeiro caminho de salvação: JESUS CRISTO.

“A paridade, que é um pressuposto do diálogo, refere-se à igual dignidade pessoal das partes, não aos conteúdos doutrinais e muito menos a Jesus Cristo — que é o próprio Deus feito Homem — em relação com os fundadores das outras religiões”.
   O Documento esclarece que não pode haver igualdade no diálogo ecumênico. Os católicos poderão dele participar, mas cientes de que estão em nível mais elevado. Ora, a Igreja de Cristo representa a soma dos que nEle confiam e a Ele consagram suas vidas.  Realmente não se pode falar em paridade em relação aos conteúdos doutrinais, pois a maioria dos dogmas da ICAR está em desacordo com a  Bíblia Sagrada.

“A Igreja, com efeito, movida pela caridade e pelo respeito da liberdade, deve empenhar-se, antes de mais, em anunciar a todos os homens a verdade, definitivamente revelada pelo Senhor, e em proclamar a necessidade da conversão a Jesus Cristo e da adesão à Igreja através do Baptismo e dos outros sacramentos, para participar de modo pleno na comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo”.“Os Padres do Concílio Vaticano II, debruçando-se sobre o tema da verdadeira religião, afirmaram: « Acreditamos que esta única verdadeira religião se verifica na Igreja Católica e Apostólica…”.

   O Vaticano não pode falar em “respeito da liberdade”, nem do respeito às crenças dos não católicos sem antes fazer mea-culpa. Que   primeiramente admita seus erros e o fato de que a Igreja Católica tem contribuído para cercear  essa liberdade.  O Documento deixa para o fim a declaração mais importante: somente mediante adesão ao catolicismo, mediante batismo e participação dos sacramentos o homem pode participar da plena comunhão com Deus. O que não é verdade: “Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Para sermos recebidos como filhos de Deus, basta crer, confiar e obedecer: “Mas a todos os que o receberam, àqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; filhos nascidos não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do
homem, mas de Deus” (João 1.12,13).

   Há apenas nove anos, no dia 29 de março de 1994, após exaustivo planejamento e cuidadoso exame, líderes católicos e evangélicos americanos assinaram uma declaração conjunta intitulada “Evangélicos e Católicos Unidos – A Missão Cristã no Terceiro Milênio”. Foi um evento significativo na história da cristandade. Dave Hunt, em “A Mulher Montada na Besta”, ressalta com propriedade que, apesar de a declaração coletiva ter levado em conta algumas diferenças básicas entre católicos e evangélicos, a mais importante não mereceu qualquer atenção, ou seja, o que significa ser cristão nas duas crenças.
   Bastaria colocar em pauta o conceito de cristão para que não houvesse qualquer acordo. Como vimos nos pronunciamentos oficiais do catolicismo, cristão é o que está filiado à Igreja Católica. Basta preencher a ficha de inscrição, ser batizado e participar dos sacramentos. Agora, depois de quase uma década, o Vaticano declara que esses irmãos separados, signatários da Declaração, não são igreja no sentido próprio, e estão em situação de penúria diante de Deus. Ou seja, estão desgraçados, sem a graça divina. Diz Dave Hunt:

“O elemento-chave por trás dessa histórica declaração conjunta é a anteriormente inimaginável admissão, por parte dos líderes evangélicos, de que a participação ativa da Igreja católica faz de alguém um cristão. Se esse realmente é o caso, então a Reforma não passou de um erro trágico. Os milhões que foram martirizados (durante dez séculos antes da Reforma e até os dias de hoje) por rejeitar o catolicismo como um falso evangelho, terão morrido em vão. Se, contudo, os reformadores tinham razão, então este acordo entre católicos e evangélicos seria o golpe mais astuto e mortal contra o Evangelho de Cristo em toda a história da Igreja”.

“As diferenças teológicas entre católicos e protestantes já foram consideradas tão grandes, que milhões morreram como mártires para não comprometê-las, e seus executores católicos estavam igualmente convencidos da importância de tais diferenças. Como podem essas diferenças ter desaparecido? O que levou os líderes evangélicos a declarar que o evangelho do catolicismo, que os reformadores denunciaram como herético, agora tornou-se bíblico? Esse evangelho não mudou em nada. Será que a convicção foi comprometida a fim de criar uma imensa coalizão entre os conservadores por uma ação social e política”?    Alguns imaginaram que esse acordo marcaria um passo decisivo rumo a um entendimento e aceitação mútua. Enfim, a Igreja Católica iria aceitar os “hereges” como verdadeiros irmãos. Engano. Estavam longe de imaginar que anos mais tarde o Vaticano mostraria mais uma vez a sua face real.

   Detectamos uma tremenda inversão de valores no trato de tais questões. Nós, que primamos pela verdade bíblica, e que vemos unicamente em Jesus a possibilidade de salvação, nós é que devemos refletir se podemos considerar como cristã uma religião que se desfigurou ao longo do tempo como cristianismo autêntico.

   A Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, em repúdio às declarações da Dominus Iesus, inicia sua carta de 13.09.2000 à Igreja Católica, do seguinte modo:
“Vimos manifestar-lhe a nossa desilusão e tristeza ao ver que, passados trinta e cinco anos da realização do Concílio Vaticano II, as mais altas figuras da Igreja Católica Romana (ICR) ainda são capazes de produzir um documento como a “Dominus Iesus” que, no mínimo, se reveste de uma grande insensibilidade ecumênica. A Declaração nada traz de novo. Tudo o que ela contem já foi dito há muitos anos e em muitos outros documentos. Neste sentido somos tentados a dizer, como muitos, “Roma nunca muda”! Mas será que a participação activa, e irreversível, da ICR no diálogo ecumênico durante as últimas décadas é compatível com a inflexibilidade e o exclusivismo manifestados na “Dominus Iesus”? Quando pensávamos que a “teoria do retorno” já havia desaparecido do vocabulário ecumênico, constatamos que ela continua a orientar as relações da ICR com as outras Igrejas Cristãs”.

NOTA DA CNBB

   “A Presidência e a Comissão Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em comunhão com o Papa João Paulo II que, no dia 18 de setembro de 2000, reiterou “ser irrevogável o empenho da Igreja Católica para com o diálogo ecumênico”, por motivo da recente Declaração Dominus Iesus da Congregação para a Doutrina da Fé, deseja reafirmar o seu compromisso ecumênico”.

“Manifesta a todos os cristãos a estima da Igreja Católica que os reconhece justificados pela fé e incorporados a Cristo e os abraça com fraterna reverência e amor como “irmãos no Senhor”. Considera também que “suas igrejas de forma alguma são destituídas de significação e importância no mistério da salvação” (Cf. UR). Acredita que o movimento ecumênico, surgido entre os irmãos e irmãs de outras igrejas para restaurar a unidade de todos os cristãos, é uma obra do Espírito Santo” (Dom Jayme Henrique Chemello, Presidente; Dom Raymundo Damasceno Assis, Secretário-Geral).    A CNBB, que tem compromissos assumidos com a liderança das demais igrejas, com vistas a um diálogo fraterno, manifestou-se favorável à continuidade desse entendimento. Destoando das afirmações exclusivistas da Dominus Iesus, trata os fiéis de outras igrejas como “irmãos no Senhor”. Trata-se de um paradoxo, porque a CNBB faz parte da Hierarquia Católica; representa, por dever, o pensamento do Papa e segue as suas diretrizes. Consideremos, porém, que a CNBB ficou numa situação desconfortável. 

   Mais uma nota fora do tom está na palavra ameaçadora do bispo Sinésio Bohn, conforme notícia publicada no início dos anos 90:

“Espantado com o forte crescimento das “seitas” evangélicas no Brasil, os líderes da Igreja Católica Romana têm ameaçado desencadear uma “guerra santa” contra os protestantes, a não ser que eles parem de tirar o povo do domínio católico…Na 31a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil…o bispo Sinésio Bohn disse que os evangélicos são uma séria ameaça à influência do Vaticano neste país. `Declaramos uma guerra santa, não duvidem´, anunciou ele. `A Igreja Católica – disse o bispo – dispõe de uma poderosa estrutura e quando nos mexermos esmagaremos qualquer um que se colocar em nossa frente…´ Conforme Bohn – diz a nota – tal guerra santa pode ser evitada, desde que 13 grandes denominações protestantes assinem um acordo…[o qual] requereria que os protestantes cessassem com todos os esforços evangelísticos no Brasil. Ele disse ainda que, em troca, os católicos concordariam em parar com todo tipo de perseguição aos protestantes” (Revista Charisma, maio de 1994, citação de Dave Hunt, A Mulher Montada na Besta (A Woman Rides the Beast)  vol 1, 2001, p. 10, tradução de Mary Schultze e Jarbas Aragão).
   O mínimo que podemos dizer dessas palavras é que são arrogantes. Evangelizar, para os evangélicos, é o mesmo que respirar. São trinta milhões de pregadores da Palavra, noite e dia, por todo esse Brasil. Convidamos as pessoas para aceitarem a Cristo Jesus como Senhor e suficiente Salvador. “As armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2 Co 10.4).

   O romanismo precisa entender que o tempo das conversões forçadas ficou para trás. Esse tipo de conversão à força da espada só funciona nos governos fascistas, quando clero e Estado entram em acordo para oprimir, exterminar, coagir e impedir o livre exercício da liberdade religiosa. Essa força-tarefa funcionou durante mais de mil anos com a famigerada Inquisição; funcionou nos 500 anos de perseguição sistemática aos judeus; obteve “êxito” na Iugoslávia (Croácia), durante a Segunda Guerra Mundial, para deter o avanço da Igreja Ortodoxa; neste massacre colossal, 400 sacerdotes ortodoxos foram enviados a campos de concentração e 700 foram mortos; vinte e cinco por cento dos mosteiros e igrejas ortodoxas foram destruídos; em quatro anos (1941/1945) de massacre, 850.000 membros da Igreja Ortodoxa pereceram, além de 30.000 judeus e 40.000 ciganos; a mesma força-tarefa     funcionou no esforço de catolizar o  Vietnã do Sul, quando da perseguição de milhares de budistas, a partir de 1963; funcionou bem o Equador, em razão da Concordata de 1862, pela qual o catolicismo romano se estabeleceu como religião estatal, proibido qualquer outro tipo de crença; a força-tarefa funcionou em 1948 na Colômbia, tempo em que muitos  não católicos foram  assassinados, centenas de igrejas evangélicas queimadas e escolas protestantes fechadas.

  Embora o espírito inquisitorial continue em atividade, já não surtem efeito no Brasil as ameaças de excomunhão; a espada não pode ser usada e as beatificações não conseguem evitar que os brasileiros ouçam a Palavra e busquem ao Deus vivo. O SANGUE DOS MÁRTIRES
   Um dos obstáculos à concretização do sonho ecumênico, na amplitude desejada, não reside apenas nas diferenças doutrinárias, nos descaminhos que se foram somando ao longo dos séculos na Igreja Católica, na irreversibilidade das decisões pontifícias e conciliares. Apesar dos tímidos pedidos de perdão, em face de alguns erros cometidos por “infalíveis” papas, a Hierarquia Católica por muitos séculos ainda, e até o fim dos tempos gastará muita tinta para minimizar os estragos que sofreu em razão de seus erros. 

   Ocorre que o sangue dos mártires produziu uma nódoa indelével na memória dos povos. Embora haja perdão nos corações, a História não pode ser apagada. Centenas de livros e artigos na internet e nas livrarias expõem a maldita chaga das Cruzadas, da Inquisição na idade das trevas; da Inquisição na Croácia e no Vietnã do Sul;  dos acordos com governos fascistas.  A Igreja Católica já foi julgada pela História. O derradeiro julgamento, impossível de ser evitado, porque diante dele todo joelho se dobrará, será o do Tribunal do Grande Trono Branco.

INQUISIÇÃO NA CROÁCIA

  É muito comum referirmo-nos aos dez séculos de Inquisição – a Idade das Trevas – como a única e mais cruel máquina de extermínio de não católicos e de conversão forçada, em que acatólicos foram perseguidos, torturados e mortos.  Recordemos que passados mais de duzentos anos do famigerado Santo Ofício  milhares de não católicos foram dizimados na Croácia – os Sérvios Ortodoxos – sob a aquiescência  e omissão da Hierarquia Católica.
“A magnitude da carnificina pode ser melhor avaliada pelo fato de que dentro dos primeiros meses, de abril a junho de 1941, 120.000 pessoas pereceram. Proporcionalmente, à sua duração e a pequenez do território, foi este o maior massacre já acontecido em qualquer lugar no ocidente, antes, durante e após o maior cataclisma do século – a II

Guerra Mundial (The Vatican´s Holocaust – Avro Manhattan(1914-1990), 1986.  

   A ferocidade foi de tal monta que os “nazistas ficaram horrorizados”. A bestialidade suplantou “tudo que fora experimentado na Alemanha de Hitler”.  Mônica Farrell, uma ex-católica romana, relata em seu livro Ravening Wolves (Lobos Vorazes), citada por Mary Schultze, em “Conspiração Mundial”:
“Este é um registro das torturas e assassinatos cometidos na Europa entre 1941/43, pelo exército de ativistas católicos, conhecido como Ustashi [organização terrorista], liderado por monges e padres e do qual até mesmo freiras participaram. As vítimas sofreram e morreram por causa da liberdade de consciência. O mínimo que podemos fazer é ler os registros de seus sofrimentos e guardar na lembrança o que aconteceu, não na Idade Média, mas na nossa própria geração iluminada. Ustashi é outro nome da Ação Católica”.

   O novo Estado Independente da Croácia, agindo em conexão com o nazismo de Hitler, da forma mais cruel e repugnante perseguiu, trucidou, torturou e matou mais de um milhão de pessoas em pouco tempo.

A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA

  Tudo começou no dia 10 de abril de 1941 quando foi proclamado o Estado Independente da Croácia, como resultado do triunfo do exército alemão que já havia entrado no país. Na verdade estava nascendo o Novo Estado Católico, sob a liderança espiritual do Arcebispo Stepinac. Diz Avro Manhattan: “Naquele mesmo dia, os jornais de Zagreb [capital] veicularam anúncios com o objetivo de que todos os residentes ortodoxos sérvios do novo Estado Católico deveriam evacuar a cidade dentro de 12 horas; e qualquer que colaborasse com um Ortodoxo seria imediatamente executado. No dia 13 de abril, Ante Pavelic, governante do Novo Estado, chegou a Zagreb procedente da Itália. No dia seguinte, o arcebispo Stepinac foi encontrá-lo pessoalmente e o congratulou pelo cumprimento da obra de sua vida. Qual era a obra da vida de Pavelic? A criação da tirania fascista mais impiedosa de todos os tempos para desonrar a Europa”.

   A História revela que a conexão Igreja-Estado sempre produziu uma máquina poderosa, pronta para cercear a liberdade de consciência. Em 28.06.1941, o Arcebispo Stepinac abençoou e aprovou o novo governo com as seguintes palavras: “Enquanto o saudamos cordialmente como Chefe do Estado Independente da Croácia, imploramos ao Senhor dos Astros que lhe dê as bênçãos divinas como líder do nosso povo”. Pavelic, o novo líder, “era o mesmo homem sentenciado à morte por assassinatos políticos; uma vez pelos tribunais iugoslavos, pela morte do Rei Alexandre I, e outra, pelos franceses, pela morte do Ministro Francês do Exterior, Barthou”.

   O Vaticano ficou mais vinculado ainda ao Novo Estado Fascista quando membros da Hierarquia Católica foram eleitos para o SABOR (parlamento totalitarista), dentre eles o Arcebispo Stepinac.  Avro Manhattan revela que “todos os oponentes em potencial – comunistas, socialistas, liberais – foram banidos ou aprisionados. Uniões comerciais foram abolidas, a imprensa foi paralisada, a liberdade da fala, de expressão e pensamento tornaram-se coisa do passado. Todo esforço foi feito no sentido de forçar a juventude a se filiar às formações para-militares, enquanto as crianças eram moldadas pelos padres e freiras. O ensino católico, os objetivos católicos, e os dogmas católicos tornaram-se compulsórios em todas as escolas. O Catolicismo foi proclamado como religião oficial do Estado”.

   A participação da Igreja Católica no novo Estado  torna-se mais evidente quando sabemos que “o primeiro Comandante Ustashi no Distrito de Udbina foi o frade franciscano Mate Mogus. No comício de 13.06.41, em Udbina, ele fez esta homilia: `olhai, povo, para estes dezesseis bravos Ustashis, que têm 16.000 balas e matarão 16.000 Sérvios…”; Em Dvor na Uni, o Pe. Anton Djuric, fez um diário de suas atividades, como funcionário da Ustashi. O diário mostra que sob suas ordens a Ustashi derrubou e incendiou a Vila de Segestin, onde 150 Sérvios foram assassinados…”.
  O plano diabólico aprovado por Pavelic, conforme declaração dos Ministros da Ustashi, era o seguinte: “Todos os que entraram em nosso país há 300 anos atrás devem desaparecer… a nova Croácia se livrará de todos os Sérvios em seu meio, a fim de se tornar cem por cento católica, dentro de dez anos…mataremos uma parte dos sérvios, levaremos outra para fora e o resto será forçado a abraçar a religião católica romana…o Estado Independente da Croácia não pode nem deseja reconhecer a Igreja Ortodoxa Sérvia”

   Não é válido defender Stepinac com a alegação de que ele pretendia defender a Iugoslávia do comunismo, a julgar que o nazismo seria algo um pouco melhor. Nada justifica o apoio irrestrito ao sanguinário governo de Pavelic. CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
   Leiam o que está escrito em “O Holocausto do Vaticano”:

“Os representantes da única `Igreja verdadeira´ não apenas conheciam tais horrores, como alguns deles eram autoridades nesses mesmos campos e até haviam sido condecorados por Ante Pavelic. Como exemplo, temos o Pe. Zvonko Brekalo, do campo de concentração de Jasenovac, que foi condecorado pelo próprio líder com a “Ordem do Rei Zvonimir”. O Pe. Grge Blazevitch, assistente do comandante do campo de Bozanski-Novi; o irmão Tugomire Soldo, organizador do massacre dos Sérvios, em 1941. E outros mais”. Nesse tempo, estava no comando da Igreja Católica o papa Pio XII (1876-1958), pontífice de 1939 a 1958.

   Tais campos de concentração estavam sob a supervisão direta de Pavelic. Aos ustashis cumpria enviar para os campos as pessoas não confiáveis, que eram sumariamente liquidadas. Vejamos apenas uma pequena descrição dos horrores:

“Em março de 1943 os internos do campo de Djakovo foram propositadamente infectados com tifo, causando a morte de 567 pessoas; em 15.09.41, a mesma coisa aconteceu no campo de Jasenovac, chegando a 600/700 o número de mortos; no campo de Stara Gradiska, 1.000 mulheres foram mortas; dos 5.000 Sérvios Ortodoxos levados para o campo de Jasenovic, no final de agosto de 1942, 2.000 foram mortos a caminho, os restantes transferidos para Gradina, onde, em 28.08.41, foram mortos a marteladas; no campo de Krapje, em outubro de 1941, 4.000 pessoas foram assassinadas, enquanto no campo de Brocice,em novembro de 1941, 8.000 tiveram o mesmo destino; de dezembro de 1941 a fevereiro de 1942, em Velika Kosutanica e Jasenovac, mais de 40.000 Sérvios Ortodoxos trazidos dos vilarejos das fronteiras da Bósnia, foram exterminados, inclusive 2.000 crianças; em 1942, havia cerca de 24.000 crianças, somente no campo de Jasenovac, das quais 12.000 foram assassinadas a sangue frio. Uma grande parte das restantes, tendo sido mais tarde liberada diante da pressão da Cruz Vermelha Internacional, pereceu aos montes, de intensa debilidade física. Em destas crianças, acima de 12 meses, morreram após saírem do campo por causa de soda cáustica adicionada à alimentação; o Dr. Katicic, Presidente da Cruz Vermelha, por haver denunciado ao mundo o extermínio em massa das crianças, foi internado no campo de concentração de Stara Gradiska, por ordem de Pavelic; na primavera de 1942, no desejo de imitar os campos nazistas da Alemanha e da Polônia, pessoas foram cremadas ainda vivas, simplesmente empurrando-as para dentro dos fornos previamente aquecidos”.

BEATIFICAÇÃO

   “Há dois anos [1998] João Paulo II beatificou o Arcebispo de Zagreb, Cardeal Alojzije Stepinac, defensor da “limpeza étnica” implementada pelos católicos croatas nos anos 40, e prepara-se para fazer o mesmo em relação a Pio XII, o papa que pecou por omissão. Com a palavra Settimia Spizzichino, a única judia romana que sobreviveu a Auschwitz, depois de ser cobaia de Joseph Mengele:

“Voltei sozinha de Auschwitz [Cidade da Polônia, na província de Bielsko-Biala. Famosa por abrigar o maior campo de concentração nazista durante a segunda guerra mundial]. Perdi minha mãe, duas irmãs, uma sobrinha e um irmão. Pio XII poderia ter nos alertado para o que ia acontecer, poderíamos fugir de Roma e nos juntar aos guerrilheiros. Ele nos jogou nas mãos dos alemães. Tudo aconteceu debaixo de seu nariz. Quando dizem que o papa é como Jesus Cristo, sei que não é verdade. Ele não salvou uma única criança. Não fez absolutamente nada.” (O Estado de S.Paulo, 26.03.2000).
   Sobre o assunto, li na Internet: “Decerto que o Papa pode beatificar e canonizar quem quiser, mas a beatificação de alguém com um passado no mínimo nebuloso como o Cardeal Stepinac [elevado a cardeal em 1953] é um insulto à memória de todos os que foram assassinados pela Ustasha e pelo nazismo”.

   Com a derrocada de Hitler, caiu por terra o sonhado Estado Católico da Croácia. Em 11 de outubro de 1946,  Suprema Corte em Zagreb condenou o Arcebispo  Stepinac  a 16 anos prisão em trabalhos forçados. As principais acusações, conforme consta do processo, foram: 1) colaboração política com o inimigo e seus agentes; 2) convocação dos sacerdotes católicos para colaborarem com os traidores, conforme circular distribuída em 28.04.1941; 3) como presidente da Ação Católica e do congresso dos bispos influenciou a imprensa católica, que fez propaganda do fascismo,  elogiou Hitler e Pavelic, e deu cobertura a todo o processo.

   Não iremos descer aos detalhes das conversões forçadas de ortodoxos, que, diante do poder da espada, temendo por sua vida e de seus familiares, submetiam-se aos humilhantes ritos de iniciação ao catolicismo; também não faremos referência às crianças órfãs, aos milhares, que foram expatriadas, raptadas e levadas para outros países; colocadas em orfanatos dirigidos por padres e freiras, rebatizadas com nomes católicos, crescendo sem o contato com seu grupo étnico e religioso original; não falaremos do modo sanguinário, feroz e cruel como muitos Sérvios foram torturados e mortos, enterrados vivos, sangrados, mutilados; das dezenas de templos ortodoxos que foram destruídos ou transformados em salas destinadas às atividades ligadas ao catolicismo. Avro Manhattan, em seu minucioso trabalho em The Vatican´s Holocaust

Pastor Boissoin é absolvido: juiz decide que carta dele sobre homossexualidade não é discurso de “ódio”


Posted: 30 Dec 2009 09:43 PM PST

Thaddeus M. Baklinski
CALGARY, Canadá, 4 de dezembro de 2009 (Notícias Pró-Família) — O pastor evangélico que foi arrastado diante do Tribunal de Direitos Humanos de Alberta (TDHA) por escrever uma simples carta sobre a homossexualidade para o editor de um jornal foi absolvido por um juiz do Superior Tribunal de Justiça que decidiu que a carta não é crime de ódio, mas legítima expressão permitida sob a liberdade de expressão.
O Pr. Stephen Boissoin disse para LifeSiteNews.com (LSN) que ele está “cheio de alegria e aliviado” que a longa, estressante e dispendiosa batalha legal de sete anos por causa de sua carta ao editor acabou a seu favor.
A Comissão de Direitos Humanos de Alberta havia ordenado que Boissoin parasse de expressar suas opiniões sobre a homossexualidade em todos os tipos de fóruns públicos, mandou que ele pagasse prejuízos equivalentes a $7.000 para o queixoso ativista homossexual Dr. Darren Lund, e exortou Boissoin a fazer um pedido pessoal de perdão a Lund por meio de uma declaração pública no jornal local.
“A linguagem não chega ao extremo de incorrer na classificação proibida de ‘ódio’ ou ‘desprezo à lei’”, escreveu Wilson em sua decisão e disse que não havia nada na carta que sugerisse que Boissoin estava incentivando as pessoas a cometerem discriminações contra os homossexuais em áreas que estão dentro da jurisdição provincial e estão estipuladas nos estatutos, tais como moradia, emprego ou acesso a bens e serviços.
“O público alvo da carta são pessoas que (Boissoin) crê que são indiferentes às invasões feitas pelo ativismo homossexual”, disse Wilson.
“Inferir algum tipo de chamada a práticas discriminatórias proibidas pela lei provincial é uma interpretação irracional da mensagem da carta”.
Em sua carta, o Pr. Boissoin colocou em dúvida os novos currículos de direitos homossexuais que estavam permeando o sistema educacional da província, à luz dos perigos físicos, psicológicos e morais da homossexualidade.
“Crianças de cinco e seis anos de idade estão sendo sujeitas à psicologica e fisiologicamente prejudicial orientação e literatura pró-homossexualismo no sistema de escolas públicas; tudo sob a fraudulenta fachada de direitos iguais”, escreveu Boissoin na carta.
A Fundação da Constituição Canadense (FCC), uma organização que defende a livre expressão e interveio no caso, divulgou um comunicado à imprensa dizendo que estava feliz com a decisão de ontem, mas também advertiu que a legislação que foi usada contra o Pr. Boissoin ainda está em vigor.
“Estou feliz que a Ordem da Comissão de Direitos Humanos contra o Rev. Boissoin tenha sido revogada”, declarou John Carpay, advogado e diretor executivo da FCC.
“Infelizmente, a lei que foi usada contra o Reverendo Boissoin para sujeitá-lo a dispendiosos e desgastantes processos legais por mais de sete anos ainda está em vigor”, acrescentou Carpay.
“Apesar da decisão do tribunal hoje, os habitantes de Alberta precisam continuar exercendo cautela máxima ao falar acerca de questões de políticas públicas, para que não ofendam alguém que então entra com uma queixa de direitos humanos. Nenhum cidadão está a salvo de ser sujeito a uma ação legal custeada pelo contribuinte de imposto por ter falado ou escrito algo que um concidadão acha ofensivo”, concluiu Carpay.
Boissoin disse para LSN que ele estava “cheio de alegria e aliviado” que a decisão saiu em seu favor, mas que ele também “sentia um pouco de ira justa porque por sete anos e meio da minha vida tenho sido arrastado na lama por causa de um debate comunitário que existia em Red Deer, Alberta, que acabou virando manchete internacional por causa de uma queixa”.
“Contudo”, o Pr. Boissoin acrescentou, “essa queixa me deu um meio de compartilhar o Evangelho e compartilhar o que minha carta realmente significava, em vez de como foi mal interpretada, e me deu a chance de falar para muitos, muitos homossexuais sobre o incrível amor de Deus”.
Comparando sua experiência com o Tribunal de Direitos Humanos (TDH) de Alberta com a audiência do Superior Tribunal de Justiça, o Pr. Boissoin disse: “Comparado com o TDH que foi uma situação perdida e ridícula onde eu não tinha nenhuma chance, quando sai do Superior Tribunal de Justiça (a audiência de recurso ocorreu em 16 e 17 de setembro) foi muito difícil dizer de que jeito o juiz Wilson decidiria, mas me parecia que ele tinha um senso muito forte de liberdade de expressão e de liberdade religiosa”.

Boissoin criticou fortemente os processos do TDH, observando que num ponto o advogado nomeado pelo governo dirigiu uma pergunta à única testemunha especialista de Boissoin, dizendo: “Qual é a diferença entre a carta de Boissoin e o livro Minha Lula de Adolf Hitler?” 
Os comentários do juiz Wilson sobre essa questão foram muito fortes. “A insinuação incriminadora é óbvia”, Wilson escreveu em sua decisão, acrescentando: “Por outro lado, se desse para fazer um paralelo justo deveria-se notar que, longe de ser proibido, Minha Luta encontra-se à disposição na Biblioteca Pública de Calgary”.
O Pr. Boissoin concluiu agradecendo de coração àqueles que o apoiaram em toda essa tribulação.
“Desejo agradecer a todos os que me apoiaram em todo esse tempo de muitos testes. Mais de sete anos se passaram e o que aprendi a maior parte desse tempo é que Deus é incrivelmente fiel ao longo do caminho. Nunca se envergonhe de falar o que Deus pôs no seu coração. Fale com coragem e confie em que sua fidelidade ao Senhor jamais voltará vazia”.
O texto integral da decisão do juiz Wilson, Boissoin v. Lund, 2009 ABQB 592, será disponibilizado do site do Superior Tribunal de Justiça aqui em futuro próximo.
Veja a cobertura anterior de LSN:
Rev. Stephen Boissoin In Court Today Challenging "Hate Speech" Conviction
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/sep/09091610.html
Alberta Pastor Fined $7000 and Ordered to Publicly Apologize and Remain Silent on Homosexuality
http://www.lifesitenews.com/ldn/2008/jun/08060902.html
Alberta Human Rights Tribunal Rules Against Christian Pastor Boissoin
http://www.lifesitenews.com/ldn/2007/dec/07120306.html
Alberta Christian Pastor Hauled Before Human Rights Tribunal For Letter to Editor on Homosexuality
http://www.lifesitenews.com/ldn/2005/sep/05090204.html
Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/dec/09120407.html

Voltaram Novamente a ENQUETE DO AR sobre o PLC 122


Alguma coisa estranha esta acontecendo no site do Senado, a enquete sobre o PLC 122/2006 já estava com mais de 500 mil votos na sexta-feira ai sumiram com a enquete que voltou na segunda-feira (09/11) ás 18:00 horas, zerada com apenas 10 votos.
 
E novamente as 19:40 hs tiraram do ar NOVAMENTE com o NÃO COM MAIS DE 60% dos votos ?
 
Agora terça-feira agora depois da 14 horas a enquete esta no AR, com pouco mais de 200 votos e com o resultado  sim 46% e o não 54%
 
 
Mas uma vez peço a ajuda dos irmãos, mesmo que já votou na enquete, volte ao site do Senado no link abaixo e vote novamente.
 
Note que mudaram a pergunta: "Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?" Responda NÃO
 
 
Vá a página do Senado Federal e vote NÃO! No link abaixo

http://www.senado.gov.br/sf/senado/centralderelacionamento/sepop/

 
A enquete fica no lado direito do site, logo abaixo do "Fale com o Senado".
 
 
 
Sobre o PLC 122/2006
 
O Projeto de Lei 122/2006 (conhecido como lei da mordaça gay) se for aprovado, transformará os homossexuais em pessoas acima de todos os demais brasileiros. Por exemplo, o proprietário de um apartamento para alugar, se recusar a alugar para um casal de gays poderá ir preso por crime de homofobia, se o projeto for aprovado.
 
Este projeto maligno é cheio de erros e vícios jurídicos, e dará privilégios a uns enquanto rouba a liberdade de pensamento, expressão e culto de outros. Os que defendem a aprovação deste projeto querem calar a Palavra de Deus. Não permita!

Diga NÃO à lei da mordaça gay votando na enquete do Senado Federal


A Paz do Senhor,

Irmãos chegou um momento de unirmos nossas forças, e mais uma vez mostrarmos que não concordamos com o Projeto de Lei 122/2006.
A Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública – SEPOP do Senado Federal, colou em seu site uma ENQUETE onde questiona: “Você é favorável à aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que torna crime o preconceito contra homossexuais? ” Responda NÃO

Perceba que até o texto de divulgação da enquete é tendencioso, rotulando de antemão os divergentes como preconceituosos.
 
Diga NÃO à lei da mordaça gay votando na enquete do Senado Federal
Vá a página do Senado Federal e vote NÃO! No link abaixo
A enquete fica no lado direito do site, logo abaixo do "Fale com o Senado".
 
O Projeto de Lei 122/2006 (conhecido como lei da mordaça gay) se for aprovado, transformará os homossexuais em pessoas acima de todos os demais brasileiros. Por exemplo, o proprietário de um apartamento para alugar, se recusar a alugar para um casal de gays poderá ir preso por crime de homofobia, se o projeto for aprovado.
Este projeto maligno é cheio de erros e vícios jurídicos, e dará privilégios a uns enquanto rouba a liberdade de pensamento, expressão e culto de outros. Os que defendem a aprovação deste projeto querem calar a Palavra de Deus. Não permita!

UM PASTOR DE CORAGEM !!! – Oração do Pastor Joe Wright ao abrir a nova sessão do Senado de Kansas


Interessante oração feita em Kansas na sessão de abertura do Senado deles.
Parece que oração ainda chateia algumas pessoas.
    Quando pediram para o ministro Joe Wright abrir a nova sessão do Senado de Kansas, todos estavam esperando o tradicional discurso, mas isso foi o que eles ouviram:
    "Pai celeste, nós estamos diante de Ti hoje para pedir Teu perdão e para buscar Tua direção e liderança.
    Nós sabemos que Tua palavra diz:
   Cuidado com aqueles que chamam o mal de bem, mas isto é exatamente o que temos feito’
    Nós perdemos nosso equilíbrio espiritual e revertemos nossos valores.
    Nós exploramos os pobres e chamamos isso de loteria.
    Nós recompensamos preguiça e chamamos isso de bem-estar.
    Nós cometemos aborto e chamamos isso de escolha.
    Nós matamos os que são a fa vor do aborto e chamamos de justificável.
   Nós negligenciamos a disciplina de nossos filhos e chamamos isso de construção de auto-estima.
    Nós abusamos do poder e chamamos isso de política.
    Nós invejamos as coisas dos outros e chamamos isso de ambição.
    Nós poluímos o ar com coisas profanas e pornografia e chamamos isso de liberdade de expressão.
    Nós ridicularizamos os valores dos nossos antepassados e chamamos isso de iluminismo.
    Sonda-nos,
    oh,
    Deus,
    e conhece os nossos corações hoje;
    nos limpa de todo pecado e nos liberta.
    Amém! "

    A resposta foi imediata.
    Um número de legisladores saíram durante a oração em forma de protesto. Em 6 semanas, a igreja chamada Central Christian Church,
onde o Reverendo Wright é pastor, recebeu mais que 5.000 ligações e somente 47 foram negativas.
    A igreja agora está recebendo pedidos internacionais de cópias desta oração, como a Índia, África e Korea.
    O comentarista Paul Harvey colocou essa oração no ar no seu programa de rádio ‘O Resto da História’, e recebeu o maior índice de ouvintes que o seu programa já teve.
    Com a ajuda do Senhor,deixe essa oração ir para todo o canto da nossa nação.
    Para que essa oração, novamente, de todo o nosso coração volte a ser nosso desejo, para que possamos de novo ser chamados ‘uma nação dirigida por Deus’

A missão da igreja na confrontação com a opressão espiritual – Parte 1


Pr. Fernando Fernandes


Introdução
A Palavra de Deus nos informa, de modo claro, sobre a existência de seres espirituais classificados em ambos os Testamentos como demônios, espíritos maus, espíritos familiares e espíritos imundos, atestando não apenas a existência como também a atuação devastadora destes em relação a criação, sempre em contrariedade a santidade de Deus.

O próprio Senhor Jesus ensinou sobre os demônios e dedicou grande parte do seu ministério para libertar os possessos, os perturbados de espírito e os lunáticos. Os evangelhos estão repletos de narrativas sobre o confronto direto de Jesus com estes seres espirituais.

Vivemos em um país assolado pela atuação satânica e pela fomentação da feitiçaria, da magia e da idolatria, que é uma maneira sutil de se cultuar a satanás. Tais práticas estão arraigadas em nosso imaginário devido ao fato de que os índios que aqui viviam eram animistas (cultuavam a natureza) e a introdução da idolatria por parte dos colonizadores, o que gerou em nós um sincretismo favorável à disseminação do ocultismo, da feitiçaria, do espiritismo, do espiritualismo e de tantas outras armadilhas diabólicas introduzidas pelos cultos afros aqui aportados com os escravos e que hoje constituem a essência do sentimento religioso brasileiro.

Faz-se necessário e relevante um estudo desta natureza justamente pelo fato de que não podemos estar desinformados e despreparados para as confrontações espirituais que nos sobrevêm. Os demônios nos atacam e em particular, atacam com maior opressão aqueles cristãos que buscam crescimento espiritual e que se dedicam à oração.

Nossa cidade vive sob o estigma da idolatria católica, do espiritismo kardecista (mesa branca) e da Maçonaria, que arregimentam considerável parcela da população, sofrendo ainda, em menor escala, a opressão decorrente do baixo espiritismo (Candomblé, Umbanda, e Quimbanda) e da Cartomancia, da Quiromancia, da Astrologia e do esoterismo difundido pelas Seitas Orientais e pela Nova Era. Vivemos em campo minado.

Nossa cidade é oprimida e subjugada por principados e potestades e, por isso, devemos estar devida e biblicamente preparados para a batalha espiritual que devemos travar contra o reino das trevas, a fim de libertarmos a nossa gente das garras do diabo.

Esta é a razão pela qual estudaremos, durante este mês, sobre a Missão da igreja e a confrontação com a opressão espiritual.

Não pretendemos esgotar o assunto, mas temos como objetivo de auxiliar os oprimidos com a libertação, incentivar os medrosos a criarem resistência espiritual para a vitória e confrontar os incrédulos em relação ao tema para que creiam na Palavra de Deus, não apenas nos demônios.

I – O diabo existe:

A existência de Satanás é ensinada em sete livros do Antigo testamento – Gênesis, 1 Crônicas, Jó, Salmos, Isaías, Ezequiel e Zacarias, bem como por todos os autores do Novo Testamento e, principalmente, por Jesus. Das vinte e nove passagens sobre o diabo nos Evangelhos, vinte e cinco são citações do próprio Senhor Jesus.

A partir de relato bíblico sabemos que Satanás tem características de uma personalidade, podendo falar e planejar, sendo tratado sempre com pronomes pessoas e sendo apresentado como um ser moralmente responsável, Jó 1.6-12; Mateus 4.1-12 e Apocalipse 20.10.

A Bíblia registra a atuação do inimigo na realidade experiencial da humanidade desde os primórdios da humanidade, Gênesis 3.1; 4 e 13. É bem verdade que o nome diabo não aparece no texto. No original a palavra é "serpente", que é traduzida em outras passagens como "o acusador". Sabemos que o ocorrido em Gênesis 3 foi atuação do diabo quando comparamos a narrativa com a sua atuação na tentação de Jesus, registrada em Mateus 4.1-11, pois a estratégia foi a mesma; concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida.

Na verdade, a Bíblia se refere a Satanás como um ser espiritual criado por Deus. Até Gênesis 3, o Texto Sagrado assevera que toda a criação era muito boa, Gênesis 1.31, o que inclui os anjos maus que um dia foram como os bons, mas pecaram e perderam o privilégio de servir a Deus. Isto significa dizer que mesmo no mundo espiritual criado por Deus não existiam os demônios, que são anjos que pecaram e que se tornaram maus e que hoje continuamente praticam o mal no mundo.

Satanás é descrito no Texto Sagrado como o ser angelical que, movido por soberba e desejo de usurpação, se rebelou contra Deus, mas que antes do pecado esteve presente no Éden, o Jardim de Deus, sendo considerado como o "selo da perfeição" e "perfeito em formosura", que "vivia no monte de Deus" e que era "querubim da guarda ungido" pelo próprio Deus.

A despeito de todas estas qualidades, achou-se iniqüidade em seu coração e o seu interior se encheu de violência e de pecado, o que o levou a ser expulso da presença de Deus e lançado sobre a Terra e tornado em cinza diante dos olhos dos que o contemplavam, como lemos em Ezequiel 28.1-3 e 11-20, que por inferência hermenêutica e consenso teológico é admitida como sendo a mais objetiva narrativa sobre a criação e destituição do diabo. O texto na realidade fala de Itabol II, rei de Tiro, mas apresenta as mais precisas informações sobre Satanás.

Outros textos ricos em informações sobre o diabo e sua queda são Isaías 14.3-23, em uma profecia contra a Babilônia, mas que é, na verdade, uma alusão clara a Satanás, e 2 Pedro 2.4, juntamente com Judas verso 6 e Apocalipse 12.7-11, que confirmam a queda e o abismo espiritual dos demônios, Mateus 25.41.

Depois da queda Satanás constituiu-se em inimigo de Deus e tornou-se um mentiroso, o pai da mentira conforme Jesus, procurando sempre matar, roubar e destruir as obras e as criaturas de Deus, João 8.44 e 10.10.

Satanás, que significa adversário, é o nome mais usado para se referir ao diabo na Bíblia, aparecendo 52 vezes. Depois vem o termo diabo, derivado do Diábolos, que significa acusador ou caluniador, que é usado 35 vezes. Também vemos aparecer nomes como maligno, inimigo, grande dragão, Belzebu, serpente, Belial, homicida, pecador e tentador, ou expressões como "o príncipe dos demônios", "aquele que está no mundo", "o deus deste século", "o enganador de todo o mundo", "o príncipe das potestades do ar", "o poder das trevas" e "o espírito que opera nos filhos da desobediência", Mateus 4.3, 12.24 e 27, 13.19 e 38-39; Marcos 3.22; Lucas 11.15 e 19; João 8.44; 2 Coríntios 6.15; 1 Tessalonicenses 3.5; 1 João 2.13, 3.8 e 12 e 5.18; 1 Pedro 5.8 e Apocalipse 12.3 e 9.

Todos estes nomes indicam um pouco do caráter e da atividade do diabo que, como indica os seus nomes, está empenhado na oposição a Deus e à obra de Cristo, juntamente com os demônios que realizam seu trabalho no mundo e infligindo tentação, engano e as mais diversas doenças a fim de impedir o progresso espiritual do povo de Deus.

EmEfésios 6.10-20, o Texto Sagrado assevera sobre a confrontação com os principados e potestades, ou seja, com os demônios, quando o apóstolo Paulo alerta a igreja sobre a necessidade do revestimento da armadura de Deus para o combate. O texto fala das "ciladas do diabo", vs. 11,onde ciladas, methodeías no original, pode significar a astúcia, os planos, os esquemas ou os estratagemas que visam destruir a igreja.

Vemos também que há uma luta, ou seja, uma disputa que exige preparo, força e coragem. Não podemos sair de peito aberto, sem o devido preparo, para o confronto. Lutamos contra principados e potestades. Principado é uma espécie de autoridade superior sobre grandes regiões e muitíssimos seres e potestades são autoridades subordinadas que exercem funções específicas.

Lutamos contra os dominadores deste mundo, kosmkrátoras, que é a figura é de um governante mundial que se auto-arroga o deus salvador, mas que atua motivado pela malignidade de suas intenções. Também lutamos contra as hostes espirituais da iniqüidade, que são seres espirituais malignos que constituem as forças do mal, que metaforicamente retratam um exército opositor liderado pelo próprio maligno, o diabo.

Destas passagens e seus ensinamentos, concluímos que o diabo existe e que está atuante no mundo, habitando nos lugares celestiais, mas também rodeando a terra e os filhos de Deus, exercendo o controle geral sobre o sistema mundano, Zacarias 3.1 e 1 Pedro 5.8. Duvidar da sua existência é o mesmo que desacreditar da Palavra de Deus.

II – Até que ponto vai o poder de Satanás?

Há muita confusão sobre este tema devido ao ensinamento errôneo praticado nas igrejas históricas, principalmente nas tradicionalistas, que propala que Satanás é onipresente e onisciente, não sendo apenas onipotente. Isto é um absurdo e uma prova irrefutável de ignorância quanto a Palavra de Deus.

Tal ensinamento se constitui em um grave erro, um absurdo devastador, servindo como uma prova irrefutável da ignorância quanto a Palavra de Deus, bem como da negligência em relação à instrução bíblica que graça nos arraiais tradicionalistas, que muitas vezes se serve desta ignorância para o embasamento e a prevalência da relativização ética.

A história de Jó deixa claro que Satanás só podia fazer o que Deus lhe permitia, Jó 1.12 e 2.6, e em Judas 6 temos a declaração de que os demônios são mantidos em "algemas eternas", podendo os cristãos lhes resistir por intermédio da autoridade que Cristo nos outorgou em seu nome, Lucas 9.1 e Tiago 4.7.

Além disso, o poder dos demônios é limitado. Depois de se rebelarem contra Deus já não têm o mesmo poder que tinham quando eram anjos, pois o pecado é uma influência debilitante e destruidora. O poder dos demônios, embora significativo, é menor que o dos anjos, Daniel 10.

Através de toda a Bíblia o poder de Satanás é demonstrado como sujeito à vontade passiva de Deus. A limitação do poder de Satanás é indicada pela primeira vez na Bíblia no julgamento de Deus sobre ele em Gênesis 3.14-15, quando ele foi condenado a uma existência desesperada na qual falharia repetidamente em seus intentos contra os filhos de Deus. Satanás foi ferido mortalmente por Jesus na vitória obtida na cruz, 1 Coríntios 15.20. Não podemos subestimar o poder de Satanás que, embora limitado, é extremamente perigoso, mas devemos ter em mente que Satanás não é onipotente.

No campo do conhecimento, não devemos pensar que os demônios conseguem prever o futuro, ler a nossa mente ou conhecer os nossos pensamentos. Em muitas passagens do Antigo Testamento, o Senhor se distingue como o Deus verdadeiro, em oposição aos falsos deuses das nações, pelo fato de só ele conhecer e anunciar as coisas que ainda não sucederam, ou seja, o futuro, Isaías 46.9-l0. Nem mesmo os anjos não sabem o tempo da volta de Jesus, Marcos 13.32, e as Escrituras tampouco indicam que eles ou os demônios saibam qualquer coisa sobre o futuro.

Com relação aos nossos pensamentos, a Bíblia nos diz que Jesus conhecia os pensamentos das pessoas, Mateus 9.4 e 12.25; Marcos 2.8; Lucas 6.8 e 11.17, e que Deus conhece os nossos pensamentos, Gênesis 6.5; Salmo 139.2, 4 e 23; Isaías 66.18, mas não há indicação de que anjos ou os demônios possam conhecê-los.

Vale ressaltar o que disse Daniel ao rei Nabucodonozor, deixando bem claro que ninguém que falasse segundo qualquer outro poder senão o do Deus do céu, poderia interpretar com precisão o que ele havia sonhado, Daniel 2.27-28.

É possível explicar relatos de feiticeiros, médiuns, curandeiros e adivinhadores que, sob influência demoníaca, sãos capazes de dar detalhes precisos da vida de uma pessoa pela compreensão de que os demônios observam o que acontece no mundo, tirando conclusões dessas observações. Um demônio pode saber o que comi no café da manhã simplesmente porque me viu comer. Pode saber o que eu disse numa conversa telefônica particular porque ouviu a conversa.

Os cristãos não devem temer caso se deparem com membros de seitas ocultistas ou de falsas religiões, que pareçam exibir estranhos e secretos conhecimentos. Como não passam do resultado da observação, esses conhecimentos não provam que os demônios podem ler os nossos pensamentos. Nada na Bíblia nos leva a pensar que eles têm esse poder. Conclui-se então que Satanás não é onisciente.

Outra questão que muito preocupa os cristãos diz respeito a suposta onipresença de Satanás. Este é outro conceito errôneo que se perpetuou a partir da generalização que fazemos do nome diabo. Diabo ou Satanás é o nome dado pelas Escrituras para o chefe dos demônios.

Os demônios são os anjos caídos que, como súditos fiéis, realizam o trabalho maligno de Satanás no mundo. Satanás não é onipresente. Ele depende e se serve dos demônios para realizar os seus intentos destruidores. Satanás é um ser criado por Deus e comparece pessoalmente perante o Criador, Jó 1.6-7 e 2.1, depois de passear e de rodear a Terra, nunca depois de estar presente em toda parte ao mesmo tempo.

Embora não devamos subestimar o poder de Satanás, como veremos em seguida, devemos ter em mente que a verdade bíblica nos assegura que só Deus é onisciente, onipotente e onipresente.

III – Não devemos subestimar o diabo:

Mark Bubeck, em seu livro "Vencer o Adversário", afirma que "sempre que Satanás aparece nas Escrituras, há uma aura de extraordinário poder em torno dessa criatura decaída. A Bíblia parece dar a entender que Deus jamais criou outro ser tão poderoso quanto Satanás".

Por esta razão, não é biblicamente correto e nem mesmo muito racional duvidar da existência e do poder do diabo, bem como ridicularizar a sua atuação destrutiva no mundo e na igreja, 2 Coríntios 2.10-11.

Sabemos que Satanás não é invencível e que ele já está vencido, Hebreus 2.14. Mas relatos como Daniel 10 e Judas verso 9, entre outros, nos mostram que não podemos subestimar o inimigo, como fazem alguns cristãos atualmente.

A Palavra de Deus ensina que o diabo se comporta como um leão feroz que ruge em busca de alguém que possa devorar, 1 Pedro 5.8. A figura utilizada por Pedro é muito sugestiva e indica a intenção objetiva do diabo de engolir ou de devorar os servos de Deus. Os termos usados no original se referem à impossibilidade de se recuperar os que são tragados por este leão devastador.

O próprio Senhor Jesus jamais subestimou ou desdenhou o diabo. Vemos em João 12.31-32 e 14.30, que Jesus se refere ao diabo como sendo o "príncipe deste mundo", admitindo-o como o governante superior sobre o cosmos. Jesus utilizou a mesma palavra que Paulo utiliza para se referir aos principados em Efésios 6.12.

Em 2 Coríntios 4.4, Paulo intitula o diabo como sendo o "deus deste mundo". Esta designação se refere ao supremo poder do diabo em influenciar o mundo e ao corromper os sistemas sociopolíticos, bem como as instituições sociais, incitando a humanidade em oposição contra o Deus único e verdadeiro e almejando a adoração de todos os que se recusam a adorar ao Senhor da glória.

Por esta razão, a atividade e o poder de Satanás devem ser levados a sério, visto que o tormento causado pelos espíritos malignos é uma experiência extremamente dolorosa. Se o diabo conseguir obter o domínio total da mente da pessoa que o subestima, de certo a induzirá a um estado alarmante de incredulidade em relação a sua atuação no mundo, acorrentando esta pessoa na dor e no desespero de não visualizar a vitória de Cristo em sua vida. Infelizmente, ao subestimar o diabo, muitos cristãos brincam com o poder demoníaco sem saber que estão plantando sementes da desgraça.

O verdadeiro problema em se subestimar o diabo e seu poder é que nesta atitude está implícita a imaturidade espiritual do cristão. Isto é um problema sério, visto que maturidade em Cristo é elemento fundamental para a vitória na guerra espiritual.

Satanás se opõe a nossa maturidade espiritual e fará de tudo para que não reconheçamos a sua natureza, o seu caráter e o seu poder, pois enquanto ele nos mantiver nesta ignorância, também nos manterá acorrentados na incompreensão do que somos em Jesus, pelo Espírito Santo, e do poder que temos em nome de Cristo para derrota-lo. Enquanto o diabo nos mantiver confundidos e cegos na atitude de subestima-lo, não conseguiremos enxergar que as cadeias que uma vez nos prenderam foram quebradas por Cristo, 1 Coríntios 15.54-57 e 1 João 3.7 e 8.

Nossa vitória e o nosso poder contra o diabo está em Cristo, João 12.32 e Colossenses 2.15. Não são prudentes e nem sábias algumas conotações que se têm dado ao diabo em determinados cultos e cânticos evangélicos, atualmente, visto que tais afirmações e determinações denotam claramente que a "teologia" expressa subestima a Satanás. Uma atitude desta natureza, na verdade, não expressa uma Teologia consistente e coerente com a Palavra de Deus, mas sim um teologismo niilista em relação a Satanás. O teologismo é uma fonte abundante e perene de heresias que presta valiosíssimo serviço ao inferno e que faz com que as pessoas prossigam para a perdição pensando que caminham para o céu.

O cuidado que devemos tomar neste caso é por que Satanás não se importa em qual direção ele possa perverter a verdade. Seu único interesse é que os cristãos e a igreja passem a agir com base em seus enganos, e não com base na Palavra de Deus.

IV – O que é a opressão e a possessão demoníaca e suas possíveis causas:

Infelizmente, há muito desconhecimento por parte dos cristãos sobre os estágios de controle demoníaco sobre as pessoas e muitos estão confusos quanto ao modo como Satanás opera, o que torna necessário fazer a distinção entre opressão e possessão neste estudo. Vejamos.

4.1 Opressão maligna:

A opressão espiritual é caracterizada pela atuação demoníaca sobre as pessoas sem que os demônios dominem completamente suas mentes ou possuam os seus corpos.

Opressão espiritual é um avassalador assédio exercido pelo diabo contra a pessoa, induzindo-a, pela tentação ou pela indução, a posturas existenciais e a atitudes e reações emocionais malignizadas.

Pela opressão, Satanás consegue criar nas pessoas a idéia de que sofrem enfermidades graves ou incuráveis, sem causa aparente ou comprovada, podendo também levar a pessoa a apresentar distúrbios emocionais ou comportamentais identificados nas reações psicossomáticas ou pela obsessão em relação à determinada questão.

Vale ressaltar que toda a opressão inicia, subjetivamente, pela mente, pois quando a mente humana não está em harmonia com a vontade de Deus, está vulnerável às sugestões satânicas. Satanás se aproxima lenta e sorrateiramente, procurando seduzir e influenciar a mente das pessoas até ao ponto em que desobedeçam à Palavra de Deus e que tenham prazer em uma vivência mundana orientada nas sugestões existenciais, sociais ou religiosas oferecidas pelos espíritos malignos. A sugestão é o primeiro passo do estratagema diabólico na tentativa de oprimir alguém, Mateus 16.23 e Efésios 2.1-2.

Vale destacar também que qualquer pessoa, seja cristã ou incrédula, pode ser oprimida por Satanás. Ninguém e nenhum ser dotado de cérebro está imune à opressão de Satanás, Marcos 5.11-14 e 1 João 5.19, que pode ser motivada por diversas causas que servem de precedente para que o diabo seduza ou influencie a mente humana. Pessoas que persistem na prática do pecado mesmo depois da decisão por Cristo, sentindo prazer em pecar, ou que encastelam no coração mágoas, ódio, inveja e ressentimentos estão vulneráveis a sedução do diabo e, por certo, sofrerão opressão maligna, Efésios 4.17-32 e Tiago 3.14-16. Da mesma forma, aqueles que desprezam o senso religioso, desvalorizando a devocionalidade espiritual e aqueles que duvidam do poder e da vitória de Jesus no embate contra Satanás, estão passivos de opressão satânica.

A opressão maligna, conforme Caio Fábio, geralmente, se manifesta com os seguintes sintomas: a) Mania de perseguição semelhante, porém mais séria e mais psicologicamente distorcida, do que a apresentada em uma esquizofrenia. Algumas pessoas têm a sensação de estarem sendo vigiadas o tempo todo.

Algumas pessoas, em circunstâncias mais objetivas de opressão, sentem mãos apertando o peito quando se deitam para dormir e outras visualizam vultos, ouvem passos no telhado ou em cômodos vazios da casa, à noite ou durante o dia. Há pessoas, principalmente do sexo feminino, que têm a nítida sensação de estarem sendo observadas com lascívia quando entram em banheiros ou outros locais isolados.

b) Sexualidade distorcida e exacerbada. São pessoas que têm taras sexuais doentias tais como sado-masoquismo, pedofilia, zoofilia, pornografia, swing, mixoscopia e outras distorções diabólicas da sexualidade humana. Tais pessoas sempre têm seus olhares lasciva e obscenamente carregados de desejos sexuais e suas palavra sempre soam como uma apologia de Afrodite, a deusa do sexo na mitologia. Colossenses 3.5 alerta sobre a necessidade de vencermos tais desejos.

c) Fobias irracionais. O diabo oprime a pessoa com um medo doentio e irracional que paralisa e acorrenta a pessoa na indecisão, na prevenção ou na timidez, não permitindo que ela consiga superar desafios existenciais, espirituais, profissionais, relacionais e intelectuais. É medo de escuro, de altura, de ser derrotado ou de vencer. É medo de feitiçaria, de macumba e de seres espirituais. O pior de tudo é quando o diabo impõe o medo de viver, induzindo a pessoa ao suicídio.

d) Ódios, mágoas e ressentimentos não superados e encastelados no coração, que são remoídos e que vão corroendo os relacionamentos até que seja gerado o desejo de vingança. Muitos casos de possessão demoníaca iniciam na opressão ocasionada pela fomentação deste sentimento homicida.

e) Doenças infundadas e sem causas somáticas comprováveis. Dor de cabeça, dor na coluna, tonturas, tremedeiras, desmaios e outras enfermidades para as quais os médicos não vêem causas e os medicamentos não têm eficácia. São doenças espirituais e a cura para estas doenças é exclusivamente em oração, a partir da libertação.

Em casos mais sérios o diabo, pela opressão, acomete a pessoa de cegueira, de atrofias, de paralisias, de surdez, de demência, de tumores ou de outras enfermidades mais graves que até são comprovadas, mas que não respondem positivamente ao processo terapêutico. Mateus 17.14-21 e Lucas 13.10-17 mostram claramente que a epilepsia do garoto e a cifose da mulher eram manifestações demoníacas.

f) Desânimo para a vida e postura maníaco-depressiva constante. São pessoas que sofrem da "síndrome de Lippy", que durante todo o tempo murmura "ó dia, ó céus, ó vida". Nada está bom. Nada agrada ou satisfaz. São pessoas que sofrem de um mórbido desânimo em relação à existência; a vida que levam; ao trabalho que realizam; ao salário que recebem; ao casamento; aos filhos; a casa em que moram; aos bens que adquiriram; a igreja. Reclamam e murmuram de tudo.

Muitas destas pessoas são suicidas em potencial. Vemos em Números 11.1-6 e em 1 Coríntios 10.10, um alerta de Deus sobre esta maldição e no Salmo 143, vemos que, após admitir a opressão, nos versos 3 e 4, o salmista nos exorta a rejeita-la e a vencê-la pela fé e submissão a Deus, como lemos nos versos 8-12.

Outros sintomas podem ser observados, mas até mesmo os grupos neopentecostais admitem que estes aqui alistados são os mais freqüentes e mais comuns, pelo que, é crucial estudarmos e conhecermos estas diversas maneiras pelas quais os demônios oprimem e escravizam as pessoas. Por natureza e devido à corrupção do pecado somos vulneráveis aos ataques de Satanás e só conseguiremos resistir a sua sedução se tivermos consciência efetiva do que ele é capaz de fazer contra as criaturas e os filhos de Deus.

Não podemos nos esquecer que por causa da prevalência do mal moral e do mal sistêmico no mundo o diabo tem poder para promover destruição, fazendo com que as pessoas se predisponham constantemente para o pecado e para a perda do interesse efetivo pelas coisas genuinamente espirituais ensinadas na Palavra de Deus.

O grande perigo que corre a pessoa oprimida é que o diabo tentará dar o segundo passo na tentativa de concretizar a possessão sobre a sua vida e seu corpo. Devemos observar a decorrência da opressão que é um estado obsessivo compulsivo e mórbido, que varia de intensidade de pessoa para pessoa.

Muitas vezes a pessoa oprimida tem condições de optar pela libertação, mas a pessoa obcecada fica tão iludida que acredita estar fazendo as coisas da maneira correta, não desejando a libertação. A pessoa oprimida que é tomada por obsessão não percebe a necessidade de libertação e pode se tornar uma vítima voluntária de Satanás, permitindo-se à perpetuação da ilusão maligna em sua vida.

A obsessão decorrente da opressão não é um estado de possessão consolidado, mas é uma reação bem mais perigosa e arriscada do que a opressão que a desencadeia. Quando a pessoa chega ao estado de obsessão, para efeitos práticos, está mentalmente perturbada. Tal perturbação psicológica pode ser mascarada por uma neurose ou por uma paranóia acentuadas, que colocam a sanidade da pessoa sob suspeita, o que é também uma estratégia sórdida de Satanás para a manutenção do oprimido sob seu domínio.

Um caso clássico de opressão maligna que desembocou em obsessão diabólica é o de Saul, narrado em 1 Samuel capítulos 18 a 28, em que o Texto Sagrado mostra claramente que tudo começou com o ciúme, passando pelo temor, gerando a inveja que detonou a ira homicida, e terminando numa forma branda de possessão, caracterizada pela procura da feitiçaria para a prática da necromancia .

O desafio é termos sensibilidade e discernimento espiritual para identificarmos a opressão maligna, bem como a obsessão decorrente, evitando erros espirituais grotescos como a oração de libertação para enxaqueca da irmã acometida de TPM ou o encaminhamento do oprimido que busca a cura para a claustrofobia ou para a síndrome do pânico para o psicólogo.

Continua na Parte 2 …

A missão da igreja na confrontação com a opressão espiritual – Parte 2


Pr. Fernando Fernandes
4.2 O que é possessão?

A possessão demoníaca é um tema não muito entendido pela igreja, principalmente as mais conservadoras, mas não podemos negar a verdade bíblica que indica que os demônios investem contra o corpo físico até alcançarem fases mais profundas de possessão, nas quais dominem por completo a mente e as ações dos seres humanos.

Precisamos buscar compreender este tema, se desejamos vitória contra o inimigo, crendo na verdade expressa na Palavra de Deus, que ensina sobre a ação diabólica na tentativa de destruir a humanidade, Marcos 5.1-20.

Em Lucas 8.27, também narrando o episódio do endemoninhado geraseno, não aparece o termo possessão, mas o Texto Sagrado assevera que o homem tinha demônios dentro de si, échon daimónia, o que justifica a tradução que diz "possesso de demônios". A idéia é a de que Satanás tem poder para usar um corpo humano, infligindo doenças físicas ou mentais, no diabólico afã de promover a autodestruição do ser, 1 João 5.19.

A expressão mais comum na Bíblia para se referir a possessão demoníaca é "ter um demônio" ou "estar endemoninhado", mas também encontramos passagens que se referem aos "espíritos imundos", Atos 8.7, e a "espíritos malignos", Atos 19.12.

Por mais estranho que possa nos parecer, Satanás pode tomar posse de um ou mais órgãos do corpo humano, bem como de todo o corpo, se alojando no sistema nervoso da pessoa e dominando a sua mente de tal forma que esta pessoa se adapta com certa facilidade a um padrão de vida sub-humana e às praticas horrendas do ocultismo, tais como beber sangue, comer cérebro humano, comer cacos de vidro e outras coisas humanamente impensáveis.

As manifestações de possessão demoníacas são variadas na sua intensidade e na sua forma. Os demônios podem falar, utilizando os recursos vocais da pessoa possessa, e podem habitar em animais, Mateus 8.29-32. Uma pessoa possessa pode apresentar força incomum, Marcos 5.2-4, pode agir de forma estranha, andando completamente nua ou vivendo entre túmulos, Lucas 8.27, ou ainda, pode adotar comportamento autodestrutivo, Mateus 17.15 e Marcos 5.5, ficando evidente que há graus diferentes de gravidade e de domínio, mas em todos os casos é comum o fato de que a pessoas possessa está sendo destruída pelo demônio usurpador nos campos físico, emocional e espiritual.

O Dr. Hodge define a possessão demoníaca como sendo a habitação de um espírito mal na pessoa, em íntima relação com o seu corpo e sua alma, a ponto de exercer uma influência controladora, produzindo violentas agitações e intensos sofrimentos mentais e físicos.

Concordo com Caio Fábio que no livro "Principados e Potestades", define a possessão demoníaca como sendo a ocupação da mente humana por uma entidade espiritual maligna que ofusca ou elimina a personalidade do possuído, manipulando todas as suas faculdades sensoriais e se apossando do corpo desta pessoa para utiliza-lo na materialização de suas manifestações.

Conforme a narrativa dos Evangelhos a possessão demoníaca é uma das mais marcantes manifestações de poder dos espíritos malignos sobre a mente e o corpo dos seres humanos.

Na verdade, existem duas categorias de possessão na narrativa bíblica. A primeira é especificamente sobre a mente humana, como no caso da menina possuída pelo espírito de adivinhação, mencionada em Atos 16.16. A segunda categoria é a que aponta para a possessão do corpo, tendo o possesso o domínio relativo sobre suas faculdades mentais ou não. Há casos de possessão total do corpo e da mente do endemoninhado, como no caso do menino epilético e do geraseno, Lucas 9.39, Mateus 1715 e Marcos 9.17-18; Marcos 5.9.

Com certa freqüência identificamos sintomas que indicam a possessão demoníaca e dentre estes destacamos os seguintes:

a) A presença de uma entidade maligna, um outro ser manifesto, dentro do endemoninhado.

b) Uma força física excepcional que capacita o possesso a realizações mirabolantes.

c) Acessos raivosos demonstrados em olhares fulminantes e faiscantes, ou em gestos odiosos, motivados pelo desejo de vingança ou por um impulso facinoroso.

d) Olhar vidrado e centrado no vazio sem as reações naturais instintivas da pupila.

e) Resistência a manifestações de um cristianismo autêntico e de uma fé genuinamente cristã, manifesta em zombarias, descaso e rejeição veemente da vitória de Jesus na cruz.

f) Clarividência, adivinhações e profundo conhecimento do sobrenatural.

g) Alteração da voz, do porte físico, do semblante ou mudez total. É possível se verificar também alterações de hálito e dos odores do corpo.

h) Transes psicodélicos e desmaios freqüentes, que acontecem sempre após de uma sensação de arrepio espiritual, como se um ser imaterial estivesse por perto.

É certo que nem todos os casos apresentam todos estes sintomas ao mesmo tempo e em muitos casos o diabo consegue forjar uma normalidade que mascara a sua atuação, pelo que se faz necessário discernimento espiritual e até mesmo, habilidade com o Texto Sagrado para provocar o inimigo a uma manifestação objetiva. O diabo não suporta os textos bíblicos que afirmam a vitória de Jesus sobre ele e sobre seus demônios, tais como Filipenses 2.9-11, Colossenses 2.15, Hebreus 2.14 e 15, 1 Pedro 5.8-9, 1 João 3.7-8 e 5.18.

Devemos ter em mente que além das manifestações evidentes de possessão, a atividade demoníaca pode ser identificada por uma sensação subjetiva da presença espiritual maléfica, como verificamos em 1 Coríntios 12.10, que ensina sobre o dom de discernimento de espíritos, que é dado para a igreja.

Não há razões objetivas que justifiquem o pensamento de que possessões demoníacas tenham ficado restritas ao passado ou ao período bíblico. Há casos, atualmente, de pessoas com pensamentos e atitudes que só se explicam quando estudamos a situação pela perspectiva da possessão demoníaca. Por isso, devemos estar alerta, pois há inúmeros casos verídicos e comprovados de possessão demoníaca hoje em dia.

Não podemos e nem devemos utilizar a possessão demoníaca como carro chefe da mensagem cristã, ou como estratégia de marketing. A Palavra de Deus nos outorga autoridade, em nome de Jesus, para expulsar os demônios, Mateus 10.8, Lucas 9.1-2, mas não nos autoriza tais atitudes. 4.3 As possíveis causas da possessão demoníaca:

Muitas podem ser as causas da possessão, mas verificamos, seja pela experiência ministerial ou ao longo da narrativa bíblica, que algumas causas são mais comuns.

Na verdade, os pensamentos pecaminosos que se estabelecem na mente humana quando se vive distanciado de Deus constroem fortalezas de maus hábitos e de padrões éticos e morais distorcidos que se encravam na mente da pessoa. Desta forma, a pessoa fica vulnerável a Satanás para a possessão enquanto não destruir estas fortalezas em nome de Jesus, tornando-se limpa no sangue de Cristo.

Das causas mais evidentes da possessão demoníaca, destacamos as seguintes: a) O envolvimento com macumbaria, ocultismo, espiritismo, esoterismo e rituais do gênero, mesmo que inconscientemente.

Ler livros ou assistir filmes e novelas que abordem esta temática; manter relacionamento afetivo com pessoas envolvidas ou declaradamente professas; ir a uma festa; comer alimentos consagrados aos ídolos; usar bijuterias ou qualquer outra coisa que esteja ligada aos rituais diabólicos, ou que tenha sido consagrada aos demônios, é um envolvimento perigoso que deixa a pessoa vulnerável à possessão demoníaca.

Além disto, a leitura assídua de horóscopos, a crença em duendes, em fadas, em bruxas e em gurus, bem como toda a sorte de feitiçaria propalada pela mídia, coloca a pessoa em posição desfavorável diante dos ataques satânicos.

Em Êxodo 22.18, a Bíblia condena a feitiçaria e em Levítico 19.26 e 31 condena os agouros e as adivinhações. Em Ezequiel 13.18, o Texto Sagrado condena o uso das pulseiras mágicas e em Levítico 20.6 é repudiada de forma veemente a consulta aos mortos. Além destes textos, vale a pena alistar outros textos que condenam o envolvimento com a macumbaria, com o ocultismo, com o espiritismo, com o esoterismo e com os rituais do tipo, como Deuteronômio 18.9-11, Isaías 2.6 e 8.19, Zacarias 10.2, Malaquias 3.5, Atos 8.9 e 19.19-20, Gálatas 5.19-21 e Apocalipse 21.8 e 22.15.

Muitas pessoas se permitem a contatos com os demônios, ou entregam suas vidas para eles, por que pensam que com isto estão buscando harmonia com os "anjos de luz". Satanás e seus demônios se aproveitam da boa fé das pessoas e se apresentam com nomes bonitos e cheios de aparato para enganarem as pessoas com o ensino de doutrinas diabólicas.

Os demônios se apresentam como sendo "espíritos familiares", "espírito de luz", "espírito de médicos" ou "espírito de poetas ou escritores famosos", mas na verdade são anjos decaídos, são demônios, que se dedicam à diabólica missão de destruir o homem e de escraviza-lo a partir da possessão demoníaca. São estes demônios que se manifestam no kardecismo, na macumbaria, no ocultismo, no esoterismo e em todas as religiões do gênero.

b)Outra causa da possessão é a consagração dos filhos aos demônios. O Texto Sagrado em Levítico 18.21 e 20.2 condena tal prática, que escraviza o ser e que priva do livre arbítrio a criança consagrada ao demônio que a atormentará constantemente.

O pastor Reginaldo Pires, pastor Batista no Rio de Janeiro, em seu livro Grandes Verdades Sobre o Espiritismo, narra que quando sua mãe estava grávida dele, teve uma visão de seu avô, já falecido, que solicitou a dedicação do recém-nascido aos orixás para que este herdasse todos seus poderes do espiritismo. A criança foi consagrada ao nascer e ao completar sete anos os demônios reivindicaram a legalidade concedida anteriormente, fazendo o menino passar por momentos terríveis, nos quais tinha desmaios freqüentes, problemas cardíacos sem comprovação médica, fobias aterrorizantes e visões noturnas de orixás e de pessoas vestidas de branco que diziam que ele era médium de berço.

c) Uma outra causa é a perspectiva de vida pautada na libertinagem sexual. A prostituição, a pornografia, a promiscuidade, a libertinagem, o lesbianismo, o homossexualismo, a zoofilia, as relações incestuosas, a masturbação provocada e compulsiva, o adultério, o suingue e a fornicação são sempre motivados por demônios.

A Bíblia mostra que Deus condena tais práticas em passagens como Levítico 18.1-30 e 20.7-23, Romanos 1.18-32, 1 Coríntios 6.9-10, que indicam o sentimento de Deus para com os praticam estas coisas abomináveis.

d) Uma quarta causa da possessão demoníaca é o alcoolismo e o uso místico de drogas alucinógenas. Quando a pessoa se embriaga ou usa drogas ela agride violentamente a sua própria mente, matando seus próprios neurônios e se tornando vulnerável aos demônios. A pessoa alcoolizada ou drogada é presa fácil para a possessão, visto que Satanás quer anular e dominar a mente humana. O álcool e as drogas servem como agente facilitador no processo de possessão demoníaca.

Textos como Levítico 10.8-11,x Provérbios 20.1 e 23.29-35, Isaías 28.7 e Oséias 4.11 são bem objetivos e são favoráveis à abstenção, mesmo que muitos cristãos, infelizmente até mesmo alguns pastores, queiram encontrar defesa bíblica para um aperitivo, ou para a manutenção dos rituais envolvendo substância alucinógenas que são comuns entre os povos animistas.

e) A quinta e última causa de possessão que consideraremos é a incredulidade e a dureza de coração em relação ao evangelho e a pessoa de Cristo. Muitos não são devassos e não estão diretamente envolvidos com o ocultismo, ou nem mesmo sofrem pressão por parte de uma das causas anteriormente consideradas, mas Satanás mesmo assim usurpa suas mentes e possui os seus corpos.

Normalmente são pessoas que não crêem em Jesus e que resistem a mensagem do evangelho. Não são templos do Espírito Santo, são do "mundo que jaz no maligno", 1 João 5.19. A Palavra de Deus assevera que quem não é de Deus, queiramos ou não, esta sob influência dominadora do Diabo, Efésios 2.1-3.

A exortação da Palavra de Deus é para que se evite um padrão de vida distanciado e dissociado de Deus, visto que isto se constitui em uma porta escancarada para Satanás perverter e dominar, pela possessão, a pessoa, Romanos 1.19-25, Efésios 4.17-19. Não podemos nos esquecer que Satanás é o sedutor, o enganador, por excelência de toda a humanidade sem Deus, como lemos em Apocalipse 12.9.

Por mais difícil que seja para admitirmos isto, até por causa dos nossos amigos e parentes não evangélicos, todo e qualquer coração sem Jesus Cristo é vulnerável à possessão demoníaca.

Vale ressaltar que a possessão se distingue da simples tentação, bem como da opressão, pela completa ou total perda da razão ou da vontade da pessoa possessa. Na possessão, os demônios governam por completo os pensamentos, as palavras e as ações da pessoa, até que sua personalidade pareça destruída ou totalmente reprimida na produção da consciência de uma dupla vontade, ou de um demônio, dentro de si. Na tentação, ou mesmo na opressão, a própria vontade da pessoa se realiza conscientemente, Atos 5.3-4, Tiago 1.13-16, assumindo gradualmente, sem a aparente perda do autocontrole, as características evidentes de uma manifestação satânica.

Também é válido o alerta da Palavra de Deus quando nos orienta para que oremos pedindo ao Pai que não nos deixe ser engodados ou induzidos pela tentação, Mateus 6.13 e Lucas 22.31-32, colocando sobre os nossos ombros a responsabilidade de estarmos atentos para as ciladas do Diabo e de resistirmos os seus ataques pela fé, para a vitória, Efésios 6.11 e 16, Tiago 4.7 e 1 Pedro 5.9.

O Texto de Lucas 22.31-33 é muito objetivo e nele é o próprio Jesus quem assevera que Satanás faz uma espécie de petição, uma reclamação ou demanda de direitos, reivindicando legalidade sobre nossas vidas para nos cirandar, para nos chacoalhar até as últimas conseqüências, a fim de verificar se resistimos aos seus ataques e se nos firmamos na fé em Cristo para a vitória.

Vejamos em seguida a atitude do próprio Senhor Jesus diante do confronto com a possessão demoníaca.

V – Jesus e o confronto com a opressão demoníaca – Marcos 5.1-20:

Apenas para recordarmos e para prosseguirmos na mesma linha pensamento que nos conduziu até este ponto neste estudo, relembramos que a possessão demoníaca é a ocupação da mente humana por uma entidade espiritual maligna, que ofusca ou elimina a personalidade do possuído, manipulando todas as suas faculdades sensoriais e se apossando do corpo da pessoa na materialização das manifestações demoníacas.

Vale ressaltar também, antes de estudarmos o texto indicado, que a possessão demoníaca pode ocorrer em níveis bem distintos. O primeiro deles é denominado de nível oculto. Neste caso, a influência demoníaca é tão sutil em sua manifestação, sem qualquer evidência externa, que só é identificada se submetemos o endemoninhado a um processo de cura interior, como que uma terapia existencial.

O segundo é denominado de nível sutil e sugestivo. Neste caso já se verifica alguma evidência externa de possessão, mas não óbvia o suficiente para um confronto direto. Neste nível, o espírito maligno exerce poder sobre o endemoninhado, mas não se manifesta de maneira que denuncie obter total controle sobre ala.

O terceiro nível é denominado de semi-evidente. Neste caso, o espírito maligno exerce poder suficiente sobre a pessoa a ponto de indicar que há uma força estranha a natureza humana em ação, mas sem se manifestar objetivamente, fazendo apenas sugestões e induzindo a posturas existenciais malignizadas.

O quarto é último nível é o evidente. Neste caso, o espírito maligno está definitivamente no controle da mente e do corpo do endemoninhado, se manifestando livremente em toda a sua hostilidade, arrogância e maldade. É neste nível que a possessão atinge profundidades mais agravadas podendo até levar a pessoa possessa a se tornar maligna, assumindo e incorporando voluntariamente o papel de agente satânico no mundo para a realização dos diabólicos intentos.

No caso do endemoninhado geraseno, em Marcos 5.1-20, também narrado em Mateus 8.28-34 e em Lucas 8.26-39, a possessão se enquadra no quarto nível. Isto é fundamental para entendermos a postura adotada por Jesus, como veremos em seguida.

Neste caso de possessão narrado em Marcos 5.1-20, analisando a postura do Senhor Jesus, vale destacar o seguinte:

a) Verso 2 – O homem estava possesso, ou seja, tinha demônios dentro de si, Lucas 8.27. Isto significa dizer que ele estava completamente dominado pelos demônios habitavam nele, tendo perdido a sua própria personalidade e atuando como um verdadeiro porta-voz do Diabo.

b) Versos 3 e 4 – A condição subumana em que vivia o homem, comparado a um animal que não se podia domar, comprova a ação demoníaca. A possessão era de tal intensidade que o homem estava privado de uma existência socializada e dos relacionamentos interpessoais, já incorporando o seu estado de malignidade.

c) Verso 5 – Satanás estava induzindo aquele homem à autodestruição. A obra de Satanás é destruir as obras de Deus e no seu currículo se destacam as ações de roubar, de matar e de destruir. O diabo estava fazendo o que lhe é peculiar.

d) Versos 6 e 7 – Satanás sabe quem é Jesus e reconhece a sua autoridade e soberania, se prostrando diante dele para adorá-lo. Devemos observar que Satanás não se referiu a designação humana de Jesus. O Diabo não exclamou "Jesus de Nazaré!", mas sim "Jesus, Filho do Deus Altíssimo!", que é a designação divina de Jesus. Satanás sabe que Jesus é Deus e, embora tente destruir as suas obras e desviá-lo de sua plano salvífico, não nega a divindade de Cristo. O Diabo não se submete a soberania de Jesus, mas ele sabe quem é Jesus.

e) Verso 8 – Jesus não faz entrevista marqueteira ou trava um diálogo amistoso com os demônios. Ele exerce autoridade espiritual plena. A ordem é para sair e é dada no tempo verbal imperativo aoristo da língua grega. O que significa dizer que é para Satanás e seus demônios saírem agora, de uma vez só, e de uma vez por todas. É uma ação incisiva de Jesus. Este tempo verbal grego é mais forte do que o imperativo em português, não admitindo confrontação à ordem recebida ou desobediência.

f) Verso 9 – A possessão daquele homem era exercida por uma legião de demônios. Uma legião de soldados romanos, usada como figura neste texto, tinha aproximadamente 6 mil soldados. Vale destacar que Jesus faz uma única pergunta aos demônios, mas isto depois da ordem expressa para que saíssem do homem. Não se deve dar ibope para Satanás, batendo papo com ele. Deve-se exercer autoridade espiritual e expulsá-lo.

g) Verso 15 – Há um contraste maravilhoso, radical e surpreendente agora. O homem é uma nova criatura, totalmente liberto. Não há libertação em suaves prestações corrigidas e acrescidas de mora demoníaca. Quando Jesus liberta, liberta. A pessoa deve assumir a sua nova posição em Cristo, deixando para trás as maldições e opressões que a escravizavam, renunciando todo o envolvimento com o satanismo e quebrando, no sangue de Jesus, todo o vínculo com o império das trevas e toda a legalidade exercida pelo Diabo em sua vida. Se ficar ponderando sobre o passado, com medo ou preservando hábitos e pecados, não foi liberta.

h) Verso 19 – Jesus não autorizou um show gospel para a exploração marqueteira da libertação e muito menos autorizou uma apoteose teatral ou pirotécnica baseada nas diabruras do homem quando ele estava possesso. Jesus responsabilizou o homem por um testemunho sério. O testemunho do homem liberto deveria mostrar não o que Satanás fazia com ele e na vida dele, mas sim o que Deus fez libertando-o em Cristo.

O testemunho de libertação deveria proclamar as maravilhas de Deus e como a misericórdia divina o alcançara, concedendo-lhe libertação. Cuidado com os testemunhos que muito falam e enfatizam o poder e o domínio de Satanás, da obra do pastor ou do poder do homem e de sua "igreja". Jesus Cristo é quem deve ser exaltado e glorificado em um genuíno testemunho de libertação, para o louvor e a glória de Deus e para testemunho do evangelho da salvação.

Desejo deixar bem claro que Jesus expulsou demônios sem estabelecer uma fórmula única para este fim. Embora não haja no texto sagrado uma fórmula definida para se promover libertação da possessão demoníaca, é interessante notar que a característica marcante da atuação de Jesus nestes casos é a autoridade espiritual exercida ao ordenar que os demônios saíssem das pessoas.

Jesus sempre atribuiu o exorcismo ao Espírito ou ao dedo de Deus, Mateus 12.28 e Lucas 11.20, outorgando aos seus discípulos e à igreja autoridade espiritual para a expulsão dos demônios, mas nem por isso podemos prescindir da fé e da oração no confronto espiritual, Mateus 10.1; 17.19-20 e Marcos 9.23-29.

Não venceremos o confronto espiritual pela força física ou pela persuasão ideológica. Lutamos contra Satanás, não contra o possesso. A pessoa endemoninhada carece da graça e da misericórdia de Deus para a sua libertação. Satanás é o inimigo que já está derrotado pela vitória de Jesus Cristo na cruz, Colossenses 2.8-15.

Vejamos na seqüência uma questão muito séria e merecedora de receber atenção redobrada da parte de todos os salvos, visto que tem sido a causa de muito sofrimento, de muito desamor na igreja e de uma avassaladora derrocada espiritual na vida de muitos irmãos.

VI – A Confrontação objetiva com os nossos próprios demônios:

Em Mateus 16.13-23 a Palavra de Deus nos mostra claramente que até mesmo o cristão mais abençoado e mais iluminado pelo Espírito Santo não está imune ao ataque do diabo.

O mesmo Pedro que recebeu a revelação do Espírito de Deus sobre a messianidade de Jesus, verso 17, no verso 22 aparece confinado a uma visão puramente humana que chega ser diabólica, sendo repreendido por Jesus como sendo o próprio inimigo atuando, verso 23. É muito dura e pesada a reprimenda de Jesus chamando o apóstolo Pedro de Satanás.

Infelizmente vivemos situações como estas em nossas vidas e às vezes somos um verdadeiro demônio na vida dos nossos familiares, em nosso casamento, no contexto da igreja, na vida do nosso Pastor, dos nossos irmãos e, o que é pior, em nossa própria vida. Não nos damos conta de que a nossa visão está distorcida e distanciada da Palavra de Deus, como no caso de Pedro.

Precisamos aprender a identificar tais situações e as causas objetivas existentes para que elas aconteçam, assunto sobre o qual vamos considerar a seguir, para que realmente sejamos vencedores nesta batalha espiritual, porém intrapessoal. Vejamos tais causas.

a) Pecado oculto na vida do crente: Quando pecamos deliberadamente e conscientemente, entristecemos o Espírito Santo, Efésios 4.30, e nos sentimos como que esvaziados do Espírito de Deus, Salmo 51.10-11, e se insistimos na prática do pecado, apagamos a chama do Espírito Santo em nossas vidas, 1 Tessalonicenses 5.19. O pecado cometido e encastelado no coração, não confessado a partir de arrependimento sincero, é sintoma de que fomos tragados pelo adversário, 1 Pedro 5.8, e de que permanecemos sob a influência do Maligno.

Sempre que pecarmos, se formos tomados de arrependimento e não por remorso, alcançando um nível de conscientização espiritual profundo em relação ao pecado e sentindo motivação de Deus para abandonarmos o pecado, devemos confessar. Devemos colocar tudo diante de Deus, na presença do nosso pastor ou até mesmo da igreja, para que sejamos perdoados, restaurados e novamente habilitados para o confronto espiritual, 1 João 1.8-l0 e 2.1-2. b) Ressentimentos, mágoas e ódios guardados no coração do crente: O diabo se utiliza destes sentimentos para nos oprimir e para nos fazer opressores daqueles a quem amamos, para nos machucar e para machucar profundamente as pessoas ao nosso redor. Tais sentimentos são homicidas, 1 João 3.15, e devem ser renunciados diante da cruz de Jesus para que sejamos aceitos por Deus diante do trono da graça, a fim de que sejamos revestidos de amor e para que sejamos capacitados a perdoar, liberando e recebendo o perdão de Deus e das pessoas a quem magoamos. Efésios 4.26-27 e Tiago 3.14-15 têm ensinamentos preciosos sobre isso, além de outros diversos textos bíblicos.

A história de Saul, 1 Samuel 18.10-11, ilustra muito bem os malefícios de enclausurarmos estes sentimentos no coração e o que pode acontecer no dia seguinte. É melhor seguir a orientação de Efésios 4.26.

c) Negligência em relação à vida devocional e à prática da oração: Crente que não lê a Bíblia constantemente, conforme a exortação de João 5.39, e que não ora incessantemente como orienta 1 Tessalonicenses 5.17, está com problemas e é um problema para a igreja. É um diabinho em potencial, visto que nunca está na mesma sintonia espiritual que o restante da igreja.

Quase sempre trata as questões da igreja na carnalidade, na incredulidade ou no egocentrismo humanóide e demonizado. Não aceita perder. Não suporta a sã doutrina. Não admite ser disciplinado e não se submete a autoridade espiritual do pastor em hipótese alguma.

Sem oração e sem leitura bíblica a vida cristã fica subnutrida e mequetrefe. O pecado é sempre relativizado e o irmão, coitado, um o crente de esparrela e vulnerável que é aos ataques do diabo, muitas vezes, na melhor das boas intenções, inferniza a igreja.

d) Dúvidas quanto ao poder libertador de Jesus Cristo:Muitos crentes, e até igrejas, colocam no superlativo, ou seja, elevam quase ao grau de excelência, o poder de Satanás, minimizando o poder de Deus manifesto em Jesus na confrontação e na vitória contra o inimigo, o que é pecado e sintoma objetivo de imaturidade espiritual.

Textos como o Salmo 91, Colossenses 2.15, Filipenses 2.9-10, bem como uma série de outros textos bíblicos, não nos permite duvidar da vitória de Jesus contra Satanás. Se de fato estamos firmados em Jesus, somos vencedores. Somos mais que vencedores, Romanos 8.31-39.

Confiar no amor de Deus por nós é um segredo indispensável para a nossa vitória, 1 João 4.18. A conseqüência de, pela fé, não nos apropriarmos das promessas de Deus para nossa segurança e para a nossa vitória individual contra o diabo, sempre será um derrotismo catastrófico e uma cosmovisão espiritual distorcida e maligna, que afetará toda a igreja.

Ainda temos algo a considerar neste estudo sobre a missão da igreja na confrontação espiritual. Es seguida, estudaremos sobre os segredos espirituais para a vitória contra Satanás.

VII – Segredos espirituais para a vitória contra Satanás:

Quando colocamos nossas vidas a disposição de Deus e buscamos na Palavra de Deus os referenciais absolutos para nossa vida cristã, não necessitamos de fórmulas mágicas ou de amuletos evangélicos que nos protejam no confronto com o inimigo.

Não devemos agir como os católicos ou como os espíritas que usam a Bíblia como um amuleto da sorte e também não devemos usar a Palavra de Deus como se ela fosse um amuleto como a figa, a ferradura, o patuá, o galho de arruda, a "espada de são Jorge" ou a "comigo ninguém pode", como fazem os satanistas.

A Palavra de Deus é para nós escudo e broquel, Salmo 91.4. É a espada que o Espírito coloca em nossas mãos, Efésios 6.18, e que é mais cortante e penetrante do que qualquer espada de dois gumes, Hebreus 4.12, sendo a única arma que devemos utilizar nos embates contra Satanás.

Ao lançarmos mão da Palavra de Deus para o combate espiritual, não podemos jamais nos esquecer de que é a fé que depositamos no nome de Jesus que nos concede a vitória nestas rinhas, pois a fé é o escudo que nos protege dos dardos inflamados do Maligno e que nos capacita com resistência necessária para que satanás bata em desesperada retirada, Marcos 16.17; Lucas 10.17-20; Efésios 6.16; Tiago 4.7; 1 Pedro 5.7-8.

No livro "Vencer o Adversário", Mark Bubeck alista quatro segredos espirituais que nos garantem a vitória contra o diabo. Veremos que estes não são, na realidade, segredos misteriosos. São, antes de tudo, princípios bíblicos que devem estar bem definidos em nossas mentes como cristãos.

O primeiro deles é a união do salvo com Cristo. Efésios 6.10 nos exorta a estarmos no Senhor. A nossa força e certeza que temos de vitória consiste no fato de estarmos no Senhor. Precisamos manter um vínculo inseparável com Jesus, em sua plenitude e autoridade divinas, pois como

afirma Colossenses 1.16, até mesmo os principados e potestades estão subjugados a Cristo. Ainda em Efésios 6.10 temos a indicação do segundo segredo da vitória contra o diabo que é o estar cheio do Espírito Santo. Se a missão da igreja, por excelência, é prevalecer sobre o inferno, isto explica o fato de Jesus só ter autorizado a militância da igreja após o revestimento do poder do Espírito Santo, Atos 1.8.

Crentes que não estão atentos para a eloqüente exortação de 1 Tessalonicenses 5.19 não devem correr o risco de um confronto com o diabo, pois somente quando estamos revestidos na "força do seu poder", estamos habilitados para a luta.

O terceiro segredo é o suprimento de toda a armadura de Deus, Efésios 6.11-13. Esta armadura nos garante proteção e nos permite ação objetiva contra o inimigo. Ela nos faz resistir no dia mau e nos matem firmes, apesar de todas as circunstâncias.

Não podemos nos contentar com partes da armadura. Temos que utilizá-la em sua inteireza, visto que cada peça tem um papel singular e estratégico para que obtenhamos a vitória contra Satanás e para que tenhamos recursos espirituais suficientes para a preservação e manutenção desta vitória, Efésios 6.13-17.

O último segredo é a oração. Este segredo é de suma importância visto que é por meio da oração que alcançar os anteriores. Efésios 6.18 nos exorta a orarmos todo o tempo no Espírito, suplicando perseverantemente por todos os santos. A idéia é a de criarmos uma corrente contínua de oração e de intercessão na igreja, Romanos 12.12; 1 Tessalonicenses 5.17; Tiago 5.16-18, visto que nenhum de nós está livre dos ataques do diabo.

Somente pela oração é que alcançamos a união com Cristo, que nos enchemos do Espírito Santo, que renunciamos as capacidades humanas para que lutemos tão somente pela unção espiritual.

O diabo nunca se preocupou muito com os rituais religiosos da igreja, mas tem um medo descomunal da oração genuína. Quando oramos e intensificamos, pela oração, a nossa intimidade com Deus e o nosso poder espiritual, mesmo que não tenhamos do Espírito Santo o dom para discernir espíritos, temos a capacitação espiritual para percebermos e para identificarmos novas e diversificadas formas de oposição da parte de Satanás, recebendo também do próprio Deus o poder e a autoridade, em nome de Jesus, para a vitória.

Vejam que, como disse no início, na verdade, não há segredo algum. Todo o salvo deve saber disso e deve se apropriar da Palavra de Deus, se deseja vencer o maligno quando ele se manifestar.

VIII – Enfrentando o maligno em pessoa e expulsando o demônio:

Temos uma missão e em conseqüência desta, um confronto direto com o diabo. Não podemos dizer que cumprimos nossa missão evangelizadora como igreja, na implantação do reino de Deus no mundo, se não nos incomodamos com o fato de que as pessoas à nossa volta permanecem opressas ou possessas pelo maligno. Temos que enfrentá-lo cara a cara e para isso é necessário que tenhamos em mente algumas verdades bem objetivas, para que não sejamos envergonhados.

No confronto com o maligno em pessoa devemos estar cientes de que:

a) Uma autoridade rebelde está no controle da vida e da mente do possesso e do oprimido. Satanás continua sendo o tirano deste mundo, mas precisamos ter plena certeza de que ele não tem poder para nos escravizar se Jesus é o Rei entronizado em nossas vidas, Colossenses 1.9-16 (observe o verso 13, em especial).

b) Não se iluda. Os poderes demoníacos estão em ação sim. Satanás é um ser vivo e opera o mal e a malignidade no mundo, mas ele não é todo poderoso. É um ser criado; um anjo decaído. Satanás não é onisciente, onipresente e nem onipotente. Ele não pode estar em toda parte ao mesmo tempo, mas trabalha a partir de enganos, de mentiras e de usurpações, para que as pessoas creiam que ele é o todo poderoso. Mas vale ressaltar que todo poderoso, onisciente, onipotente e onipresente, só Deus, Salmo 139. Não há registro bíblico de que os anjos tenham sido criados com os mesmos atributos de Deus.

c) Os demônios podem existir fora ou dentro dos seres humanos. Marcos 5.12 mostra que eles pediram para entrar nos porcos, o que indica que eles são capazes de se locomover livremente, não estando sujeitos a barreiras naturais.

d) Os demônios podem assumir o controle territorial, em cidades, bairros ou países, ou se estabelecerem como proprietários, por usurpação, de determinados pontos geográficos ou espaço físico, Efésios 2.12 e Colossenses 1.16. Só a oração e a autoridade espiritual em Cristo podem detê-los.

e) Os demônios se comunicam entre si. Lucas 11.24-26 deixa claro que o diabo tem seus próprios meios de comunicação.

f) Cada demônio tem a sua própria identidade. Ainda em Lucas 11.24-26 vemos a indicação de uma personalidade que é capaz de raciocinar, de se lembrar de fatos ocorridos anteriormente, de avaliar situações, de traçar planos e de tomar decisões próprias. Não estamos nos confrontando com forças impessoais.

g) Os demônios são capazes de combinar e de conjugar esforços. Marcos 5.9 indica que uma legião atuava (uma Legião romana tinha, aproximadamente, seis mil soldados). Lucas 11.26 assevera que um deles traria com ele mais sete. Uma verdadeira conjugação de poderes satânicos se articula para oprimir, para possuir e para escravizar as pessoas humanas.

h) Os demônios variam no grau de perversidade. Ainda em Lucas 11.24-26, em especial no verso 26, vemos que os parceiros de diabrura eram piores do que o primeiro. Em Marcos 9.14-22 vemos que o demônio fazia com que o menino tivesse convulsões, rangesse os dentes e espumasse até definhar(verso 18), lançando-o no fogo ou na água para destruí-lo (verso 22). A intenção objetiva de Satanás era a de matar o garoto.

Tendo essas verdades em mente podemos, pela fé e certos da misericórdia de Deus para conosco, nos aventurarmos no confronto cara a cara com o maligno, para expulsarmos o demônio daqueles que estejam possessos ou para repreendermos a opressão na vida daqueles que padecem com as investidas do inimigo.

Para expulsarmos um demônio ou para interrompermos um processo de opressão devemos estar cientes de onde emana a autoridade e o poder para a vitória neste embate. De certo não está na pessoa humana, mas sim no nome de Jesus. Não há nenhuma fórmula mágica no nome de Jesus, mas não existe homem no mundo, por mais santo, por mais virtuoso e por mais piedoso que tente ser que tenha autoridade vitoriosa sobre os demônios, sem que esteja submisso a Cristo e sem que exerça a autoridade no nome de Jesus neste confronto. A autoridade e o poder para a nossa vitória conta o inimigo é promessa do próprio Jesus, Marcos 16.17 e Lucas 9.1 e 10.19.

Vale ressaltar que a expulsão de demônios não é privilégio de uma casta superior de crentes ou apenas de pastores avivados ou pentecostais. Também não é sinal ou evidência de maior poder ou de mais autoridade espiritual, Lucas 10.20. A soberba espiritual por se ter recebido um dom espiritual ou por se ter vencido um confronto contra o diabo é pecado. Quando isso acontece no coração do cristão, quem venceu o confronto, na realidade, foi o diabo.

Seria interessante que o salvo que tem experiências com pessoas possessas ou oprimidas desenvolvesse o hábito de jejuar. O jejum nos moldes de Isaías 58.6-14 produz quebrantamento e purificação espiritual. O quebrantamento sincero do nosso coração diante de Deus nos permite desfrutar das promessas de restauração íntima e de vitória sobre Satanás, Tiago 4.6-10. Tenha em mente que o maior exemplo que temos de vitória contra o diabo é o do Senhor Jesus Cristo, que venceu o maligno após longo período de oração e de jejum, 40 dias, exclusivamente pela autoridade da Palavra de Deus, Mateus 4.1-11.

Não há ciência humana que possa debelar as forças do inferno. Só a oração e a unção espiritual nos outorgam a autoridade no nome de Jesus para a vitória contra Satanás.

Conclusão:

Espero ter auxiliado aos amados irmãos e irmãs a esclarecerem as dúvidas que tinham sobre este assunto, bem como a reformularem os seus conceitos sobre a pessoa de Satanás e sobre o confronto com a opressão e a possessão maligna na consecução da missão da igreja.

Muito mais do que um posicionamento denominacional perseguimos preceitos bíblicos inquestionáveis. Embora muitas vezes e durante vários anos estes preceitos tenham sido negados por muitos líderes evangélicos, não podemos negar o fato e a realidade de que o diabo existe e atua ainda hoje no mundo, oprimindo e possuindo pessoas que carecem de libertação.

Se me arriscasse a resumir tudo o que estudamos neste período sobre este tema, A missão da igreja na confrontação com a opressão espiritual, diria que a nossa grande e infalível arma contra o diabo é, ao mesmo tempo, a oração, a submissão a Deus e a resistência ao próprio diabo, pela fé em Cristo Jesus, Tiago 4.7 e 1 Pedro 5.6-9.

A oração, a submissão a Deus e a resistência espiritual associadas à convicção de vitória em Cristo, nos garantem, antecipadamente, a vitória, pois a Bíblia, a Palavra de Deus, não mente e assim assevera.

Desejo encerra esta série de estudos declarando que Satanás está derrotado em minha vida, em nossas vidas e em nossa igreja, pois "para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo", 1 João 3.8.
Amém!
Aleluia!
Glória a Deus!

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Fernando Fernandes é Pastor da 1ª Igreja Batista em Penápolis/ SP e Prof. no Seminário Teológico Batista de São Paulo. E-Mail: prfcf@terra.com.br

Fonte: http://www2.uol.com.br/bibliaworld/igreja/estudos/igrej031.htm

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