Archive for the ‘Estudos Biblícos – SEITAS’ Category

O Ecumenismo e o Sangue dos Mártires


 

 

 
O Ecumenismo e o Sangue dos Mártires
 
                                                              Pr. Airton Evangelista da Costa
 
 
   OS VENTOS DO ECUMENISMO cristão continuam soprando. Porém, depois de algumas décadas de trabalho, verifica-se que os resultados são tímidos. Apesar de alguns avanços localizados, não há muito para comemorar em termos de progresso do diálogo sincero e fraterno, da aceitação mútua, do entendimento consensual entre o catolicismo e demais igrejas, da participação conjunta de católicos e acatólicos em movimentos evangelísticos e sociais.

   Estamos convictos de que barreiras intransponíveis impedem a plena realização das propostas do ecumenismo cristão, que tenta a aproximação entre os ramos da cristandade: a Igreja Católica, a Protestante e a Ortodoxa.  Com o objetivo de identificar tais óbices, divulgaremos neste trabalho diversos pronunciamentos, decisões conciliares, palavra ex cathedra de “infalíveis” papas, da hierarquia católica, de órgãos ligados ao movimento ecumênico, de jornalistas e pesquisadores.

CONCÍLIO DE TRENTO

   Convocado pelo papa Paulo III, o Concílio de Trento (1545-1563) condenou com anátemas todas as teses reformistas dos protestantes acerca da Fé Católica e dos Sacramentos. Vejamos alguns dos cânones.
“Cân. 13. Se alguém disser que para conseguir a remissão dos pecados é necessário a todo homem crer certamente e sem hesitação alguma, mesmo em vista da fraqueza e falta de preparação próprias, que os pecados lhe foram perdoados — seja excomungado”.
   Antes de prosseguirmos, convém esclarecer que tais decisões estão plenamente em vigor. O Código de Direito Canônico, cânon 333, parágrafo 3, declara: “Não há apelação ou recurso contra uma sentença ou decreto do pontífice romano”. A desobediência ao Papa, “Vigário de Cristo”, continua sendo a maior das heresias. O dogma da infalibilidade papal também impede sejam revogadas quaisquer decisões anteriores.

“Cân. 1. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não foram todos instituídos por Jesus Cristo Nosso Senhor, ou que são mais ou menos que sete, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio; ou que algum destes sete não é verdadeira e propriamente sacramento — seja excomungado”.“Cân. 4. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não são necessários para a salvação, mas supérfluos; e que sem eles ou sem o desejo deles, só pela fé os homens alcançam de Deus a graça de justificação — ainda que nem todos [os sacramentos], seja  excomungado”.“Cân. 6. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não encerram a graça que significam; ou que não conferem a graça aos que lhes não opõem óbice, como se fossem apenas sinais externos da graça ou justiça recebida pela fé, e certos sinais da Religião cristã, com que entre os homens se distinguem os fiéis dos infiéis — seja excomungado”.

“Cân. 8. Se alguém disser que pelos mesmos sacramentos da Nova Lei não se confere a graça só pela sua recepção (ex opere operato), mas que para receber a graça basta só a fé na promessa divina — seja excomungado”.
Cân. 10. Se alguém disser que todos os cristãos têm o poder de administrar a palavra de Deus e todos os sacramentos — seja excomungado.
“Cân. 3. Se alguém disser que na Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, não reside a verdadeira doutrina acerca do sacramento do Batismo — seja excomungado”.
“Cân. 12. Se alguém disser que ninguém deve ser batizado senão na idade em que Cristo se deixou batizar, ou na hora da morte – seja excomungado”.
   Como os “irmãos separados”, fiéis às doutrinas bíblicas, continuam pensando do mesmo modo, ou seja, continuam desobedientes ao papa, estamos todos excomungados. Aqui começam os primeiros óbices à pretensão ecumênica. Que conciliação pode haver entre excomungantes e excomungados? Entre a “única Igreja verdadeira” e um bando de “hereges” que resolveu aceitar Jesus como Senhor e Salvador pessoal?
   No período das trevas, tempo em que as fogueiras da Inquisição queimavam continuamente, a excomunhão – apartar o infiel da comunhão da Igreja – era uma arma poderosa nas mãos do catolicismo. Diante dessa ameaça, até reis e príncipes tremiam e temiam.

DOCUMENTO EPISCOPAL

   Extraímos algumas passagens das explicações do Revmo. Antonio, Bispo de Campos, de 19.03.1966, ao comentar as decisões do Concílio Ecumênico Vaticano II:
“Eis que, como a propósito da adaptação, também sobre a falsa aplicação do ecumenismo advertiu Papa os fiéis. Segundo despachos das agências telegráficas, teria o Santo Padre observado, em uma de suas Alocuções nas audiências gerais, que o apostolado junto aos irmãos separados não está isento de ilusões e perigos [grifo nosso]. Ilusões, por uma esperança sem fundamento, perigo pela possibilidade de, no desejo ardente de obter a conversão do herege ou apóstata, falsear o sentido da verdade revelada, ou não expô-la na sua integridade. O texto transmitido pelas agências telegráficas é o seguinte: “Há uma tomada de posição, também por parte daqueles que demonstram demasiado entusiasmo, como se os contactos com irmãos separados fossem fáceis e sem perigo….” [grifo nosso].
   Os milhões que tiveram um encontro com a verdade ficaram muito felizes por saberem que a salvação não é conseguida por pertencer a esta ou àquela denominação, mas por consagrar suas vidas a Cristo Jesus.
“A primeira condição para um apostolado frutuoso junto aos nossos irmãos separados é fugir a todos e quaisquer irenismo doutrinário [atitude conciliadora], ainda que implícito”.
“Entre os preceitos divinos, está a obrigação de ingressar na Igreja Católica [grifo nosso], instituída por Jesus Cristo como meio único de salvação para todos os homens. Como conseqüência, a condição do católico é essencialmente diferente da condição do não católico. O católico, pelo fato de pertencer à Igreja verdadeira, não tem motivo algum para duvidar de que esteja na posse da verdade. O não católico está em condição perfeitamente inversa. Ele não está de posse da verdade [grifo nosso], de maneira que tem todo motivo para duvidar de sua posição religiosa. E se estiver de boa fé, mais facilmente será levado a perceber a falta de fundamento para suas convicções”.

“Estes pontos são pacíficos na teologia católica, e foram objeto de ensino autêntico do Magistério Eclesiástico. A excelência da condição do católico com relação ao não católico, com a conseqüente obrigação, foi definida pelo Concílio Vaticano I (cf. sess. III, cap. III e can. 6).
“Dentro desses princípios, devemos levar o mais longe possível a nossa caridade com os irmãos separados. Sem esquecer a condição de “separados”, isto é afastados da verdadeira Igreja de Cristo [grifo nosso], devemos ter presente a todo momento sua prerrogativa de “irmãos”, e esforçarmo-nos por utilizar os pontos que justificam o apelativo de “irmãos”, para levá-los a uma reflexão mais profunda sobre as realidades cristãs que ainda possuem, a fim de que as compreendam melhor, e percebam que elas só adquirem sua verdadeira autenticidade na Igreja Católica”.
“Isso numa ação direta que a Providência poderá de nós exigir com nossos irmãos separados, onde haja um desejo sincero de amar a verdade. Porquanto, com aqueles que se fixaram na heresia, e a abraçam conscientemente, um diálogo frutuoso é praticamente impossível [grifo nosso]. Podemos ainda e devemos nos compadecer deles, e com nossas orações, penitências e outras boas obras, empenhar a misericórdia divina, que os ilumine e lhes conceda a retidão de vontade, de que hão mister, para chegarem à unidade autêntica do Cristianismo na Igreja Romana” [grifo nosso].
“O que devemos evitar – salvas as necessidades de uma justa e nobre polêmica imposta pelo interesse das almas – são as expressões que possam, de qualquer forma, magoar a nossos irmãos separados; isso ainda quando devamos suportar com paciência as conseqüências de uma vontade que a heresia ou o cisma tornaram mais especialmente ríspida conosco. Vale neste ponto o conselho de São Paulo: procura vencer o mal com o bem (cf. Rom. 12, 21). Mesmo, porém, com os que estão de boa fé, convém evitar a familiaridade [grifo nosso] consoante o prudente e hoje sobremodo oportuno conselho de S. Tomás: “para que nossa familiaridade não dê aos outros ocasião de errar” (Quodlibetum 10, q. 7, a. 1 c).

   Essas regras estão totalmente em conformidade com a Dominus Iesus editada no ano 2000. Os princípios são os mesmos. Como já dissemos, a Igreja de Roma não muda e não pode mudar. Os pronunciamentos de hoje devem guardar coerência com as práxis anteriores, por força da infalibilidade que os papas atribuíram a si mesmos.  Se constituímos uma ameaça; se os católicos são orientados a não ter conosco qualquer tipo de familiaridade; se o diálogo com os protestantes não os removerá de suas “heresias”; se não aceitamos o reingresso na “Igreja Verdadeira”, então não há porque falar em ecumenismo.

CONCÍLIO DE LATRÃO

   Em 1º  de novembro de 1215 iniciou-se o IV Concílio de Latrão convocado pelo papa Inocêncio III através da Bula Vineam Domini Sabaoth, de 10 de abril de 1213. Nele, os hereges são apresentados como os que devem ser combatidos por suas “doutrinas insensatas, fruto de uma cegueira provocada pelo pai da mentira. Suas heresias estão dirigidas contra a fé santa, católica e ortodoxa, sendo um perigo para a unidade da fé da cristandade” [grifo nosso]. Diz mais: 
“Condenamos a todos os hereges sob qualquer denominação com que se apresentem; embora seus rostos sejam diferentes, estes se encontram atados por uma cola, pois a vaidade os une”.
“Assim como o diabo e os demônios, criados por Deus naturalmente bons, pela vaidade foram expulsos do paraíso, também por causa da vaidade os hereges devem ser expulsos do convívio social [grifo nosso]. Os condenados por heresia devem ser entregues às autoridades seculares para serem castigados. No caso de clérigos, deverão ser desligados de suas Ordens. Quanto aos bens, serão confiscados [grifo nosso]”.
“Os que se armarem para dar caça aos hereges, gozarão da indulgência e do santo privilégio concedidos aos que vão, em ajuda, à Terra Santa ” .

ENCÍCLICAS SOBRE O ECUMENISMO

“Com o poder e autoridade sem os quais tal função seria ilusória, o Bispo de Roma deve assegurar a comunhão de todas as Igrejas. Por este título, ele é o primeiro entre os servidores da unidade. Tal primado é exercido a vários níveis, que concernem à vigilância sobre a transmissão da Palavra, a celebração sacramental e litúrgica, a missão, a disciplina, e a vida cristã. Compete ao Sucessor de Pedro recordar as exigências do bem comum da Igreja, se alguém for tentado a esquecê-lo em função dos próprios interesses. Tem o dever de advertir, premunir e, às vezes, declarar inconciliável com a unidade da fé esta ou aquela opinião que se difunde. Quando as circunstâncias o exigirem, fala em nome de todos os Pastores em comunhão com ele. Pode ainda – em condições bem precisas, esclarecidas pelo Concílio Vaticano I – declarar ex cathedra que uma doutrina pertence ao depósito da fé. Ao prestar este testemunho à verdade, ele serve a unidade.” (Encíclica Sobre o Empenho Ecumênico. 1994).“A comunhão de todas as Igrejas particulares com a Igreja de Roma: condição necessária para a unidade. A Igreja Católica, tanto na sua praxis como nos textos oficiais, sustenta que a comunhão das Igrejas particulares com a Igreja de Roma, e dos seus Bispos com o Bispo de Roma, é um requisito essencial – no desígnio de Deus – para a comunhão plena e visível. De facto, é necessário que a plena comunhão, de que a Eucaristia é a suprema manifestação sacramental, tenha a sua expressão visível num ministério em que todos os Bispos se reconheçam unidos em Cristo, e todos os fiéis encontrem a confirmação da própria fé. A primeira parte dos Actos dos Apóstolos apresenta Pedro como aquele que fala em nome do grupo apostólico e serve a unidade da comunidade – e isto no respeito da autoridade de Tiago, chefe da Igreja de Jerusalém. Esta função de Pedro deve permanecer na Igreja para que, sob o seu único Chefe que é Cristo Jesus, ela seja no mundo, visivelmente, a comunhão de todos os seus discípulos” (Encíclica Sobre o Empenho Ecumênico. 1994).
   Essas palavras são traduzidas da seguinte forma: É possível a aproximação ecumênica, desde que reconhecida a supremacia da Igreja Católica, gerida pelo Vigário de Cristo, o Papa, como sucessor de Pedro, a quem compete advertir e avaliar as opiniões contrárias.    Da Encíclica Moratlium Ânimos, de 10.01.1928, do papa Pio XI, vejam algumas diretrizes do tópico “a única maneira de unir todos os cristãos”;

“Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo [grifo nosso], dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela”.
 
“Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultícia afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22). A Obediência ao Romano Pontífice – Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos” [grifo nosso].
 
“Pois se, como repetem freqüentemente, desejam unir-se Conosco e com os nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, “Mãe e Mestra de todos os fiéis de Cristo” (Conc. Later 4, c.5)”?
 
“Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é “raiz e matriz da Igreja Católica” (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que “a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu magistério e regime” [grifo nosso].
 
   O “infalível” papa Pio XI não usou de meias palavras para expressar o pensamento do Vaticano com relação aos não católicos. Em resumo, disse que só fazem do Corpo de Cristo os que reconhecem e acatam o poder do Papa, como legítimo sucessor de Pedro. Disse mais, de forma inequívoca, que a união dos cristãos só será possível com o retorno dos irmãos separados ao catolicismo.
 
PALAVRA DA DIOCESE
 
   A Diocese de Pelotas (RS) divulgou em sua Home Page algumas considerações sobre o Ecumenismo. Destacamos:
 
“Ecumenismo é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes Igrejas Cristãs: os católicos, os ortodoxos, os protestantes, os crentes, os evangélicos. É o caminho proposto por Jesus: “que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Unidade não é a mesma coisa que uniformidade; sermos diferentes pode ser, dentro de certos limites, uma coisa muito enriquecedora”.
“O Ecumenismo significa: conversão de coração para reconhecer o que há de bom nas outras Igrejas cristãs; procurar conhecer as outras Igrejas, sem preconceito e sem ingenuidade; tratar as outras Igrejas como gostamos que a nossa seja tratada”.
   Estas notas soam dissonantes na orquestra ecumênica sob a batuta do Vaticano. A afirmação “outras Igrejas cristãs” sai do tom exigido na Dominus Iesus, mais adiante examinada. Se existem outras igrejas cristãs, então a Igreja Católica e as demais formam uma unidade. Mas uma encíclica de 1994 diz que “as opiniões diferentes são irreconciliáveis com a unidade”. E a Dominus Iesus declara que “os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma das Igrejas e Comunidades eclesiais”. PALAVRAS DE D.ESTEVÃO BETTENCOURT
“O Ecumenismo é o movimento que visa a restabelecer a plena comunhão entre a Igreja Católica e as demais denominações cristãs que no decorrer dos séculos se foram separando do grande tronco católico: orientais (nestorianos, dissidentes em 431; monofisitas em 451; ortodoxos em 1054), protestantes separados em 1517, Velhos Católicos em 1870. O Ecumenismo é algo inspirado pelo Espírito Santo em nosso século, quando se verifica que as separações não têm mais as razões de ser que as suscitaram na época da respectiva cisão. Em nossos dias há quase total identidade de Credo entre católicos e cristãos orientais. Com o protestantismo o diálogo é mais difícil [grifo nosso], dado o esfacelamento do bloco protestante, onde as denominações mais recentes já perderam muito ou quase tudo do patrimônio doutrinário genuinamente cristão, reduzindo o Cristianismo a uma escola de bons costumes inspirados pela Bíblia sem referência explícita aos sacramentos. Além das diferenças doutrinárias (ora mais, ora menos apagadas), nota-se que uma das dificuldades para o bom entendimento entre cristãos provém de questões de ordem histórica (as Cruzadas, por exemplo, no Oriente…), cultural, nacionalista…. Aqueles que se dizem protestantes, mas que não professam o verdadeiro Cristianismo estão alijados do Corpo de Cristo, e, por conseguinte, não podem ser considerados cristãos”.

   É evidente que não pertencem ao Corpo de Cristo os que não professam o verdadeiro Cristianismo. Uma declaração nada mais do que óbvia. Nesse rol estão católicos e evangélicos que não vivem o Cristianismo. Semelhantemente à Dominus Iesus, como veremos a seguir, as palavras de D. Estevão longe estão de admitir a paridade das igrejas cristãs. Ser cristão, no entendimento do Vaticano, não é pertencer a Cristo; é pertencer à Igreja de Roma. Não se pode nivelar as igrejas evangélicas. Não cabe uma generalização com base em grupos dissociados da verdade bíblica. Nas “questões de ordem histórica”, como citado, poderiam ter sido mencionados a famigerada Inquisição, as conversões forçadas e o extermínio recente de Sérvios ortodoxos, dentre outras.

COMENTÁRIOS DE UM PASTOR

Do pastor Addson Araújo Costa:

“Ademais, esta onda de ecumenismo de uma “união” religiosa está cheia de hipocrisia, enquanto nas capitais do Brasil artistas padres propõem o conchavo, no interior padres organizam abaixo-assinados para impedir a entrada de novas igrejas naquelas cidades.  A sua proposta de “amor” está condicionada à adesão, caso esta não ocorra eis a rejeição, o escrutínio pessoal dos líderes, depreciação daquelas igrejas, a exclusão mental dos crentes e todo tipo de prejulgamentos”. “Cabe agora aos evangélicos se irão querer uma nova inquisição travestida de comunhão, ou seja, estar dentro da barriga do leão. Ou se continuarão avante, lutando teológica e biblicamente, por um evangelho autêntico que transforma vidas; se continuarão afirmando que o único Cabeça da Igreja é Cristo, e não um Papa, sabendo portanto que as igrejas e pastores são independentes e autônomos diante de Deus, de conselhos e hierarquias inventadas e portanto contrárias à Bíblia…  A Igreja do Senhor Jesus não é uma instituição em que se nasce nela, mas que se entra nela por meio da fé em Cristo Jesus; ademais a verdadeira Igreja Universal de Cristo não é uma instituição visível e humana e sim composta por todos os salvos desde o Pentecostes até a vinda do Senhor”.

CONSELHO DE IGREJAS

   Vejamos alguns tópicos da declaração assinada pelo Pastor Walter Altmann, Presidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas – CLAI, entidade criada em 1978, e que representa 155 igrejas e organismos ecumênicos em todo o continente latino-americano:
“Com grande surpresa e, mesmo, consternação, o CLAI (Conselho Latino-Americano de Igrejas) tomou conhecimento da «Declaração “Dominus Iesus” sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja», firmada pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, Cardeal Joseph Ratzinger. O CLAI lamenta detectar nela um obstáculo a mais ao ecumenismo, provindo do interior da Igreja Católica Romana, de alto nível e referendada pelo Papa João Paulo II…
“Ao contrário, toma o ensejo para afirmar um exclusivismo católico-romano que em nada pode contribuir para fazer avançar a causa ecumênica, abalando, ao invés, a credibilidade do testemunho de Cristo que nos é comum”.
“Aliás, não é nem tanto na classificação das igrejas protestantes como “não-igrejas” em sentido verdadeiro que reside a maior causa para o desapontamento suscitado pela Declaração, mas sim em suas preocupantes omissões”.

   A polêmica e surpreendente “Dominus Iesus” foi uma água fria na fervura do ecumenismo cristão. Em poucas palavras colocou por terra anos de trabalho em prol do diálogo. Essa declaração nasceu no seio da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, antes denominada Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) e Congregação do Santo Ofício. O espírito conservador, exclusivista e totalitarista continua encarnado na pessoa do cardeal Joseph Ratzinger, seu responsável.

PALAVRA DA MÍDIA

   Notícia do Jornal da Tarde, em 6.9.2000, sob o título “O mais duro golpe no ecumenismo”:
 
“A divulgação de trechos do documento Dominus Jesus (Senhor Jesus, em latim) provocou reações negativas entre líderes de outras igrejas cristãs. Em Paris, o presidente da Federação Protestante da França, pastor Jean Arnold de Clermont, disse que o documento era uma “triste surpresa”. Para o presidente do Conselho da Igreja Evangélica Alemã, reverendo Manfred Kock, foi um “revés”. Na Inglaterra, o chefe da Igreja Anglicana, George Carey, disse que o texto parece ignorar 30 anos de diálogo ecumênico”.
 
   Artigo publicado em “O Estado de S.Paulo, 28.09.2000, com o título “Um retrocesso no ecumenismo religioso”, assinado pelo embaixador Antonio Amaral De Sampaio, diplomata aposentado. Alguns trechos:            

“A declaração formulada recentemente pela Congregação da Doutrina da Fé, denominada Dominus Iesus, consagra surpreendente retrocesso na política da Igreja Católica com referência ao ecumenismo religioso, a qual havia registrado avanços durante o pontificado de João Paulo II. Situação esta que agora incorre no risco de ser comprometida, caso seja mesmo alçado a posição oficial do Vaticano o resultado das elucubrações orientadas e dirigidas pelo cardeal Joseph Ratzinger, o principal guardião da doutrina católica. O referido prelado é o tradicionalista prefeito da antiga Sagrada Congregação do Santo-Ofício, que, se hoje ostenta outra denominação, mais consentânea com a atualidade, ainda não logrou libertar-se do espírito do passado, que gerenciou a Inquisição, perseguiu heréticos e fez perecer na fogueira milhares de inocentes vítimas de superstições, da ignorância e maldade humanas, ou, mais simplesmente, apenas fiéis de outras confissões, algumas tão respeitáveis quanto aquela que tem sua sede política, administrativa e doutrinária em Roma. Significa ela um verdadeiro salto para trás, ensaiado – o que para alguns se afigura inquietante – no mesmo contexto temporal que trouxe a canonização de Pio IX (Giovanni Maria Mastai-Ferretti). Esse papa do século 19, hoje mais conhecido como o autor intelectual do Syllabus, foi também o formulador do dogma da infalibilidade pontifícia.
A essência do dictum do cardeal Ratzinger estabelece que os indivíduos apenas podem alcançar a salvação dos pecados por meio das graças espirituais da Igreja Católica; que as demais confissões religiosas – incluindo os diversos ramos do protestantismo – padecem de equívocos que colocam seus fiéis em situação de deficiência na busca da salvação.

Não se compreende que tal se aplique no caso de outras denominações cristãs de consagrada respeitabilidade, assim como do judaísmo e do Islã.
O pontificado de João Paulo II aproxima-se de seu termo e o papa, avassalado pela doença de Parkinson e outros achaques próprios de sua avançada idade, agravados pelo atentado que sofreu, parece que deixou progressivamente de exercer, sobre a hierarquia eclesiástica e o clero em geral, os poderes de comando e controle que constituem uma de suas prerrogativas”.
 
DOMINUS IESUS          Vejamos fragmentos dessa Declaração assinada pelo cardeal  joseph ratzinger,  e referendada pelo papa joão paulo ii em  6.08.2000, que causou surpresa e consternação a muitos. Abaixo de cada trecho faço alguns comentários.  Os grifos são nossos:
“A Igreja Católica não rejeita absolutamente nada daquilo que há de verdadeiro e santo nessas religiões. Considera com sincero respeito esses modos de agir e de viver, esses preceitos e doutrinas que, embora em muitos pontos estejam em discordância com aquilo que ela afirma e ensina, muitas vezes reflectem um raio daquela Verdade que ilumina todos os homens ».

   Um modo elegante de introduzir o asssunto, porém anunciando uma inverdade. Como veremos a seguir, o Vaticano  exclui a possibilidade de existir alguma coisa santa e verdadeira nas outras religiões. Mais de uma vez o Documento fala desse raio de Verdade, provinda da Igreja Católica,  que alcança as demais religiões. Para melhor compreensão, a Igreja de Roma se assemelha à Lua, que recebe  luz (a Verdade) diretamente do Sol (Jesus) e a repassa à Terra (demais religiões). Ora, a Verdade não vem a nós via Igreja Católica. Recebemo-la diretamente do nosso Salvador, fonte de Luz e de Vida Eterna.
“Este diálogo, que faz parte da missão evangelizadora da Igreja, comporta uma atitude de compreensão e uma relação de recíproco conhecimento e de mútuo enriquecimento, na obediência à verdade e no respeito da liberdade”.
   São declarações que mais adiante ficam anuladas. Como a Igreja Católica poderia se enriquecer num relacionamento com apóstatas, excomungados hereges, alijados  do Corpo de Cristo? “Respeito à liberdade” soa muito mal diante dos fatos. 
“No exercício e aprofundamento teórico do diálogo entre a fé cristã e as demais tradições religiosas surgem novos problemas, que se tenta solucionar, seguindo novas pistas… É por isso que a Declaração retoma a doutrina contida nos anteriores documentos do Magistério, para reafirmar as verdades que constituem o património de fé da Igreja”.

   Em suma, diz o Documento que na Igreja Católica nada mudou. Continua a mesma e continuam valendo documentos anteriores, pois que fazem parte do seu patrimônio de fé. Afirmação desnecesária, pois sabemos todos que são irrevogáveis as decisões dos “infalíveis” papas. O Vaticano desconfia que a aproximação dos católicos com os protestantes, via ecumenismo, seja prejudicial aos seus objetivos, haja vista o real “perigo” decorrente dessa contínua familiaridade.
“O perene anúncio missionário da Igreja é hoje posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de facto, mas também de iure (ou de principio). Daí que se considerem superadas, por exemplo, verdades como…  a mediação salvífica universal da Igreja, a não separação, embora com distinção, do Reino de Deus, Reino de Cristo e Igreja, a subsistência na Igreja Católica da única Igreja de Cristo”. 
“Na raiz destas afirmações encontram-se certos pressupostos, de natureza tanto filosófica como teológica, que dificultam a compreensão e a aceitação da verdade revelada… a tendência, enfim, a ler e interpretar a Sagrada Escritura à margem da Tradição e do Magistério da Igreja. E o mistério de Jesus Cristo e da Igreja perdem o seu carácter de verdade absoluta e de universalidade salvífica”.

   Em outras palavras, ninguém deve ler e interpretar a Bíblia sem a intermediação do Magistério da ICAR. Revela-se aqui o cuidado para que os católicos, em atos ecumênicos, não se disponham a examinar livremente as Escrituras sem levar em conta a Tradição, colocada pela ICAR no mesmo nível de autoridade da Bíblia.   É um  alerta ao perigo do contágio ecumênico, para evitar que o “vírus” da verdade protestante e bíblica  não se propague ainda mais.
“Nem sempre se tem presente essa distinção na reflexão hodierna, sendo frequente identificar a fé teologal, que é aceitação da verdade revelada por Deus Uno e Trino, com crença nas outras religiões, que é experiência religiosa ainda à procura da verdade absoluta e ainda carecida do assentimento a Deus que Se revela.”

   À medida que a Declaração  avança para o final, as palavras vão se tornando mais duras, diretas e específicas. Se no começo  foram ambíguas, certamente para  não causar constrangimentos imediatos, agora elas se revelam sem nenhum receio de declarar o que a Igreja Católica pensa dos não católicos.  “Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica — radicada na sucessão apostólica — entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: Esta é a única Igreja de Cristo”.
   Se os não católicos desejam participar da Igreja de Cristo, então que reconheçam e professem e declarem que a Igreja Católica é a verdadeira, a única instituída por Cristo.

“Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste [subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. Com a expressão « subsistit in », o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que  existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição, isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica. Acerca destas, porém, deve afirmar-se que o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica”.“Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares… Por isso, também nestas Igrejas está presente e actua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objectivamente tem e exerce sobre toda a Igreja”.

   As demais igrejas possuem elementos de santificação, mas não plena, pois lhes falta o vínculo à Igreja-Mãe, diz a Declaração. Dizer que existem elementos de santificação e de verdade nas demais igrejas, deixa margem a dúvidas. É uma ambigüidade.  O que significa mesmo possuir elementos de santificação e verdade e não ser Igreja de Cristo, não ser santa nem verdadeira?  As igrejas que mantém estreitíssimos laços com a “Depositária da Verdade” podem usufruir das benesses da graça divina, porém derivada da graça revelada à Igreja de Roma. Os acatólicos, diz o Documento, não podem obter graça sem a intermediação da Igreja tronco, única e verdadeira.

“As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, não são Igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas Comunidades estão pelo Baptismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que imperfeita, com a Igreja”.

“Os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma — diferenciada e, de certo modo, também unitária — das Igrejas e Comunidades eclesiais; a Eucaristia e da plena comunhão na Igreja”.“Daí a necessidade de manter unidas estas duas verdades: a real possibilidade de salvação em Cristo para todos os homens, e a necessidade da Igreja para essa salvação…”.
   Não somos  igreja, mas podemos batizar, e os batizados são incorporados a Cristo, porém há necessidade de ingressarem na Igreja Católica para serem salvos. Mais ambigüidades. Somos ou não somos Corpo de Cristo. Somos ou não somos cristãos. Somos ou não somos filhos de Deus. A declaração mais estapafúrdia é a de que os homens precisam da Igreja Católica para salvação.

“Para aqueles que não são formal e visivelmente membros da Igreja, a salvação de Cristo torna-se acessível em virtude de uma graça que, embora dotada de uma misteriosa relação com a Igreja, todavia não os introduz formalmente nela, mas ilumina convenientemente a sua situação interior…”“Seria obviamente contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma, embora convergindo com ela para o Reino escatológico de Deus”.
   Ecumenismo, para o catolicismo,  representa incorporação, adesão. O Vaticano não entende que nenhuma igreja é caminho de salvação. O Caminho é Jesus. Aquele que nele crê será salvo, e passa a fazer parte da verdadeira Igreja de Cristo. Em todo o Documento está nítida a crença de que a Igreja Católica é o Caminho, e fora dela não há salvação. Ser batizado, participar dos Sacramentos e pertencer à Igreja-Mãe são condições que levariam à salvação. Nada mais contrário ao ensino das Sagradas Escrituras. O Corpo de Cristo é o somatório de todos os salvos em Cristo, vivos ou mortos, de todas as épocas.

Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel de preparação ao Evangelho… Não se lhes pode porém atribuir a origem divina nem a eficácia salvífica ex opere operato, própria dos sacramentos cristãos”. “Se é verdade que os adeptos das outras religiões podem receber a graça divina, também é verdade que objectivamente se encontram numa situação gravemente deficitária, se comparada com a daqueles que na Igreja têm a plenitude dos meios de salvação”.
   As palavras do Vaticano se revelam aqui na plenitude de seu exclusivismo. Tudo agora ficou bem claro. Não há salvação para os que estão fora do catolicismo. A situação destes é grave e deficitária, pois só Roma tem a plenitude dos meios de salvação. Os protestantes têm o único e verdadeiro caminho de salvação: JESUS CRISTO.

“A paridade, que é um pressuposto do diálogo, refere-se à igual dignidade pessoal das partes, não aos conteúdos doutrinais e muito menos a Jesus Cristo — que é o próprio Deus feito Homem — em relação com os fundadores das outras religiões”.
   O Documento esclarece que não pode haver igualdade no diálogo ecumênico. Os católicos poderão dele participar, mas cientes de que estão em nível mais elevado. Ora, a Igreja de Cristo representa a soma dos que nEle confiam e a Ele consagram suas vidas.  Realmente não se pode falar em paridade em relação aos conteúdos doutrinais, pois a maioria dos dogmas da ICAR está em desacordo com a  Bíblia Sagrada.

“A Igreja, com efeito, movida pela caridade e pelo respeito da liberdade, deve empenhar-se, antes de mais, em anunciar a todos os homens a verdade, definitivamente revelada pelo Senhor, e em proclamar a necessidade da conversão a Jesus Cristo e da adesão à Igreja através do Baptismo e dos outros sacramentos, para participar de modo pleno na comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo”.“Os Padres do Concílio Vaticano II, debruçando-se sobre o tema da verdadeira religião, afirmaram: « Acreditamos que esta única verdadeira religião se verifica na Igreja Católica e Apostólica…”.

   O Vaticano não pode falar em “respeito da liberdade”, nem do respeito às crenças dos não católicos sem antes fazer mea-culpa. Que   primeiramente admita seus erros e o fato de que a Igreja Católica tem contribuído para cercear  essa liberdade.  O Documento deixa para o fim a declaração mais importante: somente mediante adesão ao catolicismo, mediante batismo e participação dos sacramentos o homem pode participar da plena comunhão com Deus. O que não é verdade: “Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Para sermos recebidos como filhos de Deus, basta crer, confiar e obedecer: “Mas a todos os que o receberam, àqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; filhos nascidos não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do
homem, mas de Deus” (João 1.12,13).

   Há apenas nove anos, no dia 29 de março de 1994, após exaustivo planejamento e cuidadoso exame, líderes católicos e evangélicos americanos assinaram uma declaração conjunta intitulada “Evangélicos e Católicos Unidos – A Missão Cristã no Terceiro Milênio”. Foi um evento significativo na história da cristandade. Dave Hunt, em “A Mulher Montada na Besta”, ressalta com propriedade que, apesar de a declaração coletiva ter levado em conta algumas diferenças básicas entre católicos e evangélicos, a mais importante não mereceu qualquer atenção, ou seja, o que significa ser cristão nas duas crenças.
   Bastaria colocar em pauta o conceito de cristão para que não houvesse qualquer acordo. Como vimos nos pronunciamentos oficiais do catolicismo, cristão é o que está filiado à Igreja Católica. Basta preencher a ficha de inscrição, ser batizado e participar dos sacramentos. Agora, depois de quase uma década, o Vaticano declara que esses irmãos separados, signatários da Declaração, não são igreja no sentido próprio, e estão em situação de penúria diante de Deus. Ou seja, estão desgraçados, sem a graça divina. Diz Dave Hunt:

“O elemento-chave por trás dessa histórica declaração conjunta é a anteriormente inimaginável admissão, por parte dos líderes evangélicos, de que a participação ativa da Igreja católica faz de alguém um cristão. Se esse realmente é o caso, então a Reforma não passou de um erro trágico. Os milhões que foram martirizados (durante dez séculos antes da Reforma e até os dias de hoje) por rejeitar o catolicismo como um falso evangelho, terão morrido em vão. Se, contudo, os reformadores tinham razão, então este acordo entre católicos e evangélicos seria o golpe mais astuto e mortal contra o Evangelho de Cristo em toda a história da Igreja”.

“As diferenças teológicas entre católicos e protestantes já foram consideradas tão grandes, que milhões morreram como mártires para não comprometê-las, e seus executores católicos estavam igualmente convencidos da importância de tais diferenças. Como podem essas diferenças ter desaparecido? O que levou os líderes evangélicos a declarar que o evangelho do catolicismo, que os reformadores denunciaram como herético, agora tornou-se bíblico? Esse evangelho não mudou em nada. Será que a convicção foi comprometida a fim de criar uma imensa coalizão entre os conservadores por uma ação social e política”?    Alguns imaginaram que esse acordo marcaria um passo decisivo rumo a um entendimento e aceitação mútua. Enfim, a Igreja Católica iria aceitar os “hereges” como verdadeiros irmãos. Engano. Estavam longe de imaginar que anos mais tarde o Vaticano mostraria mais uma vez a sua face real.

   Detectamos uma tremenda inversão de valores no trato de tais questões. Nós, que primamos pela verdade bíblica, e que vemos unicamente em Jesus a possibilidade de salvação, nós é que devemos refletir se podemos considerar como cristã uma religião que se desfigurou ao longo do tempo como cristianismo autêntico.

   A Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, em repúdio às declarações da Dominus Iesus, inicia sua carta de 13.09.2000 à Igreja Católica, do seguinte modo:
“Vimos manifestar-lhe a nossa desilusão e tristeza ao ver que, passados trinta e cinco anos da realização do Concílio Vaticano II, as mais altas figuras da Igreja Católica Romana (ICR) ainda são capazes de produzir um documento como a “Dominus Iesus” que, no mínimo, se reveste de uma grande insensibilidade ecumênica. A Declaração nada traz de novo. Tudo o que ela contem já foi dito há muitos anos e em muitos outros documentos. Neste sentido somos tentados a dizer, como muitos, “Roma nunca muda”! Mas será que a participação activa, e irreversível, da ICR no diálogo ecumênico durante as últimas décadas é compatível com a inflexibilidade e o exclusivismo manifestados na “Dominus Iesus”? Quando pensávamos que a “teoria do retorno” já havia desaparecido do vocabulário ecumênico, constatamos que ela continua a orientar as relações da ICR com as outras Igrejas Cristãs”.

NOTA DA CNBB

   “A Presidência e a Comissão Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em comunhão com o Papa João Paulo II que, no dia 18 de setembro de 2000, reiterou “ser irrevogável o empenho da Igreja Católica para com o diálogo ecumênico”, por motivo da recente Declaração Dominus Iesus da Congregação para a Doutrina da Fé, deseja reafirmar o seu compromisso ecumênico”.

“Manifesta a todos os cristãos a estima da Igreja Católica que os reconhece justificados pela fé e incorporados a Cristo e os abraça com fraterna reverência e amor como “irmãos no Senhor”. Considera também que “suas igrejas de forma alguma são destituídas de significação e importância no mistério da salvação” (Cf. UR). Acredita que o movimento ecumênico, surgido entre os irmãos e irmãs de outras igrejas para restaurar a unidade de todos os cristãos, é uma obra do Espírito Santo” (Dom Jayme Henrique Chemello, Presidente; Dom Raymundo Damasceno Assis, Secretário-Geral).    A CNBB, que tem compromissos assumidos com a liderança das demais igrejas, com vistas a um diálogo fraterno, manifestou-se favorável à continuidade desse entendimento. Destoando das afirmações exclusivistas da Dominus Iesus, trata os fiéis de outras igrejas como “irmãos no Senhor”. Trata-se de um paradoxo, porque a CNBB faz parte da Hierarquia Católica; representa, por dever, o pensamento do Papa e segue as suas diretrizes. Consideremos, porém, que a CNBB ficou numa situação desconfortável. 

   Mais uma nota fora do tom está na palavra ameaçadora do bispo Sinésio Bohn, conforme notícia publicada no início dos anos 90:

“Espantado com o forte crescimento das “seitas” evangélicas no Brasil, os líderes da Igreja Católica Romana têm ameaçado desencadear uma “guerra santa” contra os protestantes, a não ser que eles parem de tirar o povo do domínio católico…Na 31a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil…o bispo Sinésio Bohn disse que os evangélicos são uma séria ameaça à influência do Vaticano neste país. `Declaramos uma guerra santa, não duvidem´, anunciou ele. `A Igreja Católica – disse o bispo – dispõe de uma poderosa estrutura e quando nos mexermos esmagaremos qualquer um que se colocar em nossa frente…´ Conforme Bohn – diz a nota – tal guerra santa pode ser evitada, desde que 13 grandes denominações protestantes assinem um acordo…[o qual] requereria que os protestantes cessassem com todos os esforços evangelísticos no Brasil. Ele disse ainda que, em troca, os católicos concordariam em parar com todo tipo de perseguição aos protestantes” (Revista Charisma, maio de 1994, citação de Dave Hunt, A Mulher Montada na Besta (A Woman Rides the Beast)  vol 1, 2001, p. 10, tradução de Mary Schultze e Jarbas Aragão).
   O mínimo que podemos dizer dessas palavras é que são arrogantes. Evangelizar, para os evangélicos, é o mesmo que respirar. São trinta milhões de pregadores da Palavra, noite e dia, por todo esse Brasil. Convidamos as pessoas para aceitarem a Cristo Jesus como Senhor e suficiente Salvador. “As armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2 Co 10.4).

   O romanismo precisa entender que o tempo das conversões forçadas ficou para trás. Esse tipo de conversão à força da espada só funciona nos governos fascistas, quando clero e Estado entram em acordo para oprimir, exterminar, coagir e impedir o livre exercício da liberdade religiosa. Essa força-tarefa funcionou durante mais de mil anos com a famigerada Inquisição; funcionou nos 500 anos de perseguição sistemática aos judeus; obteve “êxito” na Iugoslávia (Croácia), durante a Segunda Guerra Mundial, para deter o avanço da Igreja Ortodoxa; neste massacre colossal, 400 sacerdotes ortodoxos foram enviados a campos de concentração e 700 foram mortos; vinte e cinco por cento dos mosteiros e igrejas ortodoxas foram destruídos; em quatro anos (1941/1945) de massacre, 850.000 membros da Igreja Ortodoxa pereceram, além de 30.000 judeus e 40.000 ciganos; a mesma força-tarefa     funcionou no esforço de catolizar o  Vietnã do Sul, quando da perseguição de milhares de budistas, a partir de 1963; funcionou bem o Equador, em razão da Concordata de 1862, pela qual o catolicismo romano se estabeleceu como religião estatal, proibido qualquer outro tipo de crença; a força-tarefa funcionou em 1948 na Colômbia, tempo em que muitos  não católicos foram  assassinados, centenas de igrejas evangélicas queimadas e escolas protestantes fechadas.

  Embora o espírito inquisitorial continue em atividade, já não surtem efeito no Brasil as ameaças de excomunhão; a espada não pode ser usada e as beatificações não conseguem evitar que os brasileiros ouçam a Palavra e busquem ao Deus vivo. O SANGUE DOS MÁRTIRES
   Um dos obstáculos à concretização do sonho ecumênico, na amplitude desejada, não reside apenas nas diferenças doutrinárias, nos descaminhos que se foram somando ao longo dos séculos na Igreja Católica, na irreversibilidade das decisões pontifícias e conciliares. Apesar dos tímidos pedidos de perdão, em face de alguns erros cometidos por “infalíveis” papas, a Hierarquia Católica por muitos séculos ainda, e até o fim dos tempos gastará muita tinta para minimizar os estragos que sofreu em razão de seus erros. 

   Ocorre que o sangue dos mártires produziu uma nódoa indelével na memória dos povos. Embora haja perdão nos corações, a História não pode ser apagada. Centenas de livros e artigos na internet e nas livrarias expõem a maldita chaga das Cruzadas, da Inquisição na idade das trevas; da Inquisição na Croácia e no Vietnã do Sul;  dos acordos com governos fascistas.  A Igreja Católica já foi julgada pela História. O derradeiro julgamento, impossível de ser evitado, porque diante dele todo joelho se dobrará, será o do Tribunal do Grande Trono Branco.

INQUISIÇÃO NA CROÁCIA

  É muito comum referirmo-nos aos dez séculos de Inquisição – a Idade das Trevas – como a única e mais cruel máquina de extermínio de não católicos e de conversão forçada, em que acatólicos foram perseguidos, torturados e mortos.  Recordemos que passados mais de duzentos anos do famigerado Santo Ofício  milhares de não católicos foram dizimados na Croácia – os Sérvios Ortodoxos – sob a aquiescência  e omissão da Hierarquia Católica.
“A magnitude da carnificina pode ser melhor avaliada pelo fato de que dentro dos primeiros meses, de abril a junho de 1941, 120.000 pessoas pereceram. Proporcionalmente, à sua duração e a pequenez do território, foi este o maior massacre já acontecido em qualquer lugar no ocidente, antes, durante e após o maior cataclisma do século – a II

Guerra Mundial (The Vatican´s Holocaust – Avro Manhattan(1914-1990), 1986.  

   A ferocidade foi de tal monta que os “nazistas ficaram horrorizados”. A bestialidade suplantou “tudo que fora experimentado na Alemanha de Hitler”.  Mônica Farrell, uma ex-católica romana, relata em seu livro Ravening Wolves (Lobos Vorazes), citada por Mary Schultze, em “Conspiração Mundial”:
“Este é um registro das torturas e assassinatos cometidos na Europa entre 1941/43, pelo exército de ativistas católicos, conhecido como Ustashi [organização terrorista], liderado por monges e padres e do qual até mesmo freiras participaram. As vítimas sofreram e morreram por causa da liberdade de consciência. O mínimo que podemos fazer é ler os registros de seus sofrimentos e guardar na lembrança o que aconteceu, não na Idade Média, mas na nossa própria geração iluminada. Ustashi é outro nome da Ação Católica”.

   O novo Estado Independente da Croácia, agindo em conexão com o nazismo de Hitler, da forma mais cruel e repugnante perseguiu, trucidou, torturou e matou mais de um milhão de pessoas em pouco tempo.

A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA

  Tudo começou no dia 10 de abril de 1941 quando foi proclamado o Estado Independente da Croácia, como resultado do triunfo do exército alemão que já havia entrado no país. Na verdade estava nascendo o Novo Estado Católico, sob a liderança espiritual do Arcebispo Stepinac. Diz Avro Manhattan: “Naquele mesmo dia, os jornais de Zagreb [capital] veicularam anúncios com o objetivo de que todos os residentes ortodoxos sérvios do novo Estado Católico deveriam evacuar a cidade dentro de 12 horas; e qualquer que colaborasse com um Ortodoxo seria imediatamente executado. No dia 13 de abril, Ante Pavelic, governante do Novo Estado, chegou a Zagreb procedente da Itália. No dia seguinte, o arcebispo Stepinac foi encontrá-lo pessoalmente e o congratulou pelo cumprimento da obra de sua vida. Qual era a obra da vida de Pavelic? A criação da tirania fascista mais impiedosa de todos os tempos para desonrar a Europa”.

   A História revela que a conexão Igreja-Estado sempre produziu uma máquina poderosa, pronta para cercear a liberdade de consciência. Em 28.06.1941, o Arcebispo Stepinac abençoou e aprovou o novo governo com as seguintes palavras: “Enquanto o saudamos cordialmente como Chefe do Estado Independente da Croácia, imploramos ao Senhor dos Astros que lhe dê as bênçãos divinas como líder do nosso povo”. Pavelic, o novo líder, “era o mesmo homem sentenciado à morte por assassinatos políticos; uma vez pelos tribunais iugoslavos, pela morte do Rei Alexandre I, e outra, pelos franceses, pela morte do Ministro Francês do Exterior, Barthou”.

   O Vaticano ficou mais vinculado ainda ao Novo Estado Fascista quando membros da Hierarquia Católica foram eleitos para o SABOR (parlamento totalitarista), dentre eles o Arcebispo Stepinac.  Avro Manhattan revela que “todos os oponentes em potencial – comunistas, socialistas, liberais – foram banidos ou aprisionados. Uniões comerciais foram abolidas, a imprensa foi paralisada, a liberdade da fala, de expressão e pensamento tornaram-se coisa do passado. Todo esforço foi feito no sentido de forçar a juventude a se filiar às formações para-militares, enquanto as crianças eram moldadas pelos padres e freiras. O ensino católico, os objetivos católicos, e os dogmas católicos tornaram-se compulsórios em todas as escolas. O Catolicismo foi proclamado como religião oficial do Estado”.

   A participação da Igreja Católica no novo Estado  torna-se mais evidente quando sabemos que “o primeiro Comandante Ustashi no Distrito de Udbina foi o frade franciscano Mate Mogus. No comício de 13.06.41, em Udbina, ele fez esta homilia: `olhai, povo, para estes dezesseis bravos Ustashis, que têm 16.000 balas e matarão 16.000 Sérvios…”; Em Dvor na Uni, o Pe. Anton Djuric, fez um diário de suas atividades, como funcionário da Ustashi. O diário mostra que sob suas ordens a Ustashi derrubou e incendiou a Vila de Segestin, onde 150 Sérvios foram assassinados…”.
  O plano diabólico aprovado por Pavelic, conforme declaração dos Ministros da Ustashi, era o seguinte: “Todos os que entraram em nosso país há 300 anos atrás devem desaparecer… a nova Croácia se livrará de todos os Sérvios em seu meio, a fim de se tornar cem por cento católica, dentro de dez anos…mataremos uma parte dos sérvios, levaremos outra para fora e o resto será forçado a abraçar a religião católica romana…o Estado Independente da Croácia não pode nem deseja reconhecer a Igreja Ortodoxa Sérvia”

   Não é válido defender Stepinac com a alegação de que ele pretendia defender a Iugoslávia do comunismo, a julgar que o nazismo seria algo um pouco melhor. Nada justifica o apoio irrestrito ao sanguinário governo de Pavelic. CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
   Leiam o que está escrito em “O Holocausto do Vaticano”:

“Os representantes da única `Igreja verdadeira´ não apenas conheciam tais horrores, como alguns deles eram autoridades nesses mesmos campos e até haviam sido condecorados por Ante Pavelic. Como exemplo, temos o Pe. Zvonko Brekalo, do campo de concentração de Jasenovac, que foi condecorado pelo próprio líder com a “Ordem do Rei Zvonimir”. O Pe. Grge Blazevitch, assistente do comandante do campo de Bozanski-Novi; o irmão Tugomire Soldo, organizador do massacre dos Sérvios, em 1941. E outros mais”. Nesse tempo, estava no comando da Igreja Católica o papa Pio XII (1876-1958), pontífice de 1939 a 1958.

   Tais campos de concentração estavam sob a supervisão direta de Pavelic. Aos ustashis cumpria enviar para os campos as pessoas não confiáveis, que eram sumariamente liquidadas. Vejamos apenas uma pequena descrição dos horrores:

“Em março de 1943 os internos do campo de Djakovo foram propositadamente infectados com tifo, causando a morte de 567 pessoas; em 15.09.41, a mesma coisa aconteceu no campo de Jasenovac, chegando a 600/700 o número de mortos; no campo de Stara Gradiska, 1.000 mulheres foram mortas; dos 5.000 Sérvios Ortodoxos levados para o campo de Jasenovic, no final de agosto de 1942, 2.000 foram mortos a caminho, os restantes transferidos para Gradina, onde, em 28.08.41, foram mortos a marteladas; no campo de Krapje, em outubro de 1941, 4.000 pessoas foram assassinadas, enquanto no campo de Brocice,em novembro de 1941, 8.000 tiveram o mesmo destino; de dezembro de 1941 a fevereiro de 1942, em Velika Kosutanica e Jasenovac, mais de 40.000 Sérvios Ortodoxos trazidos dos vilarejos das fronteiras da Bósnia, foram exterminados, inclusive 2.000 crianças; em 1942, havia cerca de 24.000 crianças, somente no campo de Jasenovac, das quais 12.000 foram assassinadas a sangue frio. Uma grande parte das restantes, tendo sido mais tarde liberada diante da pressão da Cruz Vermelha Internacional, pereceu aos montes, de intensa debilidade física. Em destas crianças, acima de 12 meses, morreram após saírem do campo por causa de soda cáustica adicionada à alimentação; o Dr. Katicic, Presidente da Cruz Vermelha, por haver denunciado ao mundo o extermínio em massa das crianças, foi internado no campo de concentração de Stara Gradiska, por ordem de Pavelic; na primavera de 1942, no desejo de imitar os campos nazistas da Alemanha e da Polônia, pessoas foram cremadas ainda vivas, simplesmente empurrando-as para dentro dos fornos previamente aquecidos”.

BEATIFICAÇÃO

   “Há dois anos [1998] João Paulo II beatificou o Arcebispo de Zagreb, Cardeal Alojzije Stepinac, defensor da “limpeza étnica” implementada pelos católicos croatas nos anos 40, e prepara-se para fazer o mesmo em relação a Pio XII, o papa que pecou por omissão. Com a palavra Settimia Spizzichino, a única judia romana que sobreviveu a Auschwitz, depois de ser cobaia de Joseph Mengele:

“Voltei sozinha de Auschwitz [Cidade da Polônia, na província de Bielsko-Biala. Famosa por abrigar o maior campo de concentração nazista durante a segunda guerra mundial]. Perdi minha mãe, duas irmãs, uma sobrinha e um irmão. Pio XII poderia ter nos alertado para o que ia acontecer, poderíamos fugir de Roma e nos juntar aos guerrilheiros. Ele nos jogou nas mãos dos alemães. Tudo aconteceu debaixo de seu nariz. Quando dizem que o papa é como Jesus Cristo, sei que não é verdade. Ele não salvou uma única criança. Não fez absolutamente nada.” (O Estado de S.Paulo, 26.03.2000).
   Sobre o assunto, li na Internet: “Decerto que o Papa pode beatificar e canonizar quem quiser, mas a beatificação de alguém com um passado no mínimo nebuloso como o Cardeal Stepinac [elevado a cardeal em 1953] é um insulto à memória de todos os que foram assassinados pela Ustasha e pelo nazismo”.

   Com a derrocada de Hitler, caiu por terra o sonhado Estado Católico da Croácia. Em 11 de outubro de 1946,  Suprema Corte em Zagreb condenou o Arcebispo  Stepinac  a 16 anos prisão em trabalhos forçados. As principais acusações, conforme consta do processo, foram: 1) colaboração política com o inimigo e seus agentes; 2) convocação dos sacerdotes católicos para colaborarem com os traidores, conforme circular distribuída em 28.04.1941; 3) como presidente da Ação Católica e do congresso dos bispos influenciou a imprensa católica, que fez propaganda do fascismo,  elogiou Hitler e Pavelic, e deu cobertura a todo o processo.

   Não iremos descer aos detalhes das conversões forçadas de ortodoxos, que, diante do poder da espada, temendo por sua vida e de seus familiares, submetiam-se aos humilhantes ritos de iniciação ao catolicismo; também não faremos referência às crianças órfãs, aos milhares, que foram expatriadas, raptadas e levadas para outros países; colocadas em orfanatos dirigidos por padres e freiras, rebatizadas com nomes católicos, crescendo sem o contato com seu grupo étnico e religioso original; não falaremos do modo sanguinário, feroz e cruel como muitos Sérvios foram torturados e mortos, enterrados vivos, sangrados, mutilados; das dezenas de templos ortodoxos que foram destruídos ou transformados em salas destinadas às atividades ligadas ao catolicismo. Avro Manhattan, em seu minucioso trabalho em The Vatican´s Holocaust

Anúncios

FACÇÕES ESPÍRITAS


Jamierson Oliveira
Revista Defesa da Fé
 Unidade é a palavra de ordem de quase todos os movimentos, sejam políticos, sociais ou religiosos. Um exemplo desse esforço gigantesco por união é o cenário político brasileiro atual. Quem sempre foi oposição, agora é situação, e vice-versa, gerando conflitos internos e divergências jamais esperados, inclusive quanto às "doutrinas" básicas e ideológicas que nortearam tais partidos ao longo das décadas.
O Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, trava a maior luta interna da sua história, tendo de expulsar antigos correligionários que, agora, ameaçam organizar-se em novas legendas "fiéis" aos antigos paradigmas. Pelo menos crêem assim.
Da mesma forma, os fundadores ou lideres de seitas preocuparam-se ao máximo para conseguir manter seus seguidores unidos. Alguns conseguiram, por certo tempo, esse feito; outros, ainda em vida, viram suas idéias esfaceladas. Mas, na verdade, ninguém conseguiu pleno êxito nesse quesito. Não obstante, evocar esse atributo como pretexto de "religião verdadeira" é uma arma amplamente utilizada pelos adeptos de seitas, principalmente contra o cristianismo, acusando-o de ser a religião mais fragmentada da história, de ter divergências doutrinárias, enfim, de ser uma falsa religião.
Todavia, o tempo tem sido o melhor apologista em favor da verdade. Tais seitas, ao que parece, não conhecem nem mesmo sua própria história e situação atual, encobrem suas facções e, com o dedo em riste, insistem em sua acusação. As Testemunhas de Jeová, por exemplo, publicaram em sua revista oficial: "… os genuínos cristãos são agora ajuntados em toda a terra numa fraternidade unida. Quem são eles? São os da congregação cristã das Testemunhas de Jeová…"1 Mas o que podemos conhecer pela história é algo totalmente diferente. Encontraremos uma seita dividida e com profundos problemas de identidade e de inaceitáveis contradições doutrinárias. 2
Essa agressiva estratégia também é utilizada por muitas outras seitas, e o espiritismo não é diferente. Em sua obra O livro dos espíritos, Allan Kardec, em suas palavras finais, reproduz as palavras dos espíritos referindo-se ao espiritismo: "… Nuvem alguma obscurece a luz verdadeiramente pura; o diamante sem jaça é o que tem mais valor: Se é certo que, entre os adeptos do espiritismo, se contam os que divergem de opinião sobre alguns pontos da teoria, menos certo não é que todos estão de acordo quanto aos pontos fundamentais. Há, portanto, unidade…" E mais. Afirma que, segundo as palavras que ouviu do espírito de Agostinho3: "espiritismo é o laço que um dia os unirá, porque lhes mostrará onde está a verdade, onde o erro…".
Mas bem diferente do que afirma Kardec, e do que gostariam os espíritas, o espiritismo é, na verdade, uma grande colcha de retalhos. Ou melhor, nas palavras do estudioso espírita Mauro Quintella: "Como toda corporação, o movimento espírita brasileiro não é uma rocha monolítica, do ponto de vista filosófico".4
Hoje, é fato conhecido por todos os estudiosos de religiões que no espiritismo não existe a tal sonhada unidade predita por Kardec. Os espíritas latinos são os mais fracionados e alguns grupos, como os ingleses, por exemplo5, chegam a negar doutrinas consideradas fundamentais por Allan Kardec, como, por exemplo, a reencarnação.
A seguir, os diferentes grupos espíritas e seus ensinos contraditórios.
Escolas espíritas
1. Ortodoxos – É o kardecismo considerado tradicional, que não permite interpretações do "Pentateuco"6 de Allan Kardec diferente de como julgam ser o correto. Não tolera a presença de outros espiritismos, considera-os grupos espiritualistas, apenas.
2. Roustainguistas – São orientados pelos escritos de João Batista Roustaing, um advogado contemporâneo de Kardec. Diferentemente dos demais, ensinam que o corpo de Jesus não era real, apenas aparente. Existe forte oposição entre ambos os grupos, inclusive na literatura há obras aceitas e rejeitadas.
3. Científicos – Também chamados de Laicos. No século 19, foram liderados pelo professor Angeli Torteroli. Formavam uma frente de oposição aos chamados Místicos. Entre outras coisas, procuravam desassociar o espiritismo do cristianismo.
4. Místicos – Liderados por Bezerra de Menezes, um dos primeiros presidentes da FEB – Federação Espírita Brasileira – e considerado por muitos o Kardec brasileiro, supervalorizam o lado religioso da Doutrina Espírita. Consideram-se os cristãos verdadeiros.
5. Ubaldistas – Grupo influenciado pelos livros do famoso médium italiano Pietro Ubaldi. Chamado de "reencarnação de São Pedro", Ubaldi morou vários anos no Brasil. Apesar de reencarnacionista, era panteísta, e propôs nas suas obras uma evolução cósmica do kardecismo.
6. Armondistas – Grupo liderado por Edgar Armond, fundador da Aliança Espírita Evangélica. Armond também é um importante colaborador para o desenvolvimento do espiritismo no Brasil. Por ter sido esotérico, é acusado pelos ortodoxos de orientalizar Kardec.
7. Emmanuelistas – Grupo conduzido pelos ensinamentos de Emmanuel, o espírito guia de Chico Xavier. Entre outras contradições com o kardecismo tradicional, crêem na existência de animais no plano de vida espiritual.
8. Ramatisistas – A escola ramanista segue os ensinamentos do espírito guia Ramatis, por meio do médium Hercílio Maes. Pregam que Jesus é, na verdade, um anjo que serve de médium ao Cristo Planetário. São vegetarianos e também esotéricos.
9. Paganizantes – Sob a liderança de Carlos Imbassahy, rejeitam a expressão "espiritismo cristão" e negam qualquer fundamentação bíblica do espiritismo. É de Imbassahy a seguinte afirmação: "Nem a Bíblia prova coisa nenhuma nem temos a Bíblia como probante […] O espiritismo não é um ramo do cristianismo como as demais seitas cristãs. Mas a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome espiritismo".
10. Dialéticos – É a escola espírita dialética, cujo mestre latino foi o argentino Manuel S. Porteiro. Entre outras particularidades, a doutrina porteriana busca provar a evolução biológica e espiritual até o homem.
11. Transcomunicadores – Grupo que forma a ANT – Associação Nacional de Transcomunicadores, ou, como se auto-intitulam, "comunicastes". Diferentes da prática mediúnica, esses neo-espíritas buscam a comunicação com os mortos por meio de equipamentos eletrônicos.
12. Espiritualistas – São os espíritas que crêem não existir no homem apenas matéria, o que absolutamente não implica na necessidade de crerem nas manifestações dos espíritos. Há grande confusão no uso desse adjetivo entre os espíritas.
13. Outras correntes e tendências – conforme os "líderes" ou "espíritos guias" (como, por exemplo, Yokanam, tia Neiva, André Luiz, entre outros), várias peculiaridades doutrinárias vão-se formando, criando uma identidade própria. Por isso existem infinidades de "denominações" espíritas no mundo.
Movimento de reforma
1. Grupo Espírita Bezerra de Menezes – Criado em 1992, tem como objetivo, declarado no site que disponibiliza na internet: www.novavoz.org.br, uma ferrenha manifestação contra as FEB’s e todos os demais grupos espíritas anteriormente mencionados: acusando-os de sincretismo, brigas internas, disputas doutrinárias, etc. O objetivo das instituições espíritas associadas é a formação da União Espírita Reformista em oposição à FEB – Federação Espírita Brasileiro: O objetivo é deixar o movimento espírita e formar uma nova seita denominada Renovação Cristã.
Grupos neo-espíritas
2. Umbandistas 7 – É o espiritismo à moda brasileira. Origem: mistura de crenças espiritualistas dos escravos bantos (África), dos indígenas brasileiros e do catolicismo romano. Tudo isso encontrou no Brasil um terreno já fertilizado pelo espiritismo kardecista. Os umbandistas também fazem uso da mediunidade, crêem na reencarnação, praticam a caridade, e outras similaridades.
3. Legionários (A Legião da Boa Vontade) – O nome completo do fundador é Alziro Elias Davi Abraão Zarur, considerado por eles a reencarnação de Allan Kardec. Para a LB V, Allan Kardec não concluiu sua obra e, por isso, Alziro Zarur veio completá-la.
4. Racionalistas (Racionalismo Cristão) – Seita espírita fundada em 1910 pelo português Luiz de Matos, inimigo do kardecismo. Acusam o espiritismo de ter-se tornado mais uma seita cristã entre tantas, e propõem um espiritismo regido apenas pelas leis naturais.
5. Outros grupos espíritas esotéricos e/ou sincretistas 8 – Ordem Rosa-cruz, Cabala, Teosofia, Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, A Esfera, Ordem dos Iluminados, Ordem Esotérica do Mentalismo, Gnosticismo, Logosofia, Cultura Racional Superior, Quimbanda, Candomblé, Xangô, Babaçuê, Pajelança, Catimbó, etc.
Dessa forma, fica demonstrado inequivocamente que pelo menos por essa argumentação os espíritas não podem se defender. Ou melhor dizendo, não podem afirmar que são a verdadeira religião devido à sua unidade. Como vimos, entre os espíritas, não há unidade de grupos nem de doutrinas, assim como não há nas demais seitas e religiões não-cristãs.
DESAFIO EVANGELÍSTICO
Este ano se comemora o bicentenário do nascimento de Allan Kardec. E, passados esses dois séculos, tem-se percebido que, em muitos países europeus, o espiritismo tem diminuído de forma significativa. Na França, por exemplo, quase não existem mais. Inclusive, em 1985, foi fundada a União Espírita Francesa, justamente para reimplantar o espiritismo naquele país e em outros de língua francesa.
Embora o espiritismo tenha fracassado na França, no Brasil, porém, essa doutrina encontrou condições ideais para seu crescimento. Segundo consta, somos a maior nação espírita do mundo. Pesquisa realizada pelo Vox Populi constatou que 59% da população brasileira acredita que já teve outras vidas. Mas isso é um tremendo contrasenso, porque somente 3% dos brasileiros se declararam espíritas. O que significa que pelo menos um dos princípios espíritas, a reencarnação, encontrou um ambiente propício para seu desenvolvimento em nosso país.
Oremos pelos espíritas! (1Tm 4.12).
NOTAS
1 A Sentinela, 01 de julho de 1994

2 Em Defesa da Fé edição de agosto de 2003, publicamos uma extensa reportagem sobre essas facções russelitas.

3 Maior teólogo cristão depois do apóstolo Paulo. Era natural de Numíbia, África. (Séc. III)

4 Extraído do artigo "O Problema dos Adjetivos: Quando Jamais Usar" publicado originalmente no jornal Correio Fraterno do ABC 1994.

5 No V Congresso Internacional de Barcelona (1934), depois de grandes discussões, ficou estabelecido que: "os espíritas latinos e hindus representados pelos delegados da Bélgica, Brasil, Cuba, Espanha, França, Índia, México, Portugal, Porto Rico, Argentina, Colômbia, Suíça e Venezuela, afirmam a reencarnação como lei de vida progressiva, segundo a frase de Allan Kardec: ‘Nascer, morrer, renascer e progredir sempre’ e aceitam como uma verdade de facto. Os espíritas não latinos, representados no Congresso pelos delegados da Inglaterra, Irlanda, Holanda e África do Sul, consideram não haver demonstração suficiente para estabelecer a doutrina da reencarnação formulada por Kardec. Cada escola portanto, fica em liberdade para proclamar as suas convicções a respeito de reencarnação".

6 Alusão aos cinco livros básicos de Allan Kardec: Livro dos Espíritos; Livro dos Médiuns; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno e A Gênese.

7 Muitos espíritas kardecistas não consideram esses grupos como espíritas. No entanto, a FEB Federação Espírita Brasileira, que é kardecista, em nota oficial no "Reformador" (órgão oficial da entidade), de julho de 1953, pág. 149 declarou: "Baseados em Kardec, é-nos lícito dizer: todo aquele que crê nas manifestações dos Espíritos é espírita; ora, o umbandista nelas crê, logo, o umbandista é espírita".

8 Muitos desses grupos são historicamente mais antigos que o kardecismo, mesmo assim, já sustentavam doutrinas hoje espíritas. Outros, mais recentes, foram fortemente influenciados pelos pensamentos de Allan Kardec, inclusive, alguns foram grupos espíritas na sua origem, mas, com o tempo tornaram-se autônomos e distintos apresentando similaridades e diferenças em seu corpo doutrinário

As Testemunhas de Jeová e as Festas de Aniversário


Fonte: As Testemunhas de Jeová- Refutadas versículo por versículo, de David A. Reed, Tradução de Marcelus Virgílius Oliveira e Valéria Oliveira. Os comentários entre colchetes são do pastor Airton Evangelista da Costa.
 
“Ao terceiro dia, o dia natalício de Faraó, que este deu um banquete a todos os seus servos…. Mas ao padeiro‑mor enforcou…” (Gn 40.20-22).

A Sociedade Torre de Vigia proibiu a celebração de aniversários entre seus membros, usando Gênesis 40.20‑22 como um ponto ­chave de sua "base bíblica" para esta determinação. Sua idéia é que a palavra aniversário aparece na Bíblia apenas em referência a Faraó do Egito (como mencionado acima) e ao rei Herodes da Galiléia (Mat. 14:6 e Mar. 6:21). Ambos eram pagãos e decretaram a morte de alguém em conexão com as celebrações. Já que nenhum homem de fé foi mencionado na Bíblia como tendo celebrado seu aniversário, mas apenas homens iníquos, as testemunhas de Jeová dos nossos dias não devem ter permissão para celebrar aniver­sários ‑ esta é a argumentação usada pela Torre de Vigia.

Vale a pena notar que, como em outros ensinamentos, não se deixa que uma testemunha de Jeová leia individualmente a Bíblia e chegue a esta conclusão. Ao invés disso, a liderança da seita promulga esta interpretação oficial e usa procedimentos discipli­nares para impor essa política a todas as testemunhas de Jeová. Por exemplo, um ancião das Testemunhas de Jeová de nosso relacionamento em Massachusetts, Estados Unidos, decidiu enviar um cartão de aniversário ao seu filho (que não era testemunha de Jeová), mas a sua esposa relatou o fato aos anciãos locais. Eles, então, o intimaram a comparecer perante um Comitê Judicial a portas fechadas e o submeteram a julgamento por sua ofensa.

Este senhor, de 70 anos de idade, os desafiou a mostrarem‑lhe um versículo bíblico que proibisse o envio de cartões de aniversário. Mas o Comitê prosseguiu com o julgamento e o desassociou base­ando‑se nas leis da Sociedade Torre de Vigia. Agora, os seus parentes que são testemunhas de Jeová se recusam a recebê‑lo em suas casas e as testemunhas de Jeová que o encontram na rua se desviam dele, sem nem mesmo cumprimentá‑lo. [Uma das características das seitas é afirmar que suas próprias leis possuem autoridade igual à da Bíblia].

Ao refutar a assim chamada base bíblica das Testemunhas de Jeová para proibir a celebração de aniversários, você pode destacar que Faraó e o rei Herodes eram juízes arbitrários e homens violentos; tais monarcas eram acostumados a executar as pessoas em qualquer ocasião e não apenas durante a celebração de seus aniversários. Além disso, uma pessoa que envia um cartão de aniversário, ou pais que fazem um bolo com velas para uma festa infantil dificilmente podem ser acusados de seguir o exemplo daqueles homens assassinos.

Embora a expressão aniversário natalício, propriamente dita, apareça apenas em conexão com Faraó e Herodes na maioria das traduções, a Bíblia contém referência a tais celebrações em famílias devotas a Deus:

Em Jó 1:4, se diz do patriarca da família: "E seus filhos foram e realizaram um banquete na casa de cada um deles no seu próprio dia; e mandavam convidar as suas três irmãs para comerem e bebe­rem com eles" (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagra­das, grifo acrescentado). Este "seu próprio dia" refere‑se ao aniversário de cada um, o que se torna claro quando lemos mais adiante: "Foi depois disso que Jó abriu a boca e começou a invocar o mal sobre o seu dia. Jó respondeu então e disse: pereça o dia em que vim a nascer…" (Jó 3:1‑3, Tradução do Novo Mundo, grifo acrescentado). A paráfrase feita pela Bíblia Viva de Jó 1:4,5, expressa esta idéia: "A cada ano, quando os filhos de Jó faziam aniversário, eles convidavam seus irmãos e irmãs para a celebra­ção em suas casas. Nestas ocasiões, eles comiam e bebiam com grande alegria. Quando essas festas de aniversário terminaram…" (Tradução livre).

Até mesmo a tradução da Torre de Vigia revela que o nascimento de João Batista foi celebrado, quando registra sua anunciação feita por um anjo: "E terás alegria e grande regozijo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento" (Luc. 1:14, Tradução do Novo Mundo).

Se o nascimento de João Batista foi uma ocasião de regozijo e se os filhos do fiel Jó celebravam seus aniversários, o fato de que Faraó e Herodes também celebraram seus aniversários não pode ser logicamente usado como base para proibir festas de aniversário entre aqueles que crêem na Bíblia hoje.

[O autor do vídeo, cujo link é http://www.youtube.com/watch?v=iX_xKA2Fc4I , relata que já leu todas as revistas A Sentinela, a partir de 1879, e conseguiu catalogar mais de trezentas mudanças de ensino. Isto é, o Corpo governante perdeu-se no emaranhado de proibições, doutrinas, regulamentos e datas, a exemplo das falsas profecias. Sobre a proibição de não comemorar aniversários, os argumentos da Sociedade é de uma grande fragilidade. Jeová diz na sua Palavra: “Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa [alegrar-se nas datas de aniversário, por exemplo,], fazei tudo para a glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus” (1 Co 10.31-32).
 
A proibição para festejar aniversários só é encontrada nas publicações da Torre de Vigia. Jeová se agrada em vê seu povo alegre. Instituiu a Festa dos Pães Asmos, para comemorar a libertação do Egito (Êx 12.17; a Festa da Sega ou Festa das Semanas, e a Festa da Colheita (Êx 23.14-19); a Festa dos Tabernáculos (Lv 23.33-34) e outras registradas na Bíblia. A verdade é que tal proibição não tem fundamento bíblico. A proibição constitui mais um esforço para manter os submissos seguidores fortemente manietados, sob rígido controle disciplina. Os desobedientes são exemplarmente punidos com desassociação e desprezo].
 
02.01.2009
 
 
 
Vídeos correlatos:
 

As 10 seitas mais malucas do mundo


Os sociólogos freqüentemente discordam sobre a definição de “seita”. Parte do consenso parece residir no fato de que estes são grupos religiosos com pouco reconhecimento da sociedade. Outros afirmam que uma seita está ligada a um grupo ideológico com um líder carismático e/ou autoritário que priva seus seguidores de boa parte de seu livre-arbítrio exercendo uma grande influência sobre eles. Qualquer que seja a melhor definição aqui nós apresentamos algumas das seitas mais malucas de todos os tempos.

Atenção: A infâmia de muitas seitas desta lista reside em atos especialmente brutais, portanto evite ler se for sensível a este tipo de conteúdo.

 

10.Ho No Hana

 

Ho No Hana Sanpogyo é uma seita japonesa chamada também de “seita da leitura do pé”. É chamada assim porque seu fundador, Hogen Fukunaga, afirma conseguir diagnosticar doenças ao examinar os pés das pessoas. Ele fundou o grupo em 1987 e afirmava ser a reencarnação de Jesus Cristo e Buda. O grupo já afirmou possuir 30 mil membros. Hogen cobrava US$ 900 pelas leituras de pé. Ele foi acusado de fraudar donas de casa e teve que pagar mais de um milhão de dólares em danos. Hoje o nome da seita mudou para “Yorokobi Kazoku no Wa”.

9.Raelianos

Se você acredita que naves espaciais semearam a maioria das religiões, que transferência mental é possível e clonagem pode levar à reecarnação, então você pode ser um candidato para a igreja Raeliana que começou na França na década de 1970. Uma seguidora da seita apareceu nas manchetes em 2003 por haver afirmado que havia concebido o primeiro clone humano, mas em seguida o evento foi avaliado como um trote.

8.O Corpo de Cristo

Esta seita é um pequeno grupo autoritário que se baseia em “revelação direta” e não na bíblia. Esta pequena seita apareceu nas manchetes por haver levado duas crianças à morte por inanição. Samuel Robidoux, um bebê de dez meses morreu de subnutrição. Ele não foi alimentado porque sua mãe estava esperando por um sinal de Deus para fazê-lo. O filho de Rebecca Corneau, Jeremiah, morreu logo após nascer por falta de cuidados médicos básicos. Um dos antigos membros deixou o grupo depois de dez anos e deu para a polícia um diário que descrevia o que ocorreu com as crianças.

7.Ordem do Templo Solar

O grupo foi criado em 1984 por Luc Jouret, um belga e neo-nazista. O grupo seria cristão e também conhecido como a segunda vinda de Cristo e os Cavaleiros Templários. Alega-se que uma criança foi sacrificada por pensarem ser o anticristo em 1994, dias depois ele e dúzias de seguidores cometeram suicídio. Os franceses hoje consideram a organização criminosa.

6.Comunidades de Bhagwan Shree Rajneesh

O místico indiano Bhagwan Shree Rajneesh fundou diversas cidades ocultistas no Oregon, EUA, durate os anos 1980, estranhamente cheias de carros da marca Rolls Royce. Bhagwan supostamente envenenou centenas de pessoas em Dalles, Oregon, com a bactérias Salmonella, em 1984, para colocar as eleições locais em favor da seita.

5.Davidianos

Considerado um dos maiores dissientes da igreja Adventista do Sétimo Dia, os Davidianos são famosos pela revolta de 1993 no seu complexo Waco, no Texas, EUA, que acabou com a vida de 76 pessoas. O evento resultou mais ou menos no desaparecimento do que muitos consideravam uma seita, que acreditava no apocalipse iminente.

4.Família Manson

 

Charles Manson, que aprendeu a tocar guitarra na prisão, formou a sua “família” de criminosos em 1968. Charles pensavam que uma guerra de raças entre brancos e negros iria eclodir em 1969. Quando isso não ocorreu ele enviou seus seguidores em uma série de assassinatos para “mostrar aos negros como se fazia”, mas as vítimas eram as pessoas que não o haviam ajudado em sua carreira musical.

3.Heaven’s Gate

Os seguidores da seita Heaven’s Gate, liderados por Marshall Applewhite, pensavam que a Terra e tudo que há nela seria “reciclado” e acreditavam que poderiam pegar uma carona no cometa Hale-Bopp, em março de 1997, o que os permitiria sobreviver. Os 39 membros, incluindo Marshall, envenenaram a si mesmos em turnos em uma mansão na Califórnia, vestindo tênis da Nule e tarjas ao redor do braço que diziam “Equipe de Desembarque Heaven’s Gate”.

2.Aum Shinrikyo

Fundada em algum ponto da década de 1980, Aum Shinrikyo é famosa pelos ataques ao metrô de Tóquio com o gás sarin em 1995, matando 12 e ferindo mais de 5 mil pessoas. As crenças da seita são frequentemente descritas como uma mistura de aspectos destrutivos de várias religiões. Vários seguidores acreditavam que iriam desenvolver super-poderes e outros saboreavam a chande de lutar contra o materialismo japonês.

1.Peoples Temple

O reverendo Jim Jones começou a Peoples Temple para ajudar os sem-teto, deempregados e doentes de todas as raças, mas ex-membros afirmaram que abusos eram comuns dentro do grupo. Para remover este grupo do olhar examinador da sociedade, Jim começou uma colônia nas selvas da Guyana, onde esperava construir uma utipia tropical. Quando um congressista visitou a comunidade juntamente com três jornalistas para investigar alegações de abuso eles foram mortos quando tentavam deixar o local. Depois deste tiroteio 913 membros da comunidade beberam cianureto com suco, em um suicídio em massa. Há registros de audio e vídeo do evento e muitas pessoas foram forçadas a beber o veneno, incluindo centenas de crianças.

Fonte: http://hypescience.com/as-10-seitas-mais-malucas-do-mundo/

Satanismo: Fatos e lendas


Satanismo: Fatos e lendas

Autor :

Ministério CACP

Publicado em :

Sexta, 20/07/2007

INTRODUÇÃO

Quando se fala em satanismo, logo nos vem à mente homens vestidos de compridas roupas negras com um punhal na mão rodeado por velas pretas, sacrificando alguma vítima. Esta talvez, é a concepção de milhares de pessoas que conhece o termo “satanismo” apenas pela lembrança herdada de filmes de terror ou de alguns livros cujo conteúdo pertence a idade média (no Brasil em anos recentes, entre as igrejas evangélicas, este tipo de satanismo ficou bastante conhecido devido a propaganda do livro de Rebecca Brown, “Ele Veio para Libertar os Cativos” e pelos livros de Daniel Mastral). No entanto o satanismo moderno não tem nada que ver com essa imagem grotesca é mais um tipo de religião humanista voltada mais ao ateísmo. É verdade que existem este tipo de ritual que incluem sacrifícios de vítimas humanas (ao contrário de algumas opiniões céticas no assunto, há bastante evidencias para apoiar estes acontecimentos), mas são realizados normalmente por pessoas desequilibradas psicologicamente. Entretanto o satanismo mais conhecido hoje em dia foge radicalmente dessa concepção.

A religião satânica moderna é caracterizada pela busca do hedonismo e pela rejeição a toda forma de cristianismo, é uma rebelião ao sistema de governo atual. Que tende a oferecer ao ser humano uma liberdade irrestrita no que tange as normas de comportamento e moral estabelecidas, chocando-se claramente com a filosofia cristã de vida.

Devido à mudança de paradigmas em nossa geração o satanismo ganhou bastante campo e está conquistando um grande número de adeptos vindos das mais variadas classes. Os jovens são talvez o grupo mais vulnerável a embrenhar no submundo desta religião. Haja vista as bandas de rock pauleira serem só alguns, dentre os muitos divulgadores do satanismo.

Existem quatro significados básicos que são usados para descrever alguns grupos de Satanismo, a saber: Satanismo Religioso, Satanismo gótico, Satanismo filosófico, e outros.,

Satanismo gótico: A palavra “Satanismo” às vezes é usado como um nome moderno para lendas Cristãs introduzidas durante a idade média. A Igreja ensinou que algumas "Bruxas", principalmente as mulheres, adoravam Satanás. Diziam que elas faziam juramento para entregarem suas vidas ao príncipe das trevas; seqüestravam e matavam bebês; dedicaram suas vidas a prejudicarem outros pelo uso de maldições e magia negra e voavam pelo ar em cabos de vassoura; Este tipo de " Satanismo " não existia então e não existe hoje tão pouco. Um dos casos mais conhecidos que popularizou esse tipo de satanismo foi o das “Bruxas de Salém” em 1692. Porém, um " Pânico " sobre assassinatos Satânicos foi desencadeado em 1980, em grande parte por uma minoria de feministas e cristãos envolvidos com a doutrina da “Batalha Espiritual”.

Todavia as convicções deles sobre abusos nos rituais Satânicos evaporaram em grande parte devido à falta completa de evidências de que estes crimes na verdade aconteceram.

Satanismo religioso: Alguns destes são adultos que adoram uma deidade pré-cristã, por exemplo, "Set" – o deus egípcio. Há até uma igreja com esse nome chamada de, “Templo de Set”, esta é uma ramificação da “igreja de Satanás” fundada em 1975. Outros são Ateus ou Agnósticos que não vêem Satanás como uma entidade viva; eles o vêem como um símbolo de poder, vitalidade e prazer.

Dabblers satânicos: Estes são adolescentes tipicamente rebeldes que criaram sua própria forma de magia negra. Alguns alegam que é o satanismo religioso junto com outras religiões do neopaganismo que são tipicamente responsáveis pela pichação satânica que é visto ocasionalmente nos lados de edifícios. Alguns “Dabblers” podem sacrificar um gato ou cachorro pequeno em seus rituais; mas isto é bastante raro.

Outros significados:

1. Satanismo pode ser usado ao se referir a um seguidor de uma religião minoritária pequena como Wicca, Vodu, etc.

2. Às vezes se referirá ao seguidor de uma religião mundial principalmente como Budismo, Hinduísmo, etc.

3. Ocasionalmente um assassino com assassinatos em série reivindicará ter estado debaixo da influência de Satanás quando cometeu os crimes. Porém, investigações geralmente revelam que tais pessoas na verdade sabiam pouco ou nada sobre Satanismo, mas simplesmente estava se defendendo atrás do jargão: "Satanás me fez fazer isto ou aquilo". Alguns pedófilos que abusam sexualmente de crianças também alegam estar envolvidos com satanismo quando na verdade não estão.

Mui freqüentemente, um escritor ou leigo misturará todos os quatro tipos de Satanismo em um único artigo, sem fazer diferença entre eles.

Satanismo e a Polícia

Uma série de pânicos satânicos varreu a América do Norte nos anos oitenta. Os satanistas foram acusados de seqüestrar, matar e até mesmo comer crianças. Era comum denúncia de assassinatos em rituais satânicos que chegavam à estimativa de 50 mil por ano. Muitos foram convencidos inicialmente que existia um culto satânico em escala mundial que era o responsável por esses crimes horrendos em massa. Alguns oficiais de polícia ficaram alarmados. Eles dispensaram um esforço enorme em desvendar esses crimes acreditando que eram feitos por satanistas, entretanto todo esse esforço foi mal sucedido por que os crimes nunca aconteceram na escala proposta. Logo apareceram os ditos “peritos” em abuso de ritual satânico, e começaram a dar seminários a assistentes sociais e outros.

Nos anos de 1980, Kenneth V. Lanning da Unidade de ciência do comportamento do FBI em Quantico, começou a investigar os relatórios de Abuso de Ritual Satânico e ficou convencido que eles nunca existiram nas proporções alegadas, em grande parte por causa da falta de evidências de que quaisquer destes crimes tenha ocorrido de fato. Um segundo indicador era que uma conspiração desta magnitude não poderia permanecer em segredo por muito tempo. Ele documentou suas conclusões em um relatório no Guia de investigação de 1992 tendo como título “Para Alegações de ‘Ritual’ de Abuso de Crianças”. (Um exemplo disso é o fenômeno Daniel Mastral. Ele alega, em um de seus livros {“Filho do Fogo” Vol. 1}, que presenciou o assassinato de uma criança num local em São Paulo, onde 35 mil pessoas assistiam ao ritual. Depois do assassinato da criança ele, juntamente com outros bruxos, participou da degustação da vítima) .

A IGREJA DE SATANÁS

O maior e o mais tradicional grupo de satanistas dentro do “Satanismo Religioso” é a Igreja de Satanás, a qual muitas pessoas acreditam que foi fundada em Walpurgisnacht, 1966-ABRIL-30, (ano de Satã) por Anton Szandor LaVey (1930-1997) .

As convicções, práticas e rituais da Igreja de Satanás têm pouco que ver com o conceito Cristão de Satanás. O conceito predominante na igreja de Satanás é pré-cristão, e derivou da imagem pagã de poder, virilidade, sexualidade e sensualidade. Satanás é visto como uma força da natureza, não uma deidade viva. O conceito deles a respeito de Satanás não tem nada que ver com Inferno, demônios, tortura sádica, e o mal. Para atrair publicidade, eles clonaram o mesmo ritual católico de missa, sendo chamado inversamente de missa negra, para ridicularizar o catolicismo.

CONVICÇÕES E PRÁTICAS DA IGREJA DE SATANÁS

• Eles não adoram uma deidade viva.

• A ênfase principal recai sobre e no poder e autoridade do Satanista individualmente, em lugar de um deus ou deusa.

• Eles acreditam que não existe nenhum redentor que deu sua vida pela humanidade – que cada pessoa é a própria redentora dela mesma, completamente responsável pela direção de sua própria vida.

• O Satanismo alega respeitar e exaltar a vida. Dizem que as crianças e animais são as mais puras expressões dessa força de vida, e como tal é sagrado e precioso.

Há provavelmente menos que 10.000 Satanistas religiosos na América do Norte sem serem incluídos as gangues adolescentes e indivíduos que pratica isoladamente esta forma de religião. A organização Satânica mais bem conhecida como já dissemos é a Igreja de Satanás. Associado com muitos outros grupos independentes.

O FUNDADOR DA IGREJA DE SATANÁS

Foi levantado muitos rumores sobre a vida de Anton Szandor LaVey (1930-1997) antes dele fundar a Igreja de Satanás: Dizem que ele era um domador de leão, , fotógrafo policial, estudante de criminologia, organista oficial de igreja, etc. Mas parece que tudo isso ainda é duvidoso.

A persistência destes rumores é devido em parte ao extenso talento de publicidade de Anton.

Os grupos satanistas religiosos existiram durante os anos de 1950, ambos nos Estados Unidos e no Reino Unido. Mas eles eram pouco conhecidos. O satanismo moderno estourou na consciência das massas em Walpurgisnacht, 30 de abril de 1966, quando LaVey anunciou a criação da Igreja de Satanás. A Formação da Igreja de Satanás aconteceu em 1966; foi publicado em um artigo de jornal que recorreu a LaVey como o " padre da igreja " do Diabo .

É crido amplamente que LaVey tenha sido o conselheiro técnico para o filme “O Bebê de Rose Mary” de 1968. Ele reivindicou ter feito o papel do Diabo naquele filme!

LaVey escreveu a “Bíblia Satânica” em 1969 que foi seguido pelo livro “A Bruxa Completa” (1970) que depois mudou para o nome de “A Bruxa Satânica”. “Os Rituais Satânicos”, foram publicados em 1972. Estes são essencialmente os únicos livros prontamente disponíveis ao público no Satanismo. Muitas publicações adicionais foram escritas através de outros grupos Satânicos. Porém, elas não estão disponíveis ao público, tendo que recorrer a sites satânicos para poder obtê-los.

Anton LaVey morreu em 1997.


DECLARAÇÕES SATÂNICAS

As nove declarações Satânicas formam o cerne das convicções da Igreja de Satanás. Eles foram escritos por Anton LaVey. Em forma abreviada, declaram que Satanás representa:

• Indulgência, não abstinência

• Existência vital, não sonhos espirituais vazios.

• Bondade merecida, não amor desperdiçado

• Vingança, ao invés de virar a outra face.

• O Homem como nenhum outro animal é o mais vicioso de todos.

• Satisfação de todos os desejos da carne etc.

OS NOVE PECADOS SATÂNICOS SÃO:

1. Estupidez

2. Pretensão

3. Solipsismo (é a crença filosófica de que, além de nós, só existem as nossas experiências.)

4. Auto-engano / auto-ilusão

5. Conformismo de massa

6. Falta de perspectiva

7. Negligência (ou esquecimento) dos ortodoxos passados

8. Orgulho contraprodutivo

9. Falta de estética

TEOLOGIA SATÂNICA

• Pessoas criaram Deuses em muitas formas; escolha um que poderá lhe ser útil.

• Céu e inferno não existem.

• Satanás não é relacionado com o conceito moderno do diabo Cristão. Os satanistas vêem Satanás como um princípio de vida pré-cristão que representa os aspectos carnais, terrestres, e mundanos de vida.

• Satanás não é um ser, uma entidade viva; ele é uma força de natureza.

• A vida humana é celebrada e considerada sagrada.

• O mais importante feriado Satânico é o aniversário de Satanás (30 de Abril). O de menos importância é: “O dia das Bruxas” (noite de 31 de outubro), mas ambos são igualmente comemorados.

• Missas negras (parodia com o ritual Católico Romano) normalmente não é executado por Satanistas regularmente (exceto em ocasiões raras).

RITUAIS E CERIMÔNIAS

• Nomes usados incluem o de Satanás, Lúcifer, Belial e Leviatã.

• Os rituais de magia consistem em três tipos:

1. Magia de sexo (inclui masturbação),

2. Ritual de felicidade, e

3. Ritual de destruição (pode incluir os seguintes atos: espetar alfinetes em uma boneca; desenhar um quadro ou escrever uma descrição da morte da vítima). Os rituais de destruição são melhores executados por um grupo.

• Satanistas do sexo masculino usam roupões compridos e pretos, com ou sem um capuz.

• Mulheres jovens usam roupa sexualmente sugestiva; as mulheres mais velhas usam só preto.

• Muitos Satanistas tradicionais usam diferentes amuletos que levam o símbolo de Baphomet, sendo esta a cabeça de uma cabra dentro de um pentagrama invertido (estrela de cinco pontas com uma ponta para baixo e duas para cima). É rodeado por um círculo. Algumas fontes sugerem que esta é uma marca de comércio registrada da Igreja de Satanás. Isto não é verdade; o símbolo já circulava durante muitas décadas antes da Igreja ser fundada. A própria Maçonaria já possuía este símbolo!

• A Bíblia Satânica mostra um símbolo localizado em cima das Nove Declarações satânicas. É um sinal de infinidade (uma figura 8 em seu lado). Uma cruz romana é colocada ao centro da figura com um segundo, pedaço atravessado mais longo. Este não é um símbolo satânico; é um símbolo alquímico antigo.

• Quando a Bíblia Satânica foi escrita (1969) uma mulher nua era usualmente usada em um altar, desde que o Satanismo é considerado como uma religião da carne, não do espírito. Ela reclinava em um altar que era em forma trapezoidal, aproximadamente de 1 metro de altura, ali, após a cerimônia, ela praticava orgias com o sacerdote satânico.

• Uma vela branca é colocada à direita do altar; simboliza as convicções hipócritas dos satanistas de Magia Branca. Enquanto uma vela preta é colocada representando os Poderes da Escuridão, à esquerda do altar. Estes poderes são fontes de energia que é atualmente desconhecida e escondida. São orientados a terem velas pretas adicionais para prover iluminação suficiente.

FERRAMENTAS DO RITUAL

Um ritual simples pode incluir uma única vela com mais algumas ferramentas, no entanto rituais mais elaborados podem incluir o seguinte:

• Um sino que é tocado nove vezes no princípio e no fim do ritual;

• Um cálice, idealmente feito de prata; pode não ser formado de ouro porque isso é um metal que Satanistas associam com o Cristianismo e religiões Neopagãs.

• Outras ferramentas do ritual incluem um gongo, espada, elixir (normalmente vinho), falo, e pergaminho. São colocados juntamente com o cálice e o sino em uma mesa pequena perto do altar.

REGRAS DE COMPORTAMENTO

• A Oração é inútil, pois distrai as pessoas.

• Matança no ritual (de humanos ou animais) viola os princípios Satânicos. O Sangue tirado de uma vítima é inútil. As vítimas são mortas simbolicamente não de fato.

• Os membros desfrutam de indulgência em vez de abstinência. Eles praticam com alegria todos os sete pecados cristãos mortais (ganância, orgulho, inveja, ódio, glutonaria, luxúria e indolência)

• Se um homem bater em sua face retribua batendo na outra face dele também.

• Façam aos outros como eles fazem a você.

• Se ocupe livremente de atividades sexuais, conforme suas necessidades exigem (que podem ser com um só parceiro ou tendo sexo com muitos outros; pode ser do tipo heterossexual, homossexual ou bissexual, usando fetiches sexuais como você desejar, mas o ideal é uma relação monógama baseado em compatibilidade e compromisso).

• O suicídio é praticamente proibido.

• O Satanista não precisa de nenhuma lista elaborada e detalhada de regras de comportamento.

• Para fazer parte e ser associado ao grupo é necessário ser de idade adulta, a menos que um adolescente obtenha a permissão escrita do pai ou responsável.

PROGRAMA DE TRABALHO POLÍTICO

• Terminação do mito de igualdade para tudo.

• Taxa para todas as igrejas.

• Remover qualquer convicção religiosa que esteve incorporada à legislação.

• Ter liberdade para tudo a fim de viver dentro de um ambiente de escolha própria.

A Igreja de Satanás é altamente descentralizada. Acreditam que uma organização central forte não é muito importante. É esperado que cada Satanista siga seu próprio caminho.

O local onde os satanistas se reúnem geralmente é chamado de grottos.

Muitos satanistas usam mágicas e outros rituais para beneficiar a si próprio e a seus amigos, mas nada impede de usá-los também para prejudicar seus inimigos – pessoas que os feriram.

Alguns satanistas são acusados de administrar rituais que atacam especificamente convicções e práticas cristãs. Muitos autores descreveram rituais Satânicos nos quais os satanistas religiosos recitam a “Oração do Pai Nosso” de trás para frente, ou profana e usa o pão e o vinho que supostamente roubaram de uma catedral. Isto, segundo alguns, não há evidências desse fato. Parece ser pura ficção que poderá ser verificado em livros escritos durante a idade média.

Os satanistas são freqüentemente e altamente críticos em relação a todas as outras crenças. Eles são particularmente contrários ao Cristianismo por causa de sua suprema posição na sociedade Ocidental e também por causa das históricas de perseguições levadas a cabo por cristãos contra Satanistas.

Livros Sagrados do Satanismo

Eis alguns:

1. A Bíblia Satânica.

2. Os Rituais Satânicos

3. A Bruxa Satânica.

4. O Caderno do Diabo.

Conclusão

Apesar de sabermos que estas igrejas são na verdade uma forma disfarçada de ideologia materialista em busca da permissibilidade libertina, não podemos, no entanto nos esquecer, que estas igrejas levam seus adeptos para longe dos padrões espirituais estabelecidos por Deus nas sagradas escrituras. Cremos firmemente que isto é mais uma das muitas variantes religiosas que Satanás usa ao gosto do consumidor para levar o ser humano a distanciar-se mais e mais de seu criador. Rejeitemos, pois toda forma de satanismo, seja ela qual for, e apeguemo-nos á verdadeira igreja do Deus vivo – Jesus Cristo.


Referências:

Exigências " religiosas e Práticas de Certo Departamento de Grupos " Selecionado do Exército, 1978-ABRIL. A seção em Satanismo está disponível on-line a: http://www.satansrealm.com/military/

A Igreja de Satanás tem um home page oficial a: http://www.churchofsatan.com  

O Templo de Jogo é a: http://www.xeper.org/pub/tos/index.html  

Não Goste a Maioria " é uma " publicação de Satanism em Ação ". Eles seguem as tradições da Igreja de Satanás. Veja: http://users.aol.com/boysatan/ptp/nlm.htm  

#CoScentral, o Quarto de Conversa de Rede Satânico a: http://www.satannet.net/chat.html  

A Gruta de Reino de Satanás, a: http://www.satansrealm.com/main.html  

A.S. LaVey, " Os nove pecados Satânicos," (1987). Veja: http://www.churchofsatan.com/Pages/Sins.html  A.S. LaVey, revisionismo " Pentagonal: (1988) a: http://www.churchofsatan.com/Pages/PentRev.html

 

FONTE: http://www.cacp.org.br/seitasdiversas/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=422&cont=1&menu=8&submenu=1

O que é a Cientologia ?


John Travolta, Kirstie Alley, Lisa Marie Presley, Tom Cruise. O que esses astros de Hollywood têm em comum? A religião. São todos seguidores da Cientologia, uma "igreja" que prega a força do pensamento, a reencarnação e um futuro onde seus fiéis dominarão a Terra. O fanatismo dentro da seita é tanto que há especulações de que ela tenha sido o pivô da separação, após 10 anos de casamento, de Tom Cruise e Nicole Kidman, que estaria cansada da devoção do marido. Fundada na década de 50 pelo escritor de ficção norte americano Lafayette Ronald Hubbard, a Cientologia tem espalhado seus ensinamentos e conquistado cada vez mais adeptos. Os líderes da seita afirmam que já são mais de 5 milhões de seguidores; críticos da organização garantem que esse número não passa de 150 mil. Mesmo assim, é uma das chamadas novas seitas, e tem manipulado homens e mulheres do mundo inteiro, provocando polêmica por suas práticas. Em 2000, um dos livros do criador da religião que reproduz parte de suas teorias virou filme de cinema: A Reconquista (título em português), estrelado por John Travolta, cientologista fervoroso desde seus 21 anos.
 
O que é
A Cientologia prega que é possível despertar no homem uma consciência imortal e poderes semelhantes aos de deuses da mitologia grega. De acordo com sua filosofia, o ser humano é feito de três partes:
1. Thetan: espírito puro, onisciente e imortal, que sempre existiu (foram os Thetans que criaram o mundo; hoje, impuros, precisam reencarnar). O homem deve tentar atingir o estado máximo desse espírito, onde passa a agir fora de seu corpo, adquirindo poderes mentais que o fazem voar e controlar situações, além de torná-lo menos propenso a acidentes e doenças; no estado total de Thetan, é um super-homem. Com a morte do indivíduo, o espírito vai para um lugar de descanso à espera de um outro corpo;
2. Corpo: é apenas um componente, e indesejável, do ser humano;
3. Mente: é o meio de comunicação do Thetan com o ambiente.
 
Como funciona
Um adepto da Cientologia, que não tem símbolos, cultos ou orações, pode freqüentar outras religiões, embora seus preceitos sejam totalmente divergentes de quase todas elas. Na seita, ele vai buscar a limpeza da alma e da mente, onde os cientologistas acreditam ficar armazenados todos os acontecimentos ruins do passado (esses bloqueios e traumas, uma vez expulsos do homem, garantem a felicidade e uma vida melhor e mais saudável). Para alcançar esse objetivo, é preciso muito treino e dinheiro. A igreja realiza as chamadas "audições", uma espécie de ritual de purificação através de técnicas semelhantes à psicanálise.

Além disso, vende inúmeros livros com técnicas para melhorar o desempenho na vida pessoal e na profissão, e promove cursos onde cada fiel paga de U$100 a U$600 dólares, conforme informou a revista Isto É em reportagem na edição desta semana. No Brasil, os cursos custam, segundo seus líderes, cerca de 90 reais por pessoa. Os custos, aliás, sempre provocaram críticas à Cientologia. Em 1996, o jornal Diferencial, de Portugal, divulgou que críticos acusam a seita de ter como principal objetivo o enriquecimento, inclusive citando que Hubbard chegou a declarar que "a melhor forma de ganhar dinheiro é fundar uma religião". Mesmo assim, a igreja é considerada sem fins lucrativos, e seus seguidores dizem que todo o dinheiro é utilizado para manter obras sociais.

 
Práticas curiosas
Alguns ensinamentos da Cientologia que despertam curiosidade:
– Não tomar analgésicos, eles podem inibir as habilidades do Thetan;
– Não realizar o parto em hospitais e nem com gritos, o barulho pode traumatizar a criança (de acordo com a Isto É, a esposa de Travolta, a também atriz Kelly Preston, fez o parto de seu filho Jett em casa e em absoluto silêncio);
– Enganar, processar e destruir os inimigos. Não estar nunca na defesa, e sim, no ataque (o que faz seus fiéis moverem infinitos processos judiciais e perseguirem os críticos à religião, além de aprovarem abusos e crimes contra aqueles que representam uma ameaça à devoção da igreja);
– Nunca negar um pedido de doação financeira à instituição.
 
Considerações bíblicas
São inúmeras os ensinamentos da Bíblia, a única regra de fé e prática do cristão, para refutar as doutrinas da Cientologia. Eis alguns versículos:
– Deus é o criador do Universo: "O Senhor pela Sua sabedoria fundou a terra; pelo Seu entendimento estabeleceu o céu." (Provérbios3:19);
– O homem não pode se auto-purificar: "O homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei."(Gálatas 2:16); "Ainda que te laves com salitre, e uses muito sabão, a mancha da tua iniqüidade está diante de mim, diz o Senhor Deus" (Jeremias 2:22);
– Deus é quem renova nossas mentes, em Cristo Jesus, para nos despojarmos do passado: "…a despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; a vos renovar no espírito da vossa mente; e a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade." (Efésios 4: 22-24);
– Só Deus pode dar sabedoria- "Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca procedem o conhecimento e o entendimento" (Provérbios 2:6);
– Só Jesus pode dar uma vida repleta de felicidade- "Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna." (João14:4);
– Só Deus pode salvar o mundo e dar a vida eterna- "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16);
– Jesus Cristo voltará para resgatar os seus e garantir-lhes essa vida eterna, onde Ele dominará- "Pois ainda em bem pouco tempo aquele que há de vir virá, e não tardará." (Hebreus 10:37); "E tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos." (Apocalipse 11:15);
– Não há reencarnação- "…aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso, o juízo" (Hebreus 9:27).
Fonte: Rosana Salviano, do website Eucreio.com .
 

Detonam a Bíblia e exaltam o espiritismo


 

 Revistas Galileu e Superinteressante – análise Michelson Borges

As capas das duas revistas mais populares de divulgação científica do Brasil – Superinteressante e Gallileu – deste mês são emblemáticas e reveladoras de uma tendência midiática que vem se confirmando e ampliando nos últimos anos: a crítica da Bíblia e seus seguidores e a simpatia pelo espiritualismo.

A matéria da Galileu tem como título “A nova era do espiritismo”, e é assinada por Pablo Nogueira (que tem posição claramente contrária ao criacionismo). O texto é respeitoso e informativo. O foco são as novas influências que “estão reinventando a doutrina [espírita] no Brasil”. Em seguida, vem a reportagem “O homem de Abadiânia”, sobre o médium João de Deus. Nogueira tenta ser neutro, de início, usando palavras como “supostamente”, mas logo deixa evidente que ficou impressionado com tudo. “João não sabe dizer quantas entidades incorpora. Estima-se que sejam de 20 a 30. Os voluntários não sabem sequer os nomes de muitas, já que elas nem sempre se identificam. … Para um olhar destreinado como o meu, com pouco tempo de observação, fica difícil enxergar personalidades diferentes”, escreve Pablo, que ainda testemunha: “Assisti a cinco dessas intervenções [cirúrgicas] em três dias e pude observar que, embora houvesse pequenos sangramentos em alguns casos, ninguém se queixou de dor, mesmo quando a entidade passou a faca sobre o olho de um homem sem o uso de anestésicos.” Note que o repórter assume que se trata de uma “entidade” e em momento algum põe em dúvida as tais “cirurgias visíveis” espirituais. As 16 páginas ocupadas pelas duas matérias não questionam, apenas exaltam o espiritismo e as novas influências que lutam para ganhar espaço e aceitação do kardecismo tradicional.

Mas o posicionamento favorável ao espiritismo por parte da Galileu fica mesmo evidente no artigo “A sabedoria da fé”, na página 90. Ali o repórter Arthur Veríssimo também conta sua experiência de encontro com João de Deus. “Quando entrei na primeira sala de atendimento, vi mais de 80 médiuns auxiliares sentados, de olhos fechados, em completa sintonia com os trabalhos da entidade [Veríssimo também assume que se trata de uma “entidade”]. … Um hálito cósmico-espiritual permeava o lugar. … Espalhados por três salas interligadas, 280 médiuns formam uma corrente energética que auxilia os trabalhos da entidade.”

No parágrafo seguinte, a linguagem do repórter se torna quase a de um seguidor: “Minha vez se aproxima, e um turbilhão de idéias e pensamentos absorve minhas entranhas. O véu de trevas que cobre minha consciência é dissipado. Um perfume divino paira no ar. Estava conectado, e a entidade me chamou. Olhou para mim e disse que eu era bem-vindo na casa e tinha a autorização de fotografar e conhecer todas as dependências. Rapidamente afirmou que eu deveria trabalhar e entrar na corrente. Numa completa unidade, comigo mesmo e com o grupo.”

Mais para o fim, Veríssimo arremata com palavras que são puro marketing gratuito: “É impressionante observar um homem simples e sem nenhuma formação médica como João Teixeira executar tantas cirurgias com sucesso e sem anestesia. Minhas dúvidas foram esmagadas pela sabedoria da fé. … O médium João é um instrumento de Deus.”

Agora só falta a Galileu começar a publicar matérias psicografadas.

 

Superconfusão

Na sua já tradicional matéria religiosa de dezembro, idealizada para alavancar as vendas, a Superinteressante se sai com esta, já na capa: “A religião diz que ela [a Bíblia] veio de Deus. Mas novas evidências revelam como os textos sagrados foram escritos – e manipulados – pelos homens. Conheça os verdadeiros autores da Bíblia. E o real significado do que eles disseram.”

Não é necessário que “novas evidências” nos digam o que o apóstolo Pedro já havia deixado claro há muito tempo: “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21). A Bíblia jamais esconde o fato de ter sido escrita por seres humanos, mas deixa claro que eles foram inspirados pelo Espírito Santo (a palavra traduzida por “inspirado” no Novo Testamento vem do grego theopneustos, que significa literalmente “soprado por Deus”).

Como sempre ocorre nas reportagens desse tipo publicadas na Superinteressante, o tom jocoso e contestatório e a superficialidade estão presentes do começo ao fim. Prova disso são as seções “Top 5 pragas”, “Top 5 matanças” e “Top 5 sacanagens” (!). Sobre as pragas e matanças, trata-se do velho desconhecimento do contexto histórico em que essas atitudes extremas de Deus foram tomadas (leia “Por que Deus mandou matar”). Mas o que dizer das tais “sacanagens”? Super considera “sacanagem” a linguagem sensualmente pura e franca de Cantares (leia “Sensualidade pura”). Comete o erro crasso de afirmar, como o fazem certas seitas, que Gênesis 6:2 menciona anjos tendo relações sexuais com mulheres. Segundo o Comentário Bíblico Adventista, “deve-se rejeitar esse ponto de vista porque o castigo que cedo sobreviria se deveu aos pecados de seres humanos (v. 3) e não de anjos. Ademais, os anjos não se casam (Mt 22:30). Os ‘filhos de Deus’ não foram outros senão os descendentes de Set, e as ‘filhas dos homens’ as descendentes dos cainitas ímpios (PP 67)”.

Noutra evidência de má-fé e desconhecimento bíblico, Super desconsidera a linguagem profética de Ezequiel 23:20 e se diverte com a afirmação de os egípcios serem “bem-dotados” e “ejacularem como cavalos”. As duas prostitutas desse capítulo representam Israel e Judá, designadas com os nomes das suas respectivas capitais: Samaria e Jerusalém. Ambas se corromperam e apostataram, atitude comparada ao adultério espiritual (esse paralelismo entre a apostasia e a quebra dos votos matrimoniais foi herdado de Oséias 2:2-10 e Jeremias 3:6-13).

A matéria afirma ainda que Davi “teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino por volta do ano 1000 a.C.” Bastaria ao repórter da revista ter ido à exposição Tesouros da Terra Santa, no Masp, para conhecer a “pedra da vitória”, entalhada por um rei de Aram, contendo uma inscrição que menciona a “Casa de Davi”, referência direta à dinastia fundada pelo Rei Davi. (Leia também “A Cidade de Davi”).

Depois, a reportagem enviezada diz que o Pentateuco não pode ter sido escrito por Moisés pelo fato de o livro narrar a morte do profeta. Chamam de “fundamentalistas” (eles adoram essa palavra) os que defendem a autoria mosaica sem saber (ou sem querer saber) que existe explicação para a redação desse trecho do livro bíblico. Confira aqui.

Super ignora fatos e evidências que corroboram o relato bíblico e, no entanto, faz afirmações sem qualquer base factual, como esta: “Tempos mais tarde, os dois relatos [javista e eloísta] foram misturados por editores anônimos.” Prova que é bom, nada.

Papagueando um velho argumento contra a autenticidade escriturística, a revista afirma que “as raízes da árvore bíblica também remontam aos sumérios” e que “o monoteísmo pode ter surgido pelo contato com os persas”. O especialista em Arqueologia e autor do livro Escavando a Verdade, Dr. Rodrigo Silva, sugere que essas semelhanças nas culturas antigas (semelhanças que dizem respeito inclusive aos relatos da Criação e do Dilúvio) apontam para uma matriz histórica comum. No entanto, o relato bíblico é mais “enxuto” e desprovido dos elementos míticos das outras narrativas.

Mais adiante, a matéria da Super(ficial) diz que “gerações e gerações de copiadores já haviam introduzido alterações nos textos originais – seja por descuido, seja de propósito”, mas não dedicam uma linha sequer para falar dos Manuscritos do Mar Morto, que confirmaram a confiabilidade do texto do Antigo Testamento, com manuscritos que datavam de até 250 a.C.

Não falam dos Manuscritos do Mar Morto, mas trazem novamente à tona os duvidosos e polêmicos apócrifos encontrados no Egito em 1886, um dos quais assinado por “Maria Madalena”. Dão mais importância ao duvidoso do que ao certo. Em agosto, a Galileu publicou uma matéria sobre Jesus na qual diz que “para especialistas, esses escritos perdem importância quando se constata que eles tiveram como base os Evangelhos canônicos e seguiram o gnosticismo. … Há pesquisadores que vasculham esses livros, muitos dos quais em estado fragmentário, em busca de informações valiosas que não teriam sido preservadas (ou teriam sido deliberadamente varridas para debaixo do tapete) pelos evangelistas oficiais. O esforço vale a pena? O mais provável é que não. … é praticamente impossível demonstrar que os evangelhos apócrifos mais populares entre os historiadores, como o de Tomás e o de Pedro, não tenham, na verdade, usado como base os Evangelhos canônicos, os bons e velhos Mateus, Marcos, Lucas e João. Estruturas literárias básicas, como a ordem dos ditos de Jesus, parecem seguir de perto os textos canônicos. Além disso, a datação dos apócrifos aponta para uma composição décadas ou até séculos depois dos Evangelhos oficiais. E há alguns detalhes teológicos suspeitos nas narrativas apócrifas: muitos deles seguem o chamado gnosticismo, uma vertente esotérica do cristianismo primitivo que considerava o mundo material uma esfera corrompida e naturalmente ruim da existência e pregava o acesso a um conhecimento secreto para se libertar dele. A importância do apóstolo Tomé ou de Maria Madalena nos textos gnósticos provavelmente não tem a ver com o papel histórico desses personagens, mas com o uso deles como contraponto aos sucessores de apóstolos como Pedro e Paulo, principais líderes das comunidades cristãs após a morte de Jesus”.

A despeito de tudo isso, para a Super(tendenciosa) os apócrifos gnósticos são mais importantes e confiáveis que os Evangelhos e os Manuscritos do Mar Morto. Dá pra confiar numa reportagem dessas? Dá pra levar a sério uma revista dessas?

E numa atitude totalmente fora de contexto (mas previsível), a reportagem arremata: “Em pleno século 21, pastores fundamentalistas tentam proibir o ensino da Teoria da Evolução nas escolas dos EUA, sendo que a própria Igreja [não dizem que é a Católica] aceita as teorias de Darwin desde a década de 1950."

Se os cristãos bíblicos são fundamentalistas (pois têm a Bíblia como seu fundamento), a Super é superfundamentalista. Qual o fundamento? O materialismo filosófico.

Michelson Borges

Leia também:

“Espiritismo ta com tudo na mídia”

Série “A Bíblia e o espiritismo”

“O ceticismo da Super”

“Galileu distorce fatos sobre a Bíblia”

"Quem escreveu [com tanta impropriedade] sobre a Bíblia?"

%d blogueiros gostam disto: