Archive for the ‘As Seitas’ Category

Mapa mostra o ano de fundação DAS PRINCIPAIS RELIGIÕES CRISTÃS


as-primcipais-religioes-cristas-arte-folha-de-sao-paulo

Anúncios

A HISTÓRIA OCULTA DO MUNDO ISLÂMICO: A PEDOFILIA DO HAMAS


PEDOFILIA ISLAMICA .
TRISTE REALIDADE...</p> <p>A HISTÓRIA OCULTA DO MUNDO ISLÂMICO: A PEDOFILIA DO HAMAS</p> <p>Enquanto a imprensa exalta os "lutadores da liberdade do Hamas", os "rebeldes", o mundo desconhece uma das histórias mais SÓRDIDAS de abuso infantil, torturas e sodomização do planeta, vinda do fundo dos esgotos de Gaza: os casamentos pedófilos do Hamas, que envolvem até crianças de 4 anos. Tudo com a devida autorização da lei do islamismo radical.</p> <p>Infância perdida, abuso certo: ficaremos calados?<br /> A denúncia é do Phd Paul L. Williams e está publicada no blog thelastcrusade.org e é traduzida com exclusividade no Brasil pelo De Olho Na Mídia (ninguém mais na imprensa nacional pareceu se interessar pelo assunto).</p> <p>Um evento de gala ocorreu em Gaza. O Hamas foi o patrocinador de um casamento em massa para 450 casais. A maioria dos noivos estava na casa dos 25 aos 30 anos; a maioria das noivas tinham menos de dez anos.</p> <p>Grandes dignatários muçulmanos, incluindo Mahmud Zahar, um líder do Hamas foram pessoalmente cumprimentar os casais que fizeram parte desta cerimônia tão cuidadosamente planejada.</p> <p>"Nós estamos felizes em dizer à América que ela não pode nos negar alegria e felicidade", Zahar falou aos noivos, todos eles vestidos em ternos pretos idênticos e pertencentes ao vizinho campo de refugiados de Jabalia.</p> <p>Cada noivo recebeu 500 dólares de presente do Hamas.</p> <p>As garotas na pré-puberdade (pré-puberdade?????), que estavam vestidas de branco e adornadas com maquiagem excessiva, receberam bouquets de noiva.</p> <p>"Nós estamos oferecendo este casamento como um presente para o nosso povo que segue firme diante do cerco e da guerra", discursou o homem forte do Hamas no local, Ibrahim Salaf.</p> <p>As fotos do casamento relatam o resto desta história repugnante.</p> <p>Noivas de 4 a 10 anos e presentes de $500</p> <p>O Centro Internacional Para Pesquisas Sobre Mulheres estima agora que existam 51 milhões de noivas infantis vivendo no planeta e quase todas em países muçulmanos.</p> <p>Quase 30% destas pequenas noivas apanham regularmente e são molestadas por seus maridos no Egito; mais de 26% sofrem abuso similar na Jordânia.</p> <p>Todo ano, três milhões de garotas muçulmanas são submetidas a mutilações genitais, de acordo com a UNICEF. A prática ainda não foi proibida em muitos lugares da América.</p> <p>Nesta hora até a miséria desaparece de Gaza: carros de luxo para meninas reduzidas a lixo.</p> <p>A prática da pedofilia teria base e apoio do islã. O livro Sahih Bukhari em seu quinto capítulo traz que Aisha, uma das esposas de Maomé teria seis anos quando se casou com ele e as primeiras relações íntimas ocorreram aos nove. O período de espera não teria sido por conta da pouca idade da menina, mas de uma doença que ela tinha na época. Em compensação, Maomé teria sido generoso com a menina: permitiu que ela levasse todos os seus brinquedos e bonecas para sua tenda...</p> <p>Mais ainda: talvez o mais conhecido de todos os clérigos muçulmanos deste século, o Aiatóla Komeini, defendeu em discursos horripilantes a prática da pedofilia:</p> <p>Um homem pode obter prazer sexual de uma criança tão jovem quanto um bebê. Entretanto, ele não pode penetrar; sodomizar a criança não tem problema. Se um homem penetrar e machucar a criança, então ele será responsável pelo seu sustento o resto da vida. A garota entretanto, não fica sendo contada entre suas quatro esposas permanentes. O homem não poderá também se casar com a irmã da garota... É melhor para uma garota casar neste período, quando ela vai começar a menstruar, para que isso ocorra na casa do seu marido e não na casa do seu pai. Todo pai que casar sua filha tão jovem terá assegurado um lugar permanente no céu.</p> <p>Esta é a história que a mídia não conta, que o mundo se cala e não quer ver, ou que não querem que você saiba.</p> <p>Mas agora você está ciente, não tem mais jeito! Vai ficar calado? Cobre os veículos de mídia, aja! Se você não fizer nada, ninguém poderá salvar estas vítimas inocentes do inferno do Hamas e similare

TRISTE REALIDADE…

A HISTÓRIA OCULTA DO MUNDO ISLÂMICO: A PEDOFILIA DO HAMAS

Enquanto a imprensa exalta os “lutadores da liberdade do Hamas”, os “rebeldes”, o mundo desconhece uma das histórias mais SÓRDIDAS de abuso infantil, torturas e sodomização do planeta, vinda do fundo dos esgotos de Gaza: os casamentos pedófilos do Hamas, que envolvem até crianças de 4 anos. Tudo com a devida autorização da lei do islamismo radical. Infância perdida, abuso certo: ficaremos calados? A denúncia é do Phd Paul L. Williams e está publicada no blog thelastcrusade.org e é traduzida com exclusividade no Brasil pelo De Olho Na Mídia (ninguém mais na imprensa nacional pareceu se interessar pelo assunto). Um evento de gala ocorreu em Gaza. O Hamas foi o patrocinador de um casamento em massa para 450 casais.

A maioria dos noivos estava na casa dos 25 aos 30 anos; a maioria das noivas tinham menos de dez anos. Grandes dignatários muçulmanos, incluindo Mahmud Zahar, um líder do Hamas foram pessoalmente cumprimentar os casais que fizeram parte desta cerimônia tão cuidadosamente planejada. “Nós estamos felizes em dizer à América que ela não pode nos negar alegria e felicidade”, Zahar falou aos noivos, todos eles vestidos em ternos pretos idênticos e pertencentes ao vizinho campo de refugiados de Jabalia. Cada noivo recebeu 500 dólares de presente do Hamas. As garotas na pré-puberdade (pré-puberdade?????), que estavam vestidas de branco e adornadas com maquiagem excessiva, receberam bouquets de noiva. “Nós estamos oferecendo este casamento como um presente para o nosso povo que segue firme diante do cerco e da guerra”, discursou o homem forte do Hamas no local, Ibrahim Salaf.

As fotos do casamento relatam o resto desta história repugnante. Noivas de 4 a 10 anos e presentes de $500 O Centro Internacional Para Pesquisas Sobre Mulheres estima agora que existam 51 milhões de noivas infantis vivendo no planeta e quase todas em países muçulmanos. Quase 30% destas pequenas noivas apanham regularmente e são molestadas por seus maridos no Egito; mais de 26% sofrem abuso similar na Jordânia. Todo ano, três milhões de garotas muçulmanas são submetidas a mutilações genitais, de acordo com a UNICEF. A prática ainda não foi proibida em muitos lugares da América. Nesta hora até a miséria desaparece de Gaza: carros de luxo para meninas reduzidas a lixo. A prática da pedofilia teria base e apoio do islã.

O livro Sahih Bukhari em seu quinto capítulo traz que Aisha, uma das esposas de Maomé teria seis anos quando se casou com ele e as primeiras relações íntimas ocorreram aos nove. O período de espera não teria sido por conta da pouca idade da menina, mas de uma doença que ela tinha na época. Em compensação, Maomé teria sido generoso com a menina: permitiu que ela levasse todos os seus brinquedos e bonecas para sua tenda… Mais ainda: talvez o mais conhecido de todos os clérigos muçulmanos deste século, o Aiatóla Komeini, defendeu em discursos horripilantes a prática da pedofilia: Um homem pode obter prazer sexual de uma criança tão jovem quanto um bebê. Entretanto, ele não pode penetrar; sodomizar a criança não tem problema. Se um homem penetrar e machucar a criança, então ele será responsável pelo seu sustento o resto da vida. A garota entretanto, não fica sendo contada entre suas quatro esposas permanentes.

O homem não poderá também se casar com a irmã da garota… É melhor para uma garota casar neste período, quando ela vai começar a menstruar, para que isso ocorra na casa do seu marido e não na casa do seu pai. Todo pai que casar sua filha tão jovem terá assegurado um lugar permanente no céu. Esta é a história que a mídia não conta, que o mundo se cala e não quer ver, ou que não querem que você saiba. Mas agora você está ciente, não tem mais jeito! Vai ficar calado? Cobre os veículos de mídia, aja! Se você não fizer nada, ninguém poderá salvar estas vítimas inocentes do inferno do Hamas e similare

LOGOSOFIA – UMA NOVA ROUPAGEM PARA UM ANTIGO ENGANO AOS CRISTÃOS


LOGOSOFIA – UMA NOVA ROUPAGEM PARA UM ANTIGO ENGANO

Por Eguinaldo Hélio de Souza

“E quando aos olhos de todos pareceria que a caravana da decadência não mais haveria de deter-se, pondo em risco a sobrevivência da espécie, surge das entranhas da América uma nova geração de conceitos e valores, desta vez de cunho transcendente, patrocinados por uma superior concepção do homem e da vida, da psicologia humana e do espírito, da redenção e do humanismo, da evolução e das Leis Eternas, do Universo e de Deus […] Era o dia 11 de agosto de 1930. Inaugurava-se, na história da educação da humanidade, a Era da Evolução Consciente, tendo como suporte doutrinário e pedagógico a Logosofia, a Ciência da Sabedoria, a Ciência da Vida”.1

Como todo movimento religioso de origem recente, a logosofia se auto-intitula “ciência”, “conhecimento”, no intuito de obter respeito automático por parte do mundo ocidental. Como todas as religiões, considera-se o único meio de redenção da humanidade, rotulando todas as outras, inclusive o próprio cristianismo, como sistemas religiosos preconceituosos que impedem a evolução do homem.

Nossa meta, nesta curta matéria, será apenas situar o leitor em relação ao que apregoa a logosofia, portanto, não nos ateremos numa refutação exagerada, mesmo porque este movimento não requer isso, pois seus desvios são facilmente identificados por aqueles que conhecem os fundamentos da Palavra do Senhor. Queremos apenas cumprir nosso papel como instituto de pesquisas religiosas, fornecendo aos leitores o que julgamos ser o suficiente para se avaliar e entender a logosofia.

O que é a logosofia?

“Seu nome reúne em um só vocábulo as raízes gregas ‘logos’ e ‘sofos’, que o autor adotou, dando-lhes a significação de verbo criador e ciência original, para designar uma nova linha de conhecimentos, uma doutrina, um método e uma técnica que lhe são eminentemente próprios”.2

Podemos descrevê-la como uma mistura de religião, filosofia, psicologia e esoterismo, ensinados com um rótulo de “Verdade” com letra maiúscula, ou seja, como sendo “A Verdade” por excelência, que veio para substituir todas as religiões e filosofias. O fundador, idealizador e único autor (por enquanto) foi o argentino Carlos Bernardo González Pecotche.

Carlos Bernardo González Pecotche — também conhecido como RAUMSOL — nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 11 de agosto de 1901. Baseado, segundo ele diz, na hierarquia e herança de seu próprio espírito, reagiu muito cedo contra a rotina dos conhecimentos correntes e sistemas usados para a formação do ser humano. Em 1930, instituiu a Fundação Logosófica com o objetivo de difundir “a nova ciência” que havia criado, hoje expandida a vários países por meio de centros culturais, onde se estuda e pratica esta nova linha de conhecimentos transcendentes.

No Brasil, existem centros logosóficos em Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, Chapecó, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Rio de Janeiro e Uberlândia, além de inúmeras sedes culturais localizadas aqui e no exterior. Além disso, existe uma escola de orientação logosófica localizada no Rio de Janeiro (RJ), o Colégio Logosófico González Pecotche, que já conta com cerca de 250 alunos, desde a Educação Infantil até o Estudo Fundamental. Os métodos de ensino são orientados conforme os conceitos logosóficos e todos os professores são praticantes da logosofia. A escola foi assunto de matéria na revista Nova Escola (junho de 2003).

A nova teoria da evolução

“O caminho logosófico é tão longo quanto a eternidade, porque é o caminho determinado pela lei da evolução, que impera sobre todos os processos que se elaboram dentro da criação”.3

Esta é a idéia central da logosofia. Mas, ao contrário do que ela proclama, não se trata de um pensamento exclusivo seu. Esta filosofia é a base de todo o ensino da Nova Era. Poderíamos chamá-la de “darwinismo espiritual”. É a idéia corrente de que a atual fase da existência humana é apenas um estágio do processo de evolução, como o foi a fase de símio4. O homem está destinado a ser algo mais do que ele é agora. Difere da evolução espiritual pregada pelo kardecismo, pois não ocorreria com espíritos desencarnados, mas com a humanidade como um todo. E a logosofia e todas as doutrinas esotéricas modernas colocam-se como instrumentos desta evolução.

Vamos encontrar a raiz deste pensamento no filósofo alemão Friederich Nietzsche. “Também, além apanhei no meu caminho a palavra ‘super-homem’ e esta doutrina: o homem é uma coisa que precisa ser superada”, disse Zaratustra, personagem fictício do filósofo Friederich Nietzsche.5 Neste mesmo livro ele desenvolveu outro conceito: o da morte de Deus: “Zaratustra, porém, ao ficar sozinho falou assim ao seu coração: ‘Será possível que este santo ancião ainda não ouviu no seu bosque que Deus já morreu?”.6

Nietzsche nasceu em 15 de outubro em 1844, no pequeno vilarejo de Röcken, na Alemanha. Ele era neto e filho de pastores protestantes e, em sua infância, ficou conhecido como “o pequeno pastor”, pelo fato de ler a Bíblia com tal paixão que fazia chorar seus ouvintes. Mas, aos dezoito anos, perdeu a fé no Deus de seus pais e passou o resto da vida procurando uma nova divindade; pensou tê-la encontrado no super-homem.7 É difícil estabelecer o que ele queria dizer com o seu super-homem, ou como alcançá-lo, mesmo porque Nietzsche enlouqueceu e permaneceu por dez anos neste estado de demência. Mas suas concepções influenciaram todo o movimento esotérico moderno, no sentido de defender um tipo de “evolução espiritual” que levará o homem a se superar.

Neste aspecto, a logosofia não se distingue das demais religiões esotéricas surgidas no século XX, exceto pelo fato de que usa termos únicos e proclama ser o exclusivo caminho válido da redenção humana. De uma forma simplificada, é a substituição da crença e da devoção por um Deus transcendente, por uma fé no próprio homem, como deificador de si mesmo. É a aceitação do fato de um Deus morto de Zaratustra e uma confiança no seu super-homem. Mas “Todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade” (Sl 39.5).

Logosofia versus evangelho

A superioridade ou originalidade da logosofia não existe em lugar algum, a não ser na mente de seu fundador e de seus adeptos. Seus conceitos sobre Deus, pecado, salvação, além de baterem de frente com os ensinos das Escrituras, em nada diferem dos conceitos professados por outras religiões. Não passam de mais uma tentativa do homem de auto-salvação, com um conceito vago de Deus e uma negação de Cristo. Vejamos sucintamente cada um deles:

Salvação

“Para que a própria redenção seja um fato, é essencial começar por não cometer mais faltas: não acumular mais culpas ou dívidas. Este é o primeiro passo; mas surgirá a pergunta: Que fazer com o já consumado? Cada falta tem seu volume e suas conseqüências inevitáveis. Não percamos tempo em lamentações nem sejamos ingênuos crendo que existem meios fáceis de saldá-las. As leis não se infringem impunemente: nem cometendo faltas, nem pretendendo livrar-se delas. Mas o homem pode, sim, redimir gradualmente suas culpas mediante o bem que representa para si a realização rigorosa de um processo que o aperfeiçoe. Se esse bem é estendido aos semelhantes — quanto mais, melhor —, assegurar-se-á a descarga da dívida. Entretanto, isto será sob condição de não incorrer em novas faltas, pois se cairia no mesmo erro dos que pretendem depurar suas almas nas cômodas posturas da superficialidade religiosa”.8 (grifo do autor)

Em outras palavras, o homem efetua sua própria redenção. Nada mais velho na história das religiões, nada mais de acordo com “os rudimentos do mundo” do que isto. É difícil para o homem, em seu orgulho, aceitar uma salvação que lhe seja dada gratuitamente por Deus, que não dependa do esforço humano. Já dizia Davi no Salmo 49.7,8: “Ninguém pode remir o seu irmão, ou dar a Deus o resgate por ele (pois a redenção de sua alma é caríssima, e seus recursos se esgotariam antes)” (ARC). Embora possam variar os meios em que se baseiam, a auto-salvação é característica que veste o corpo doutrinário da maioria das seitas.

O meio de salvação da logosofia é descrito de um modo um tanto confuso. González Pecotche o descreve como “o bem que representa para si a realização rigorosa de um processo que o aperfeiçoe”. E a logosofia ainda vai mais longe, dizendo que a “descarga da dívida” será maior se este bem for estendido a outros semelhantes. Este conceito é infinitamente inferior à salvação pela graça oferecida por Deus em sua Palavra. Buscamos sim um aperfeiçoamento mediante a ação do Espírito Santo em nossas vidas e almejamos pregar o evangelho a toda criatura. Tudo isso, no entanto, não como meio de alcançar a salvação, mas como um resultado por já possuí-la.

Esta é a salvação de Deus: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9). Somente o evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16), somente ele proclama que o “dom gratuito de Deus” é a vida eterna (Rm 6.23). Por mais complexas e desenvolvidas que sejam as religiões antigas e novas, e por mais simples que seja a mensagem do evangelho, eles não conseguem absorver este conceito.

Pecado

“… é essencial começar por não cometer mais faltas: não acumular mais culpas ou dívidas […] Entretanto, isto será sob condição de não incorrer em novas faltas…”8

Não errar mais, não cometer novos pecados. É esta a proposta da logosofia. Será isto possível ao homem? Esta atitude simplista assumida por seu criador está muito longe da sensata visão bíblica a respeito da condição humana.

Embora nenhum livro exorte o homem à perfeição e à santidade tanto quanto a Escritura, ela, no entanto, não deixa de admitir, já no Antigo Testamento, pelos lábios do sábio rei Salomão, que “não há homem que não peque” (1Rs 8.46). A logosofia coloca como condição de perdão para o homem “o não pecar mais”, “o não errar”, algo que não passa de uma ilusão. Entretanto, a Palavra de Deus tem um posicionamento sobre perdão que, sem ocultar a culpabilidade do homem, revela o único meio possível de remissão — a confissão e a purificação por meio da morte redentora de Cristo. “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1Jo 1.8 — 2.2).

Sem negar a necessidade de perfeição, a mensagem realista do evangelho não deixa de reconhecer a pecaminosidade humana e de indicar o remédio contínuo para tal.

Deus

“Proclama a existência de um Deus Universal, que une os homens em uma só e única religião: a religião do conhecimento; meio pelo qual se pode chegar a Ele, compreendê-lo, senti-lo e amá-lo, o que jamais se fará pela ignorância […]. Esta finalidade se alcança enriquecendo a consciência por meio do conhecimento transcendente, pois só assim o homem pode compreender qual é a sua missão e como está constituído seu ser imaterial, seu próprio espírito, agente que responde ao influxo da eterna Consciência Universal e leva consigo, através dos tempos, o signo cósmico da existência individual”.9 (grifo do autor)

Novamente, nada mais faz a logosofia do que retornar ao conhecimento ou “gnose” (conhecimento em grego) como meio de se conhecer o Deus verdadeiro. Desde os primórdios do cristianismo, surgiram homens alegando que este conhecimento especial, capaz de ser manifestado apenas em alguns poucos, era o caminho que levava o homem a Deus. Não há nada de novo nesta idéia, que tem suas raízes no gnosticismo dos primeiros séculos da era Cristã.

Mas, ao rejeitar o cristianismo, a logosofia rejeita a fonte do verdadeiro conhecimento de Deus: “Errais por não conhecer as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29). Sem Jesus não há verdadeiro conhecimento de Deus, não há vida eterna, não há salvação: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

Mediação

“A logosofia tem expressado reiteradamente que não há outro intermediário entre Deus e o homem além de seu próprio espírito, com quem deve vincular-se e a quem deve oferecer a direção de sua vida”.1 0 (grifo do autor)

“Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1Tm 2.5).

“Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6).

A logosofia é uma rejeição soberba aos caminhos de Deus. “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Rm 10.3).

Mais uma vez o esforço humano, a auto-salvação, manifesta-se em rejeitar a mediação de Cristo para a salvação da humanidade.

Expansão logosófica

Esta doutrina já chegou até mesmo na Europa, tendo em Barcelona, na Espanha, seu centro divulgador. Tem estado presente com seu stand em diversas feiras de livros por todo o Brasil e, embora não tenha um peso numérico (em Belo Horizonte há apenas setecentos adeptos e menos de quinhentos na cidade de São Paulo), conta com muitos militantes da área acadêmica. Isto era de se esperar, devido à complexidade de seu ensino.

Mas a logosofia não passa de apenas mais uma entre as inúmeras correntes místico-esotéricas com conceitos estranhos que se expandem por todo o ocidente. Os conceitos judaico-cristãos que por dois milênios cimentaram a cultura ocidental estão agora sendo minados em suas raízes por um espiritualismo humanista que serve de carona para toda sorte de doutrinas contrárias à Palavra de Deus. Espiritualidade não é sinônimo de comunhão com Deus. Fora do Filho não há vida espiritual: “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1Jo 5.12).

Referências:

1 Jornal Logosofia no Brasil, Ano VIII, nº 21.
http://www.logosofia.org.br
3 Revista de Logosofia, Ano 5, nº 6.
4 Relativo aos símios: macacos. Designação geral dos supostos primatas atuais da subordem do antropóides.
5 Assim Falou Zaratustra, p. 154.
6 Ibid., p. 29.
7 História da filosofia, Will Durante.
http://www.logosofia.org.br
http://www.logosofia.org.br
10 http://www.logosofia.org.br

Espiritismo X Palavra de Deus Por Pr Airton Evangelista da Costa


Aceito o Desafio!

Espiritismo X Palavra de Deus

 

             Pr Airton Evangelista da Costa

 

Atendendo ao desafio feito pelo senhor Hector, apresentei minhas respostas aos seus questionamentos, como a seguir. A divulgação da matéria se deu inicialmente no seguinte site:

 

http://www.centralgospel.com.br/info/CentralForum/reply.asp?M=9985&F=1&T=1328&P=#COMENTÁRIO

[Nota: Passados alguns anos, não mais localizei esta matéria no endereço acima]

 

 

HECTOR – Eu já coloquei este tópico numa outra oportunidade, quando este fórum ainda tinha outra configuração dos tópicos, e não conseguimos debater satisfatoriamente. Na oportunidade me trataram mal, mas não rebateram ou refutaram as colocações, então, se algum irmão tiver conhecimentos e puder rebater ou enriquecer o estudo na mesma ordem eu fico agradecido. Ante mão eu concordo que realmente não foi Deus que escreveu aquelas coisas horríveis [na Bíblia],  pois Ele é amor.

A Palavra de Deus na Bíblia

A maioria de nossos detratores sempre afirma que a Bíblia é a palavra de Deus. Que tudo que ali se encontra é absolutamente sem erros, devendo ser seguido fielmente.         

AIRTON  – Os cristãos não detratam os espíritas. Combatemos o espiritismo. Os cristãos amam os espíritas, muitos dos quais já passaram para Cristo Jesus. A Bíblia é a inerrante palavra de Deus porque escrita por homens divinamente inspirados.

 

HECTOR – Quando dos ataques ao Espiritismo citam passagem do Antigo Testamento (p.e. Deuteronômio 18, 10-11) exigindo que nós a cumpramos, pois por ela é proibida a evocação dos mortos. Está bem, vamos por alguns momentos lhes dar razão,

 

AIRTON – Por que nos dar razão apenas por alguns momentos? A verdade não é nossa. A verdade é bíblica. O espiritismo ou dá razão ao que está na Bíblia ou não dá. O cristianismo não exige dos espíritas obediência a qualquer coisa. Cumprimos o dever de defender nossa fé e  pregar o evangelho do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 

HECTOR – só que para isso também faremos uma exigência: que cumpram TODAS AS OUTRAS DETERMINAÇÕES constantes do Antigo Testamento, tais como:
Gêneses 17, 9-11: Disse mais Deusa a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência: todo macho entre vós serás circuncidado. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós. Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações.
Gêneses 17, 14: – O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança.
Êxodo 20, 24: – Um altar de terra me farás, e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, as tuas ofertas pacíficas, as tuas ovelhas, e os teus bois; em todo o lugar onde eu fizer celebrar a memória do meu nome, virei a ti, e te abençoarei.
Êxodo 21, 2: – Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá forro, de graça.
Êxodo 21, 7: – Se um homem vender sua filha para ser escrava, esta não lhe sairá como saem os escravos.
Êxodo 21, 12: – Quem ferir a outro de modo que este morra, também será morto.
Êxodo 21, 15: – Quem ferir a seu pai ou a sua mãe, será         morto.
Êxodo 21, 16: – O que raptar a alguém, e o vender, ou for achado na sua mão, será morto.
Êxodo 21, 17: – Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto.
Êxodo 21, 23-25: – Mas se houver dano grave, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe            .
Êxodo 22, 2: – Se um ladrão for achado arrombando uma casa, e, sendo ferido, morrer, quem o feriu não será culpado do sangue.
Êxodo 22, 16: – Se alguém seduzir qualquer virgem, que não estava desposada, e se deitar com ela, pagará seu dote e a tomará por mulher.
Êxodo 22, 18: – A feiticeira não deixarás viver.
Êxodo 22, 19: – Quem tiver coito com animal, será morto.
Êxodo 22, 20: – Quem sacrificar aos deuses, e não somente ao Senhor, será destruído.
Êxodo 31, 14: – Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós outros; aquele que o profanar morrerá; pois qualquer que nele fizer alguma obra será eliminado do meio do seu povo.
Êxodo 34, 19: – Todo que abre a madre é meu, também de todo o teu gado, sendo macho, o que abre a madre de vacas e de ovelhas.
Êxodo 34, 20: – O jumento, porém, que abrir a madre, resgatá-lo-ás com cordeiro; mas, se o não resgatares, será desnucado Remirás todos os primogênitos de teus filhos. 
Ninguém aparecerá diante de mim de mãos vazias.
Êxodo 34, 26: – As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do SENHOR teu Deus. Não cozerás o cabrito no leite de sua própria mãe.
Levítico 11, 7-8: – Também o porco, porque tem unhas fendidas, e o casco dividido, mas não rumina; este vos será imundo, da sua carne não comereis, nem tocareis no seu cadáver; estes vos serão imundos.
Levítico 11, 21-22: – Mas de todo o inseto que voa, que anda sobre quatro pés, cujas pernas traseiras são mais compridas, para saltar com elas sobre a terra, estes comereis. 
Deles comereis estes: a locusta segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie.
Levítico 12, 2: – Fala aos filhos de Israel: Se uma mulher conceber e tiver um menino, será imunda sete dias, como nos dias da sua menstruação será imunda.
Levítico 19, 11: – Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo;
Levítico 19, 26: – Não comereis cousa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis.
Levítico 19, 27: – Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba.
Levítico 20, 9: – Se um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto: amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue cairá sobre ele.
Levítico 20, 10: – Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera.
Levítico 20, 13: – Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram cousa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles.
Levítico 20, 18: – Se um homem se deitar com a mulher no tempo da enfermidade dela, e lhe descobrir a nudez, descobrindo a sua fonte, e ela descobrira a fonte do seu sangue, ambos serão eliminados do meio do seu povo.
Levítico 20, 27: – O homem ou mulher que sejam necromantes, ou sejam feiticeiros, serão mortos: serão apedrejados; o seu sangue cairá sobre eles.
Levítico 21, 9: – Se a filha dum sacerdote se desonra, prostituindo-se, profana a seu pai: com fogo será             queimada.
Levítico 21, 17-20: – Fala a Arão, dizendo: Ninguém dos teus descendentes nas suas gerações, em quem houver algum defeito, se chegará para oferecer o pão do seu Deus Pois nenhum homem em quem houver defeito se chegará: como homem cego, ou coxo, de rosto mutilado, ou desproporcionado, ou homem que tiver o pé quebrado, ou a mão quebrada, ou corcovado, ou anão, ou que tiver belida no olho, ou sarna, ou impigens, ou que tiver testículo quebrado.
Levítico 26, 7: – Perseguireis os vossos inimigos, e cairão à espada diante de vós.
Deuteronômio 21, 15-16: – Se um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e outra a quem aborrece, e uma e outra lhe derem filhos, e o primogênito for da aborrecida, no dia em que fizer herdar a seus filhos aquilo que possuir, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da aborrecida, que é o primogênito.
Deuteronômio 21, 18-21: – Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe, e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, pegarão nele seu pai e sua mãe e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz: é dissoluto e beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; assim eliminarás o mal do meio de ti: todo o Israel ouvirá e temerá.
Deuteronômio 22, 10: – Não lavrarás com junta de boi e jumento.
Deuteronômio 22, 23-24: – Se houver moça virgem, desposada, e um homem a achar na cidade e se deitar com ela, então trareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porque humilhou a mulher do seu próximo; assim eliminarás o mal do meio de ti.
Deuteronômio 23, 1 – Aquele a quem forem trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não entrará na assembléia do Senhor.
Deuteronômio 23, 2: – Nenhum bastardo entrará na assembléia do Senhor; nem ainda a sua décima geração entrará nela.
Deuteronômio 23, 13: – Dentre as tuas armas terás um pau; e quando te abaixares fora, cavarás com ele, e, volvendo-te, cobrirás o que defecaste.
Deuteronômio 24, 1: -Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado cousa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão e a despedir de           casa;
Deuteronômio 24, 16: – Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais: cada qual será morto pelo seu pecado.
Deuteronômio 25, 5: – Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer, sem filhos, então a mulher do que morreu não se casará com outro estranho, fora da família; seu cunhado a tomará e a receberá por mulher, e exercerá para com ela a obrigação de    cunhado.
Deuteronômio 25, 11-12: – Quando brigarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar para livrar o marido da mão do que o fere, e ela estender a mão, e o pegar pelas suas vergonhas, cortar-lhe-ás a mão: não a olharás com piedade.
Deuteronômio 28, 30: – Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não aproveitarás o seu fruto.
Deuteronômio 28, 53: – Comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que te der o Senhor teu Deus, na angústia e no aperto com que os teus inimigos te apertarão.

Ah! Já sei, vão dizer que em algumas passagens pegamos frases isoladas. Sim fizemos isso para podermos usar da mesma “técnica” que usam quando o assunto é combater o Espiritismo, assim estamos utilizando a mesma medida, pois “pesos diferentes são abomináveis ao Senhor” (Provérbios 20, 23).

 

AIRTON – Até aqui foram citadas passagens do Pentateuco, ou seja, os cinco primeiros livros da Bíblia escritos por Moisés. Pois bem, não me darei ao trabalho de responder uma por uma as questões levantadas. Usarei como resposta a palavra do pai do espiritismo.  Veja: “Na lei moisaica, há duas partes distintas: a lei de Deus, promulgada no monte sinai, e a lei civil ou disciplinar, decretada por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, se modifica com o tempo… É de todos os tempos e de todos os países essa lei [os Dez Mandamentos] e tem, por isso mesmo, caráter divino. Todas as outras são leis que Moisés decretou, obrigado que se via a conter, pelo temor, um povo de seu natural e turbulento e indisciplinado, no qual tinha ele de combater arraigados abusos e preconceitos, adquiridos durante a escravidão do Egito. Para imprimir autoridade às suas leis, houve de lhes atribuir origem divina, conforme o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, FEB, 90ª Edição, Brasília, 1944, Cap. I, itens 2, pg. 55-57).

 

Concordo com o espiritismo. As leis eram duríssimas, mas adequadas à época. De lá para cá, as leis foram sendo adaptadas às condições sociais, ao nível de compreensão dos povos. Moisés teria que escrever um  Código de Direito Civil, ou uma Consolidação das Leis Trabalhistas, ou uma Declaração dos Direitos Humanos  como temos agora? Não. Até nossas leis de hoje são reformuladas. As leis se modificam e se ajustam de acordo com o progresso cultural de um povo, e o progresso nas relações sociais.   A Constituição do Brasil já foi modificada várias vezes. Discordo de Kardec quando diz que Moisés “para imprimir autoridade às suas leis, houve de lhes atribuir origem divina”. Kardec incorre em duas contradições: primeiro, ele diz que a lei de Deus está formulada nos Dez Mandamentos (ibidem, pg 56, item 2). Ora, o Decálogo também foram apresentados por Moisés ao povo. Então, Moisés estaria mentindo ao povo? Segundo, Kardec diz que “Moisés é o espírito que Ele [Deus] enviou em missão para torná-lo conhecido não só dos hebreus, como também dos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que se serviu Deus para se relevar por Moisés e pelos profetas… Os mandamentos de Deus, dados por intermédio de Moisés, diz Kardec,  contém o gérmem da mais ampla moral cristã. A moral que Moisés ensinou era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos que ela se propunha regenerar” (Ibidem, Cap I, item 9, pg. 61-62). Então, se Moisés foi uma das revelações de Deus, se o que ensinou foi apropriado, se falava com Deus, teria necessidade de mentir ao povo? Tudo o que escreveu foi realmente inspirado por Deus. É incompreensível que haja espíritas que discordem do ensino do pai do espiritismo. 


HECTOR – Vamos agora demonstrar que a tese da “inerrância” da Bíblia não tem sentido algum. E mais, que apesar de quase todas as correntes religiosas a terem como se fosse a própria palavra de Deus, não se apercebem do absurdo, pois estariam colocando Deus sendo incoerente consigo mesmo.

 

Temos que deixar de lado esta estreita maneira de pensar para realmente vermos que na Bíblia nem tudo é de inspiração Divina. Nela encontramos opiniões pessoais de vários de seus autores que nunca poderiam ser levadas à conta de inspiração divina, sob pena de passarmos suas divergências ao próprio Deus o que seria um absurdo.

 

AIRTON – A Bíblia é de inspiração divina. Deus não ditou aos homens cada palavra, pois “toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra” (1 Tm 3.16-17).  Deus usou a mente, o intelecto, o talento, a capacidade de cada um. Não fora assim, os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) seriam exatamente iguais, com as mesmas palavras. A Bíblia não é uma obra psicografada.


HECTOR – Não queremos com isso desprezar o valor dos ensinamentos de Jesus contidos no Novo Testamento, apenas queremos ressaltar que não podemos em sã consciência, e até por pura coerência, ter tudo que ali está como a mais absoluta verdade, proveniente, vamos dizer, da “boca” de Deus.

 

AIRTON – Pelo que entendi, o senhor deseja aceitar somente o que Jesus falou. O restante da Bíblia ficaria             desprezado. Ao dizer a parábola do rico e Lázaro, Jesus aprovou as leis de Moisés e a palavra dos profetas. Veja: “Disse Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos” (Lc 16.29). Jesus falou sobre Moisés em Mateus 19.8, Marcos 10.4, Lucas 24.27: “E começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras”; João 3.14; 5.46: “Se crêsseis em Moisés, creríeis também em mim, pois ele escreveu a meu respeito”. Pergunto, então: “Se os espíritas confiam no ensino de Jesus, por que não confiar em Moisés, a respeito do qual Jesus se referiu tantas vezes? Jesus ainda fez referência a outros livros da Bíblia, tais como Salmos, Isaías e Jonas. Jesus é revelado progressivamente em vários livros. Tal fato por si  é suficiente para termos convicção da inspiração divina da Bíblia. Vejamos algumas profecias sobre  Jesus: nasceria de mulher (Gn 3.15); seria descendente de Abraão (Gn 22.18); da linhagem de Jessé (Is 11.1); Ressurreição (Sl 16.10); Crucifixão (Sl 22); Seus ossos não seriam quebrados (Sl 34.20); Fel e vinagre lhe dariam (Sl 69.21); nascimento virginal (Is 7.14); sua eternidade (Is 9.6); nasceria em Belém (Mq 5.2); Entrada em Jerusalém, num jumentinho (Zc 9.9); seria traído por um amigo e vendido por 30 moedas de prata (Sl 41.9; Zc 11.12-13). Assim, só podemos aceitar a inspiração divina das Escrituras, pois nenhum ser humano poderia acertar esses mínimos detalhes a respeito do nosso Salvador. E não foi a profecia de apenas um homem, isoladamente. Foi um grupo de homens, em épocas e locais diferentes. Como já disse, a Bíblia não é um livro ditado por Deus palavra por palavra. Veja o que Jesus disse aos apóstolos: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14.26). Portanto, há participação divina na composição da Bíblia.

HECTOR – Vejamos, então algumas divergências que encontramos no Novo Testamento:


Genealogia de Jesus
Mateus 1:1-17 – Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos; Judá gerou de Tamar a Perez e a Zerá; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão; Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom; Salmom gerou de Raabe a Boaz; este de Rute gerou a Obede; e Obede, a Jessé; Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que foi mulher de Urias; Salomão gerou a Roboão; Roboão, a Abias; Abias, a Asa; Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jorão, a Uzias; Uzias gerou a Jotão; Jotão, a Acaz; Acaz, a Ezequias; Ezequias gerou a Manassés; Manassés, a Amom; Amom, a Josias; Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos, no tempo do exílio em Babilônia. Depois do exílio em Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel, a Zorobabel; Zorobabel, a Abiúde; Abiúde, a Eliaquim; Eliaquim, a Azor; Azor gerou a Sadoque; Sadoque, a Aquim; Aquim, a Eliúde; Eliúde gerou a Eleázar; Eleázar, a Matã; Matã, a Jacó. E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo. De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até ao desterro para a Babilônia, catorze; e desde o desterro para a Babilônia até Cristo, catorze.
Lucas 3:23-38 – Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Heli, Heli filho de Matã, Matã filho de Levi, Levi filho de Melqui, este filho de Janai, filho de José, José filho de Matatias, Matatias filho de Amós, Amós filho de Naum, este filho de Esli, filho de Nagaí, Nagaí filho de Máate, Máate filho de Matatias, Matatias filho de Semei, este filho de José, filho de Jodá, Jodá filho de Joanã, Joanã filho de Resá, Resá filho de Zorobabel, este filho de Salatiel, filho de Neri, Neri filho de Melqui, Melqui filho de Adi, Adi filho de Cosã, este de Elmadã, filho de Er, Er filho de Josué, Josué filho de Eliézer, Eliézer filho de Jorim, este de Matã, filho de Levi, Levi filho de Simeão, Simeão filho de Judá, Judá filho de José, este filho de Jonã, filho de Eliaquim; Eliaquim filho de Meleá, Meleá filho de Mená, Mená filho de Matatá, este filho de Natã; Natã filho de Davi, Davi filho de Jessé, Jessé filho de Obede, Obede filho de Boaz, este filho de Salá, filho de Naassom; Naassom filho de Aminadabe, Aminadabe filho de Admim, Admim filho de Arni, Arni filho de Esrom, este filho de Faréz, filho de Judá; Judá filho de Jacó, Jacó filho de Isaque, Isaque filho de Abraão, este filho de Terá, filho de Nacor; Nacor filho de Seruque, Seruque filho de Ragaú, Ragaú filho de Fáleque, este de Éber, filho de Salá; Salá filho de Cainã, Cainã filho de Arfaxade, Arfaxade filho de Sem, este filho de Noé, filho Lameque; Lameque filho de Matusalém, Matusalém filho de Enoque, Enoque filho de Jarete, este filho de Maleleel, filho de Cainã; Cainã filho de Enos, Enos filho de Sete, e este filho de Adão, e Adão, filho de Deus.
Percebe-se claramente que não são concordes as genealogias de narradas por Mateus e Lucas. Algumas pessoas querem, para que não fique evidenciada essa divergência, que a de Lucas esteja baseada em relação à Maria, entretanto se esquecem que naquela época as mulheres não tinham nenhum valor, e todas as genealogias da Bíblia são colocadas em relação aos homens e não sobre as mulheres.

 

AIRTON – A própria genealogogia de Mateus anula a tese de que todas as genealogias da Bíblia são colocadas em relação aos homens.

« Jesus tem um avô diferente em Lucas 3.23 (Heli), em relação ao que é registrado em Mateus 1.16 (Jacó). Quem foi de fato o avô de Jesus ? Isso é de se esperar, já que são duas linhas diferentes de ancestrais, uma através de seu pai legal, José, e outra através de sua mãe de fato, Maria. Mateus apresenta-nos a linha oficial, já que seu propósito é mostrar as credenciais messinânicas judaicas de Jesus, que requeriam que o Messias viesse da semente de Abraão e da linhagem de Davi (cf. Mt 1.1). Lucas, tendo em vista um público grego bem mais amplo, dirige-se para o interesse grego de ver Jesus como o homem perfeito (que era o que buscava o pensamento grego). Assim, ele traça a linha genealógica de Jesus até o primeiro homem, Adão (Lc 3.38). Há várias razões para que Mateus apresente a genealogia paterna de Jesus, e Lucas, a materna. Primeiramente, mesmo que as duas linhas vão de Jesus a Davi, cada uma delas o faz através de um filho diferente de Davi. Mateus inicia com José (pai de Jesus segundo a lei) e vai até o rei Salomão, filho de Davi, de quem Cristo por direito herdou o trono de Davi (cf. 2 Sm 7.12ss). Então ele vai de Cristo a Natã, filho de Davi, seguindo a genealogia de Maria, sua mãe de fato, pela qual Jesus pode declarar ser perfeitamente humano e o redentor da humanidade. Lucas não diz que está traçando a genealogia de Jesus a partir de José. Antes, ele observa que Jesus, ´como se cuidava, era filho de José´, quando de fato ele era filho de Maria. Também o fato de Jesus registrar a genealogia pela linha de Maria vinha bem ao encontro de seu interesse como médico, por mulheres e nascimentos, o que se vê inclusive por sua ênfase em mulheres no seu Evangelho, que tem sido chamado de ‘o evangelho para as mulheres’.

Finalmente, o fato de terem as duas genealogias alguns nomes em comum (tais como Salatiel e Zoreobatel, Mt 1.12 ; cf. Lc 3.27) não prova que são a mesma genealogia por duas razões. Primeiro, esses não são nomes incomuns. Segundo, até na própria renealogia  (na de Lucas) há uma repetição dos homes de José e Judá (3.26, 30) «  (Norman Geisler/Thomas Howe).


HECTOR  – Lugar onde seus pais moravam
Mateus 2:1 – Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.
Mateus 2:13 – Tendo eles partido, eis que aparece um anjo do Senhor a José em sonho, e diz: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para matar.
Mateus 2:21-23 – Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe, e regressou para a terra de Israel. Tendo, porém, ouvido que Arquelau reinava na Judéia em lugar de se pai Herodes, temeu ir para lá; e, por divina advertência prevenido em sonho, retirou-se para as regiões da Galiléia. E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito, por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno.
Lucas 1:26-27 – No sexto mês foi o anjo Gabriel enviado da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria.
Lucas 2:1 – Naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se.
Lucas 2:3-5 – Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
Pelo relato de Mateus a família de Jesus morava em Belém só depois é que se mudou para Nazaré. Entretanto Lucas coloca a cidade de Nazaré como se fosse o local onde vivia a sagrada família, que teve que ir à Belém apenas para atender ao decreto do recenseamento.

 

AIRTON – Nenhuma contradição. Mateus relata o fato a partir do nascimento de Jesus, em Belém. Depois de uma temporada no Egito, José, Maria e Jesus rumaram para Nazaré, na Galiléia (Mt 2.13-23). Lucas fez o relato a partir da saída de José e Maria da cidade de Nazaré. Mateus quis contar a história a partir do nascimento de Jesus. Lucas retrocedeu ao tempo da gravidez de Maria e dos motivos que levou o casal à cidade de Belém.

HECTOR – O servo do centurião
Mateus 8:5-6 – Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um centurião, implorando: Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente.
Lucas 7:1-2 – Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. E o servo do centurião, a quem este muito estimava, estava, quase à morte.
Vejam que Mateus diz que o servo do centurião se encontra deitado em casa sofrendo muito, pois era paralítico. Já Lucas diz que o servo estava quase à morte.

 

AIRTON – Não há contradição. Um diz que o servo estava “de cama”, prostrado, e “paralítico”, e “sofria horrivelmente”. Lucas descreve seu estado como de alguém que estava muito doente, moribundo, com risco de perder a vida. A aflição do centurião denota uma situação de emergência. Não se vê contradição. Encontrar-se à morte” não é o mesmo que morto.

HECTOR – O possesso de gedara
Mateus 8:28 – Tendo ele chegado à outra margem, á terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho.
Marcos 5:1-3 – Entrementes chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos. Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo, o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo.
Lucas 8:26-27 – Então rumaram para a terra dos gerasenos, fronteira da Galiléia. Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos sepulcros.
Mateus diz tratar-se de dois endemoninhados ao passo que Marcos e Lucas dizem ser apenas um.

 

AIRTON – « Há uma lei matemática fundamental que reconcilia essa aparente contradição – onde há dois, sempre há um. Não há exceções. Foram de fato dois endemoninhados que se apresentaram a Jesus. Talvez Marcos e Lucas tenham mencionado apenas um porque um deles tenha se feito notar mais, ou tenha se destacado por alguma razão. Entretanto, o fato de Marcos e Lucas mencionarem apenas um, não nega que tenham sido dois, como Mateus disse, porque onde quer que haja dois, sempre há um. Isso é inevitável. Se Marcos e Lucas tivessem dito que havia apenas um, então isso seria uma contradição. Mas a palavra ´apenas´ não está no texto ». (Norman Geisler/ Thomas Howe).

HECTOR – Cura de um paralíticoMateus 9:1-2 – Entrando Jesus num barco, passou para a outra banda, e foi para a sua própria cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito.
Marcos 2:1-4 – Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra. Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.
Lucas 5:17-19 – Ora, aconteceu que num daqueles dias, estava ele ensinando, e achavam-se ali assentados fariseus e mestres da lei, vindos de todas as aldeias da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curar. Vieram então uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam introduzi-lo e pô-lo diante de Jesus. E não achando por onde introduzi-lo por causa da multidão, subindo ao eirado, o desceram no leito, por entre os ladrilhos, para o meio, diante de Jesus.
Na narrativa de Mateus o paralítico é levado a Jesus, deixando a entender que não teve nenhum obstáculo para isso. Mas Marcos e Lucas dizem que tiveram que descer tal paralítico do telhado, pois a multidão não deixava que o levassem a Jesus.
Mateus diz que Jesus chegou à sua cidade. Seria Nazaré? Marcos diz ser Cafarnaum. Quanto a Lucas não diz em qual cidade.

 

AIRTON – Não há contradição. Lucas foi mais minucioso na narrativa. Ele mesmo diz …”havendo-me informado minuciosamente de tudo desde o princípio” (Lc 1.3). A Bíblia não foi psicografada. Deus não ditou palavra por palavra. Tivesse sido assim os quatro evangelhos seriam exatamente iguais. O importante é sabermos que o paralítico foi levado a Jesus e foi curado. E todos os homens, paralíticos de ignorância espiritual, poderão receber alívio em Jesus. Deus providenciou para que tudo fosse relatado nos quatro evangelhos, nos seus mínimos detalhes. Nesse contexto, a Bíblia é a palavra de Deus.

HECTOR – Filha de Jairo
Mateus 9:18 – Enquanto estas cousas lhes dizia, eis que um chefe, aproximando-se, o adorou, e disse: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe a tua mão, e viverá.
Marcos 5:22-23 – Eis que se chaga a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostra-se a seus pés, e insistentemente lhe suplica: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá.
Lucas 8:41-42 – Eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, lhe suplicou que chegasse até a sua casa. Pois tinha uma filha única de uns doze anos, que estava à morte. Enquanto ele ia, as multidões o apertavam.
Diferentemente de Marcos e Lucas que dizem que a filha de Jairo estava quase morrendo Mateus já a tem como morta.

 

AIRTON – Não há contradição. Como a filha de Jairo estava moribunda quando seu pai chegou a Jesus, e como na volta para casa os mensageiros disseram que ela morrera, Mateus combinou as duas fases numa só. Pela palavra do pai, a menina agonizava; pela palavra dos mensageiros, já havia morrido. A passagem nos diz que ainda que estejamos mortos em nossos pecados, podemos encontrar salvação em Jesus, desde que haja sincero arrependimento.

HECTOR – Cego e mudo?
Mateus 12:22 – Então lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver.
Lucas 11:14 – De outra feita estava Jesus expelindo um demônio que era mudo. E aconteceu que, ao sair o demônio, o mudo passou a falar; e as multidões se admiraram.
Mateus diz ser o homem cego e mudo, mas Lucas diz tratar-se apenas de um mudo o que estava possesso.

 

AIRTON – O relato de um não contradiz o do outro. São complementares. Lucas não diz que o endemoninhado era “apenas” mudo. Diz que era mudo. E era mesmo. Mateus complementa e esclarece ao dizer que além de mudo, era cego. Deus agiu de tal forma na inspiração das Escrituras, que não permitiu omissão de detalhes. Glória a Deus.

HECTOR – Cegos de Jericó
Mateus 20:29-30 – Saindo eles de Jericó, uma grande multidão o acompanhava. E eis que dois cegos, assentados à beira do caminho, tendo ouvido que Jesus passava, clamaram: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós!
Marcos 10:46-47 – E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho. E, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
Lucas 18:35-38 – Aconteceu que, ao aproximar-se ele de Jericó, estava um cego assentado à beira do caminho, pedindo esmolas. E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo. Anunciaram-lhe que passava Jesus, o Nazareno. 
Então ele clamou: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
Aqui temos Mateus dizendo que eram dois cegos em contradição com Marcos e Lucas que afirmam ser apenas um. 
Por que somente Marcos identifica quem era este cego?

 

AIRTON – Lucas não diz que “apenas” um cego foi curado. A crítica tendenciosa necessita colocar o “apenas” para poder validar a contradição. “O fato de Marcos mencionar o nome de um dos cegos, Bartimeu, e o nome de seu pai, Timeu (10.46), indica que ele se concentrou naquele que conhecia pessoalmente” (Norman Geisler/Thomas Howe). Deus usou homens com capacidade de observação diferente, com estilos diferentes, para escrever o seu plano de salvação para a humanidade. A mensagem sob comentário nos revela que os cegos de entendimento poderão ser curados por Jesus, basta clamar como fez o cego Bartimeu: JESUS, EU QUERO VER.

HECTOR – Mulher com alabastro
Mateus 26:6-7 – Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa.
Marcos 14:3 – Estando ele em betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosismo perfume de nardo puro, e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus.
Lucas 7, 36-38 – Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. E eis que uma mulher da cidade, pecador, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; e, estando por detrás, aos seus pés, corando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento.
João 12:1-3 – Seis dias antes da páscoa, foi Jesus para Betânia, onde estava Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. Deram-lhe, pois, ali, uma ceia; Marta servia, sendo Lázaro um dos que estavam com ele à mesa. Então Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com perfume do bálsamo.
Mateus e Marcos relatam que Jesus estava em casa de Simão, o leproso e que uma mulher havia derramado o vaso de alabastro na cabeça de Jesus, não identificando quem era ela. Só que João diz que a mulher era Maria a irmã de Lázaro, que o fato acontecia na casa de Lázaro e que ao invés de jogar o perfume na cabeça ela ungiu os pés de Jesus. Em Lucas temos que esta mulher é uma pecadora, portando não poderia ser a Maria irmã de Lázaro.

 

AIRTON – Não há contradição. Mateus, Marcos e João afirmam que o fato se deu em Betânia, e que Jesus foi ungido por uma mulher, identificada por João como sendo Maria. Quem unge a cabeça, unge a pessoa, o corpo, os pés. Jesus disse que o perfume foi “derramado sobre o meu corpo” (Mt 26.12; Mc 14.8). A unção com óleo sobre uma parte do corpo equivale a ungir todo o corpo. Jesus não fala que foi sobre a cabeça ou sobre os pés, mas sobre “meu corpo”. O relato em Lucas 7.38 diz respeito a um fato ocorrido na casa de um fariseu, nada tendo a ver com o caso em Betânia.

HECTOR – Ressurreição
Mateus 28:1 – No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
Lucas 23:54-56 – Era o dia da preparação e começava o sábado. As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo de Jesus ali foi depositado. Então se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E no sábado descansaram, segundo o mandamento.
Lucas 24:1 – Mas, ao primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado.
João 20:1 – No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida.
Mateus diz que as Maria Madalena e a outra Maria foram ao sepulcro. João diz que somente Maria Madalena tinha ido e Lucas diz ter sido as mulheres que tinham vindo com Jesus desde a Galiléia, sem especificar quais eram essas mulheres.

 

AIRTON – Não há contradição. O fato marcante é que Jesus ressuscitou corporalmente, o que o espiritismo não aceita, embora o próprio Jesus tenha dito que ressuscitaria ao terceiro dia. O apóstolo João não afirmou que “somente” Maria Madalena foi ao sepulcro. A crítica tendenciosa   altera a Palavra para justificar a contradição que denuncia.  Os relatos dos evangelhos são complementares entre si, e revelam a morte, sepultamente e ressurreição de Jesus com riqueza de detalhe. A mensagem nos diz que o sepulcro estava vazio, apesar dos guardas, do selo imperial romano, da enorme pedra. A Bíblia diz que os que morrerem em Cristo ressuscitarão para viverem eternamente com Ele.

HECTOR – Quem apareceu às mulheres?
Mateus 28, 2-3: E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. 
O seu aspecto era como um relâmpago e a sua veste alva como a neve.
Marcos 16, 4-5: E, olhando, viram que a pedra já estava revolvida; pois era muito grande. Entrando no túmulo, viram um jovem assentado ao lado direito, vestido de brando, e ficaram surpreendidas e atemorizadas.
Lucas 24, 2-4: E encontram a pedra removida do sepulcro; mas, ao entrar, não acharam o corpo do Senhor Jesus. 
Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes.
João 20, 11-12: Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos vestidos de branco sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés.
Vejam a divergência na quantidade e na forma da aparição. Apesar dela ser registrada por todos os evangelistas Mateus diz ser um anjo, Marcos um jovem, Lucas dois varões e João dois anjos.

 

AIRTON – Não há contradição. Mateus 28.1 fala de um evento ocorrido antes da chegada das mulheres, presenciado apenas pelos soldados. “Um jovem”, “um anjo do Senhor”, “varões com vestes resplandecentes”, “anjos vestidos de branco”, não são afirmações contraditórias. Seriam contraditórias se Mateus e Marcos tivessem dito “apenas” um anjo. “Mateus provavelmente centrou sua atenção sobre o anjo que falou: “dirigindo-se às mulheres, disse: ´Não temais´ (Mt 28.5). João, porém, referiu-se ao número de anjos que elas viram: “e viu dois anjos” (Jo 20.12) (Norman Geisler/Thomas Howe).

HECTOR – Carregar a cruz
Mateus 27:32 – Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz.
Marcos 15:21 – E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz.
Lucas 23:26 – E como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após          Jesus.
João 19:17 – Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, sal para o lugar chamado Calvário, Gólgotaem hebraico.
Mateus, Marcos e Lucas dizem que o cireneu Simão foi obrigado a carregar a cruz de Jesus, enquanto que João diz que foi o próprio Jesus quem levou a cruz.

 

Resposta – Não há contradoção. O contraditório existe apenas ana mente dos inimigos da Bíblia. O evangelho segundo São João diz que Jesus saiu do palácio de Pilatos carregando a cruz. No início de Sua “via-crúcis” era Ele sozinho quem carregava a cruz. Veja: “Carregando a sua cruz, SAIU para o lugar chamado Calvário” (Jo 19.17).Mateus, Marcos e Lucas enriquecem a informação, registrando que, NO PERCURSO, Simão ajudou. 

HECTOR – Bom       ladrão
Mateus 27: 38 e 44 – E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificado com ele.
Marcos 15:27 e 32 – Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda. Também os que com ele foram crucificados o insultavam.
Lucas 23:39-43 – Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro repreendeu-o dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. 
Jesus lhes respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
João 19:18 – Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.
Mateus, Marcos e João nada relatam de qualquer diálogo entre os três crucificados.Os dois primeiros dizem que os ladrões estavam, isto sim, entre os que escarneciam de Jesus. Só Lucas diz que Jesus teria dito para um deles que hoje estarás comigo no Paraíso. Se isso aconteceu temos uma contradição de Jesus, pois ele mesmo disse: a cada um segundo suas obras. (Mateus 16, 27) Quando do episódio com Madalena após sua ressurreição disse Jesus a Madalena: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus (João 20, 17). Ora, se Jesus três dias após sua morte ainda não tinha subido ao Pai como ele poderia ter afirmado ao “bom ladrão” que hoje estarás comigo, ou seja, justamente no dia de sua morte na cruz. Por outro lado ao reconhecer que “nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez” ele está aceitando a justiça dos homens, por mais forte razão aceitaria a justiça de Deus que lhe daria uma pena merecida. Também ele não aceitaria uma recompensa por algo que não tenha feito, não é mesmo? Já falamos várias vezes, mas não custa repetir, coloquemos a frase do seguinte modo: Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso? É muito mais condizente com a justiça divina, pois somente irá para o Paraíso quando tiver realizado as obras que venham a fazê-lo merecer este paraíso, não importando quanto tempo levará para isso.

 

AIRTON –   1) Só porque Mateus e Marcos não falam de diálogo na cruz não quer dizer que o diálogo não existiu. Pensar que foi uma invenção de São Lucas é admitir que esse discípulo mentiu em muitas outras coisas. O espiritismo deveria então dizer o que é mentira e verdade nesse evangelho.

 

2) “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43) e “a cada um segundo tuas obras” (Mt 16.27; Sl 62.12), não são palavras contraditórias. Kardec afirmou que Jesus veio com missão divina para ensinar a elevada moral cristã, e que Ele foi a segunda Revelação de Deus. É por isso que os espíritas acreditam em tudo o que Jesus falou. E Jesus falou, como já dito, que o Espírito Santo ajudaria os apóstolos a se lembrarem de suas palavras.

 

3) O Justo Juiz será imparcial em seu julgamento. Quanto a Mateus 16.27, não se pode firmar doutrina com base num versículo isolado. As boas obras para Deus são as que decorrem de um coração que o louva e glorifica; que tudo faz por amor a Cristo, e pela fé nEle. Simples obras de caridade não garantem a salvação. Os déspotas costumam apresentar-se como caridosos.

 

4) A passagem do ladrão na cruz nos revela que  Deus perdoa e salva até na hora da morte, desde que haja sincero arrependimento. Veja: “Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê, já está condenado, porque não crê no Unigênito Filho de Deus”  (Jo 3.18). Leia mais: “Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé – e isto não vem de vós, é dom de Deus – NÃO DE OBRAS, para que ninguém se glorie. Pois somos feituras sua, CRIADOS EM CRISTO PARA AS BOAS OBRAS, as quais Deus preparou para wque andássemos nelas” (Ef 2.8-10). Somos salvos PARA  as boas obras; não somos salvos PELAS obras. E só os nascidos de Cristo podem operar boas obras para a salvação.

 

5) Jesus entregou seu espírito ao Pai (Lc 23.43), e prometeu ao ladrão arrependido que o levaria para o paraíso. Já ressurreto, em corpo glorificado foi visto subindo ao céu, após aparecer a muitos discípulos. Ouça a verdade nas palavras do apóstolo João: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos tocaram, isto proclamamos com respeito o Verbo da vida. O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1.1,2,3). Estas verdades são negadas pelos “instrutores espirituais” do espiritismo. Um debate sério gira em torno das verdades reveladas e não aceitas pelo espiritismo, tais como: Juízo Final, Ressurreição, salvação pela graça e fé, existência do castigo eterno, existência da Pessoa do Consolador, o Espírito Santo; existência de Satanás e demônios, tudo isso ensinado por Jesus.

 

6) “Em verdade TE DIGO HOJE: estarás comigo no paraíso” é uma aberração de interpretação. Espíritas mais conscientes e mais preparados procuram outros argumentos.  Jesus poderia dizer “Em verdade te digo AMANHÃ, ou te digo ONTEM? O que Ele disse, disse-o naquele dia.

 

7) A salvação daquele ladrão na última hora é uma ducha de água fria na teoria da reencarnação, um xeque-mate, um nocaute. Como  não pode negar a tese reencarnacionista, espinha dorsal do espiritismo, procura alterar as palavras de Jesus, ou desconfiar das palavras dos homens inspirados por Deus. A verdade é que  o “bom” ladrão tinha motivos de sobra para sofrer inúmeras vidas corpóreas, mas a graça de Deus o alcançou, em razão do seu arrependimento e fé em Jesus. Ele não precisou viver muitas vidas para expungir suas faltas. Foi direto para o céu. Todos os espíritas podem alcançar a graça da salvação mediante a fé. É só seguir os passos do referido ladrão, enquanto há tempo. Veja Romanos 10.9.


HECTOR – Realmente para que a compreensão do Novo Testamento se faça de forma adequada, não podemos colocar tudo como palavra de Deus, principalmente coisas que não podem de forma alguma serem-Lhe atribuídas. Devemos ter a capacidade de saber separar, nas narrativas bíblicas, o que é de Deus, o que é de Jesus

 

AIRTON – Tudo o que Jesus falou veio do Pai. Não há como “separar” as palavras de um e de outro. Leia: “Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em  mim? AS PALAVRAS QUE EU DIGO, NÃO AS DIGO DE MIM MESMO, MAS O PAI, QUE ESTÁ EM MIM, É QUEM FAZ AS OBRAS” Jo 14.10).  E mais: “Esta palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou” (Jo 14.24); “Eu falo do que vi na presença do Pai…” (Jo 8.38); “Aquele que deus enviou fala as palavras de Deus, pois Deus lhe dá o Espírito sem medida” (Jo 3.34).

 

HECTOR –  e, finalmente, o que é opinião pessoal do próprio autor, pois sem isso fatalmente teremos várias e inexplicáveis contradições, que de não poderemos de maneira nenhuma atribuí-las a inspiração divina.
Entretanto os seguimentos religiosos que combatem a Doutrina Espírita afirmam categoricamente que a Bíblia é a palavra de Deus. Já que pensam assim deveriam seguí-la incondicionalmente. 
Mas não é o que fazem os seus líderes. Exigem que os outros cumpram tudo o que ali está, mas não quanto a eles próprios.
São os fariseus modernos, são os mesmos de outrora quando Jesus disse sobre eles: Não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. Atam fardos pesados (e difíceis de carregar) e os põem sobre os ombros dos homens, entretanto eles mesmos nem com o dedo querem movê-los. Praticam, porém todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas. 
(Mateus 23, 3-5).

 

AIRTON – Quais os “segmentos religiosos que combatem a doutrina espírita”? Como vimos nos argumentos anteriores, quem combate a doutrina espírita é a própria Bíblia. Em determinado momento Allan Kardec entendeu que o seu espiritismo tinha alguma coisa a ver com o cristianismo. A partir disso, escreveu um livro de “interpretação” da Bíblia – O Evangelho Segundo o Espiritismo -, mas só analisou alguns versículos, dando-lhe a interpretação que julgou mais correta para justificar suas teses. Afirmou nesse livro que “cristianismo e espiritismo ensinam a mesma coisa”; que o Consolador prometido por Jesus é o espiritismo; que o espiritismo é a terceira revelação de Deus; no Livro dos Espíritos, auxiliado pelos “espíritos”, diz que a salvação vem pelo esforço próprio, etc. À vista desses disparates, e também pelo fato de muitas pessoas acreditarem que existe o espiritismo cristão, é que homens de           Deus têm se levantado para esclarecer a opinião pública, em defesa da genuína fé cristã. Cristianismo e espiritismo são incompatíveis e irreconciliáveis. Nós, os cristãos-evangélicos, temos a Bíblia com única regra de fé e prática. Somente na Bíblia encontramos as doutrinas básicas do cristianismo. Kardec disse que “no Livro dos Espíritos contém especialmente a doutrina ou teoria do espiritismo…” (Livro dos Espíritos, introdução, pg 11, Editora Pensamento, S.Paulo, 1997). Daí porque deve-se ter cuidado em afirmar que os evangélicos atacam o espiritismo. O espiritismo poderia ser mais autêntico se não tentasse se enroscar no cristianismo. O espiritismo ouve aos mortos; nós, a Deus.


HECTOR – Analisaremos algumas passagens do Novo Testamento, para vermos se eles realmente cumprem fielmente a palavra de Deus. Chamamos a sua atenção para o que colocaremos em negrito. Vamos a elas, então:

Marcos 16, 18: Pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.
Até hoje nunca vi nenhum deles pegando em serpentes ou bebendo algo mortífero. Não está dito que não lhes farão mal, já que conforme a Bíblia estes sinais seguirão os que crerem.

 

AIRTON – Deus pode livrar seus filhos de muitos males, porque Ele é poderoso. Porque cremos num Deus que pode nos livrar, não iremos cometer determinados atos apenas para testar a providência divina. Jesus nos ensinou isso. Veja : « Disse-lhe o diabo : Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo. Pois está escrito : Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e eles te tomarão nas mãos, para que não tropeces nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus : Também está escrito : NÃO TENTARÁS O SENHOR TEU DEUS » (Mt 4.6-7). A resposta está nas palavras de Jesus, o qual, segundo as palavras de Kardec, veio com missão divina para nos ensinar.


HECTOR – Atos 2,44-45: Todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum. Vendiam as propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.
Será que todos que não se cansam de afirmar que são fiéis cumpridores da palavra de Deus vendem seus bens e propriedades para distribuir aos necessitados?

 

AIRTON –  Atos 2.44-45 não prescreve uma doutrina. Trata-se da descrição de uma prática usada nos primeiros passos da igreja. Essa espécie de  ‘socialismo´  funcionou  enquanto o número de cristãos era reduzido e não estavam espalhados por várias cidades. Foi válida na época, pois fortaleceu os laços fraternais da comunidade cristã, preparando-os para os grandes desafios que surgiriam. Em suas cartas aos romanos, corintos, gálatas, filipenses, colossenses, tessanolicenses, o apóstolo Paulo não fala mais no assunto. Portanto, os irmãos dessas localidades não seguiram referido costume. Paulo recomendou « que cada um contribua segundo propôs no seu coração » (2 Co 9.7). 


HECTOR – Atos 5, 38-39: Agora vos digo: Daí de mão a estes homens, deixai-os; porque se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. 
E concordaram com ele.
Vivem combatendo a religião dos outros como se tivessem alguma procuração de Deus para tal ofício. Mas se esquecem que na Bíblia é dito para deixar os outros em paz, pois correm o risco de estarem lutando contra Deus, já que tais convicções podem estar inspiradas por Deus e se assim for nada lhes farão obstáculo, entretanto se forem dos homens com absoluta certeza perecerão.

 

AIRTON –  Se Jesus tivesse ficado em Nazaré, acomodado, impassível e despreocupado; se não apresentasse uma palavra revolucionária, nova, cheia de sabedoria, incômoda para muitos; se não se dispusesse a levar as boas novas a milhares de pessoas, em muitos lugares; se não reprovasse duramente a religião de escribas e fariseus; se seus seguidores não continuassem no mesmo ritmo, pregando a novidade até com risco da própria vida,  o cristianismo não teria progredido. Se progrediu, se cresceu, então é porque a obra é de Deus. Nós cumprimos as ordenanças de Deus. Veja: 1) “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”. Anunciamos exatamente isto. Pelo que sei, o espiritismo “cristão” não cumpre as ordenanças de Jesus quanto ao batismo e à ceia do Senhor. Mas Jesus disse que quem o ama guarda seus mandamentos.  2) “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15). “Prega a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina” (2 Tm 4.2); “Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência, de forma que os que falam maldosamente do procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem envergonhados de suas calúnias” (1 Pe 3.15-16).

Não lutamos contra pessoas. Sabemos que por detrás dos inimigos da palavra estãos as forças malignas. Paulo adverte: “Nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes” (Ef 6.12). Hector disse: “Mas se esquecem que na Bíblia é dito para deixar os outros em paz…”. Cristo é a nossa paz, mas  os que não estão nEle entram em guerra quando incomodados pela presença da  luz. Veja o que Jesus falou: “Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Eu vim  para fazer que o homem fique contra seu pai, a filha contra sua mãe, a  nora contra  sua  sogra; os inimigos do homem serão os de sua própria família” (Mt 10.34-35).


HECTOR – Atos 10, 34-35: Então falou Pedro, dizendo: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.
Romanos 2, 11: Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.
Tiago 2, 9-10: Se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometereis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.
Apesar de toda clareza quanto a não devermos fazer qualquer tipo de discriminação de pessoas. Eles mesmos as praticam quando pregam um sectarismo religioso, se julgando os únicos donos da verdade e que apenas eles serão salvos. Pobres coitados, pois: se tropeçam em um só ponto, se tornam culpado de todos, conforme a palavra de Deus.

 

AIRTON –  Não somos a verdade. Pregamos a Cristo que é a verdade:  “Eu sou a verdade” (Jo 14.6). Pregamos que todos os que são de Cristo Jesus estão salvos, porque assim a palavra diz. Acreditamos que “todo aquele que invocar o nome de Jesus será salvo” (Jl 2.32; At 2.21; Rm 10.13). Invocar significa amar, crer, obedecer e permanecer no caminho (Jo 14.15;15.1-7;Rm 10.9). Por acaso Jesus estava fazendo acepção de pessoas, quando repreendeu duramente escribas e fariseus, chamando-os de “hipócritas”, “condutores cegos”, “insensatos”, “sepulcros caiados”, “iníquos”, “serpentes”, “raça de víboras” (Mt 23.13-33)? Jesus estava fazendo acepção de pessoas quando disse aos judeus: “Vós pertenceis a vosso pai, o diabo, e quereis executar o desejo dele”; contudo eu vos digo a verdade e não credes em mim” (Jo 8.44-47)? Não, não estava. Jesus simplesmente dizia a verdade. Ele veio para isso. E a sua igreja tem a obrigação de continuar pregando a verdade, quer queiram, quer não queiram.

O amado Hector não interpretou bem a expressão “não faz acepção de pessoas”, observando o contexto. Essa frase significa que “Deus não tem nenhuma nação ou raça predileta, nem favorece qualquer indivíduo, linhagem ou posição na vida (cf. Tg 2.1). Deus favorece e aceita aqueles, entre todas as nações, que abondonaram o pecado, crêem em Cristo, tomem a Deus e vivem retamente (v.35, cf. Rm 2.6-11). Todos aqueles que perseverarem neste modo de vida, permanecerão no amor e no favor de Deus (Jo 15.10)” (Bíblia de Estudo Pentecostal-comentários). A igreja de Jesus deve, também, tratar todos com imparcialidade. É isso o que Tiago diz (Tg 2.1-1), seja pobre, seja rico (v.2-4). Em Atos 10.34-35 a referência diz respeito à relação Deus-pessoas. Em Tiago 2.1.13, a acepção de pessoas diz respeito à relação igreja-pessoas. O amado Hector retirou o versículo de seu contexto. Não fazer acepção de pessoas, num e no outro caso, não tem nada a ver com proibição de  pregar a verdade a todos.


HECTOR -Atos 15, 20: Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue.
Gostaríamos de observá-los à mesa. Será que não comem mesmo a carne dos animais sufocados? E o sangue dos animais, será que não faz parte do seu cardápio diário?

 

AIRTON –  Atos 15.20 não é uma prescrição doutrinária para todos os cristãos de todos os tempos. A orientação é dirigida aos cristãos de Antioquia para «  possibilitar uma convivência harmoniosa entre cristãos judaicos e seus irmãos gentios. Estes deveriam se abster de certas práticas consideradas ofensivas aos judeus (v.29). Uma das maneiras de medir a maturidade do cristão é ver a sua disposição de refrear-se das práticas que certos cristãos consideram certas e outros consideram erradas » (Bíblia de Estudo Pentecostal). Paulo, ao discorrer sobre assunto semelhante, disse que « se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne [sacrificada aos ídolos] para que meu irmão não se escandalize (1 Co 8.13; 10.22-33). Aos romanos, Paulo disse : « Tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristecer devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu (Rm 14.14-15). São palavras difíceis de entender para os não espirituais, porque elas se discernem espiritualmente (1 Co 2.12-16).  

 

HECTOR – Romanos 2, 1: Portanto, és indesculpável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque, no que julgas o outro, a ti mesmo te condenas, pois praticas as próprias cousas que condenas.
Não os vemos constantemente nos meios de comunicação a julgar as ações dos outros, será que não sabem que a palavra de Deus diz que somos indesculpáveis quando julgamos? Mais ainda, ela não diz que julgamos as mesmas coisas que praticamos? 
E onde fica quem tiver sem pecados atire a primeira pedra?

 

AIRTON – Pregar a palavra de Deus não é julgar. Dizer que quem não aceitar o senhorio de Jesus será condenado, não é julgar pessoas. O julgamento pertence ao Justo Juiz. Dizer que espiritismo e cristianismo não são a mesma coisa não é fazer julgamentos. Dizer que o espiritismo não pode ser cristão, e apresentar as razões bíblicas, não é fazer julgamento. Fazer julgamentos precipitados, atacando pessoas, mas não refutando teses, é a que fez o amado Hector, que disse: “Eles mesmos as praticam quando pregam um sectarismo religioso, se julgando os únicos donos da verdade e que apenas eles serão salvos. Pobres coitados, pois: se tropeçam em um só ponto, se tornam culpado de todos, conforme a palavra de Deus”.


HECTOR – Romanos 7, 6: Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra.
Hebreus 8, 6-9 e 13: Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente quanto é ele também mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para segunda. E, de fato, repreendendo-os diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.
Estas passagens são muito importantes. Dizem de maneira clara que a antiga aliança, qual seja o Antigo Testamento, não possui mais nenhum valor, pois se tornou caduco, velho e antiquado. Entretanto quase tudo que tiram da Bíblia para condenar o Espiritismo é retirado do Antigo Testamento. Parece mesmo que só encontram nela aquilo que seguem. 
É lá que encontramos o contrário do que Jesus nos manda fazer: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Por isso a necessidade de mudar os velhos conceitos de Moisés.

 

AIRTON – É um equívoco achar que o Antigo Testamento perdeu completamente a validade e pode ser jogado no lixo. O AT é o começo e o meio da história; o Novo Testamento ou Novo Concerto é o epílogo. Para entendermos este, precisamos conhecer aquele. A antiga aliança contém a manifesta vontade de Deus escrita por homens divinamente inspirados. Os capítulos de 8 a10  do livro de Hebreus apresenta um contraste entre os sacrifícios antigos, as leis cerimoniais, e o superior e perfeito sacrifício de Cristo : « A lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a sua realidade. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar…pois é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire  pecados… mas quando este sacerdote [Jesus Cristo], acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus » (Hb 10.1,4,12 – Nova Versão Internacional).

Os sacrifícios de outrora, repetidos  a cada ano,  apontavam para o único e perfeito sacrifício do Cordeiro de Deus. O antigo Tabernáculo, onde os sacrifícios eram oferecidos, ficou  obsoleto na nova aliança, pois  » quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, Ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem…não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, Ele entrou no Santo dos Santos, de uma vez por todas, e obteve eterna redenção…por esta razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que Ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança » (Hb 10.11-1-NVI).  As palavras-chave dos capítulos de 8 a 10 de Hebreus são Sumo Sacerdote, tabernáculo, sacrifícios. É neste contexto que devemos entender a caducidade do antigo concerto. Logo, as inspiradas palavras do profeta Isaías, proibindo a consulta aos mortos, é a manifesta vontade de Deus: « Quando disserem a vocês : ´Procurem um médium ou alguém que consulte os espíritos e murmure encantamentos, pois todos recorrem a seus deuses e aos mortos em favor dos vivos, respondam: À lei e aos mandamentos » (Is 8.19-20-NVI). Idêntica orientação nos deu Jesus na parábola do rico e Lázaro. Abraão disse que os irmãos do rico, para serem salvos,  deveriam recorrer a « Moisés e os Profetas » (Lc 16. 29). Ou seja, à lei e aos mandamentos, à palavra de Deus. De Gênesis a Apocalipse a Bíblia nos ensina a buscar a Deus. Tudo o que precisamos como diretriz para nossa salvação está no Livro Sagrado : « Felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e lhe obedecem » (Lc 11.28). Uma centena de passagens bíblicas apontam nessa direção. Logo, guardar e ouvir a palavra dos mortos não produz felicidade, nem fé, nem salvação, visto que « a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo »(Rm 10.17).


HECTOR – Romanos 13, 6-8: Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem o tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. A ninguém fiqueis devendo cousa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei.
Intransigentes em seus preceitos para os outros, não fazem o que devem. Perguntaria: A palavra de Deus não nos manda pagar os tributos e impostos, respeitar e honrar e que não devemos ficar devendo coisa alguma? Sim. Então novamente pergunto: Fazem isso? Ou na questão dos impostos e tributos se justificam dizendo que não pagam porque existe corrupção no serviço público? Ora, não encontramos na Bíblia nenhuma exceção para o não pagamento, e aí como ficamos?

 

HECTOR – O amado Hector trabalhou em cima de hipóteses. Supõe, julga, acha que os cristãos-evangélicos não pagam corretamente seus impostos. Em cima dessa suposição, pergunta: “Fazem isso?”. Sinceramente, não tenho dados concretos sobre o assunto, para responder com responsabilidade. Agiria com leviandade se mencionasse aqui qualquer nome, sem provas.   O amado espírita não se deu nem ao trabalho de livrar a pele dos irmãos assalariados que, por força da lei, têm seus impostos descontados na fonte. Poderia até perguntar, se estivesse disposto a cometer o mesmo deslize,  se todos os espíritas, em todas as épocas e lugares, pagam corretamente seus impostos.


HECTOR – Romanos 14, 1-5: Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; quem come não despreza ao que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster. Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. 
Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. A palavra de Deus não recomenda acolher os fracos, mas sem discutir opiniões? Será que é o que fazem? Ou querem a todo custo que pensem como eles. Como ficam a julgar a opinião religiosa dos outros, se também está lá a condenação ao julgamento? Se a Bíblia não deixa dúvida alguma quanto ao respeito que devemos ter para com a opinião do outro, inclusive diz que cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente, não diz, portanto para tentarmos mudar a opinião de ninguém, não é mesmo?

 

AIRTON – Em nenhuma hipótese é admitido o desrespeito, mesmo em se tratando de debate com seguidores de outras crenças. O que deve ser discutido, debatido, analisado e argumentado são as idéias, as teses, doutri

O Ecumenismo e o Sangue dos Mártires


 

 

 
O Ecumenismo e o Sangue dos Mártires
 
                                                              Pr. Airton Evangelista da Costa
 
 
   OS VENTOS DO ECUMENISMO cristão continuam soprando. Porém, depois de algumas décadas de trabalho, verifica-se que os resultados são tímidos. Apesar de alguns avanços localizados, não há muito para comemorar em termos de progresso do diálogo sincero e fraterno, da aceitação mútua, do entendimento consensual entre o catolicismo e demais igrejas, da participação conjunta de católicos e acatólicos em movimentos evangelísticos e sociais.

   Estamos convictos de que barreiras intransponíveis impedem a plena realização das propostas do ecumenismo cristão, que tenta a aproximação entre os ramos da cristandade: a Igreja Católica, a Protestante e a Ortodoxa.  Com o objetivo de identificar tais óbices, divulgaremos neste trabalho diversos pronunciamentos, decisões conciliares, palavra ex cathedra de “infalíveis” papas, da hierarquia católica, de órgãos ligados ao movimento ecumênico, de jornalistas e pesquisadores.

CONCÍLIO DE TRENTO

   Convocado pelo papa Paulo III, o Concílio de Trento (1545-1563) condenou com anátemas todas as teses reformistas dos protestantes acerca da Fé Católica e dos Sacramentos. Vejamos alguns dos cânones.
“Cân. 13. Se alguém disser que para conseguir a remissão dos pecados é necessário a todo homem crer certamente e sem hesitação alguma, mesmo em vista da fraqueza e falta de preparação próprias, que os pecados lhe foram perdoados — seja excomungado”.
   Antes de prosseguirmos, convém esclarecer que tais decisões estão plenamente em vigor. O Código de Direito Canônico, cânon 333, parágrafo 3, declara: “Não há apelação ou recurso contra uma sentença ou decreto do pontífice romano”. A desobediência ao Papa, “Vigário de Cristo”, continua sendo a maior das heresias. O dogma da infalibilidade papal também impede sejam revogadas quaisquer decisões anteriores.

“Cân. 1. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não foram todos instituídos por Jesus Cristo Nosso Senhor, ou que são mais ou menos que sete, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio; ou que algum destes sete não é verdadeira e propriamente sacramento — seja excomungado”.“Cân. 4. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não são necessários para a salvação, mas supérfluos; e que sem eles ou sem o desejo deles, só pela fé os homens alcançam de Deus a graça de justificação — ainda que nem todos [os sacramentos], seja  excomungado”.“Cân. 6. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não encerram a graça que significam; ou que não conferem a graça aos que lhes não opõem óbice, como se fossem apenas sinais externos da graça ou justiça recebida pela fé, e certos sinais da Religião cristã, com que entre os homens se distinguem os fiéis dos infiéis — seja excomungado”.

“Cân. 8. Se alguém disser que pelos mesmos sacramentos da Nova Lei não se confere a graça só pela sua recepção (ex opere operato), mas que para receber a graça basta só a fé na promessa divina — seja excomungado”.
Cân. 10. Se alguém disser que todos os cristãos têm o poder de administrar a palavra de Deus e todos os sacramentos — seja excomungado.
“Cân. 3. Se alguém disser que na Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, não reside a verdadeira doutrina acerca do sacramento do Batismo — seja excomungado”.
“Cân. 12. Se alguém disser que ninguém deve ser batizado senão na idade em que Cristo se deixou batizar, ou na hora da morte – seja excomungado”.
   Como os “irmãos separados”, fiéis às doutrinas bíblicas, continuam pensando do mesmo modo, ou seja, continuam desobedientes ao papa, estamos todos excomungados. Aqui começam os primeiros óbices à pretensão ecumênica. Que conciliação pode haver entre excomungantes e excomungados? Entre a “única Igreja verdadeira” e um bando de “hereges” que resolveu aceitar Jesus como Senhor e Salvador pessoal?
   No período das trevas, tempo em que as fogueiras da Inquisição queimavam continuamente, a excomunhão – apartar o infiel da comunhão da Igreja – era uma arma poderosa nas mãos do catolicismo. Diante dessa ameaça, até reis e príncipes tremiam e temiam.

DOCUMENTO EPISCOPAL

   Extraímos algumas passagens das explicações do Revmo. Antonio, Bispo de Campos, de 19.03.1966, ao comentar as decisões do Concílio Ecumênico Vaticano II:
“Eis que, como a propósito da adaptação, também sobre a falsa aplicação do ecumenismo advertiu Papa os fiéis. Segundo despachos das agências telegráficas, teria o Santo Padre observado, em uma de suas Alocuções nas audiências gerais, que o apostolado junto aos irmãos separados não está isento de ilusões e perigos [grifo nosso]. Ilusões, por uma esperança sem fundamento, perigo pela possibilidade de, no desejo ardente de obter a conversão do herege ou apóstata, falsear o sentido da verdade revelada, ou não expô-la na sua integridade. O texto transmitido pelas agências telegráficas é o seguinte: “Há uma tomada de posição, também por parte daqueles que demonstram demasiado entusiasmo, como se os contactos com irmãos separados fossem fáceis e sem perigo….” [grifo nosso].
   Os milhões que tiveram um encontro com a verdade ficaram muito felizes por saberem que a salvação não é conseguida por pertencer a esta ou àquela denominação, mas por consagrar suas vidas a Cristo Jesus.
“A primeira condição para um apostolado frutuoso junto aos nossos irmãos separados é fugir a todos e quaisquer irenismo doutrinário [atitude conciliadora], ainda que implícito”.
“Entre os preceitos divinos, está a obrigação de ingressar na Igreja Católica [grifo nosso], instituída por Jesus Cristo como meio único de salvação para todos os homens. Como conseqüência, a condição do católico é essencialmente diferente da condição do não católico. O católico, pelo fato de pertencer à Igreja verdadeira, não tem motivo algum para duvidar de que esteja na posse da verdade. O não católico está em condição perfeitamente inversa. Ele não está de posse da verdade [grifo nosso], de maneira que tem todo motivo para duvidar de sua posição religiosa. E se estiver de boa fé, mais facilmente será levado a perceber a falta de fundamento para suas convicções”.

“Estes pontos são pacíficos na teologia católica, e foram objeto de ensino autêntico do Magistério Eclesiástico. A excelência da condição do católico com relação ao não católico, com a conseqüente obrigação, foi definida pelo Concílio Vaticano I (cf. sess. III, cap. III e can. 6).
“Dentro desses princípios, devemos levar o mais longe possível a nossa caridade com os irmãos separados. Sem esquecer a condição de “separados”, isto é afastados da verdadeira Igreja de Cristo [grifo nosso], devemos ter presente a todo momento sua prerrogativa de “irmãos”, e esforçarmo-nos por utilizar os pontos que justificam o apelativo de “irmãos”, para levá-los a uma reflexão mais profunda sobre as realidades cristãs que ainda possuem, a fim de que as compreendam melhor, e percebam que elas só adquirem sua verdadeira autenticidade na Igreja Católica”.
“Isso numa ação direta que a Providência poderá de nós exigir com nossos irmãos separados, onde haja um desejo sincero de amar a verdade. Porquanto, com aqueles que se fixaram na heresia, e a abraçam conscientemente, um diálogo frutuoso é praticamente impossível [grifo nosso]. Podemos ainda e devemos nos compadecer deles, e com nossas orações, penitências e outras boas obras, empenhar a misericórdia divina, que os ilumine e lhes conceda a retidão de vontade, de que hão mister, para chegarem à unidade autêntica do Cristianismo na Igreja Romana” [grifo nosso].
“O que devemos evitar – salvas as necessidades de uma justa e nobre polêmica imposta pelo interesse das almas – são as expressões que possam, de qualquer forma, magoar a nossos irmãos separados; isso ainda quando devamos suportar com paciência as conseqüências de uma vontade que a heresia ou o cisma tornaram mais especialmente ríspida conosco. Vale neste ponto o conselho de São Paulo: procura vencer o mal com o bem (cf. Rom. 12, 21). Mesmo, porém, com os que estão de boa fé, convém evitar a familiaridade [grifo nosso] consoante o prudente e hoje sobremodo oportuno conselho de S. Tomás: “para que nossa familiaridade não dê aos outros ocasião de errar” (Quodlibetum 10, q. 7, a. 1 c).

   Essas regras estão totalmente em conformidade com a Dominus Iesus editada no ano 2000. Os princípios são os mesmos. Como já dissemos, a Igreja de Roma não muda e não pode mudar. Os pronunciamentos de hoje devem guardar coerência com as práxis anteriores, por força da infalibilidade que os papas atribuíram a si mesmos.  Se constituímos uma ameaça; se os católicos são orientados a não ter conosco qualquer tipo de familiaridade; se o diálogo com os protestantes não os removerá de suas “heresias”; se não aceitamos o reingresso na “Igreja Verdadeira”, então não há porque falar em ecumenismo.

CONCÍLIO DE LATRÃO

   Em 1º  de novembro de 1215 iniciou-se o IV Concílio de Latrão convocado pelo papa Inocêncio III através da Bula Vineam Domini Sabaoth, de 10 de abril de 1213. Nele, os hereges são apresentados como os que devem ser combatidos por suas “doutrinas insensatas, fruto de uma cegueira provocada pelo pai da mentira. Suas heresias estão dirigidas contra a fé santa, católica e ortodoxa, sendo um perigo para a unidade da fé da cristandade” [grifo nosso]. Diz mais: 
“Condenamos a todos os hereges sob qualquer denominação com que se apresentem; embora seus rostos sejam diferentes, estes se encontram atados por uma cola, pois a vaidade os une”.
“Assim como o diabo e os demônios, criados por Deus naturalmente bons, pela vaidade foram expulsos do paraíso, também por causa da vaidade os hereges devem ser expulsos do convívio social [grifo nosso]. Os condenados por heresia devem ser entregues às autoridades seculares para serem castigados. No caso de clérigos, deverão ser desligados de suas Ordens. Quanto aos bens, serão confiscados [grifo nosso]”.
“Os que se armarem para dar caça aos hereges, gozarão da indulgência e do santo privilégio concedidos aos que vão, em ajuda, à Terra Santa ” .

ENCÍCLICAS SOBRE O ECUMENISMO

“Com o poder e autoridade sem os quais tal função seria ilusória, o Bispo de Roma deve assegurar a comunhão de todas as Igrejas. Por este título, ele é o primeiro entre os servidores da unidade. Tal primado é exercido a vários níveis, que concernem à vigilância sobre a transmissão da Palavra, a celebração sacramental e litúrgica, a missão, a disciplina, e a vida cristã. Compete ao Sucessor de Pedro recordar as exigências do bem comum da Igreja, se alguém for tentado a esquecê-lo em função dos próprios interesses. Tem o dever de advertir, premunir e, às vezes, declarar inconciliável com a unidade da fé esta ou aquela opinião que se difunde. Quando as circunstâncias o exigirem, fala em nome de todos os Pastores em comunhão com ele. Pode ainda – em condições bem precisas, esclarecidas pelo Concílio Vaticano I – declarar ex cathedra que uma doutrina pertence ao depósito da fé. Ao prestar este testemunho à verdade, ele serve a unidade.” (Encíclica Sobre o Empenho Ecumênico. 1994).“A comunhão de todas as Igrejas particulares com a Igreja de Roma: condição necessária para a unidade. A Igreja Católica, tanto na sua praxis como nos textos oficiais, sustenta que a comunhão das Igrejas particulares com a Igreja de Roma, e dos seus Bispos com o Bispo de Roma, é um requisito essencial – no desígnio de Deus – para a comunhão plena e visível. De facto, é necessário que a plena comunhão, de que a Eucaristia é a suprema manifestação sacramental, tenha a sua expressão visível num ministério em que todos os Bispos se reconheçam unidos em Cristo, e todos os fiéis encontrem a confirmação da própria fé. A primeira parte dos Actos dos Apóstolos apresenta Pedro como aquele que fala em nome do grupo apostólico e serve a unidade da comunidade – e isto no respeito da autoridade de Tiago, chefe da Igreja de Jerusalém. Esta função de Pedro deve permanecer na Igreja para que, sob o seu único Chefe que é Cristo Jesus, ela seja no mundo, visivelmente, a comunhão de todos os seus discípulos” (Encíclica Sobre o Empenho Ecumênico. 1994).
   Essas palavras são traduzidas da seguinte forma: É possível a aproximação ecumênica, desde que reconhecida a supremacia da Igreja Católica, gerida pelo Vigário de Cristo, o Papa, como sucessor de Pedro, a quem compete advertir e avaliar as opiniões contrárias.    Da Encíclica Moratlium Ânimos, de 10.01.1928, do papa Pio XI, vejam algumas diretrizes do tópico “a única maneira de unir todos os cristãos”;

“Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo [grifo nosso], dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela”.
 
“Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultícia afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22). A Obediência ao Romano Pontífice – Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos” [grifo nosso].
 
“Pois se, como repetem freqüentemente, desejam unir-se Conosco e com os nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, “Mãe e Mestra de todos os fiéis de Cristo” (Conc. Later 4, c.5)”?
 
“Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é “raiz e matriz da Igreja Católica” (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que “a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu magistério e regime” [grifo nosso].
 
   O “infalível” papa Pio XI não usou de meias palavras para expressar o pensamento do Vaticano com relação aos não católicos. Em resumo, disse que só fazem do Corpo de Cristo os que reconhecem e acatam o poder do Papa, como legítimo sucessor de Pedro. Disse mais, de forma inequívoca, que a união dos cristãos só será possível com o retorno dos irmãos separados ao catolicismo.
 
PALAVRA DA DIOCESE
 
   A Diocese de Pelotas (RS) divulgou em sua Home Page algumas considerações sobre o Ecumenismo. Destacamos:
 
“Ecumenismo é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes Igrejas Cristãs: os católicos, os ortodoxos, os protestantes, os crentes, os evangélicos. É o caminho proposto por Jesus: “que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Unidade não é a mesma coisa que uniformidade; sermos diferentes pode ser, dentro de certos limites, uma coisa muito enriquecedora”.
“O Ecumenismo significa: conversão de coração para reconhecer o que há de bom nas outras Igrejas cristãs; procurar conhecer as outras Igrejas, sem preconceito e sem ingenuidade; tratar as outras Igrejas como gostamos que a nossa seja tratada”.
   Estas notas soam dissonantes na orquestra ecumênica sob a batuta do Vaticano. A afirmação “outras Igrejas cristãs” sai do tom exigido na Dominus Iesus, mais adiante examinada. Se existem outras igrejas cristãs, então a Igreja Católica e as demais formam uma unidade. Mas uma encíclica de 1994 diz que “as opiniões diferentes são irreconciliáveis com a unidade”. E a Dominus Iesus declara que “os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma das Igrejas e Comunidades eclesiais”. PALAVRAS DE D.ESTEVÃO BETTENCOURT
“O Ecumenismo é o movimento que visa a restabelecer a plena comunhão entre a Igreja Católica e as demais denominações cristãs que no decorrer dos séculos se foram separando do grande tronco católico: orientais (nestorianos, dissidentes em 431; monofisitas em 451; ortodoxos em 1054), protestantes separados em 1517, Velhos Católicos em 1870. O Ecumenismo é algo inspirado pelo Espírito Santo em nosso século, quando se verifica que as separações não têm mais as razões de ser que as suscitaram na época da respectiva cisão. Em nossos dias há quase total identidade de Credo entre católicos e cristãos orientais. Com o protestantismo o diálogo é mais difícil [grifo nosso], dado o esfacelamento do bloco protestante, onde as denominações mais recentes já perderam muito ou quase tudo do patrimônio doutrinário genuinamente cristão, reduzindo o Cristianismo a uma escola de bons costumes inspirados pela Bíblia sem referência explícita aos sacramentos. Além das diferenças doutrinárias (ora mais, ora menos apagadas), nota-se que uma das dificuldades para o bom entendimento entre cristãos provém de questões de ordem histórica (as Cruzadas, por exemplo, no Oriente…), cultural, nacionalista…. Aqueles que se dizem protestantes, mas que não professam o verdadeiro Cristianismo estão alijados do Corpo de Cristo, e, por conseguinte, não podem ser considerados cristãos”.

   É evidente que não pertencem ao Corpo de Cristo os que não professam o verdadeiro Cristianismo. Uma declaração nada mais do que óbvia. Nesse rol estão católicos e evangélicos que não vivem o Cristianismo. Semelhantemente à Dominus Iesus, como veremos a seguir, as palavras de D. Estevão longe estão de admitir a paridade das igrejas cristãs. Ser cristão, no entendimento do Vaticano, não é pertencer a Cristo; é pertencer à Igreja de Roma. Não se pode nivelar as igrejas evangélicas. Não cabe uma generalização com base em grupos dissociados da verdade bíblica. Nas “questões de ordem histórica”, como citado, poderiam ter sido mencionados a famigerada Inquisição, as conversões forçadas e o extermínio recente de Sérvios ortodoxos, dentre outras.

COMENTÁRIOS DE UM PASTOR

Do pastor Addson Araújo Costa:

“Ademais, esta onda de ecumenismo de uma “união” religiosa está cheia de hipocrisia, enquanto nas capitais do Brasil artistas padres propõem o conchavo, no interior padres organizam abaixo-assinados para impedir a entrada de novas igrejas naquelas cidades.  A sua proposta de “amor” está condicionada à adesão, caso esta não ocorra eis a rejeição, o escrutínio pessoal dos líderes, depreciação daquelas igrejas, a exclusão mental dos crentes e todo tipo de prejulgamentos”. “Cabe agora aos evangélicos se irão querer uma nova inquisição travestida de comunhão, ou seja, estar dentro da barriga do leão. Ou se continuarão avante, lutando teológica e biblicamente, por um evangelho autêntico que transforma vidas; se continuarão afirmando que o único Cabeça da Igreja é Cristo, e não um Papa, sabendo portanto que as igrejas e pastores são independentes e autônomos diante de Deus, de conselhos e hierarquias inventadas e portanto contrárias à Bíblia…  A Igreja do Senhor Jesus não é uma instituição em que se nasce nela, mas que se entra nela por meio da fé em Cristo Jesus; ademais a verdadeira Igreja Universal de Cristo não é uma instituição visível e humana e sim composta por todos os salvos desde o Pentecostes até a vinda do Senhor”.

CONSELHO DE IGREJAS

   Vejamos alguns tópicos da declaração assinada pelo Pastor Walter Altmann, Presidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas – CLAI, entidade criada em 1978, e que representa 155 igrejas e organismos ecumênicos em todo o continente latino-americano:
“Com grande surpresa e, mesmo, consternação, o CLAI (Conselho Latino-Americano de Igrejas) tomou conhecimento da «Declaração “Dominus Iesus” sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja», firmada pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, Cardeal Joseph Ratzinger. O CLAI lamenta detectar nela um obstáculo a mais ao ecumenismo, provindo do interior da Igreja Católica Romana, de alto nível e referendada pelo Papa João Paulo II…
“Ao contrário, toma o ensejo para afirmar um exclusivismo católico-romano que em nada pode contribuir para fazer avançar a causa ecumênica, abalando, ao invés, a credibilidade do testemunho de Cristo que nos é comum”.
“Aliás, não é nem tanto na classificação das igrejas protestantes como “não-igrejas” em sentido verdadeiro que reside a maior causa para o desapontamento suscitado pela Declaração, mas sim em suas preocupantes omissões”.

   A polêmica e surpreendente “Dominus Iesus” foi uma água fria na fervura do ecumenismo cristão. Em poucas palavras colocou por terra anos de trabalho em prol do diálogo. Essa declaração nasceu no seio da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, antes denominada Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) e Congregação do Santo Ofício. O espírito conservador, exclusivista e totalitarista continua encarnado na pessoa do cardeal Joseph Ratzinger, seu responsável.

PALAVRA DA MÍDIA

   Notícia do Jornal da Tarde, em 6.9.2000, sob o título “O mais duro golpe no ecumenismo”:
 
“A divulgação de trechos do documento Dominus Jesus (Senhor Jesus, em latim) provocou reações negativas entre líderes de outras igrejas cristãs. Em Paris, o presidente da Federação Protestante da França, pastor Jean Arnold de Clermont, disse que o documento era uma “triste surpresa”. Para o presidente do Conselho da Igreja Evangélica Alemã, reverendo Manfred Kock, foi um “revés”. Na Inglaterra, o chefe da Igreja Anglicana, George Carey, disse que o texto parece ignorar 30 anos de diálogo ecumênico”.
 
   Artigo publicado em “O Estado de S.Paulo, 28.09.2000, com o título “Um retrocesso no ecumenismo religioso”, assinado pelo embaixador Antonio Amaral De Sampaio, diplomata aposentado. Alguns trechos:            

“A declaração formulada recentemente pela Congregação da Doutrina da Fé, denominada Dominus Iesus, consagra surpreendente retrocesso na política da Igreja Católica com referência ao ecumenismo religioso, a qual havia registrado avanços durante o pontificado de João Paulo II. Situação esta que agora incorre no risco de ser comprometida, caso seja mesmo alçado a posição oficial do Vaticano o resultado das elucubrações orientadas e dirigidas pelo cardeal Joseph Ratzinger, o principal guardião da doutrina católica. O referido prelado é o tradicionalista prefeito da antiga Sagrada Congregação do Santo-Ofício, que, se hoje ostenta outra denominação, mais consentânea com a atualidade, ainda não logrou libertar-se do espírito do passado, que gerenciou a Inquisição, perseguiu heréticos e fez perecer na fogueira milhares de inocentes vítimas de superstições, da ignorância e maldade humanas, ou, mais simplesmente, apenas fiéis de outras confissões, algumas tão respeitáveis quanto aquela que tem sua sede política, administrativa e doutrinária em Roma. Significa ela um verdadeiro salto para trás, ensaiado – o que para alguns se afigura inquietante – no mesmo contexto temporal que trouxe a canonização de Pio IX (Giovanni Maria Mastai-Ferretti). Esse papa do século 19, hoje mais conhecido como o autor intelectual do Syllabus, foi também o formulador do dogma da infalibilidade pontifícia.
A essência do dictum do cardeal Ratzinger estabelece que os indivíduos apenas podem alcançar a salvação dos pecados por meio das graças espirituais da Igreja Católica; que as demais confissões religiosas – incluindo os diversos ramos do protestantismo – padecem de equívocos que colocam seus fiéis em situação de deficiência na busca da salvação.

Não se compreende que tal se aplique no caso de outras denominações cristãs de consagrada respeitabilidade, assim como do judaísmo e do Islã.
O pontificado de João Paulo II aproxima-se de seu termo e o papa, avassalado pela doença de Parkinson e outros achaques próprios de sua avançada idade, agravados pelo atentado que sofreu, parece que deixou progressivamente de exercer, sobre a hierarquia eclesiástica e o clero em geral, os poderes de comando e controle que constituem uma de suas prerrogativas”.
 
DOMINUS IESUS          Vejamos fragmentos dessa Declaração assinada pelo cardeal  joseph ratzinger,  e referendada pelo papa joão paulo ii em  6.08.2000, que causou surpresa e consternação a muitos. Abaixo de cada trecho faço alguns comentários.  Os grifos são nossos:
“A Igreja Católica não rejeita absolutamente nada daquilo que há de verdadeiro e santo nessas religiões. Considera com sincero respeito esses modos de agir e de viver, esses preceitos e doutrinas que, embora em muitos pontos estejam em discordância com aquilo que ela afirma e ensina, muitas vezes reflectem um raio daquela Verdade que ilumina todos os homens ».

   Um modo elegante de introduzir o asssunto, porém anunciando uma inverdade. Como veremos a seguir, o Vaticano  exclui a possibilidade de existir alguma coisa santa e verdadeira nas outras religiões. Mais de uma vez o Documento fala desse raio de Verdade, provinda da Igreja Católica,  que alcança as demais religiões. Para melhor compreensão, a Igreja de Roma se assemelha à Lua, que recebe  luz (a Verdade) diretamente do Sol (Jesus) e a repassa à Terra (demais religiões). Ora, a Verdade não vem a nós via Igreja Católica. Recebemo-la diretamente do nosso Salvador, fonte de Luz e de Vida Eterna.
“Este diálogo, que faz parte da missão evangelizadora da Igreja, comporta uma atitude de compreensão e uma relação de recíproco conhecimento e de mútuo enriquecimento, na obediência à verdade e no respeito da liberdade”.
   São declarações que mais adiante ficam anuladas. Como a Igreja Católica poderia se enriquecer num relacionamento com apóstatas, excomungados hereges, alijados  do Corpo de Cristo? “Respeito à liberdade” soa muito mal diante dos fatos. 
“No exercício e aprofundamento teórico do diálogo entre a fé cristã e as demais tradições religiosas surgem novos problemas, que se tenta solucionar, seguindo novas pistas… É por isso que a Declaração retoma a doutrina contida nos anteriores documentos do Magistério, para reafirmar as verdades que constituem o património de fé da Igreja”.

   Em suma, diz o Documento que na Igreja Católica nada mudou. Continua a mesma e continuam valendo documentos anteriores, pois que fazem parte do seu patrimônio de fé. Afirmação desnecesária, pois sabemos todos que são irrevogáveis as decisões dos “infalíveis” papas. O Vaticano desconfia que a aproximação dos católicos com os protestantes, via ecumenismo, seja prejudicial aos seus objetivos, haja vista o real “perigo” decorrente dessa contínua familiaridade.
“O perene anúncio missionário da Igreja é hoje posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de facto, mas também de iure (ou de principio). Daí que se considerem superadas, por exemplo, verdades como…  a mediação salvífica universal da Igreja, a não separação, embora com distinção, do Reino de Deus, Reino de Cristo e Igreja, a subsistência na Igreja Católica da única Igreja de Cristo”. 
“Na raiz destas afirmações encontram-se certos pressupostos, de natureza tanto filosófica como teológica, que dificultam a compreensão e a aceitação da verdade revelada… a tendência, enfim, a ler e interpretar a Sagrada Escritura à margem da Tradição e do Magistério da Igreja. E o mistério de Jesus Cristo e da Igreja perdem o seu carácter de verdade absoluta e de universalidade salvífica”.

   Em outras palavras, ninguém deve ler e interpretar a Bíblia sem a intermediação do Magistério da ICAR. Revela-se aqui o cuidado para que os católicos, em atos ecumênicos, não se disponham a examinar livremente as Escrituras sem levar em conta a Tradição, colocada pela ICAR no mesmo nível de autoridade da Bíblia.   É um  alerta ao perigo do contágio ecumênico, para evitar que o “vírus” da verdade protestante e bíblica  não se propague ainda mais.
“Nem sempre se tem presente essa distinção na reflexão hodierna, sendo frequente identificar a fé teologal, que é aceitação da verdade revelada por Deus Uno e Trino, com crença nas outras religiões, que é experiência religiosa ainda à procura da verdade absoluta e ainda carecida do assentimento a Deus que Se revela.”

   À medida que a Declaração  avança para o final, as palavras vão se tornando mais duras, diretas e específicas. Se no começo  foram ambíguas, certamente para  não causar constrangimentos imediatos, agora elas se revelam sem nenhum receio de declarar o que a Igreja Católica pensa dos não católicos.  “Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica — radicada na sucessão apostólica — entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: Esta é a única Igreja de Cristo”.
   Se os não católicos desejam participar da Igreja de Cristo, então que reconheçam e professem e declarem que a Igreja Católica é a verdadeira, a única instituída por Cristo.

“Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste [subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. Com a expressão « subsistit in », o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que  existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição, isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica. Acerca destas, porém, deve afirmar-se que o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica”.“Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares… Por isso, também nestas Igrejas está presente e actua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objectivamente tem e exerce sobre toda a Igreja”.

   As demais igrejas possuem elementos de santificação, mas não plena, pois lhes falta o vínculo à Igreja-Mãe, diz a Declaração. Dizer que existem elementos de santificação e de verdade nas demais igrejas, deixa margem a dúvidas. É uma ambigüidade.  O que significa mesmo possuir elementos de santificação e verdade e não ser Igreja de Cristo, não ser santa nem verdadeira?  As igrejas que mantém estreitíssimos laços com a “Depositária da Verdade” podem usufruir das benesses da graça divina, porém derivada da graça revelada à Igreja de Roma. Os acatólicos, diz o Documento, não podem obter graça sem a intermediação da Igreja tronco, única e verdadeira.

“As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, não são Igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas Comunidades estão pelo Baptismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que imperfeita, com a Igreja”.

“Os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma — diferenciada e, de certo modo, também unitária — das Igrejas e Comunidades eclesiais; a Eucaristia e da plena comunhão na Igreja”.“Daí a necessidade de manter unidas estas duas verdades: a real possibilidade de salvação em Cristo para todos os homens, e a necessidade da Igreja para essa salvação…”.
   Não somos  igreja, mas podemos batizar, e os batizados são incorporados a Cristo, porém há necessidade de ingressarem na Igreja Católica para serem salvos. Mais ambigüidades. Somos ou não somos Corpo de Cristo. Somos ou não somos cristãos. Somos ou não somos filhos de Deus. A declaração mais estapafúrdia é a de que os homens precisam da Igreja Católica para salvação.

“Para aqueles que não são formal e visivelmente membros da Igreja, a salvação de Cristo torna-se acessível em virtude de uma graça que, embora dotada de uma misteriosa relação com a Igreja, todavia não os introduz formalmente nela, mas ilumina convenientemente a sua situação interior…”“Seria obviamente contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma, embora convergindo com ela para o Reino escatológico de Deus”.
   Ecumenismo, para o catolicismo,  representa incorporação, adesão. O Vaticano não entende que nenhuma igreja é caminho de salvação. O Caminho é Jesus. Aquele que nele crê será salvo, e passa a fazer parte da verdadeira Igreja de Cristo. Em todo o Documento está nítida a crença de que a Igreja Católica é o Caminho, e fora dela não há salvação. Ser batizado, participar dos Sacramentos e pertencer à Igreja-Mãe são condições que levariam à salvação. Nada mais contrário ao ensino das Sagradas Escrituras. O Corpo de Cristo é o somatório de todos os salvos em Cristo, vivos ou mortos, de todas as épocas.

Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel de preparação ao Evangelho… Não se lhes pode porém atribuir a origem divina nem a eficácia salvífica ex opere operato, própria dos sacramentos cristãos”. “Se é verdade que os adeptos das outras religiões podem receber a graça divina, também é verdade que objectivamente se encontram numa situação gravemente deficitária, se comparada com a daqueles que na Igreja têm a plenitude dos meios de salvação”.
   As palavras do Vaticano se revelam aqui na plenitude de seu exclusivismo. Tudo agora ficou bem claro. Não há salvação para os que estão fora do catolicismo. A situação destes é grave e deficitária, pois só Roma tem a plenitude dos meios de salvação. Os protestantes têm o único e verdadeiro caminho de salvação: JESUS CRISTO.

“A paridade, que é um pressuposto do diálogo, refere-se à igual dignidade pessoal das partes, não aos conteúdos doutrinais e muito menos a Jesus Cristo — que é o próprio Deus feito Homem — em relação com os fundadores das outras religiões”.
   O Documento esclarece que não pode haver igualdade no diálogo ecumênico. Os católicos poderão dele participar, mas cientes de que estão em nível mais elevado. Ora, a Igreja de Cristo representa a soma dos que nEle confiam e a Ele consagram suas vidas.  Realmente não se pode falar em paridade em relação aos conteúdos doutrinais, pois a maioria dos dogmas da ICAR está em desacordo com a  Bíblia Sagrada.

“A Igreja, com efeito, movida pela caridade e pelo respeito da liberdade, deve empenhar-se, antes de mais, em anunciar a todos os homens a verdade, definitivamente revelada pelo Senhor, e em proclamar a necessidade da conversão a Jesus Cristo e da adesão à Igreja através do Baptismo e dos outros sacramentos, para participar de modo pleno na comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo”.“Os Padres do Concílio Vaticano II, debruçando-se sobre o tema da verdadeira religião, afirmaram: « Acreditamos que esta única verdadeira religião se verifica na Igreja Católica e Apostólica…”.

   O Vaticano não pode falar em “respeito da liberdade”, nem do respeito às crenças dos não católicos sem antes fazer mea-culpa. Que   primeiramente admita seus erros e o fato de que a Igreja Católica tem contribuído para cercear  essa liberdade.  O Documento deixa para o fim a declaração mais importante: somente mediante adesão ao catolicismo, mediante batismo e participação dos sacramentos o homem pode participar da plena comunhão com Deus. O que não é verdade: “Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Para sermos recebidos como filhos de Deus, basta crer, confiar e obedecer: “Mas a todos os que o receberam, àqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; filhos nascidos não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do
homem, mas de Deus” (João 1.12,13).

   Há apenas nove anos, no dia 29 de março de 1994, após exaustivo planejamento e cuidadoso exame, líderes católicos e evangélicos americanos assinaram uma declaração conjunta intitulada “Evangélicos e Católicos Unidos – A Missão Cristã no Terceiro Milênio”. Foi um evento significativo na história da cristandade. Dave Hunt, em “A Mulher Montada na Besta”, ressalta com propriedade que, apesar de a declaração coletiva ter levado em conta algumas diferenças básicas entre católicos e evangélicos, a mais importante não mereceu qualquer atenção, ou seja, o que significa ser cristão nas duas crenças.
   Bastaria colocar em pauta o conceito de cristão para que não houvesse qualquer acordo. Como vimos nos pronunciamentos oficiais do catolicismo, cristão é o que está filiado à Igreja Católica. Basta preencher a ficha de inscrição, ser batizado e participar dos sacramentos. Agora, depois de quase uma década, o Vaticano declara que esses irmãos separados, signatários da Declaração, não são igreja no sentido próprio, e estão em situação de penúria diante de Deus. Ou seja, estão desgraçados, sem a graça divina. Diz Dave Hunt:

“O elemento-chave por trás dessa histórica declaração conjunta é a anteriormente inimaginável admissão, por parte dos líderes evangélicos, de que a participação ativa da Igreja católica faz de alguém um cristão. Se esse realmente é o caso, então a Reforma não passou de um erro trágico. Os milhões que foram martirizados (durante dez séculos antes da Reforma e até os dias de hoje) por rejeitar o catolicismo como um falso evangelho, terão morrido em vão. Se, contudo, os reformadores tinham razão, então este acordo entre católicos e evangélicos seria o golpe mais astuto e mortal contra o Evangelho de Cristo em toda a história da Igreja”.

“As diferenças teológicas entre católicos e protestantes já foram consideradas tão grandes, que milhões morreram como mártires para não comprometê-las, e seus executores católicos estavam igualmente convencidos da importância de tais diferenças. Como podem essas diferenças ter desaparecido? O que levou os líderes evangélicos a declarar que o evangelho do catolicismo, que os reformadores denunciaram como herético, agora tornou-se bíblico? Esse evangelho não mudou em nada. Será que a convicção foi comprometida a fim de criar uma imensa coalizão entre os conservadores por uma ação social e política”?    Alguns imaginaram que esse acordo marcaria um passo decisivo rumo a um entendimento e aceitação mútua. Enfim, a Igreja Católica iria aceitar os “hereges” como verdadeiros irmãos. Engano. Estavam longe de imaginar que anos mais tarde o Vaticano mostraria mais uma vez a sua face real.

   Detectamos uma tremenda inversão de valores no trato de tais questões. Nós, que primamos pela verdade bíblica, e que vemos unicamente em Jesus a possibilidade de salvação, nós é que devemos refletir se podemos considerar como cristã uma religião que se desfigurou ao longo do tempo como cristianismo autêntico.

   A Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, em repúdio às declarações da Dominus Iesus, inicia sua carta de 13.09.2000 à Igreja Católica, do seguinte modo:
“Vimos manifestar-lhe a nossa desilusão e tristeza ao ver que, passados trinta e cinco anos da realização do Concílio Vaticano II, as mais altas figuras da Igreja Católica Romana (ICR) ainda são capazes de produzir um documento como a “Dominus Iesus” que, no mínimo, se reveste de uma grande insensibilidade ecumênica. A Declaração nada traz de novo. Tudo o que ela contem já foi dito há muitos anos e em muitos outros documentos. Neste sentido somos tentados a dizer, como muitos, “Roma nunca muda”! Mas será que a participação activa, e irreversível, da ICR no diálogo ecumênico durante as últimas décadas é compatível com a inflexibilidade e o exclusivismo manifestados na “Dominus Iesus”? Quando pensávamos que a “teoria do retorno” já havia desaparecido do vocabulário ecumênico, constatamos que ela continua a orientar as relações da ICR com as outras Igrejas Cristãs”.

NOTA DA CNBB

   “A Presidência e a Comissão Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em comunhão com o Papa João Paulo II que, no dia 18 de setembro de 2000, reiterou “ser irrevogável o empenho da Igreja Católica para com o diálogo ecumênico”, por motivo da recente Declaração Dominus Iesus da Congregação para a Doutrina da Fé, deseja reafirmar o seu compromisso ecumênico”.

“Manifesta a todos os cristãos a estima da Igreja Católica que os reconhece justificados pela fé e incorporados a Cristo e os abraça com fraterna reverência e amor como “irmãos no Senhor”. Considera também que “suas igrejas de forma alguma são destituídas de significação e importância no mistério da salvação” (Cf. UR). Acredita que o movimento ecumênico, surgido entre os irmãos e irmãs de outras igrejas para restaurar a unidade de todos os cristãos, é uma obra do Espírito Santo” (Dom Jayme Henrique Chemello, Presidente; Dom Raymundo Damasceno Assis, Secretário-Geral).    A CNBB, que tem compromissos assumidos com a liderança das demais igrejas, com vistas a um diálogo fraterno, manifestou-se favorável à continuidade desse entendimento. Destoando das afirmações exclusivistas da Dominus Iesus, trata os fiéis de outras igrejas como “irmãos no Senhor”. Trata-se de um paradoxo, porque a CNBB faz parte da Hierarquia Católica; representa, por dever, o pensamento do Papa e segue as suas diretrizes. Consideremos, porém, que a CNBB ficou numa situação desconfortável. 

   Mais uma nota fora do tom está na palavra ameaçadora do bispo Sinésio Bohn, conforme notícia publicada no início dos anos 90:

“Espantado com o forte crescimento das “seitas” evangélicas no Brasil, os líderes da Igreja Católica Romana têm ameaçado desencadear uma “guerra santa” contra os protestantes, a não ser que eles parem de tirar o povo do domínio católico…Na 31a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil…o bispo Sinésio Bohn disse que os evangélicos são uma séria ameaça à influência do Vaticano neste país. `Declaramos uma guerra santa, não duvidem´, anunciou ele. `A Igreja Católica – disse o bispo – dispõe de uma poderosa estrutura e quando nos mexermos esmagaremos qualquer um que se colocar em nossa frente…´ Conforme Bohn – diz a nota – tal guerra santa pode ser evitada, desde que 13 grandes denominações protestantes assinem um acordo…[o qual] requereria que os protestantes cessassem com todos os esforços evangelísticos no Brasil. Ele disse ainda que, em troca, os católicos concordariam em parar com todo tipo de perseguição aos protestantes” (Revista Charisma, maio de 1994, citação de Dave Hunt, A Mulher Montada na Besta (A Woman Rides the Beast)  vol 1, 2001, p. 10, tradução de Mary Schultze e Jarbas Aragão).
   O mínimo que podemos dizer dessas palavras é que são arrogantes. Evangelizar, para os evangélicos, é o mesmo que respirar. São trinta milhões de pregadores da Palavra, noite e dia, por todo esse Brasil. Convidamos as pessoas para aceitarem a Cristo Jesus como Senhor e suficiente Salvador. “As armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2 Co 10.4).

   O romanismo precisa entender que o tempo das conversões forçadas ficou para trás. Esse tipo de conversão à força da espada só funciona nos governos fascistas, quando clero e Estado entram em acordo para oprimir, exterminar, coagir e impedir o livre exercício da liberdade religiosa. Essa força-tarefa funcionou durante mais de mil anos com a famigerada Inquisição; funcionou nos 500 anos de perseguição sistemática aos judeus; obteve “êxito” na Iugoslávia (Croácia), durante a Segunda Guerra Mundial, para deter o avanço da Igreja Ortodoxa; neste massacre colossal, 400 sacerdotes ortodoxos foram enviados a campos de concentração e 700 foram mortos; vinte e cinco por cento dos mosteiros e igrejas ortodoxas foram destruídos; em quatro anos (1941/1945) de massacre, 850.000 membros da Igreja Ortodoxa pereceram, além de 30.000 judeus e 40.000 ciganos; a mesma força-tarefa     funcionou no esforço de catolizar o  Vietnã do Sul, quando da perseguição de milhares de budistas, a partir de 1963; funcionou bem o Equador, em razão da Concordata de 1862, pela qual o catolicismo romano se estabeleceu como religião estatal, proibido qualquer outro tipo de crença; a força-tarefa funcionou em 1948 na Colômbia, tempo em que muitos  não católicos foram  assassinados, centenas de igrejas evangélicas queimadas e escolas protestantes fechadas.

  Embora o espírito inquisitorial continue em atividade, já não surtem efeito no Brasil as ameaças de excomunhão; a espada não pode ser usada e as beatificações não conseguem evitar que os brasileiros ouçam a Palavra e busquem ao Deus vivo. O SANGUE DOS MÁRTIRES
   Um dos obstáculos à concretização do sonho ecumênico, na amplitude desejada, não reside apenas nas diferenças doutrinárias, nos descaminhos que se foram somando ao longo dos séculos na Igreja Católica, na irreversibilidade das decisões pontifícias e conciliares. Apesar dos tímidos pedidos de perdão, em face de alguns erros cometidos por “infalíveis” papas, a Hierarquia Católica por muitos séculos ainda, e até o fim dos tempos gastará muita tinta para minimizar os estragos que sofreu em razão de seus erros. 

   Ocorre que o sangue dos mártires produziu uma nódoa indelével na memória dos povos. Embora haja perdão nos corações, a História não pode ser apagada. Centenas de livros e artigos na internet e nas livrarias expõem a maldita chaga das Cruzadas, da Inquisição na idade das trevas; da Inquisição na Croácia e no Vietnã do Sul;  dos acordos com governos fascistas.  A Igreja Católica já foi julgada pela História. O derradeiro julgamento, impossível de ser evitado, porque diante dele todo joelho se dobrará, será o do Tribunal do Grande Trono Branco.

INQUISIÇÃO NA CROÁCIA

  É muito comum referirmo-nos aos dez séculos de Inquisição – a Idade das Trevas – como a única e mais cruel máquina de extermínio de não católicos e de conversão forçada, em que acatólicos foram perseguidos, torturados e mortos.  Recordemos que passados mais de duzentos anos do famigerado Santo Ofício  milhares de não católicos foram dizimados na Croácia – os Sérvios Ortodoxos – sob a aquiescência  e omissão da Hierarquia Católica.
“A magnitude da carnificina pode ser melhor avaliada pelo fato de que dentro dos primeiros meses, de abril a junho de 1941, 120.000 pessoas pereceram. Proporcionalmente, à sua duração e a pequenez do território, foi este o maior massacre já acontecido em qualquer lugar no ocidente, antes, durante e após o maior cataclisma do século – a II

Guerra Mundial (The Vatican´s Holocaust – Avro Manhattan(1914-1990), 1986.  

   A ferocidade foi de tal monta que os “nazistas ficaram horrorizados”. A bestialidade suplantou “tudo que fora experimentado na Alemanha de Hitler”.  Mônica Farrell, uma ex-católica romana, relata em seu livro Ravening Wolves (Lobos Vorazes), citada por Mary Schultze, em “Conspiração Mundial”:
“Este é um registro das torturas e assassinatos cometidos na Europa entre 1941/43, pelo exército de ativistas católicos, conhecido como Ustashi [organização terrorista], liderado por monges e padres e do qual até mesmo freiras participaram. As vítimas sofreram e morreram por causa da liberdade de consciência. O mínimo que podemos fazer é ler os registros de seus sofrimentos e guardar na lembrança o que aconteceu, não na Idade Média, mas na nossa própria geração iluminada. Ustashi é outro nome da Ação Católica”.

   O novo Estado Independente da Croácia, agindo em conexão com o nazismo de Hitler, da forma mais cruel e repugnante perseguiu, trucidou, torturou e matou mais de um milhão de pessoas em pouco tempo.

A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA

  Tudo começou no dia 10 de abril de 1941 quando foi proclamado o Estado Independente da Croácia, como resultado do triunfo do exército alemão que já havia entrado no país. Na verdade estava nascendo o Novo Estado Católico, sob a liderança espiritual do Arcebispo Stepinac. Diz Avro Manhattan: “Naquele mesmo dia, os jornais de Zagreb [capital] veicularam anúncios com o objetivo de que todos os residentes ortodoxos sérvios do novo Estado Católico deveriam evacuar a cidade dentro de 12 horas; e qualquer que colaborasse com um Ortodoxo seria imediatamente executado. No dia 13 de abril, Ante Pavelic, governante do Novo Estado, chegou a Zagreb procedente da Itália. No dia seguinte, o arcebispo Stepinac foi encontrá-lo pessoalmente e o congratulou pelo cumprimento da obra de sua vida. Qual era a obra da vida de Pavelic? A criação da tirania fascista mais impiedosa de todos os tempos para desonrar a Europa”.

   A História revela que a conexão Igreja-Estado sempre produziu uma máquina poderosa, pronta para cercear a liberdade de consciência. Em 28.06.1941, o Arcebispo Stepinac abençoou e aprovou o novo governo com as seguintes palavras: “Enquanto o saudamos cordialmente como Chefe do Estado Independente da Croácia, imploramos ao Senhor dos Astros que lhe dê as bênçãos divinas como líder do nosso povo”. Pavelic, o novo líder, “era o mesmo homem sentenciado à morte por assassinatos políticos; uma vez pelos tribunais iugoslavos, pela morte do Rei Alexandre I, e outra, pelos franceses, pela morte do Ministro Francês do Exterior, Barthou”.

   O Vaticano ficou mais vinculado ainda ao Novo Estado Fascista quando membros da Hierarquia Católica foram eleitos para o SABOR (parlamento totalitarista), dentre eles o Arcebispo Stepinac.  Avro Manhattan revela que “todos os oponentes em potencial – comunistas, socialistas, liberais – foram banidos ou aprisionados. Uniões comerciais foram abolidas, a imprensa foi paralisada, a liberdade da fala, de expressão e pensamento tornaram-se coisa do passado. Todo esforço foi feito no sentido de forçar a juventude a se filiar às formações para-militares, enquanto as crianças eram moldadas pelos padres e freiras. O ensino católico, os objetivos católicos, e os dogmas católicos tornaram-se compulsórios em todas as escolas. O Catolicismo foi proclamado como religião oficial do Estado”.

   A participação da Igreja Católica no novo Estado  torna-se mais evidente quando sabemos que “o primeiro Comandante Ustashi no Distrito de Udbina foi o frade franciscano Mate Mogus. No comício de 13.06.41, em Udbina, ele fez esta homilia: `olhai, povo, para estes dezesseis bravos Ustashis, que têm 16.000 balas e matarão 16.000 Sérvios…”; Em Dvor na Uni, o Pe. Anton Djuric, fez um diário de suas atividades, como funcionário da Ustashi. O diário mostra que sob suas ordens a Ustashi derrubou e incendiou a Vila de Segestin, onde 150 Sérvios foram assassinados…”.
  O plano diabólico aprovado por Pavelic, conforme declaração dos Ministros da Ustashi, era o seguinte: “Todos os que entraram em nosso país há 300 anos atrás devem desaparecer… a nova Croácia se livrará de todos os Sérvios em seu meio, a fim de se tornar cem por cento católica, dentro de dez anos…mataremos uma parte dos sérvios, levaremos outra para fora e o resto será forçado a abraçar a religião católica romana…o Estado Independente da Croácia não pode nem deseja reconhecer a Igreja Ortodoxa Sérvia”

   Não é válido defender Stepinac com a alegação de que ele pretendia defender a Iugoslávia do comunismo, a julgar que o nazismo seria algo um pouco melhor. Nada justifica o apoio irrestrito ao sanguinário governo de Pavelic. CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
   Leiam o que está escrito em “O Holocausto do Vaticano”:

“Os representantes da única `Igreja verdadeira´ não apenas conheciam tais horrores, como alguns deles eram autoridades nesses mesmos campos e até haviam sido condecorados por Ante Pavelic. Como exemplo, temos o Pe. Zvonko Brekalo, do campo de concentração de Jasenovac, que foi condecorado pelo próprio líder com a “Ordem do Rei Zvonimir”. O Pe. Grge Blazevitch, assistente do comandante do campo de Bozanski-Novi; o irmão Tugomire Soldo, organizador do massacre dos Sérvios, em 1941. E outros mais”. Nesse tempo, estava no comando da Igreja Católica o papa Pio XII (1876-1958), pontífice de 1939 a 1958.

   Tais campos de concentração estavam sob a supervisão direta de Pavelic. Aos ustashis cumpria enviar para os campos as pessoas não confiáveis, que eram sumariamente liquidadas. Vejamos apenas uma pequena descrição dos horrores:

“Em março de 1943 os internos do campo de Djakovo foram propositadamente infectados com tifo, causando a morte de 567 pessoas; em 15.09.41, a mesma coisa aconteceu no campo de Jasenovac, chegando a 600/700 o número de mortos; no campo de Stara Gradiska, 1.000 mulheres foram mortas; dos 5.000 Sérvios Ortodoxos levados para o campo de Jasenovic, no final de agosto de 1942, 2.000 foram mortos a caminho, os restantes transferidos para Gradina, onde, em 28.08.41, foram mortos a marteladas; no campo de Krapje, em outubro de 1941, 4.000 pessoas foram assassinadas, enquanto no campo de Brocice,em novembro de 1941, 8.000 tiveram o mesmo destino; de dezembro de 1941 a fevereiro de 1942, em Velika Kosutanica e Jasenovac, mais de 40.000 Sérvios Ortodoxos trazidos dos vilarejos das fronteiras da Bósnia, foram exterminados, inclusive 2.000 crianças; em 1942, havia cerca de 24.000 crianças, somente no campo de Jasenovac, das quais 12.000 foram assassinadas a sangue frio. Uma grande parte das restantes, tendo sido mais tarde liberada diante da pressão da Cruz Vermelha Internacional, pereceu aos montes, de intensa debilidade física. Em destas crianças, acima de 12 meses, morreram após saírem do campo por causa de soda cáustica adicionada à alimentação; o Dr. Katicic, Presidente da Cruz Vermelha, por haver denunciado ao mundo o extermínio em massa das crianças, foi internado no campo de concentração de Stara Gradiska, por ordem de Pavelic; na primavera de 1942, no desejo de imitar os campos nazistas da Alemanha e da Polônia, pessoas foram cremadas ainda vivas, simplesmente empurrando-as para dentro dos fornos previamente aquecidos”.

BEATIFICAÇÃO

   “Há dois anos [1998] João Paulo II beatificou o Arcebispo de Zagreb, Cardeal Alojzije Stepinac, defensor da “limpeza étnica” implementada pelos católicos croatas nos anos 40, e prepara-se para fazer o mesmo em relação a Pio XII, o papa que pecou por omissão. Com a palavra Settimia Spizzichino, a única judia romana que sobreviveu a Auschwitz, depois de ser cobaia de Joseph Mengele:

“Voltei sozinha de Auschwitz [Cidade da Polônia, na província de Bielsko-Biala. Famosa por abrigar o maior campo de concentração nazista durante a segunda guerra mundial]. Perdi minha mãe, duas irmãs, uma sobrinha e um irmão. Pio XII poderia ter nos alertado para o que ia acontecer, poderíamos fugir de Roma e nos juntar aos guerrilheiros. Ele nos jogou nas mãos dos alemães. Tudo aconteceu debaixo de seu nariz. Quando dizem que o papa é como Jesus Cristo, sei que não é verdade. Ele não salvou uma única criança. Não fez absolutamente nada.” (O Estado de S.Paulo, 26.03.2000).
   Sobre o assunto, li na Internet: “Decerto que o Papa pode beatificar e canonizar quem quiser, mas a beatificação de alguém com um passado no mínimo nebuloso como o Cardeal Stepinac [elevado a cardeal em 1953] é um insulto à memória de todos os que foram assassinados pela Ustasha e pelo nazismo”.

   Com a derrocada de Hitler, caiu por terra o sonhado Estado Católico da Croácia. Em 11 de outubro de 1946,  Suprema Corte em Zagreb condenou o Arcebispo  Stepinac  a 16 anos prisão em trabalhos forçados. As principais acusações, conforme consta do processo, foram: 1) colaboração política com o inimigo e seus agentes; 2) convocação dos sacerdotes católicos para colaborarem com os traidores, conforme circular distribuída em 28.04.1941; 3) como presidente da Ação Católica e do congresso dos bispos influenciou a imprensa católica, que fez propaganda do fascismo,  elogiou Hitler e Pavelic, e deu cobertura a todo o processo.

   Não iremos descer aos detalhes das conversões forçadas de ortodoxos, que, diante do poder da espada, temendo por sua vida e de seus familiares, submetiam-se aos humilhantes ritos de iniciação ao catolicismo; também não faremos referência às crianças órfãs, aos milhares, que foram expatriadas, raptadas e levadas para outros países; colocadas em orfanatos dirigidos por padres e freiras, rebatizadas com nomes católicos, crescendo sem o contato com seu grupo étnico e religioso original; não falaremos do modo sanguinário, feroz e cruel como muitos Sérvios foram torturados e mortos, enterrados vivos, sangrados, mutilados; das dezenas de templos ortodoxos que foram destruídos ou transformados em salas destinadas às atividades ligadas ao catolicismo. Avro Manhattan, em seu minucioso trabalho em The Vatican´s Holocaust

O que é o Santo Daime?


O que é Santo Daime?

Thursday, March 17, 2005

O que é o Santo Daime?

O presente estudo sobre o Santo Daime foi realizado como uma monografia para o Trabalho de Conclusão de Curso, parte obrigatória para obtenção do diploma de Licenciatura Plena em Letras Português/Inglês na Universidade de Sorocaba (Uniso), em São Paulo.
Trata-se, pois, de um trabalho de pesquisa, isento e sem provincianismos. Não pretende privilegiar esta ou aquela linha do Santo Daime.
É bem verdade que muitos leitores, de credos diferentes, discordarão do credo daimista. Mas aí há a liberdade de culto garantida a todos pela Constituição Brasileira, e um histórico da legalidade do Santo Daime é apresentado nesse texto, e se o Daime não é contra a lei, você também não o será, não é mesmo?!
Gostaria de esclarecer, ainda, que esse texto NÃO pode ser utilizado livremente, sem consentimento expresso do autor.
Boa Leitura.

O que é Santo Daime?

O Santo Daime é um culto cristão surgido no estado brasileiro do Acre, no início do século XX. Seu fundador foi Raimundo Irineu Serra, chamado por seus contemporâneos de Padrinho Irineu e por seus seguidores de hoje de Mestre Irineu.
O Santo Daime reúne elementos cristãos, da tradição espírita européia, indígenas e africanos num culto que conta também com a ingestão de uma bebida feita a partir dos mesmos elementos constituintes da ayahuasca, bebida sagrada utilizada pelos incas antes da chegada dos espanhóis à América e por várias tribos da região amazônica, mas com um feitio distinto do daquela.
Atualmente, estima-se em cerca de 10.000 o número de seguidores da doutrina no Brasil e no mundo. Há igrejas legalmente instituídas em quase todos os estados brasileiros e em países como Espanha e Holanda, além de grupos que celebram os cultos da doutrina em países como Estados Unidos, Japão, Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela(Ilha Marguerita) e Portugal.
Veja, abaixo, uma reportagem do programa Fantástico da Rede Globo, sobre o Santo Daime.

O Fundador


O Santo Daime foi fundado por um homem saído do povo. Raimundo Irineu Serra, Mestre Irineu como é chamado pelos seguidores do culto, era negro, neto de escravos, nascido na cidade maranhense de São Vicente de Férrer em 15 de dezembro de 1892, filho de Sancho Martinho Serra e Joana Assunção Serra, primogênito de uma família de cinco irmãos (Dico, Verônica, Maria e Nhá Dica).
Foi para o Acre a fim de trabalhar na demarcação de fronteiras, também atuou em seringais da região e na Guarda Nacional. Ali, na Amazônia, do alto de seu 1,98m, conheceu a ayahuasca em solo peruano, das mãos de um caboclo chamado Don Pizango. Segundo narra a tradição daimista, ele teve uma visão com a Virgem da Conceição, a Rainha da Floresta, que lhe “entregou” a doutrina do Santo Daime.
Mestre Irineu foi concebendo (ou “recebendo” para usar um termo daimista) a doutrina do Santo Daime durante alguns anos, submentendo-se a diversas provações de sua fé, tornando-se um exemplo de humildade, de amor ao próximo e de prática de princípios cristãos, tendo sido admirado em toda a Rio Branco de seu tempo.
A admiração de que gozava o Padrinho Irineu ia desde gente simples que vivia nos igarapés e nas colônias ao redor de Rio Branco até autoridades civis e militares.
Juramidam, nome espiritual que recebe, deixou um legado de trabalho, força, fé e esperança. Mestre Irineu foi o fundador do CICLU- Centro de Iluminação Cristã “Luz Universal” em que se sagrou Mestre-Imperador.
Ainda vivo, viu surgir outros trabalhos religiosos que se utilizam da ayahuasca, como é o caso da Barquinha. Após sua morte, em 6 de julho de 1971, aconteceram dissidências no CICLU e várias igrejas se formaram a partir daí, no Grande Cisma.
Mais informações:
Mais informações, depoimentos de seus contemporâneaos e muito mais fotografias do Mestre Irineu podem sem descarregadas no seguinte endereço:
http://www.mestreirineu.org
Documentário:
Veja o filme “O Senhor da Floresta“, de Mivan Gedeon.
Parte 1
http://br.youtube.com/watch?v=aCbn-2EAXxI
Parte 2
http://br.youtube.com/watch?v=f2GlBvvjEjk
Inédito
Arquivo com gravação raríssima do Mestre Irineu.
http://br.youtube.com/watch?v=Ov0_mDHjlsI

O Culto

A liturgia daimista consiste em três tipos básicos de trabalho: concentração, festejos (também conhecidos como bailados) e feitio, e em todos se comunga do Santo Daime.
Nas concentrações realiza-se um trabalho de auto-conhecimento e aprendizagem através das mirações, visões alcançadas através da fé de cada participante e da bebida sagrada.

A revista Galileu, na reportagem A hora do chá, visita as diversas correntes que se utilizam da ayahuasca.
Concentração
Cerimônia religiosa do Santo Daime, conhecida como o culto daimista por excelência, já que os festejos, como o próprio nome diz, são festas, celebrações.
As concentrações costumam ser realizadas por convenção todos os dias 15 e 30 de cada mês nas igrejas daimistas; contudo, também por convenção ou conveniência de cada igreja, em alguns centros são realizadas em outros dias (finais de semana alternados, por exemplo).
São duas as liturgias da Concentração daimista, mas em ambas toma-se o Daime, fecha-se os olhos e permanece-se em silêncio entre aproximadamente uma e duas horas, canta-se um conjunto de hinos conhecido como “Hinos novos” ou “Cruzeirinho”, rezam-se Pai-Nossos Ave-Marias e Salve-Rainhas e está encerrado o trabalho (Alto Santo); no Cefluris, inicia-se o trabalho com a chamada Oração, conjunto de hinos do Pad. Sebastião, Pad. Alfredo e Mad. Nonata (filhos do Pad. Sebastião).
Festejos

Um dos tipos de trabalho que constituem a liturgia do Santo Daime. Neles ocorre o bailado, ao som de maracás e outros instrumentos.

Na imagem acima, reproduzida de reportagem da revista Galileu, vê-se a disposição dos fardados e fardadas dentro da igreja durante o bailado, à maneira como é realizada nas igrejas do Cefluris ou alinhadas ao trabalho dessa instituição.

Algumas datas “festejadas” pelo Santo Daime são:

• Dia de São José;
• Dia de São João;
• Dia de Todos os Santos;
• Dia dos Pais;
• Dia das Mães;
• Dia de Nossa Senhora da Conceição;
• Natal;
• Dia de Reis;
• Aniversário do Mestre Irineu;
• Aniversário do Sr. Leôncio Gomes da Silva, entre outras.
Feitio

O feitio é cerimônia ritual em que se produz a bebida enteógena utilizada no culto do Santo Daime. As duas plantas com que é preparado o santo daime são:

• O banisteriopsis caapi, conhecido popularmente como jagube, mariri, entre outras denominações, e

• A psicotria viridis, popularmente rainha ou chacrona.
O jagube é batido com marrretas de madeira, e depois de as folhas do arbusto rainha haverem sido limpas, os dois são cozidos em água.Esse primeiro cozimento é retirado e colocado em outra panela com uma nova quantidade de jagube e rainha. Após esse segundo cozimento está pronto o daime.

Feitio: No feitio os homens batem o jagube, e cuidam de seu cozimento; as mulheres, cuidam das folhas. Foto do feitio realizado no I Encontro das Igrejas Daimistras Latino-Americanas + África do Sul, realizado em Florianópolis, em janeiro de 2007, no Céu do Patriarca. Extraídas de http://www.lepomar.blogspot.com/

Hinários

Doutrina cantada, o Santo Daime conta hoje com mais de 80 hinários, segundo a “hinarioteca” daimista. Os principais são “O Cruzeiro”, do Mestre fundador da doutrina, e outros quatro hinários, conhecidos como “os quatro falecidos”, “hinário dos finados” ou, ainda, “hinário dos mortos”:
Vós Sois Baliza, de Germano Guilherme;
Seis de Janeiro, de João Pereira;
O Amor Divino, de Antônio Gomes;
O Mensageiro, de Maria Marques “Damião”.
Cada igreja, entretanto, possui, além desses, seu(s) próprio(s) hinário(s) oficiais.

Primeiros Seguidores

Os primeiros seguidores de Mestre Irineu no início de sua caminhada no Santo Daime eram pessoas que chegavam em procura de cura para doenças – doenças físicas e espirituais. No ínicio eram bem poucos, e o próprio Mestre costumava dizer que “quanto menos somos, melhor passamos”. Dizia também que “o Daime é para todos, mas nem todos são para o Daime”, o que explica que tanta gente tenha chegado sem ter se incorporado às fileiras daimistas. Várias são as pessoas que merecem nota entre os primeiros seguidores. Por questão de justiça vale lembrar além dos nomes dos quatro irmãos que integram a base doutrinária daimista, melhor descritos abaixo, os nomes de Chico Granjeiro, Francisco Fernandes Filho (Tetéu), Leôncio Gomes, Percília Mattos da Silva, entre outros.
Germano Guilherme
Foi um dos primeiros adeptos do culto do Santo Daime. Viveu no Acre e possui um dos cinco hinários tidos, ao lado da Bíblia, como base da doutrina Daimista. Era extremamente zeloso de seus hinos, tinha verdadeiro ciúme com eles. Não permitia que as pessoas os tivessem copiados em caderno. Quem quisesse cantar seu hinário deveria sabê-lo de memória. Àqueles que o procuravam querendo aprendê-lo dizia que fossem até sua casa, onde ensinava um grupo de hinos, depois que a pessoa aprendesse aquele primeiro grupo, ensinava mais um pouco e assim sucessivamente. Antes de falecer, não incubiu a ninguém a zeladoria de seu hinário. Pediu a Mestre Irineu que cuidasse de seu hinário. Tempos depois de sua morte o senhor Luís Mendes disse ao Mestre que Germano Guilherme lhe aparecera em visão e que lhe atribuíra a zeladoria do hinário. O Mestre nada disse a respeito.
Maria “Marques” Damião
Maria Vieira Marques foi uma das primeiras seguidoras do Santo Daime. É conhecida como Maria Damião, pois assim se chamava seu esposo. Seu hinário “O Mensageiro” compõe a lista dos cinco que, ao lado da Bíblia, compõe a base doutrinária daimista.
João Pereira
Viveu no Acre e possui um dos cinco hinários tidos, ao lado da Bíblia, como base da doutrina Daimista. O hinário deixado por ele chama-se “Seis de Janeiro”. O responsável por seu hinário, encarregado por ele ainda em vida, foi o sr. Luís Mendes, que transferiu a “zeladoria do hinário” a seu filho, o sr. Saturnino Mendes.
Antônio Gomes
Também foi um dos primeiros a chegarem ao trabalho espiritual fundado por Raimundo Irineu Serra. Viveu no Acre e possui um dos cinco hinários tidos, ao lado da Bíblia, como base da doutrina Daimista. O hinário deixado por ele chama-se “O Amor Divino”.

O Cisma

Quando faleceu, em 6 de julho de 1971, a sua igreja, o CICLU – Centro de Iluminação Cristã Luz Universal, era presidida por Leôncio Gomes da Silva. O senhor Leôncio adoeceu e transferiu a presidência a seu assessor Francisco Fernandes Filho, conhecido como Tetéu. Com o falecimento de seu Leôncio, conseqüente de sua doença, houve um cisma no CICLU, que ficou sob o comando da viúva de Mestre Irineu, Dona Pirigrina Gomes Serra. Outras igrejas foram fundadas no bairro do Alto Santo, onde está localizado o CICLU, pelos que se opunham à legitimidade de sucessão de Dona Pirigrina.
Hoje ali há cerca de 5 igrejas, a grande maioria oriunda daquela cisão. Fruto também desse Cisma, numa colônia nos arredores de Rio Branco, a Colônia 5000, Sebastião Mota de Mello, conhecido no meio daimista por Padrinho Sebastião, fundou o CEFLURIS – Centro Eclético da Fluente Luz Universal “Raimundo Irineu Serra”.

As Igrejas

Atualmente são inúmeras as igrejas de Santo Daime no Brasil e no mundo. Em quase todos os estados da federação brasileira encontra-se igrejas, centros e “pontos”, pequenos grupos que comum desinstitucionalizadamente da bebida sagrada. O Santo Daime, ao contrário de outras igrejas, não possui uma autoridade central. Cada igreja possui seu responsável e, caso a igreja possua filiais, o responsável pela matriz passa a ser a autoridade central daquele núcleo e suas células. A liturgia daimista originalmente concebida por Mestre Irineu passou por algumas transformações em algumas igrejas, o que hoje permite reuni-las (não separá-las) em dois grupos:
Centros de Iluminação Cristã
Igrejas alinhadas ao programa litúrgico original de Mestre Irineu, conhecidas no meio daimista como “Alto Santo”, menção ao bairro riobranquense onde está o CICLU, igreja que foi presidida pelo Mestre-fundador, que testemunhou seu legado litúrgico quando de seu falecimento. Em tais igrejas, a liturgia original deixada por Mestre Irineu e a comunhão soberana do Santo Daime (ayahuasca) como sacramento se dá sob princípios exclusivamente cristãos.

Capelinha
: A igreja provisória do Centro da Rainha da Floresta em Araçoiaba da Serra. Hoje a igreja está instalada definitivamente no munícipio de Piedade, também no estado de São Paulo.

Centros Ecléticos
Igrejas alinhadas ao programa litúrgico concebido pelo Padrinho Sebastião Mota de Melo e conduzido por seu filho e sucessor, o Padrinho Alfredo Gregório de Mello, no qual a comunhão do Santo Daime como sacramento soberano se dá sob princípios cristãos, de religiões orientais e abarca elementos da Umbanda em alguns trabalhos.

Ceu de Macunaíma: Igreja daimista localizada em Boa Vista, Roraima.

Legalidade do Santo Daime

A partir da década de 80, devido a movimento expansivo do Santo Daime ocorrido na década de 70, várias foram as iniciativas governamentais no sentido de dar a conhecer a legitimidade e a legalidade do uso religioso da ayahuasca/santo daime:
• 1982 – Nos momentos finais da ditadura no Brasil, uma Comissão formada por médicos, antropólogos, psicólogos, representantes do Ministério da Justiça, Polícia Federal e Exército, visitaram comunidades daimistas na Amazônia.
• 1984 – O CONFEN – Conselho Federal de Entorpecentes, órgão do Ministério da Justiça, cria uma Comissão de Trabalho para estudar o uso ritual do ayahuasca.
• 1985 e 1986 – Visitias da Comissão de Trabalho do CONFEN a comunidades usuárias. Confirmação de pareceres positivos de outras Comissões.
• 1987 – Conclusão da Comissão de Trabalho sobre o uso ritual da ayahuasca/Santo Daime que verificou que “os rituais religiosos realizados com a bebida sacramental Santo Daime/Ahyauasca não traziam prejuízos à vida social e sim, contribuiam para a sua maior integração, sendo notório os benefícios testemunhados pelos membros dos grupos religiosos usuários”
• —- – Divulgação de resultado de pesquisas farmacológicas e psico-sociais que comprovaram a inexistências de riscos de adição e dependência no uso da ayahuasca em contexto ritual.
• 1991/1992 – Implantação de nova Comissão que realiza novos estudos e visitas às principais entidades ayahuasqueiras e daimistas. O CONFEN posiciona-se pelo acompanhamento do uso ritual da bebida, sem nenhuma orientação proibicionista.
• 2004 – O CONAD – Comissão Nacional Anti-Drogas, atual órgão do Ministério da Justiça brasileiro, após dezoito anos de espera da comunidade daimista, reconhece a legitimidade do uso religioso da ayahuasca e a legalidade de sua prática.

O que é Santo Daime?

Os Fundadores de Religiões e Seitas


 
BUDISMO – Sidarta Gautama
     O Príncipe Gautama, também conhecido como BUDA, fundou o “Budismo”por volta do séc. V a.C. Diz a tradição que seu nascimento ocorreu por volta de 560 a.C. e o mesmo foi concebido com 40 dentes dizendo “Sou Senhor do Mundo”; e que seu pai, o Rei Suddhodana da Índia, queria evitar que o filho tivesse contato com o sofrimento do Mundo, o isolando no Castelo, até que ele saiu.

CONFUCIONISMO – K’Ong Fu-Tse (Confúcio)
     Nasceu em Lu, na China, por volta do séc. V a.C. Disse ter obtido a Graça Celeste pois sua mãe quando gestante peregrinou à montanha Ni-Kieou, onde a vegetação se abriu e ela encontrou os 05 elementos, a saber: madeira, fogo, terra, metal, água; considerados popularmente como os responsáveis pela vida terrena; e encontrou também um unicórnio. Confúcio tentou anos chegar ao poder. Era sempre ouvido mas nunca conseguia.
TAOÍSMO – Lao-Tse
     Nasceu na China, na província de Honan; segundo a tradição chinesa, veio com o nome de Li Erh (Lao-Tse significa “velho filósofo”) por volta de 604 a.C.; “Tao” significa “caminho”. Consta a História que ele encontrou seu contemporâneo Confúcio e o repreendeu por sua vaidade e ambição. Lao-Tse criou o Tao Teh-King, que é a “Bíblia”dos taoístas.
ISLAMISMO – Abulgasin Mohammad (Maomé)
     Fundado por Maomé na antiga Arábia Saudita, um órfão que nasceu por volta de 570 d.C.; se casou com uma viúva rica de mais ou menos 20 anos mais velha. Inspirou o Corão (ou Alcorão), considerado a “Bíblia” dos maometanos. Este por sua vez, preserva boa parte do Livro de Gênesis da Bíblia Cristã, e, na verdade, é uma mescla de zoroastrismo, judaísmo, budismo, confucionismo e até porções do Novo Testamento. Os maometanos são descendentes de Ismael, filho de Abraão com a criada Agar.
ROSACRUCIONISMO – Desconhecido
     Um desconhecido que percorreu a Europa em 1597 d.C. com o intuito de criar uma sociedade às pesquisas de Alquimia, Pouco se sabe sobre ele, mas lhe atribuem o livro “A REFORMA GERAL DO MUNDO” publicado em 1614 d.C. que tem como personagem principal Christian Resenkreutz. O livro conta que ele foi enviado a um mosteiro. Um monge o leva à Terra Santa onde morreu na ilha de Chipre. Christan foi para Arábia e Egito e após para Europa. Com os conhecimentos das peregrinações, reuniu a ordem e morreu aos 150, porque quis!…
MAÇONARIA – Mescla de ritos populares e de denominações distintas iniciado na Inglaterra por volta de 1717 d.C.; Seus contribuintes foram anglicanos, huguenotes, pedreiros livres e pessoas insatisfeitas. O mistério é a base da crença, que mantém um sistema de auto-ajuda aos afiliados em troca de “outras” coisas.
HINDUÍSMO – Mescla de Ritos Populares iniciados no Japão, século VI a.C.
XINTOÍSMO – Mescla de Ritos Populares iniciados na Índia entre 2000 e 1500 a.C.
ESPIRITISMO – Hipolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec)
    Foi em 1848 [ano], em Hydevislle, EUA, que as irmãs Margaret e Kate Fox afirmaram ver as mesas girando, e ouvir pancadas na casa em que moravam… Faziam perguntas e estas eram respondidas mediante estalidos de dedos. O Sr. Rivail, médico e professor francês, nascido em 1804 lançou a “Bíblia” dos espíritas “O Livro dos Espíritos” em 1857; tornou-se médium. Organizou em Paris a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Adotou o nome de Allan Kardec, alegando ser este o seu nome na outra encarnação. Morreu em 1869 arrependendo-se publicamente por ter escrito tal livro. No Brasil, eis alguns de seus seguidores desfarçados: Legião da Boa Vontade, Ordem Rosacruz, Racionalismo Cristão, Cultura Racional, Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, etc.
VODU – Mescla de ritos africanos focado nas Antilhas que em 1803 d.C. foram levados em massa aos EUA onde teve uma certa Organização. Muito semelhante a Macumba e em certas seções há o assassinato de um indivíduo . Diz a crença que Vodu (ou Zumbi) era um deus que dominava à noite e protegia seus adeptos.
BAHAÍSMO – Mirzá Husayn Alí Nuri
     Também conhecido como Baha Allah (Glória de DEUS), tal religião foi instituída pelo seu filho Sir Abdul-Bahá em 1894 d.C.; Na verdade, foi uma invenção islâmica de us dissidentes que queriam modificar pontos no Corão. Tais dissidentes eram liderados por Ali Muhammad que se denominava “A Porta” e muitos seguidores desta seita o consideravam uma espécie de “João Batista” para Baha Allah.
MORMONISMO – Joseph Smith Jr.
     Nasceu em 1805 d.C. em Vermont/EUA. Influenciado por um livro fictício do Pastor Presbiteriano aposentado Salomão Spaulding que dizia que CRISTO após crucificação foi pregar onde é hoje os EUA e após afirmar que DEUS e CRISTO apareceram a ele dizendo para não ir a denominação nenhuma pois estavam todas corrompidas, publicou “O Livro dos Mórmons” ( a “Bíblia” deles) em 1830 d.C. que junto a “Um Livro de Mandamentos”, forma a base da doutrina mórmom, também conhecida como Igreja de Jesus Cristo aos Santos dos Últimos Dias. Mudou-se para o Estado de Illinois onde adotou a poligamia, causando um cisma na seita (Smith teve 24 esposas e 44 filhos) e depois de vários problemas com a polícia, ele e o irmão Hiram Smith foram mortos a tiros por uma multidão enfurecida em 1844.
ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA – Guilherme Miller
     Nos EUA, um fazendeiro, Batista, arrumou licença para pregar, embora tenha muita vontade, era ignorante e pouco instruído. Miller tomou Daniel 08:13-14 e ensinou daí que as 2300 tardes e 2300 noites são 2300 anos. Somou com o ano 457 a.C., data que Esdras chegou a Jerusalém e encontrou o ano 1843 d.C., o ano que segundo ele, CRISTO voltaria. Daí o título “Adventista”, pelo grande ADVENTO. Passou o ano e nada aconteceu; Miller alegou erro ao usar o calendário hebraico em vez do romano. Remarcou para 22 de outubro de 1844. Nova decepção! Teve de fugir para sua fezenda, abandonou a “nova religião” e até pediu reconciliação aos Batistas.
Apesar de tudo, seus seguidores continuaram, e a Sr. Hellen G White, que se tornou a nova profetiza dos sabatistas, disse ter uma visão onde contemplava a Arca no Céu na qual ela viu as Tábuas dos Dez Mandamentos, sendo que na visão, o 4º Mandamento destacava-se dos demais; daí o “Sétimo Dia”, formando Adventista do Sétimo Dia.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ – Charles Taze Russel
     Nascido em 1853 nos EUA, foi criado na Igreja Presbiteriana, passou para Congregacional e depois ingressou na Adventista, saindo logo depois. Em 1872, Russel conseguiu reunir um grupo de discípulos sem qualquer título e se auto-denominou Pastor. Usam a Bíblia para atrair leigos mas possuem a sua própria “Bíblia”, adulterada. Afirmam ser a única Igreja certa e que CRISTO é apenas um dos Deuses!? Por isso, até Hitler os perseguiu na 2ª Guerra pela Europa.
CIÊNCIA CRISTÃ – Mary Baker Eddy
     Nascida em 1821 nos EUA, quando jovem pertencia a Igreja Congregacional. Fundou a Igreja de Cristo Cientista (Eddyismo) que de ciência e de CRISTO não tem nada. Foi esta mulher influenciada por um relojoeiro que se dizia doutor, de nome Quimby, que era dado as práticas de ocultismo, psiquismo, espiritualismo.
TEOSOFIA – Helena Blavatsky
     Mescla de religiões pagãs do Oriente, a Sra. Helena, de origem russa e descendente alemã, nasceu em 1831 e aos 17 anos casou-se com o General Czarista Blavatsky. Abandonando-o 03 meses após, era uma mulher explosiva. Tornou-se médium espírita e em suas andanças pelo mundo, teve contato com diversas religiões místicas. Subdividem a humanidade em 03 raças e 05 sub-raças e dizem que CRISTO está na 5º sub-raça.
PERFECT LIBERT (PL) – Tokoharu Miki
     Uma imitação do Budismo. O Sr. Miki desde os 08 anos estava num monastério de Budismo no Japão. Aos 41 anos. Depois de diversas vezes tentando fundar a seita, conheceu mestre Kanada, que detinha 18 preceitos, somando a 03 de Miki formaram a base da religião, que se desfez em 1936 por desentendimentos internos. 02 anos após, Miki morre. Toruchira Miki, filho de Tokoharu, em 1946, pegando os 21 preceitos, resolveu ressucitar a seita.
IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL – Mokiti Okada
     Okada nasceu no Japão e hoje é chamado de Meishu-Sama (Senhor da Luz). Embora os messiânicos existirem a mais tempo, somente em 1947a IMM foi reconhecida e oficializada pelo governo japonês. De Messias tal seita não tem nada! Não há qualquer referência do Senhor Jesus Cristo, nem do Espírito Santo, nem de nada vezes nada. Quando falam de DEUS, se referem a Meishu-Sama.
SEICHO-NO-IE – Masaharu Tanigushi
     Após ter escrito o livro “Crítica a DEUS”, onde Judas é o herói, Tanigushi, que nasceu em Kobe, no Japão, escreveu Seicho-No-Ie (Lar do Progredir Infinito), que com seu 1º número publicado em 1930, deu início a seita, afirmando ser Movimento de Iluminação da Humanidade. Afirmam que os ensinamentos de CRISTO na Judéia, Buda na Índia e o xintoísmo no Japão são manifestações do deus absoluto Amenominakanushi.
HARE KRISHNA – Krishna
     Ramo do hinduísmo. No século I d.C., na Índia, o jovem Krishna, um condutor de carroças, declara-se encarnação do deus Brahma, até então um deus impessoal. Daí por diante, vários gurus dizem ser reencarnações de Krishna. Afirmam ser Krishna a “Suprema Personalidade de DEUS”. Atuam pelo mundo, principalmente junto aos jovens, induzindo-os a largar a família e a sociedade, ter seus nomes trocados por termos hindus e passar a morar em galpões junto a outros adeptos.
MENINOS DE DEUS – David Brandt Berg
     Fundada em 1970 por Berg, um evangelista da Aliança Cristã e Missionária nos EUA. Ele se dizia ter recebido de DEUS uma missão diferente e em 1968 iniciou entre hippies e viciados o seu trabalho. Sexo livre, ignorância bíblica, uma religião que “vale tudo”. Seu slogan é “Todas as coisas são puras para os puros”.
MOON – IGREJA DA UNIFICAÇÃO – Sun Myung Moon
     Fundada na Coréia em 1954 por Moon, um milionário que nasceu na Coréia do Norte em 1920, de pais Presbiterianos. Tem a família como argumento e explicam: Adão e Eva falharam por causa do pecado; CRISTO e Maria Madalena por causa da morte de CRISTO antes do casar; agora está sendo levantada por Moon e sua esposa. Com isso, passam “por cima” de CRISTO e todos os ensinamentos da Bíblia.
%d blogueiros gostam disto: