Qual a diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Evangélica?



Bíblia Católica x Bíblia Evangélica

Qual a diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Evangélica?

Por diversas vezes me perguntaram qual a diferença entre a Bíblia católica e a Biblia evangelica. A Bíblia Católica tem alguns livros a mais do que a Bíblia Evangélica. Por quê? Parece que os católicos desconfiam das Bíblias protestantes e os crentes desconfiam das Bíblias católicas. Este texto tenta aqui esclarecer um pouco esse assunto.

Índice

Antigo Testamento

Inicialmente é preciso observar que o Novo Testamento tanto das Bíblias católicas quanto das evangélicas são rigorosamente iguais. Ou seja, as diferenças estão no Antigo Testamento.

O Antigo Testamento nada mais é do que a Bíblia Hebraica, o livro sagrado dos judeus. Ninguém sabe exatamente como ou quando os livros do Antigo Testamento foram selecionados. Há, entretanto, alguns indícios apontados por estudiosos.

Foi provavelmente durante o exílio na Babilônia que o povo judeu começou a copiar e editar boa parte das histórias e ensinamentos que iriam compor o Antigo Testamento. Vários livros foram preparados nessa época como os livros dos profetas mais antigos. Livros da história de Israel, de Josué a 2 Reis. Os livros de Moisés, de Gênesis ao Deuteronômio. Salmos e Lamentações também foram compilados nessa época. Muito outros livros integram essa lista, muitos inclusive foram perdidos (a Bíblia cita 23 livros que nunca foram encontrados).

Septuaginta

A mando de Ptolomeu II, no século 3 a.C., foi iniciada uma tradução para o grego dos primeiros 5 livros da Bíblia (o Pentateuco). Uma lenda diz que 70 homens participaram do trabalho de tradução. Daí esta primeira Bíblia ser conhecida como Septuaginta. Nos 200 anos seguintes foi traduzido o restante dos livros. Durante algum tempo a Septuaginta foi considerada o próprio livro sagrado dos judeus.

Algum tempo depois da conclusão da Septuaginta o povo judeu iniciou o processo de canonização dos livros (método que estabelece quais livros são realmente inspirados). Nesse processo – que durou séculos, de 600 a.C. até o primeiro século d.C. – alguns livros não foram incluídos na Bíblia Hebraica. Como resultado, há diferenças entre a Septuaginta e a Bíblia Hebraica. Antes de tudo, a Septuaginta contém livros que não são encontrados na Bíblia Hebraica padrão (que permaneceu a mesma desde o segundo século d.C.).

Vulgata

No século IV Jerônimo traduziu completamente, para o latim, o Antigo Testamento baseado na Septuaginta. Esta excelente Bíblia foi chamada de Vulgata, por estar na língua vulgar (comum) do povo. Mais de mil anos depois, no século XVI, o Concílio de Trento declarou a Vulgata como o texto bíblico de autoridade. Porque havia sido “preservada pela Igreja por tantos séculos”, era para ser usada “em todas as leituras em público, em discussões, sermões e exposições”.

Apócrifos

Foi o próprio Jerônimo que chamou de apócrifos os livros presentes na Septuaginta e não presentes na Bíblia Hebraica. Essa foi uma atitude ousada pois muitos cristãos já haviam se habituados com esses textos. Na época da Reforma houve alguma hesitação sobre aceitar ou não os Apócrifos como livros inspirados. Na sua brilhante tradução para o alemão, Martinho Lutero agrupou os Apócrifos e os posicionou entre o Antigo e o Novo Testamento, dando indicações de que estavam separados e eram distintos das Escrituras. Na Biblia de Genebra de 1560 os Apócrifos receberam cabeçalhos especiais. A partir de 1825 a Sociedade Bíblica Britânica passou a não publicar mais os textos Apócrifos nas Bíblias protestantes. Recentemente temos visto algumas novas Bíblias evangélicas com os textos Apócrifos publicados separadamente em algumas edições.

Conclusão:

  1. Há uma grande lista de livros escritos em hebraico ligados a tradições do povo judeu que serviu de fonte para a Bíblia Hebraica.
  2. No século III a.C. foi criada a Septuaginta, tradução para o grego de vários desses livros.
  3. Séculos depois da conclusão da Septuaginta é estabelecido o cânon judeu – a Bíblia Hebraica – deixando de fora vários livros da Septuaginta.
  4. No século IV d.C. Jerônimo publica a Vulgata, tradução da Septuaginta para o latim. Os livros presentes na Septuaginta que não foram canonizados pelo povo judeu são chamados, pelo próprio Jerônimo, de Apócrifos.
  5. No século XVI a Igreja Católica assume a Vulgata (com todos seus Apócrifos) como texto bíblico de autoridade.
  6. O Movimento Reformador rejeita os textos Apócrifos – alinhando-se assim com a orientação do povo judeu de que estes textos não são inspirados – e passa a publicar suas Bíblias sem esses textos ou publicando-os em anexos.

Comparando os livros sagrados

O Antigo Testamento protestante é idêntico à Biblia Hebraica, embora os livros sejam organizados de forma diferente. Na Igreja Católica Romana o Antigo Testamento inclui vários outros livros antigos de autoria judaica. Esses livros adicionais, conhecidos como Apócrifos, foram incluídos na Septuaginta mas os judeus decidiram não mantê-los em sua Bíblia. Os protestantes, mais tarde, seguiram a mesma decisão e os mantiveram fora da sua Bíblia.

As escrituras hebraicas (24 livros, alguns são coleções, ou seja, contem vários livros)

Antigo Testamento Protestante (39 livros)

Antigo Testamento Católico (46 livros) em vermelho os 7 Apócrifos

Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
Josué
Juízes
Samuel
Reis
Isaías
Jeremias
Ezequiel
Os Doze (coleção que inclui Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Sacarias e Malaquias)
Salmos

Provérbios
Rute
Cântigo Dos Cântigos
Eclesiaste
Lamentações
Ester
Daniel
Esdras-Neemias
Crônicas

Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
Josué
Juízes
Rute
1,2 Samuel
1,2 Reis
1,2 Crônicas
Esdras
Neemias
Ester

Salmos
Provérbios
Eclesiastes
Cântico dos Cânticos
Isaías
Jeremias
Lamentações
Ezequiel
Daniel
Oséias
Joel
Amós
Obadias
Jonas
Miquéias
Naum
Habacuque
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias

Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
Josué
Juízes
Rute
1,2 Samuel
1,2 Reis
1,2 Crônicas
Esdras
Neemias
Tobias
Judite
Ester
1,2 Macabeus

Salmos
Provérbios
Eclesiastes
Cântico dos Cânticos
Sabedoria
Eclesiástico
Isaías
Jeremias
Lamentações
Baruc
Ezequiel
Daniel
Oseias
Joel
Amós
Obadias
Jonas
Miqueias
Naum
Habacuque
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias

Respostas rápidas

Pergunta: Quantos livros tem o Antigo Testamento?

Resposta: o Antigo Testamento na Bíblia católica tem 46 livros, 7 a mais que o Antigo Testamento evangélico (que tem apenas 39 livros).

Pergunta: Quantos livros tem o Novo Testamento?

Resposta: o Novo Testamento é rigorosamente igual tanto na Bíblia católica quanto na evangélica, ambas tem 27 livros.

Pergunta: Quais são os 7 livros da Bíblia católica que não estão na Bíblia evangélica?

Resposta: Os livros são: Tobias, Judite, 1,2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc. Estes livros são também conhecidos como livros apócrifos.


Referências:

Postado por Ernesto Penalva às sexta-feira, fevereiro 25, 2011

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