Sementes de Vitória


 

Vivendo por fé: A Reforma, 493 anos


“Mas o justo viverá pela fé”….(Habacuque 2:4b)

Um frade agostiniano relativamente jovem atravessou a passos largos a praça de Wittenberg em uma manhã outonal de 1517. A cadência firme dos seus passos não deixou de chamar a atenção dos que transitavam, uns a passeio, outros a trabalho como o vendedor de frutas e o artesão que trabalhava ao ar livre. O frade cruza a praça com firmeza em direção à Catedral, em cuja porta de mogno fixa um cartaz contendo uma Convocação para um Debate. O documento chama-se Disputatio pro delaratione virtutis indulgentiarum, e expõe, em 95 teses, uma firme contestação ao abuso clerical na venda de indulgências. Com este simples gesto, naquele longínquo 31 de outubro, o monge alemão Martinho Lutero iniciou uma revolução que sacudiu a Europa e lançou os alicerces da Reforma Protestante, o movimento que, no dizer do cientista político Robert Dahl, “inaugurou o pluralismo na cultura ocidental”. Mas a verdadeira revolução havia acontecido anos antes, nos primeiros anos da sua formação sacerdotal, quando ganha uma Bíblia de presente do seu mentor espiritual, João Staupitz, vigário-geral dos agostinianos, onde leu o trecho de Romanos 1:17, que mudou para sempre sua maneira de compreender a fé cristã: “O justo viverá pela fé”.

Esta expressão, que foi central na pregação de Lutero e do apóstolo Paulo de Tarso, merece ser revisitada hoje, quando a Reforma Protestante completa 493 anos. E nos remete ao tempo em que foi ouvida pela primeira vez, por volta do ano 600 a.C, em resposta a uma oração do profeta Habacuque, testemunha de um dos períodos mais críticos da história de Judá. Com o sistema legal arruinado, a injustiça social e a iminência de uma invasão da Assíria, levaram o profeta a proclamar: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: violência! E não salvarás?”. (Hc 1:2)

O desabafo de Habacuque ecoou no coração de Lutero quando via o deprimente espetáculo da venda de indulgências pelo frei João Tetzel na Alemanha. E hoje, quase meio milênio depois, quando muitos pregadores ‘evangélicos’ negociam as bênçãos e os favores de Deus conforme o vulto da oferta financeira dos fiéis, muitos cristãos, anelando pelo Cristianismo bíblico e verdadeiro, se questionam: “Até quando?”. Muitos já nem esperam mais pela resposta de Deus a esta pergunta, e há muito deixaram de acreditar na igreja como instituição. São pessoas que amam a Jesus, mas não querem mais nada com a Igreja.

Após pronunciar sua oração, Habacuque foi para a torre de vigia, esperar a resposta de Deus. Não tomou nenhuma atitude insensata, não agiu por impulso. E a resposta de Deus ao profeta, dizendo que “o justo viverá pela fé”, ecoa ainda pelos séculos, ressoada pela pregação do apóstolo Paulo aos gentios e pela coragem de Lutero na Alemanha. As dificuldades não poderiam mais ter poder para desanimar o profeta.

O livro de Habacuque termina com uma linda canção de louvor: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento, todavia eu me alegro no Senhor e exulto no Deus da minha salvação” (Hc 3:17-18). Ao redor, a situação continuava praticamente a mesma, mas a maior mudança havia acontecido no coração do profeta, que não mais permitiu que as circunstâncias destruíssem sua confiança em Deus. Ao encontrar a fé, Habacuque recuperou a narrativa sobre si mesmo.

Esta é minha oração sobre a igreja contemporânea. Muitos são os desafios, mas se continuarmos crendo que “o justo viverá pela fé”, como Habacuque, Paulo e Lutero, teremos o poder de Cristo Jesus para transformar as circunstâncias.
Que o Senhor Jesus te abençoe abundamentente.

por Pr. Cláudio Moreira

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