A missão da igreja na confrontação com a opressão espiritual – Parte 1


Pr. Fernando Fernandes


Introdução
A Palavra de Deus nos informa, de modo claro, sobre a existência de seres espirituais classificados em ambos os Testamentos como demônios, espíritos maus, espíritos familiares e espíritos imundos, atestando não apenas a existência como também a atuação devastadora destes em relação a criação, sempre em contrariedade a santidade de Deus.

O próprio Senhor Jesus ensinou sobre os demônios e dedicou grande parte do seu ministério para libertar os possessos, os perturbados de espírito e os lunáticos. Os evangelhos estão repletos de narrativas sobre o confronto direto de Jesus com estes seres espirituais.

Vivemos em um país assolado pela atuação satânica e pela fomentação da feitiçaria, da magia e da idolatria, que é uma maneira sutil de se cultuar a satanás. Tais práticas estão arraigadas em nosso imaginário devido ao fato de que os índios que aqui viviam eram animistas (cultuavam a natureza) e a introdução da idolatria por parte dos colonizadores, o que gerou em nós um sincretismo favorável à disseminação do ocultismo, da feitiçaria, do espiritismo, do espiritualismo e de tantas outras armadilhas diabólicas introduzidas pelos cultos afros aqui aportados com os escravos e que hoje constituem a essência do sentimento religioso brasileiro.

Faz-se necessário e relevante um estudo desta natureza justamente pelo fato de que não podemos estar desinformados e despreparados para as confrontações espirituais que nos sobrevêm. Os demônios nos atacam e em particular, atacam com maior opressão aqueles cristãos que buscam crescimento espiritual e que se dedicam à oração.

Nossa cidade vive sob o estigma da idolatria católica, do espiritismo kardecista (mesa branca) e da Maçonaria, que arregimentam considerável parcela da população, sofrendo ainda, em menor escala, a opressão decorrente do baixo espiritismo (Candomblé, Umbanda, e Quimbanda) e da Cartomancia, da Quiromancia, da Astrologia e do esoterismo difundido pelas Seitas Orientais e pela Nova Era. Vivemos em campo minado.

Nossa cidade é oprimida e subjugada por principados e potestades e, por isso, devemos estar devida e biblicamente preparados para a batalha espiritual que devemos travar contra o reino das trevas, a fim de libertarmos a nossa gente das garras do diabo.

Esta é a razão pela qual estudaremos, durante este mês, sobre a Missão da igreja e a confrontação com a opressão espiritual.

Não pretendemos esgotar o assunto, mas temos como objetivo de auxiliar os oprimidos com a libertação, incentivar os medrosos a criarem resistência espiritual para a vitória e confrontar os incrédulos em relação ao tema para que creiam na Palavra de Deus, não apenas nos demônios.

I – O diabo existe:

A existência de Satanás é ensinada em sete livros do Antigo testamento – Gênesis, 1 Crônicas, Jó, Salmos, Isaías, Ezequiel e Zacarias, bem como por todos os autores do Novo Testamento e, principalmente, por Jesus. Das vinte e nove passagens sobre o diabo nos Evangelhos, vinte e cinco são citações do próprio Senhor Jesus.

A partir de relato bíblico sabemos que Satanás tem características de uma personalidade, podendo falar e planejar, sendo tratado sempre com pronomes pessoas e sendo apresentado como um ser moralmente responsável, Jó 1.6-12; Mateus 4.1-12 e Apocalipse 20.10.

A Bíblia registra a atuação do inimigo na realidade experiencial da humanidade desde os primórdios da humanidade, Gênesis 3.1; 4 e 13. É bem verdade que o nome diabo não aparece no texto. No original a palavra é "serpente", que é traduzida em outras passagens como "o acusador". Sabemos que o ocorrido em Gênesis 3 foi atuação do diabo quando comparamos a narrativa com a sua atuação na tentação de Jesus, registrada em Mateus 4.1-11, pois a estratégia foi a mesma; concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida.

Na verdade, a Bíblia se refere a Satanás como um ser espiritual criado por Deus. Até Gênesis 3, o Texto Sagrado assevera que toda a criação era muito boa, Gênesis 1.31, o que inclui os anjos maus que um dia foram como os bons, mas pecaram e perderam o privilégio de servir a Deus. Isto significa dizer que mesmo no mundo espiritual criado por Deus não existiam os demônios, que são anjos que pecaram e que se tornaram maus e que hoje continuamente praticam o mal no mundo.

Satanás é descrito no Texto Sagrado como o ser angelical que, movido por soberba e desejo de usurpação, se rebelou contra Deus, mas que antes do pecado esteve presente no Éden, o Jardim de Deus, sendo considerado como o "selo da perfeição" e "perfeito em formosura", que "vivia no monte de Deus" e que era "querubim da guarda ungido" pelo próprio Deus.

A despeito de todas estas qualidades, achou-se iniqüidade em seu coração e o seu interior se encheu de violência e de pecado, o que o levou a ser expulso da presença de Deus e lançado sobre a Terra e tornado em cinza diante dos olhos dos que o contemplavam, como lemos em Ezequiel 28.1-3 e 11-20, que por inferência hermenêutica e consenso teológico é admitida como sendo a mais objetiva narrativa sobre a criação e destituição do diabo. O texto na realidade fala de Itabol II, rei de Tiro, mas apresenta as mais precisas informações sobre Satanás.

Outros textos ricos em informações sobre o diabo e sua queda são Isaías 14.3-23, em uma profecia contra a Babilônia, mas que é, na verdade, uma alusão clara a Satanás, e 2 Pedro 2.4, juntamente com Judas verso 6 e Apocalipse 12.7-11, que confirmam a queda e o abismo espiritual dos demônios, Mateus 25.41.

Depois da queda Satanás constituiu-se em inimigo de Deus e tornou-se um mentiroso, o pai da mentira conforme Jesus, procurando sempre matar, roubar e destruir as obras e as criaturas de Deus, João 8.44 e 10.10.

Satanás, que significa adversário, é o nome mais usado para se referir ao diabo na Bíblia, aparecendo 52 vezes. Depois vem o termo diabo, derivado do Diábolos, que significa acusador ou caluniador, que é usado 35 vezes. Também vemos aparecer nomes como maligno, inimigo, grande dragão, Belzebu, serpente, Belial, homicida, pecador e tentador, ou expressões como "o príncipe dos demônios", "aquele que está no mundo", "o deus deste século", "o enganador de todo o mundo", "o príncipe das potestades do ar", "o poder das trevas" e "o espírito que opera nos filhos da desobediência", Mateus 4.3, 12.24 e 27, 13.19 e 38-39; Marcos 3.22; Lucas 11.15 e 19; João 8.44; 2 Coríntios 6.15; 1 Tessalonicenses 3.5; 1 João 2.13, 3.8 e 12 e 5.18; 1 Pedro 5.8 e Apocalipse 12.3 e 9.

Todos estes nomes indicam um pouco do caráter e da atividade do diabo que, como indica os seus nomes, está empenhado na oposição a Deus e à obra de Cristo, juntamente com os demônios que realizam seu trabalho no mundo e infligindo tentação, engano e as mais diversas doenças a fim de impedir o progresso espiritual do povo de Deus.

EmEfésios 6.10-20, o Texto Sagrado assevera sobre a confrontação com os principados e potestades, ou seja, com os demônios, quando o apóstolo Paulo alerta a igreja sobre a necessidade do revestimento da armadura de Deus para o combate. O texto fala das "ciladas do diabo", vs. 11,onde ciladas, methodeías no original, pode significar a astúcia, os planos, os esquemas ou os estratagemas que visam destruir a igreja.

Vemos também que há uma luta, ou seja, uma disputa que exige preparo, força e coragem. Não podemos sair de peito aberto, sem o devido preparo, para o confronto. Lutamos contra principados e potestades. Principado é uma espécie de autoridade superior sobre grandes regiões e muitíssimos seres e potestades são autoridades subordinadas que exercem funções específicas.

Lutamos contra os dominadores deste mundo, kosmkrátoras, que é a figura é de um governante mundial que se auto-arroga o deus salvador, mas que atua motivado pela malignidade de suas intenções. Também lutamos contra as hostes espirituais da iniqüidade, que são seres espirituais malignos que constituem as forças do mal, que metaforicamente retratam um exército opositor liderado pelo próprio maligno, o diabo.

Destas passagens e seus ensinamentos, concluímos que o diabo existe e que está atuante no mundo, habitando nos lugares celestiais, mas também rodeando a terra e os filhos de Deus, exercendo o controle geral sobre o sistema mundano, Zacarias 3.1 e 1 Pedro 5.8. Duvidar da sua existência é o mesmo que desacreditar da Palavra de Deus.

II – Até que ponto vai o poder de Satanás?

Há muita confusão sobre este tema devido ao ensinamento errôneo praticado nas igrejas históricas, principalmente nas tradicionalistas, que propala que Satanás é onipresente e onisciente, não sendo apenas onipotente. Isto é um absurdo e uma prova irrefutável de ignorância quanto a Palavra de Deus.

Tal ensinamento se constitui em um grave erro, um absurdo devastador, servindo como uma prova irrefutável da ignorância quanto a Palavra de Deus, bem como da negligência em relação à instrução bíblica que graça nos arraiais tradicionalistas, que muitas vezes se serve desta ignorância para o embasamento e a prevalência da relativização ética.

A história de Jó deixa claro que Satanás só podia fazer o que Deus lhe permitia, Jó 1.12 e 2.6, e em Judas 6 temos a declaração de que os demônios são mantidos em "algemas eternas", podendo os cristãos lhes resistir por intermédio da autoridade que Cristo nos outorgou em seu nome, Lucas 9.1 e Tiago 4.7.

Além disso, o poder dos demônios é limitado. Depois de se rebelarem contra Deus já não têm o mesmo poder que tinham quando eram anjos, pois o pecado é uma influência debilitante e destruidora. O poder dos demônios, embora significativo, é menor que o dos anjos, Daniel 10.

Através de toda a Bíblia o poder de Satanás é demonstrado como sujeito à vontade passiva de Deus. A limitação do poder de Satanás é indicada pela primeira vez na Bíblia no julgamento de Deus sobre ele em Gênesis 3.14-15, quando ele foi condenado a uma existência desesperada na qual falharia repetidamente em seus intentos contra os filhos de Deus. Satanás foi ferido mortalmente por Jesus na vitória obtida na cruz, 1 Coríntios 15.20. Não podemos subestimar o poder de Satanás que, embora limitado, é extremamente perigoso, mas devemos ter em mente que Satanás não é onipotente.

No campo do conhecimento, não devemos pensar que os demônios conseguem prever o futuro, ler a nossa mente ou conhecer os nossos pensamentos. Em muitas passagens do Antigo Testamento, o Senhor se distingue como o Deus verdadeiro, em oposição aos falsos deuses das nações, pelo fato de só ele conhecer e anunciar as coisas que ainda não sucederam, ou seja, o futuro, Isaías 46.9-l0. Nem mesmo os anjos não sabem o tempo da volta de Jesus, Marcos 13.32, e as Escrituras tampouco indicam que eles ou os demônios saibam qualquer coisa sobre o futuro.

Com relação aos nossos pensamentos, a Bíblia nos diz que Jesus conhecia os pensamentos das pessoas, Mateus 9.4 e 12.25; Marcos 2.8; Lucas 6.8 e 11.17, e que Deus conhece os nossos pensamentos, Gênesis 6.5; Salmo 139.2, 4 e 23; Isaías 66.18, mas não há indicação de que anjos ou os demônios possam conhecê-los.

Vale ressaltar o que disse Daniel ao rei Nabucodonozor, deixando bem claro que ninguém que falasse segundo qualquer outro poder senão o do Deus do céu, poderia interpretar com precisão o que ele havia sonhado, Daniel 2.27-28.

É possível explicar relatos de feiticeiros, médiuns, curandeiros e adivinhadores que, sob influência demoníaca, sãos capazes de dar detalhes precisos da vida de uma pessoa pela compreensão de que os demônios observam o que acontece no mundo, tirando conclusões dessas observações. Um demônio pode saber o que comi no café da manhã simplesmente porque me viu comer. Pode saber o que eu disse numa conversa telefônica particular porque ouviu a conversa.

Os cristãos não devem temer caso se deparem com membros de seitas ocultistas ou de falsas religiões, que pareçam exibir estranhos e secretos conhecimentos. Como não passam do resultado da observação, esses conhecimentos não provam que os demônios podem ler os nossos pensamentos. Nada na Bíblia nos leva a pensar que eles têm esse poder. Conclui-se então que Satanás não é onisciente.

Outra questão que muito preocupa os cristãos diz respeito a suposta onipresença de Satanás. Este é outro conceito errôneo que se perpetuou a partir da generalização que fazemos do nome diabo. Diabo ou Satanás é o nome dado pelas Escrituras para o chefe dos demônios.

Os demônios são os anjos caídos que, como súditos fiéis, realizam o trabalho maligno de Satanás no mundo. Satanás não é onipresente. Ele depende e se serve dos demônios para realizar os seus intentos destruidores. Satanás é um ser criado por Deus e comparece pessoalmente perante o Criador, Jó 1.6-7 e 2.1, depois de passear e de rodear a Terra, nunca depois de estar presente em toda parte ao mesmo tempo.

Embora não devamos subestimar o poder de Satanás, como veremos em seguida, devemos ter em mente que a verdade bíblica nos assegura que só Deus é onisciente, onipotente e onipresente.

III – Não devemos subestimar o diabo:

Mark Bubeck, em seu livro "Vencer o Adversário", afirma que "sempre que Satanás aparece nas Escrituras, há uma aura de extraordinário poder em torno dessa criatura decaída. A Bíblia parece dar a entender que Deus jamais criou outro ser tão poderoso quanto Satanás".

Por esta razão, não é biblicamente correto e nem mesmo muito racional duvidar da existência e do poder do diabo, bem como ridicularizar a sua atuação destrutiva no mundo e na igreja, 2 Coríntios 2.10-11.

Sabemos que Satanás não é invencível e que ele já está vencido, Hebreus 2.14. Mas relatos como Daniel 10 e Judas verso 9, entre outros, nos mostram que não podemos subestimar o inimigo, como fazem alguns cristãos atualmente.

A Palavra de Deus ensina que o diabo se comporta como um leão feroz que ruge em busca de alguém que possa devorar, 1 Pedro 5.8. A figura utilizada por Pedro é muito sugestiva e indica a intenção objetiva do diabo de engolir ou de devorar os servos de Deus. Os termos usados no original se referem à impossibilidade de se recuperar os que são tragados por este leão devastador.

O próprio Senhor Jesus jamais subestimou ou desdenhou o diabo. Vemos em João 12.31-32 e 14.30, que Jesus se refere ao diabo como sendo o "príncipe deste mundo", admitindo-o como o governante superior sobre o cosmos. Jesus utilizou a mesma palavra que Paulo utiliza para se referir aos principados em Efésios 6.12.

Em 2 Coríntios 4.4, Paulo intitula o diabo como sendo o "deus deste mundo". Esta designação se refere ao supremo poder do diabo em influenciar o mundo e ao corromper os sistemas sociopolíticos, bem como as instituições sociais, incitando a humanidade em oposição contra o Deus único e verdadeiro e almejando a adoração de todos os que se recusam a adorar ao Senhor da glória.

Por esta razão, a atividade e o poder de Satanás devem ser levados a sério, visto que o tormento causado pelos espíritos malignos é uma experiência extremamente dolorosa. Se o diabo conseguir obter o domínio total da mente da pessoa que o subestima, de certo a induzirá a um estado alarmante de incredulidade em relação a sua atuação no mundo, acorrentando esta pessoa na dor e no desespero de não visualizar a vitória de Cristo em sua vida. Infelizmente, ao subestimar o diabo, muitos cristãos brincam com o poder demoníaco sem saber que estão plantando sementes da desgraça.

O verdadeiro problema em se subestimar o diabo e seu poder é que nesta atitude está implícita a imaturidade espiritual do cristão. Isto é um problema sério, visto que maturidade em Cristo é elemento fundamental para a vitória na guerra espiritual.

Satanás se opõe a nossa maturidade espiritual e fará de tudo para que não reconheçamos a sua natureza, o seu caráter e o seu poder, pois enquanto ele nos mantiver nesta ignorância, também nos manterá acorrentados na incompreensão do que somos em Jesus, pelo Espírito Santo, e do poder que temos em nome de Cristo para derrota-lo. Enquanto o diabo nos mantiver confundidos e cegos na atitude de subestima-lo, não conseguiremos enxergar que as cadeias que uma vez nos prenderam foram quebradas por Cristo, 1 Coríntios 15.54-57 e 1 João 3.7 e 8.

Nossa vitória e o nosso poder contra o diabo está em Cristo, João 12.32 e Colossenses 2.15. Não são prudentes e nem sábias algumas conotações que se têm dado ao diabo em determinados cultos e cânticos evangélicos, atualmente, visto que tais afirmações e determinações denotam claramente que a "teologia" expressa subestima a Satanás. Uma atitude desta natureza, na verdade, não expressa uma Teologia consistente e coerente com a Palavra de Deus, mas sim um teologismo niilista em relação a Satanás. O teologismo é uma fonte abundante e perene de heresias que presta valiosíssimo serviço ao inferno e que faz com que as pessoas prossigam para a perdição pensando que caminham para o céu.

O cuidado que devemos tomar neste caso é por que Satanás não se importa em qual direção ele possa perverter a verdade. Seu único interesse é que os cristãos e a igreja passem a agir com base em seus enganos, e não com base na Palavra de Deus.

IV – O que é a opressão e a possessão demoníaca e suas possíveis causas:

Infelizmente, há muito desconhecimento por parte dos cristãos sobre os estágios de controle demoníaco sobre as pessoas e muitos estão confusos quanto ao modo como Satanás opera, o que torna necessário fazer a distinção entre opressão e possessão neste estudo. Vejamos.

4.1 Opressão maligna:

A opressão espiritual é caracterizada pela atuação demoníaca sobre as pessoas sem que os demônios dominem completamente suas mentes ou possuam os seus corpos.

Opressão espiritual é um avassalador assédio exercido pelo diabo contra a pessoa, induzindo-a, pela tentação ou pela indução, a posturas existenciais e a atitudes e reações emocionais malignizadas.

Pela opressão, Satanás consegue criar nas pessoas a idéia de que sofrem enfermidades graves ou incuráveis, sem causa aparente ou comprovada, podendo também levar a pessoa a apresentar distúrbios emocionais ou comportamentais identificados nas reações psicossomáticas ou pela obsessão em relação à determinada questão.

Vale ressaltar que toda a opressão inicia, subjetivamente, pela mente, pois quando a mente humana não está em harmonia com a vontade de Deus, está vulnerável às sugestões satânicas. Satanás se aproxima lenta e sorrateiramente, procurando seduzir e influenciar a mente das pessoas até ao ponto em que desobedeçam à Palavra de Deus e que tenham prazer em uma vivência mundana orientada nas sugestões existenciais, sociais ou religiosas oferecidas pelos espíritos malignos. A sugestão é o primeiro passo do estratagema diabólico na tentativa de oprimir alguém, Mateus 16.23 e Efésios 2.1-2.

Vale destacar também que qualquer pessoa, seja cristã ou incrédula, pode ser oprimida por Satanás. Ninguém e nenhum ser dotado de cérebro está imune à opressão de Satanás, Marcos 5.11-14 e 1 João 5.19, que pode ser motivada por diversas causas que servem de precedente para que o diabo seduza ou influencie a mente humana. Pessoas que persistem na prática do pecado mesmo depois da decisão por Cristo, sentindo prazer em pecar, ou que encastelam no coração mágoas, ódio, inveja e ressentimentos estão vulneráveis a sedução do diabo e, por certo, sofrerão opressão maligna, Efésios 4.17-32 e Tiago 3.14-16. Da mesma forma, aqueles que desprezam o senso religioso, desvalorizando a devocionalidade espiritual e aqueles que duvidam do poder e da vitória de Jesus no embate contra Satanás, estão passivos de opressão satânica.

A opressão maligna, conforme Caio Fábio, geralmente, se manifesta com os seguintes sintomas: a) Mania de perseguição semelhante, porém mais séria e mais psicologicamente distorcida, do que a apresentada em uma esquizofrenia. Algumas pessoas têm a sensação de estarem sendo vigiadas o tempo todo.

Algumas pessoas, em circunstâncias mais objetivas de opressão, sentem mãos apertando o peito quando se deitam para dormir e outras visualizam vultos, ouvem passos no telhado ou em cômodos vazios da casa, à noite ou durante o dia. Há pessoas, principalmente do sexo feminino, que têm a nítida sensação de estarem sendo observadas com lascívia quando entram em banheiros ou outros locais isolados.

b) Sexualidade distorcida e exacerbada. São pessoas que têm taras sexuais doentias tais como sado-masoquismo, pedofilia, zoofilia, pornografia, swing, mixoscopia e outras distorções diabólicas da sexualidade humana. Tais pessoas sempre têm seus olhares lasciva e obscenamente carregados de desejos sexuais e suas palavra sempre soam como uma apologia de Afrodite, a deusa do sexo na mitologia. Colossenses 3.5 alerta sobre a necessidade de vencermos tais desejos.

c) Fobias irracionais. O diabo oprime a pessoa com um medo doentio e irracional que paralisa e acorrenta a pessoa na indecisão, na prevenção ou na timidez, não permitindo que ela consiga superar desafios existenciais, espirituais, profissionais, relacionais e intelectuais. É medo de escuro, de altura, de ser derrotado ou de vencer. É medo de feitiçaria, de macumba e de seres espirituais. O pior de tudo é quando o diabo impõe o medo de viver, induzindo a pessoa ao suicídio.

d) Ódios, mágoas e ressentimentos não superados e encastelados no coração, que são remoídos e que vão corroendo os relacionamentos até que seja gerado o desejo de vingança. Muitos casos de possessão demoníaca iniciam na opressão ocasionada pela fomentação deste sentimento homicida.

e) Doenças infundadas e sem causas somáticas comprováveis. Dor de cabeça, dor na coluna, tonturas, tremedeiras, desmaios e outras enfermidades para as quais os médicos não vêem causas e os medicamentos não têm eficácia. São doenças espirituais e a cura para estas doenças é exclusivamente em oração, a partir da libertação.

Em casos mais sérios o diabo, pela opressão, acomete a pessoa de cegueira, de atrofias, de paralisias, de surdez, de demência, de tumores ou de outras enfermidades mais graves que até são comprovadas, mas que não respondem positivamente ao processo terapêutico. Mateus 17.14-21 e Lucas 13.10-17 mostram claramente que a epilepsia do garoto e a cifose da mulher eram manifestações demoníacas.

f) Desânimo para a vida e postura maníaco-depressiva constante. São pessoas que sofrem da "síndrome de Lippy", que durante todo o tempo murmura "ó dia, ó céus, ó vida". Nada está bom. Nada agrada ou satisfaz. São pessoas que sofrem de um mórbido desânimo em relação à existência; a vida que levam; ao trabalho que realizam; ao salário que recebem; ao casamento; aos filhos; a casa em que moram; aos bens que adquiriram; a igreja. Reclamam e murmuram de tudo.

Muitas destas pessoas são suicidas em potencial. Vemos em Números 11.1-6 e em 1 Coríntios 10.10, um alerta de Deus sobre esta maldição e no Salmo 143, vemos que, após admitir a opressão, nos versos 3 e 4, o salmista nos exorta a rejeita-la e a vencê-la pela fé e submissão a Deus, como lemos nos versos 8-12.

Outros sintomas podem ser observados, mas até mesmo os grupos neopentecostais admitem que estes aqui alistados são os mais freqüentes e mais comuns, pelo que, é crucial estudarmos e conhecermos estas diversas maneiras pelas quais os demônios oprimem e escravizam as pessoas. Por natureza e devido à corrupção do pecado somos vulneráveis aos ataques de Satanás e só conseguiremos resistir a sua sedução se tivermos consciência efetiva do que ele é capaz de fazer contra as criaturas e os filhos de Deus.

Não podemos nos esquecer que por causa da prevalência do mal moral e do mal sistêmico no mundo o diabo tem poder para promover destruição, fazendo com que as pessoas se predisponham constantemente para o pecado e para a perda do interesse efetivo pelas coisas genuinamente espirituais ensinadas na Palavra de Deus.

O grande perigo que corre a pessoa oprimida é que o diabo tentará dar o segundo passo na tentativa de concretizar a possessão sobre a sua vida e seu corpo. Devemos observar a decorrência da opressão que é um estado obsessivo compulsivo e mórbido, que varia de intensidade de pessoa para pessoa.

Muitas vezes a pessoa oprimida tem condições de optar pela libertação, mas a pessoa obcecada fica tão iludida que acredita estar fazendo as coisas da maneira correta, não desejando a libertação. A pessoa oprimida que é tomada por obsessão não percebe a necessidade de libertação e pode se tornar uma vítima voluntária de Satanás, permitindo-se à perpetuação da ilusão maligna em sua vida.

A obsessão decorrente da opressão não é um estado de possessão consolidado, mas é uma reação bem mais perigosa e arriscada do que a opressão que a desencadeia. Quando a pessoa chega ao estado de obsessão, para efeitos práticos, está mentalmente perturbada. Tal perturbação psicológica pode ser mascarada por uma neurose ou por uma paranóia acentuadas, que colocam a sanidade da pessoa sob suspeita, o que é também uma estratégia sórdida de Satanás para a manutenção do oprimido sob seu domínio.

Um caso clássico de opressão maligna que desembocou em obsessão diabólica é o de Saul, narrado em 1 Samuel capítulos 18 a 28, em que o Texto Sagrado mostra claramente que tudo começou com o ciúme, passando pelo temor, gerando a inveja que detonou a ira homicida, e terminando numa forma branda de possessão, caracterizada pela procura da feitiçaria para a prática da necromancia .

O desafio é termos sensibilidade e discernimento espiritual para identificarmos a opressão maligna, bem como a obsessão decorrente, evitando erros espirituais grotescos como a oração de libertação para enxaqueca da irmã acometida de TPM ou o encaminhamento do oprimido que busca a cura para a claustrofobia ou para a síndrome do pânico para o psicólogo.

Continua na Parte 2 …

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2 responses to this post.

  1. Certamente é um fato real dentro da igreja. Muitos dependentes de remédio controlado (como eu era), sem razão de vida, acometidos por uma tristeza e angústia sem fim, derrotados financeiramente, doentes, mas uma doença que é só para o Messias J_sus curar. Lembrando que muitos estão doentes e alguns já dormem por que tomaram a ceia indevidamente. Paulo exorta. É um assunto que me interessa… e muito. Quem desejar conversar sobre o tema. Estou aberto. Eu tomava dois remedios faixa preta toda a noite. Era acometido por uma ansiedade sem explicação. Falta de ar, não dormia. J_sus me libertou. Hoje durmo o sono do justo e ministro cura e libertação para muitos.

    Responder

  2. Posted by MARY MENEZES on junho 17, 2012 at 2:49 am

    Não conhecia este blog, mas o conheci hoje. E dou graças a Deus por isso.
    DEUS ilumine a todos.

    Responder

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