Credos e Confissões da fé Cristã 3 – Catecismo de Heidelberg


CATECISMO DE HEIDELBERG
 
Domingo 1
 
P. 1. Qual a sua única consolação, tanto na vida como na hora da morte?
R. Que de corpo e alma, tanto em vida como na hora da morte, não pertenço a mim mesmo, mas a meu fiel Salvador Jesus Cristo. Com o seu precioso sangue Ele pagou completamente por todos os meus pecados e me livrou de todo o domínio do diabo. Ele vela por mim com tal cuidado, que sem a vontade de meu Pai celeste não cairá sequer um fio de cabelo da minha cabeça, sim, que além disso todas as coisas deverão servir para a minha salvação. Por isto, Ele me certifica, através do seu Espírito Santo, da vida eterna e me torna disposto, de todo o coração, a viver para Ele de hoje em diante.
 
P. 2. O que você deve saber para viver e morrer piedosamente nesta consolação?
R. Três coisas. Primeiramente, qual o tamanho do meu pecado e da minha desgraça. Em segundo lugar, como sou salvo de todos os meus pecados e da minha desgraça. E por último, como devo agradecer a Deus por esta salvação.
PRIMEIRA PARTE
A DESGRAÇA DO HOMEM
Domingo 2
P. 3. Como você conhece a sua desgraça?
R. Pela lei de Deus.
P. 4. O que a lei de Deus exige de nós?
R. Isto Cristo nos ensina resumidamente em Mateus 22:37-40 "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas".
P. 5. Você pode cumprir tudo isto?
R. Não, pois por natureza sou inclinado a odiar a Deus e ao meu próximo.
 
Domingo 3
 
P. 6. Então Deus criou o homem mau e perverso?
R. Não, Deus criou o homem bom e conforme a sua imagem, isto é, verdadeiramente justo e santo, para que conhecesse a Deus seu Criador de forma correta, a fim de amá-lo de coração e viver com Ele em eterna bem-aventurança para louvá-lo e glorificá-lo.
 
P. 7. De onde vem então esta natureza corrupta do homem?
R. Da queda e da desobediência dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, no paraíso, onde a nossa natureza se corrompeu de tal maneira que nós todos somos concebidos e nascidos em pecado.
 
P. 8. Somos então tão corruptos ao ponto de sermos totalmente incapazes de fazer o bem e inclinados a todo o mal?
R. Somos sim, a não ser que renasçamos pelo Espírito de Deus.
 
Domingo 4
 
P. 9. Deus não é injusto com o homem ao exigir na lei algo que ele não pode cumprir?
R. Não, pois Deus criou o homem de tal forma que pudesse cumpri-la, porém o homem roubou estes dons de si mesmo e de todos os seus descendentes, dando ouvidos ao diabo e por desobediência propositada.
 
P. 10. Deus quer deixar impune esta desobediência e apostasia?
R. De forma alguma. Ele se torna extremamente irado tanto pelos pecados nos quais nascemos como pelos que nós mesmos cometemos, e castiga-os com justo julgamento agora e na eternidade, conforme suas palavras: "Maldito todo aquele que não permanece em todas as cousas escritas no livro da lei, para praticá-las ". (Gl 3:10)
 
P. 11. Então Deus não é misericordioso?
R. Deus é misericordioso mas também é justo. A sua justiça exige, que o pecado que foi cometido contra a suprema majestade de Deus também seja punido com a pena máxima, ou seja, o castigo eterno ao corpo e à alma.
 
SEGUNDA PARTE
 
A SALVAÇÃO DO HOMEM
 
Domingo 5
 
P. 12. Então, merecendo castigo conforme o justo julgamento de Deus, agora e na eternidade, existe pois um meio para evitar este castigo e assim sermos acolhidos novamente por graça?
R. Deus quer que a sua justiça seja satisfeita e portanto, devemos dar completa satisfação, seja por nós mesmos, seja por intermédio de alguém outro.
 
P. 13. Nós mesmos podemos satisfazer a sua justiça?
R. De forma alguma. Ao contrário, cada dia nós aumentamos a nossa culpa.
 
P. 14. Alguém, sendo apenas criatura, pode satisfazer por nós a justiça de Deus?
R. Não. Pois primeiramente Deus não quer culpar outra criatura pelos pecados cometidos pelo homem e, em segundo lugar, ninguém outro que seja apenas criatura será capaz de carregar o peso da eterna ira de Deus contra o pecado e livrar outros dela.
 
P. 15. Que Mediador e Salvador devemos então buscar?
R. Um Mediador, homem justo e verdadeiro, porém mais poderoso que todas as criaturas, isto é, que seja ao mesmo tempo verdadeiro Deus.
 
Domingo 6
 
P. 16. Por que o Mediador deve ser homem justo e verdadeiro?
R. Porque a justiça de Deus exige que a natureza humana, a qual pecou, pague pelo pecado e porque um homem pecador não pode pagar por outros.
 
P. 17. E por que este Mediador deve ser, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus?
R. Pois pela sua natureza divina será capaz de carregar o peso da ira de Deus em sua natureza humana, conquistando e restituindo-nos a justiça e a vida.
 
P. 18. Quem é então este Mediador que, ao mesmo tempo, é verdadeiro Deus e verdadeiro e justo homem?
R. Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos foi dado por Deus para ser nossa sabedoria, justiça, santificação e completa redenção.
 
P. 19. Como você sabe isto?
R. Pelo Santo Evangelho, o qual o próprio Deus revelou primeiramente no paraíso, e posteriormente o proclamou através dos santos patriarcas e profetas e o representou através dos sacrifícios e outras cerimônias da lei, e finalmente o cumpriu através do seu unigênito Filho.
 
Domingo 7
 
P. 20. Então todos os homens são salvos por Cristo da mesma forma que se perderam em Adão?
R. Não. Apenas aqueles que são nele incorporados pela verdadeira fé e que aceitam todos os seus benefícios.
 
P. 21. O que é uma verdadeira fé?
R. Uma verdadeira fé não é apenas o conhecimento e a certeza pelos quais eu tenho como verdadeiro tudo aquilo que Deus nos tem revelado em sua Palavra, mas também plena confiança que o Espírito Santo opera em meu coração através do Evangelho, de que Deus perdoou os pecados, e deu eterna justiça e salvação, não somente aos outros mas também a mim, somente pela graça e por causa dos méritos de Cristo.
 
P. 22. Em que então um cristão deve crer?
R. Tudo o que nos é prometido no Evangelho, o que o Credo Apostólico ou os artigos da nossa fé cristã universal e indubitável nos ensinam resumidamente.
 
P. 23. O que dizem os artigos deste Credo?
R. Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu unigênito Filho, nosso Senhor; o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria; padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao inferno; ao terceiro dia ressurgiu dos mortos; subiu ao céu e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso; donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
 
Creio no Espírito Santo; na santa Igreja universal de Cristo, a comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; e na vida eterna.
 
Domingo 8
 
P. 24. Como são divididos estes artigos?
R. Em três partes. A primeira trata de Deus, o Pai, e a nossa criação; a segunda de Deus, o Filho, e a nossa salvação; a terceira de Deus, o Espírito Santo, e a nossa santificação.
P. 25. Mas, se existe apenas um único Ser divino, por que você fala então de Pai, Filho e Espírito Santo?
R. Porque Deus se revelou desta forma em sua Palavra, de modo que estas três Pessoas distintas são o único verdadeiro e eterno Deus.
 
DEUS PAI E A NOSSA CRIAÇÃO
 
Domingo 9
 
P. 26. O que você crê, ao dizer: "Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra"?
R. Que o eterno Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que criou do nada o céu e a terra e tudo o que neles há, e também os sustenta e governa pelo seu eterno conselho e providência, é o meu Deus e o meu Pai, por causa do seu Filho, o Cristo. Por isso confio nele de tal forma que não duvido que Ele proverá de tudo quanto necessito para o meu corpo e a minha alma, e que Ele transformará em bem para mim todo o mal que me dá como porção nesta vida penosa, pois Ele pode fazer isso por ser Deus todo-poderoso e também quer fazê-lo por ser Pai fiel.
 
Domingo 10
 
P. 27. O que você entende por providência divina?
R. É o poder onipotente e onipresente de Deus, pelo qual Ele sustenta continuamente, com a sua mão, o céu e a terra com todas as criaturas, e os governa de tal forma que folhas e relva, chuva e seca, anos frutíferos e infrutíferos, alimento e bebida, saúde e enfermidade, riqueza e pobreza, sim, todas as coisas não nos sobrevêm por acaso mas da sua mão paternal.
 
P. 28. Por que é importante para nós saber que Deus criou todas as coisas a as sustenta por sua providência?
R. Para sermos pacientes na adversidade e gratos na prosperidade, e para no futuro termos boa confiança em nosso fiel Deus e Pai, na certeza que criatura nenhuma nos separará do seu amor, pois todas as criaturas estão de tal maneira na sua mão que sem a sua vontade não podem sequer se mover.
 
DEUS FILHO E A NOSSA SALVAÇÃO
 
Domingo 11
 
P. 29. Por que o Filho de Deus é chamado de Jesus, ou seja, Salvador?
R. Porque Ele nos salva e nos livra de todos os pecados e não se pode buscar ou encontrar salvação alguma junto a outrem.
 
P. 30. Aqueles que buscam o bem e a salvação junto aos santos, junto a si mesmos ou em outra parte qualquer, crêem realmente no único Salvador Jesus?
R. Não. Com estas ações eles negam o único Salvador Jesus, embora com a boca se gloriem nele. Pois, ou Jesus não é Salvador perfeito, ou então aqueles que aceitam esse Salvador com verdadeira fé, devem encontrar nele tudo o que for necessário para a sua salvação.
 
Domingo 12
 
P. 31. Por que Ele é chamado de Cristo, ou seja, Ungido?
R. Porque Ele foi ordenado por Deus Pai, e ungido com o Espírito Santo para ser o nosso supremo Profeta e Mestre, o qual nos revelou plenamente o propósito secreto e a vontade de Deus quanto à nossa salvação; para ser o nosso único Sumo Sacerdote que nos livrou com o sacrifício único do seu corpo e que sempre intercede por nós junto ao Pai; e para ser o nosso eterno Rei, que nos governa pela sua Palavra e Espírito e que nos protege e guarda na salvação que conquistou por nós.
 
P. 32. Por que você é chamado de cristão?
R. Porque pela fé sou membro de Cristo e portanto tenho parte na sua unção; para que confesse seu Nome, ofereça-me a Ele como sacrifício vivo de ação de graças, e lute contra o pecado e o diabo com uma consciência boa e livre durante esta vida, e para que depois, na eternidade, possa reinar com Ele sobre todas as criaturas.
 
Domingo 13
 
P. 33. Por que Ele é chamado Filho unigênito de Deus, se nós também somos filhos de Deus?
R. Porque somente Cristo, por natureza, é o Filho eterno de Deus. Mas nós, por sua causa e pela graça, fomos adotados como filhos de Deus.
 
P. 34. Por que você O chama de nosso Senhor?
R. Porque Ele nos resgatou de corpo e alma de todos os nossos pecados e nos livrou de todo o domínio do diabo, não com ouro ou prata, mas com seu precioso sangue, fazendo-nos assim a sua propriedade.
 
Domingo 14
 
P. 35. O que quer dizer: "o qual foi concebido por obra do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria"?
R. Que o eterno Filho de Deus, que é e permanece eterno e verdadeiro Deus, pela ação do Espírito Santo, assumiu a verdadeira natureza humana, da carne e sangue da virgem Maria, para ser de fato descendente de Davi. Assim Ele é
semelhante aos irmãos em tudo, mas sem pecado.
 
P. 36. Que importância tem para você a santa concepção e nascimento de Cristo?
R. Que Ele é nosso Mediador, e com sua inocência e completa santidade cobre o meu pecado, no qual eu fui concebido e nascido, perante a face de Deus.
 
Domingo 15
 
P. 37. O que você entende pela palavra "padeceu"?
R. Que Ele carregou em seu corpo e alma a ira de Deus pelo pecado de toda a raça humana, durante toda a sua vida na terra, mas especialmente no final desta, para que por seu sofrimento, como o único sacrifício propiciatório, livrasse o nosso corpo e alma da condenação eterna, e para nos conquistar a graça de Deus, a justiça e a vida eterna.
 
P. 38. Por que Ele padeceu sob o juiz Pôncio Pilatos?
R. Porque sendo Ele condenado inocentemente pelo juiz secular, livrou-nos da severa condenação de Deus que nos esperava.
 
P. 39. A crucificação constitui algo superior a outra forma de morte?
R. Sim, pois assim estou certo que Ele tomou sobre si a maldição que pesava sobre mim, pois a morte de cruz era maldita por Deus.
Domingo 16
 
P. 40. Por que era preciso que Cristo se humilhasse até à morte?
R. Pois devido à justiça e à verdade de Deus não havia outra forma de se pagar pelos nossos pecados senão pela morte do Filho de Deus.
 
P. 41. Por que Cristo foi sepultado?
R. Para confirmar assim que realmente morrera.
 
P. 42. Mas se Cristo já morreu por nós, por que ainda temos que morrer?
R. Nossa morte não é um pagamento pelos nossos pecados, mas somente um morrer para os pecados e uma passagem para a vida eterna.
 
P. 43. O que mais recebemos pelo sacrifício e a morte de Cristo na cruz?
R. Que pelo seu poder, o nosso velho homem é com Ele crucificado, morto e sepultado, para que as más paixões da carne não mais governem em nós, mas para que nós nos ofereçamos a Ele em sacrifício de ação de graças.
 
P. 44. Por que se acrescenta: "desceu ao inferno"?
R. Para que eu possa estar certo e plenamente consolado nas minhas mais duras tentações de que o meu Senhor Jesus Cristo me livrou da angústia e dor infernais, ao sofrer indizíveis angústias, dores, terrores e infernais tormentos, também em sua alma, tanto na sua vida como na cruz.
 
Domingo 17
 
P. 45. O que significa a ressurreição de Cristo para nós?
R. Primeiramente, que Ele venceu a morte pela sua ressurreição para tornar-nos participantes da justiça, que Ele conquistou para nós através da sua morte. Em segundo lugar, que nós somos ressuscitados também pelo seu poder, para uma nova vida. E, em terceiro lugar, que a ressurreição de Cristo é para nós um penhor seguro da nossa própria ressurreição em glória.
 
Domingo 18
 
P. 46. O que você entende por: "subiu ao céu"?
R. Que Cristo ascendeu da terra para o céu, diante dos olhos dos seus discípulos, onde permanece para o nosso bem, até que volte para julgar os vivos e os mortos.
 
P. 47. Então Cristo não está conosco até o fim do mundo, conforme Ele nos prometeu?
R. Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Quanto à sua natureza humana, Ele não se encontra mais na terra, mas quanto à sua divindade, majestade, graça e Espírito, Ele jamais se afasta de nós.
 
P. 48. Neste caso, as duas naturezas de Cristo não estão separadas, já que a sua natureza humana não está em toda parte onde está a sua natureza divina?
R. De forma alguma. A sua natureza divina não pode ser limitada e é onipresente; segue portanto, que ela está fora da natureza humana que Ele assumiu, mas também está dentro dela e se mantém pessoalmente unida a ela.
 
P. 49. O que significa a ascensão de Cristo para nós?
R. Primeiramente, que Ele é o nosso Advogado diante do seu Pai no céu. Segundo, que temos lá no céu, nele, a nossa carne como penhor. Por isso estamos certos que como Cabeça, Ele tomará também para si a nós, seus membros. E, por último, que da sua parte nos envia o seu Espírito como penhor, por cujo poder buscamos as coisas lá do alto, onde está Cristo à direita de Deus, e não as que são aqui da terra.
 
Domingo 19
 
P 50. Por que se acrescenta: "e está sentado à direita de Deus"?
R. Cristo subiu ao céu para ali se manifestar Cabeça da sua igreja, por intermédio de quem o Pai governa todas as coisas.
 
P. 51. Que importância tem para nós esta glória de Cristo, nosso Cabeça?
R. Primeiramente, que Ele derrama em nós, seus membros, os dons celestiais através do seu Espírito Santo. E ainda que, através do seu poder, nos protege e guarda de todos os inimigos.
 
P. 52. Que consolação traz a você a volta de Cristo "para julgar os vivos e os mortos "?
R. Que em toda a aflição e perseguição espero, de cabeça erguida, por Ele, o Juiz que vem do céu, que anteriormente já se apresentou ao tribunal de Deus por minha causa e tirou a maldição que pesava sobre mim, e que lançará todos os seus e meus inimigos na condenação eterna, mas a mim e a todos os eleitos tomará a si na alegria e glória celestiais.
 
 
DEUS ESPÍRITO SANTO E A NOSSA SANTIFICAÇÃO
 
Domingo 20
 
P. 53. O que você crê a respeito do Espírito Santo?
R. Primeiramente que, juntamente com o Pai e o Filho, Ele é verdadeiro e eterno Deus. E segundo, que Ele foi dado também a mim, para que, através de uma verdadeira fé, me torne participante de Cristo e de todos os seus benefícios, e para me socorrer e permanecer comigo para sempre.
 
Domingo 21
 
P. 54. O que você crê a respeito da santa Igreja universal de Cristo?
R. Que o Filho de Deus, desde o princípio do mundo até o fim, através do seu Espírito e de sua Palavra reúne, protege e sustenta para si uma igreja na unidade da verdadeira fé. Esta igreja foi escolhida de entre toda a raça humana para a vida eterna. Creio também que dela sou um membro vivo e o serei eternamente.
 
P 55. O que você entende pela comunhão dos santos?
R. Em primeiro lugar que os que crêem, todos juntos e cada um em particular, como membros participam do Senhor Jesus Cristo e de todos os seus tesouros e dons. Em segundo lugar, que cada um deve sentir-se chamado a usar seus dons com boa vontade e alegremente para o bem e a salvação dos outros membros.
P. 56. O que você crê a respeito da remissão dos pecados?
R. Que Deus, por causa da satisfação que Cristo realizou, já não quer atribuir a mim todos os meus pecados, nem a minha natureza pecaminosa contra a qual tenho que lutar durante toda a minha vida, mas me dá, pela graça, a justiça de Cristo, para que eu jamais seja condenado por Deus.
 
Domingo 22
 
P. 57. Que consolação lhe traz a ressurreição da carne?
R. Que não apenas a minha alma será imediatamente elevada a Cristo, seu Cabeça, após esta vida, mas também o meu corpo, ressuscitado pelo poder de Cristo, será reunido novamente a minha alma e se tornará semelhante ao corpo glorioso de Cristo.
 
P. 58. Que consolação lhe traz o artigo sobre a vida eterna?
R. Que, enquanto já agora em meu coração sinta o princípio da alegria eterna, após esta vida terei a perfeita bem-aventurança, que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano, para nela louvar a Deus eternamente.
 
 
A JUSTIFICAÇÃO
 
Domingo 23
 
P. 59. De que lhe aproveita crer tudo isto?
R. Que em Cristo sou justo perante Deus, e que sou herdeiro da vida eterna.
 
P. 60. Como você é justo perante Deus?
R. Apenas por uma verdadeira fé em Jesus Cristo. Embora a minha consciência me acuse que pequei gravemente contra todos os mandamentos de Deus e não guardei nenhum deles e ainda sou inclinado a todo o mal, mesmo assim Deus me concede, sem qualquer mérito meu, apenas pela graça, a plena satisfação, justiça e santidade de Cristo e as atribui a mim como se eu jamais tivesse tido ou cometido pecado, sim, como se eu tivesse cumprido toda a obediência que Cristo cumpriu por mim. Apenas aceitando este benefício com coração confiante, eu sou justo perante Deus.
 
P. 61. Por que você diz que é justo apenas pela fé?
R. Não porque agrade a Deus pelo valor da minha fé, mas que apenas a satisfação, justiça e santidade de Cristo são a minha justiça perante Deus, e que posso aceitá-las e delas me apropriar apenas pela fé.
 
Domingo 24
 
P. 62. Por que as nossas boas obras não podem ser a nossa justiça perante Deus, ou parte dela?
R. Porque a justiça que pode subsistir perante o juízo de Deus deve ser plenamente perfeita e em tudo de acordo com a lei de Deus, enquanto que até as melhores das nossas boas obras nesta vida são todas imperfeitas e maculadas pelo pecado.
P. 63. Se as nossas boas obras não possuem qualquer mérito, por que Deus quer recompensá-las nesta vida e na futura?
R. Esta recompensa não é dada por mérito mas pela graça.
 
P. 64. Esta doutrina não torna as pessoas descuidadas e ímpias?
R. De forma alguma, pois é impossível que alguém que está enxertado em Cristo por uma verdadeira fé, não produza frutos de gratidão.
 
OS SACRAMENTOS
 
Domingo 25
 
P. 65. Visto que apenas a fé nos faz participar de Cristo e de todos os seus benefícios, de onde vem então esta fé?
R. Do Espírito Santo, que opera a fé em nossos corações pela pregação do santo Evangelho e a fortalece pelo uso dos Sacramentos.
 
P. 66. O que são Sacramentos?
R. Sacramentos são sinais e selos santos e visíveis, instituídos por Deus, para que, pelo seu uso nos façam entender melhor a promessa do Evangelho, selando-a para nós, a saber, que baseado no único sacrifício consumado na cruz por Cristo, Ele nos concede perdão dos pecados e a vida eterna, pela graça.
 
P. 67. Então ambos, a Palavra e os Sacramentos, estão destinados a orientar nossa fé para o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, como base exclusiva da nossa salvação?
R. De fato, pois o Espírito Santo nos ensina no Evangelho e nos certifica pelos Sacramentos que toda a nossa salvação está firmada no único sacrifício que Jesus Cristo realizou por nós na cruz.
 
P. 68. Quantos Sacramentos instituiu Cristo na Nova Aliança?
R. Dois: o Santo Batismo e a Santa Ceia.
 
O SANTO BATISMO
 
Domingo 26
 
P. 69. Como o Santo Batismo afirma e assegura a você que o único sacrifício de Cristo na cruz é para o seu bem?
R. Cristo instituiu esta lavagem externa e prometeu que certamente estou lavado com seu sangue e Espírito das impurezas da minha alma, ou seja de todos os meus pecados, da mesma forma que estou lavado externamente com a água, que tira as impurezas do corpo.
 
P. 70. O que quer dizer isto: lavado com o sangue e o Espírito de Cristo?
R. Quer dizer, ter recebido de Deus perdão dos pecados, pela graça, por causa do sangue de Cristo, o qual Ele derramou por nós no seu sacrifício na cruz. E ainda, ter sido renovado pelo Espírito Santo e santificado para sermos membros de Cristo, a fim de que morramos cada vez mais para os pecados e levemos uma vida consagrada e irrepreensível.
 
P. 71. Onde Cristo nos prometeu que Ele certamente nos quer lavar com seu sangue e Espírito assim como somos lavados pela água do Batismo?
R. Na instituição do Batismo, onde Ele disse: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo"(Mt. 28:19). E ainda "Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado" (Mc 16:16). Esta promessa é repetida onde as Escrituras chamam o Batismo de "lavar regenerador" e "lavar dos pecados" (Tt. 3:5, At. 22:16).
 
Domingo 27
 
P. 72. Então esta lavagem externa é a purificação dos pecados propriamente dita?
R. Não, apenas pelo sangue de Jesus Cristo e pelo Espírito Santo somos purificados de todos os pecados.
P. 73. Por que então o Espírito Santo chama o Batismo de "lavar regenerador " e "lavar dos pecados"?
R. Deus diz isto por motivos bem fundamentados, a saber, não só para nos ensinar que, da mesma forma que as impurezas são lavadas do corpo pela água, também os nossos pecados são retirados pelo sangue e pelo Espírito de Jesus Cristo; mas principalmente para nos certificar, por intermédio deste penhor e sinal divinos, que estamos tão certamente lavados espiritualmente dos nossos pecados como somos lavados externamente pela água.
 
P. 74. Devem-se batizar também as crianças?
R. Sim. Estas pertencem igualmente, tais como os adultos, à Aliança de Deus e à sua igreja e também promete-se a elas, não menos que aos adultos, a redenção dos pecados pelo sangue de Cristo e o Espírito Santo, que opera a fé. Por esta razão também as crianças devem ser incorporadas à igreja cristã e distinguidas dos filhos dos incrédulos através do Batismo, como sinal da Aliança, da mesma forma que isto acontecia sob a Antiga Aliança pela circuncisão, que foi substituída pelo Batismo sob a Nova Aliança.
 
A SANTA CEIA
 
Domingo 28
 
P. 75. Como a Santa Ceia afirma e assegura-lhe que você participa do sacrifício único de Cristo, consumado na cruz, e dos seus benefícios?
R. Da seguinte forma: Cristo ordenou a mim e a todos os que crêem comer deste pão partido e beber deste cálice, em memória dele. Acrescentou a isto a seguinte promessa: em primeiro lugar, que seu corpo foi sacrificado e quebrantado por mim na cruz e seu sangue foi derramado por mim tão certo como vejo com meus próprios olhos que o pão do Senhor é partido para mim e é dado o cálice a mim; e em segundo lugar, que Ele próprio, com seu corpo crucificado e seu sangue derramado, alimenta e refrigera a minha alma para a vida eterna, tão certo como recebo o pão e o cálice do Senhor das mãos do ministro e os provo com a minha boca, como sinais fiéis do corpo e sangue de Cristo.
P. 76. O que quer dizer isto: comer o corpo crucificado de Cristo e beber seu sangue derramado?
R. Significa não apenas aceitar com coração confiante todo o sofrimento e morte de Cristo e assim receber o perdão dos pecados e a vida eterna, mas também que através do Espírito Santo, que vive tanto em Cristo como em nós, somos unidos cada vez mais com seu santo corpo, de forma que somos carne da sua carne e ossos dos seus ossos, mesmo estando Cristo no céu e nós na terra, e que vivemos e somos governados eternamente por esse Espírito, assim como os membros de um corpo vivem e são governados por uma só alma.
 
P. 77. Onde Cristo prometeu que Ele certamente quer alimentar e refrigerar os crentes com seu corpo e sangue, assim como comem deste pão partido e bebem deste cálice?
R. Na instituição da Santa Ceia, onde consta: "O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha"( I Cor. 11: 23-26 ). Esta promessa é repetida pelo apóstolo Paulo, ao dizer: "Porventura o cálice da bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo? Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão" ( I Cor. 10: 16,17 ).
 
Domingo 29
 
P. 78. Então o pão e o vinho se tornam o verdadeiro corpo e sangue de Cristo?
R. Não. Assim como a água no Batismo não se transforma no sangue de Cristo nem é a própria purificação dos pecados, mas apenas um sinal divino e garantia desta, tão pouco o pão da Santa Ceia se torna o próprio corpo de Cristo, embora conforme a natureza e uso dos Sacramentos seja chamado de corpo de Cristo.
 
P. 79. Por que então Cristo chama o pão de seu corpo e o cálice de seu sangue, ou a nova aliança no seu sangue, e Paulo fala da comunhão do corpo e sangue de Cristo?
R. Cristo não diz isto sem boa razão, a saber, não só para nos ensinar que, da mesma forma que o pão e o vinho mantém esta vida temporal, também o seu corpo crucificado e sangue derramado são o alimento e bebida verdadeiros pelos quais as nossas almas são alimentadas para a vida eterna; mas principalmente para nos certificar, por intermédio destes sinais e penhores visíveis, que participamos tão certamente do seu verdadeiro corpo e sangue pela ação do Espírito Santo como recebemos estes santos sinais com a nossa boca em sua memória; e que todo o seu sofrimento e obediência são certamente nossos, como se nós mesmos tivéssemos sofrido tudo e pago a Deus pelos nossos pecados.
 
Domingo 30
 
P. 80. Qual a diferença entre a Santa Ceia do Senhor e a missa papal?
R. A Santa Ceia do Senhor nos certifica que temos perdão completo de todos os nossos pecados pelo sacrifício único de Jesus Cristo, que Ele mesmo realizou uma única vez na cruz, e que pelo Espírito Santo somos incorporados em Cristo que, segundo a sua natureza humana, não está na terra mas no céu, à direita de Deus Pai, e ali quer ser adorado por nós. Mas a missa ensina que os vivos e os mortos tão somente têm perdão dos pecados pelo sofrimento de Cristo se Ele ainda diariamente é sacrificado em favor deles pelos sacerdotes, e que Cristo está fisicamente presente sob as formas do pão e do vinho e portanto deve ser adorado neles. Por isto, no fundo a missa não é outra coisa que não a negação do sacrifício único e do sofrimento de Jesus Cristo e uma maldita idolatria.
P. 81. Para quem foi instituída a Santa Ceia do Senhor?
R. Para aqueles que se aborrecem de si mesmos por causa dos seus pecados e mesmo assim confiam que estes lhes foram perdoados por causa de Cristo, e que também a sua fraqueza remanescente é coberta pelo seu sofrimento e morte, e que por isso desejam fortalecer cada vez mais a sua fé e corrigir a sua vida. Entretanto, os hipócritas e aqueles que não se convertem sinceramente a Deus comem e bebem juízo para si.
P. 82. Devem-se admitir à Santa Ceia também aqueles que se mostram pela sua confissão e vida como incrédulos e ímpios?
R. Não. Pois assim a Aliança de Deus é profanada e a sua ira provocada contra toda a congregação. Por isto a Igreja de Cristo, conforme a ordem de Cristo e dos seus apóstolos, é obrigada a excluir tais pessoas com as chaves do Reino dos céus até que corrijam suas vidas.
Domingo 31
 
P. 83. Quais são as chaves do Reino dos céus?
R. São a pregação do santo Evangelho e a disciplina cristã, pelas quais o Reino dos céus se abre para os que crêem e se fecha para os incrédulos.
 
P. 84. Como se abre e se fecha o Reino dos céus através da pregação do santo Evangelho?
R. Conforme a ordem de Cristo prega-se e testifica-se publicamente aos que crêem, a todos juntos e a cada um em particular, que todos os seus pecados são realmente perdoados por Deus, por causa dos méritos de Cristo, e isto toda vez que aceitarem com verdadeira fé a promessa do Evangelho. No entanto, a todos os incrédulos e hipócritas proclama-se e testifica-se que a ira de Deus e o juízo eterno pesam sobre eles enquanto não se converterem. Segundo este testemunho do Evangelho Deus julgará nesta vida e na eterna.
 
P. 85. Como se abre e se fecha o Reino dos céus através da disciplina cristã?
R. Conforme a ordem de Cristo, os que levam o nome de cristão, mas vivem ou ensinam de forma não cristã, quando após repetidas admoestações fraternas não abandonarem seus erros ou comportamento vergonhoso, terão seus nomes comunicados à Igreja ou àqueles que por ela foram constituídos para tal. Caso não atendam à admoestação, serão por estes excluídos da igreja cristã pela não admissão aos Sacramentos, e pelo próprio Deus, excluídos do Reino de Cristo. Serão admitidos novamente como membros de Cristo e da sua igreja quando prometerem e demonstrarem verdadeira correção.
TERCEIRA PARTE
 
A GRATIDÃO A DEUS PELA SALVAÇÃO
 
Domingo 32

P. 86. Já que somos salvos da nossa desgraça por Cristo, sem qualquer mérito da nossa parte, apenas pela graça, por que então devemos praticar ainda boas obras?

R. Porque Cristo, que nos resgatou e libertou com o seu sangue, também nos renova segundo a sua imagem pelo seu Espírito Santo, para que com toda a nossa vida demonstremos gratidão a Deus pelos seus benefícios e para que Ele seja louvado por nós. Além disso, para que pelos frutos estejamos certos para nós mesmos da nossa fé e para que também nosso próximo seja ganho para Cristo através da nossa conduta piedosa.
 
P. 87. Então não podem ser salvos aqueles que permanecem em sua vida de impiedade e sem gratidão, não se convertendo a Deus?
R. De forma alguma. As Escrituras dizem que nenhum impuro, idólatra, adúltero, ladrão, avarento, bêbado, maldizente, roubador ou semelhante herdará o Reino de Deus.
 
Domingo 33

P. 88. Em quantas partes consiste a conversão?

R. Em duas: a morte do velho homem e a ressurreição do novo homem.

P. 89. O que é a morte do velho homem?

R. É um arrependimento sincero por termos provocado a ira de Deus pelos nossos pecados, e odiar e evitar mais e mais os pecados.

P. 90. O que é a ressurreição do novo homem?

R. É uma alegria profunda em Deus através de Cristo e paixão e amor para realizar todas as boas obras conforme a vontade de Deus.

P. 91. O que são boas obras?
R. Apenas aquelas que são feitas com verdadeira fé e conforme a lei de Deus, para a sua glória, e não aquelas baseadas em nosso gosto ou em prescrições humanas.
 
Domingo 34
 
P. 92. O que reza a lei do Senhor?
R. Deus falou todas estas palavras (Êxodo 20:1-17, Deuteronômio 5:6-21): Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
 
Primeiro mandamento
Não terás outros deuses diante de mim.
Segundo mandamento
Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque Eu sou o Senhor teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
Terceiro mandamento
Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
Quarto mandamento
Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado, e o santificou.
Quinto mandamento
Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.
Sexto mandamento
Não matarás.
Sétimo mandamento
Não adulterarás.
Oitavo mandamento
Não furtarás.
Nono mandamento
Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
Décimo mandamento
Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem cousa alguma que pertença a teu próximo.
P. 93. Como se dividem estes Dez Mandamentos?
R. Em duas tábuas. A primeira ensina-nos como devemos nos comportar em relação a Deus e a segunda, o que devemos ao nosso próximo.
 
P. 94. O que Deus ordena no primeiro mandamento?
R. Que, sob pena de perder a minha salvação, devo evitar e fugir de toda a idolatria, feitiçaria, adivinhação, superstição, invocação de santos ou de outras criaturas e que eu reconheça devidamente o único e verdadeiro Deus, confie somente nele, me sujeite apenas a Ele com toda a humildade e paciência, espere todo o bem apenas dele e O ame, tema e honre com todo o meu coração, de forma que prefiro renunciar a todas as criaturas a fazer qualquer coisa, por mínima que seja, contra a sua vontade.
 
P. 95. O que é idolatria?
R. Idolatria é conceber ou possuir algo em que se confie, em vez de ou além do único e verdadeiro Deus, que se revelou em sua Palavra.
 
Domingo 35
 
P. 96. O que Deus exige no segundo mandamento?
R. Que não representemos Deus sob qualquer forma e que não O adoremos de outra forma senão aquela que Ele ordenou em sua Palavra.
 
P. 97. Então não se podem fazer quaisquer imagens?
R. Não é possível nem é permitido fazer qualquer imagem de Deus. E mesmo que seja permitido fazer imagens de criaturas, Deus proíbe fazer e possuir imagens delas para adorá-las ou através delas servir a Ele.
 
P. 98. Não se poderiam tolerar as imagens nas igrejas como livros para os leigos?
R. Não. Pois não devemos ser mais sábios que Deus, que quer ensinar os seus cristãos não por imagens mudas, mas sim pela viva pregação da sua Palavra.
Domingo 36
 
P. 99. O que quer o terceiro mandamento?
R. Que nós não blasfememos ou façamos mau uso do nome de Deus, nem por maldições ou perjúrios, nem por juramentos desnecessários, e também que não participemos de tais pecados abomináveis, assistindo calados. Em resumo, que não usemos o santo Nome de Deus a não ser com respeito e reverência, para que Ele seja devidamente confessado, invocado e louvado com todas as nossas palavras e ações.
 
P. 100. Então blasfemar o Nome de Deus através de juramentos e maldições é um pecado tão grave que Deus se torna irado com aqueles que não fazem todo o possível para combater e proibir as maldições e juramentos?
R. Sim, pois não há pecado maior e que mais provoque a ira de Deus que blasfemar o seu Nome. Por isso Ele ordenou que tal pecado fosse punido com a morte.
 
Domingo 37
 
P. 101. Mas não pode-se fazer juramento pelo Nome de Deus na fé?
R. Sim, caso as autoridades assim o exigirem dos seus súditos ou quando por outras razões for necessário para confirmar fidelidade e verdade, e isto para a honra de Deus e para o bem do próximo. Pois este juramento está baseado na Palavra de Deus e portanto, foi usado com razão pelos santos no Antigo e Novo Testamento.
 
P. 102. Pode-se também jurar pelos santos ou outras criaturas?
R. Não, pois fazer um juramento legítimo é invocar a Deus, que Ele, conhecedor único do coração, faça aparecer a verdade e me castigue caso jure falso. E tal honra não cabe a qualquer criatura.
 
Domingo 38
 
P. 103. O que Deus ordena no quarto mandamento?
R. Primeiramente, que o culto da Igreja ou pregação e o ensino cristão sejam mantidos; e que especialmente no dia de descanso, eu venha fielmente à congregação de Deus para ouvir a Palavra de Deus, participar dos Sacramentos, invocar publicamente o Senhor Deus e prestar assistência cristã aos pobres.
Em segundo lugar, que eu todos os dias da minha vida desista das minhas más obras, deixe o Senhor operar em mim através do seu Espírito e dessa forma inicie o sábado eterno nesta vida.
 
Domingo 39
 
P. 104. O que Deus quer no quinto mandamento?
R. Que eu demonstre toda honra, amor e fidelidade ao meu pai e à minha mãe e a todos que foram constituídos sobre mim e me sujeite com devida obediência aos seus bons ensinos e disciplina e também tenha paciência com suas falhas, visto que é da vontade de Deus governar-nos através deles.
 
Domingo 40
 
P. 105. O que Deus exige no sexto mandamento?
R. Que eu mesmo ou através de outros não desonre, odeie, magoe ou mate o meu próximo com pensamentos, palavras ou gestos, e muito menos com ações; mas que renuncie a todo o sentimento de vingança, e também não cause mal a mim mesmo ou me exponha propositadamente ao perigo. Por isso a autoridade traz a espada para combater homicídios.
 
P. 106. Mas este mandamento não trata apenas de homicídios?
R. Proibindo o homicídio, Deus nos ensina também que Ele abomina a raiz do homicídio, tal como a inveja, ódio, ira e sentimentos de vingança, e que para Ele tudo isso equivale ao homicídio.
 
P. 107. Basta então, não matarmos o nosso próximo, conforme foi dito?
R. Não, pois proibindo a inveja, ódio e ira, Deus nos ordena amar o nosso próximo como a nós mesmos e demonstrar-lhe paciência, paz, mansidão, misericórdia e benignidade, evitar ao máximo que sofra danos, sim, mesmo fazer o bem aos nossos inimigos.
Domingo 41
 
P. 108. O que nos ensina o sétimo mandamento?
R. Toda falta de castidade é amaldiçoada por Deus e por isso temos que detestá-la de coração e levar vidas castas e disciplinadas, quer no santo estado do matrimônio ou fora dele.
 
P. 109. Deus proíbe neste mandamento apenas o adultério e semelhantes pecados vergonhosos?
R. Como os nossos corpos e almas são santuários do Espírito Santo, Ele quer que nós guardemos ambos puros e santos e por isso Ele proíbe todos os atos, gestos, palavras, pensamentos e desejos impuros e aquilo que pode levar o homem a tanto.

Domingo 42

P. 110. O que Deus proíbe no oitavo mandamento?

R. Deus não proíbe apenas furtar e roubar, o que as autoridades punem, mas Ele considera também como roubo todas as artimanhas e ciladas enganosas com as quais tentamos apropriar-nos dos bens do nosso próximo, quer por força ou pretexto de direito, quer por falsificações de pesos, medidas, mercadorias ou moedas, por usura ou qualquer meio que Deus tenha proibido. Ele proíbe tanto a avareza como todo mau uso e desperdício dos seus dons.
 
P. 111. O que Deus ordena neste mandamento?
R. Que eu promova os interesses do meu próximo conforme as minhas possibilidades e que o trate como gostaria que eu mesmo fosse tratado. Além disso, que me esforce fielmente para também poder auxiliar os necessitados.
Domingo 43
P. 112. O que quer o nono mandamento?
R. Que não diga falso testemunho contra ninguém, não distorça as palavras de ninguém, não seja um difamador ou caluniador, não condene ou deixe condenar alguém levianamente e sem ouvi-lo, mas evite toda sorte de mentiras e engano como sendo verdadeiras obras do diabo para não trazer sobre mim a pesada ira de Deus. Da mesma forma, que em julgamentos e em todas as outras questões ame a verdade e me manifeste publicamente a seu favor e que defenda e promova a honra e boa fama do meu próximo naquilo que estiver ao meu alcance.
Domingo 44
 
P. 113. O que o décimo mandamento exige de nós?
R. Que mesmo a mínima inclinação ou pensamentos conflitantes com um dos mandamentos de Deus não podem surgir nunca em nosso coração, mas que nós sempre e de todo o coração abominemos todos os pecados e amemos toda a justiça.
P. 114. Aqueles que se converteram a Deus conseguem guardar plenamente estes mandamentos?
R. Não, mesmo nas pessoas mais santas, enquanto estiverem nesta vida, existe apenas um pequeno princípio desta obediência, porém iniciam com um firme propósito viver não apenas conforme alguns mandamentos de Deus, mas conforme todos.
 
P. 115. Por que então Deus manda pregar os Dez Mandamentos tão rigorosamente, se ninguém logra cumpri-los nesta
vida?

R. Em primeiro lugar, para que busquemos com maior desejo o perdão dos pecados e a justiça em Cristo.
Segundo, para que nos dediquemos e oremos incessantemente a Deus pela graça do Espírito Santo para sermos renovados cada vez mais segundo a imagem de Deus, até atingirmos, após esta vida, a perfeição prometida.
 
A ORAÇÃO
Domingo 45

P. 116. Por que os cristãos necessitam da oração?

R. Porque é a parte principal da gratidão que Deus exige de nós e porque Deus quer dar a sua graça e o seu Espírito Santo apenas àqueles que em oração sinceramente e sem cessar lhe suplicam e agradecem por estes dons.
P. 117. O que é preciso para que nossa oração agrade a Deus e por Ele seja ouvida?
R. Primeiramente, que invoquemos de coração apenas o único e verdadeiro Deus que em sua Palavra se nos revelou, orando por tudo aquilo que Ele nos ordenou a pedir.
Em segundo lugar, que reconheçamos correta e profundamente a nossa desgraça e a situação angustiante em que vivemos, para que nos humilhemos diante da sua Majestade.
E em terceiro lugar que tenhamos este firme fundamento que Deus certamente quer ouvir a nossa oração, apesar da nossa indignidade, mas por causa de Cristo, o Senhor, conforme Ele nos prometeu em sua Palavra.
P. 118. O que Deus nos ordenou que Lhe pedíssemos?
R. Tudo aquilo que necessitamos para a alma e para o corpo, conforme Cristo, o Senhor, resumiu na oração que Ele mesmo nos ensinou.
P. 119. O que diz esta oração?
R. Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu Nome; venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém. (Mateus 6.9-13; Lucas 11.2-4)

Domingo 46

P. 120. Por que Cristo ordenou que nos dirigíssemos a Deus com estas palavras: "Pai nosso"?
R. Para de imediato, no início da nossa oração, despertar em nós o respeito e confiança para com Deus como de uma criança, e que são o fundamento da nossa oração, a saber, que Deus se tornou nosso Pai por meio de Cristo, e que não há de negar-nos o que em oração lhe pedimos com verdadeira fé, muito menos do que os nossos pais, que não nos recusam coisas terrenas.
P. 121. Por que se acrescenta: "que estás nos céus"?
R. Para que não pensemos de forma terrena a respeito da Majestade celeste de Deus e para que esperemos da sua onipotência tudo o que necessitamos para o corpo e a alma.

Domingo 47

P. 122. Qual é a primeira petição?
R. "Santificado seja o teu Nome". Isto quer dizer: dá-nos primeiramente que Te conheçamos de forma devida e que Te honremos, louvemos e glorifiquemos em todas as tuas obras das quais brilham claramente a tua onipotência, sabedoria, bondade, justiça, misericórdia e verdade; segundo, que voltemos toda a nossa vida: nossos pensamentos, palavras e obras para este fim que teu Nome não seja blasfemado por nossa causa mas sim, honrado e louvado.

Domingo 48

P. 123. Qual é a segunda petição?
R. "Venha o teu Reino". Isto quer dizer: governa-nos de tal maneira com a tua Palavra e Espírito que nós nos submetamos a Ti mais e mais; guarda e aumenta a tua Igreja; destrói as obras do diabo e todo poder que se revolte contra Ti, bem como todos os maus planos que se tramem contra a tua santa Palavra, até que teu Reino venha em perfeição, onde Tu serás tudo em todos.

Domingo 49

P. 124. Qual é a terceira petição?
R. "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu". Isto quer dizer: faça com que nós e todos os homens renunciemos a nossa própria vontade e obedeçamos sem reclamar a tua vontade, que é a única boa existente, para que cada um cumpra o seu dever e a sua vocação com tanta disposição e tão fielmente como os anjos no céu.

Domingo 50

P. 125. Qual é a quarta petição?
R. "O pão nosso de cada dia nos dá hoje". Isto quer dizer: queiras suprir todas as necessidades do nosso corpo, para que assim reconheçamos que Tu és a única fonte de todo o bem e que sem a tua bênção nem o nosso cuidado e trabalho, nem os teus dons, nos aproveitam de forma alguma, e que por isso não depositemos a nossa confiança em qualquer criatura mas apenas em Ti.

Domingo 51

P. 126. Qual é a quinta petição?

R. "E perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores". Isto quer dizer: não imputes, pelo sangue de Cristo, a nós pobres pecadores todos os nossos delitos e a corrupção que ainda existe em nós, da mesma forma que sentimos este testemunho da tua graça em nós mesmos, tendo o firme propósito de perdoar de coração ao nosso próximo.

Domingo 52

 
P. 127. Qual é a sexta petição?
R. "E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal". Isto quer dizer: como nós mesmos somos tão fracos que não poderíamos permanecer firmes por um momento sequer e que além disso o nosso inimigo inveterado, o diabo, o mundo e a nossa própria carne não cessam de atacar-nos, queiras portanto manter-nos de pé e fortalecer-nos pelo poder do Espírito Santo, para que não sejamos derrotados neste combate espiritual, mas que resistamos sempre fortemente, até que alcancemos finalmente a vitória completa.
 
P. 128. Como você termina a sua oração?
R. "Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre". Isto quer dizer: tudo isto Te pedimos, pois Tu como sendo o nosso Rei, e possuindo o poder sobre tudo, queres e tens os meios de dar-nos tudo o que é bom, e que por causa disso seja dado louvor não a nós, mas ao teu santo Nome, eternamente.
P. 129. O que significa a palavra "amém"?
R. Amém quer dizer: é assim de verdade e com certeza. Pois é bem mais certo que Deus atende a minha oração do que tenho presente em meu coração o desejo de ser atendido por Ele.
  
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