Medicina e a Bíblia – A fé pode curar


A fé pode curar?

O fenômeno que possibilitou o progresso de nossa natureza e de nossa cultura é a informação.

Sem ela, memorizada no nosso cérebro através da regulação das cadeias de nossos genes (DNA) e proteínas, as outras duas matérias primas do universo, a energia e a matéria, teriam continuado a ser aquilo que eram: inanimadas. Só a informação do meio fez com que a vida terrestre invertesse, pelo menos temporariamente, a tendencia universal para a desordem progressiva ou entropia.

Ao contrário da energia e das matérias primas que ameaçam esgotar-se na Terra, a informação aumenta constantemente. Além disto, e também ao contrário das matérias-primas, a informação se valoriza com o uso. Desse modo a humanidade tem de enfrentar hoje um excesso de informação, sobretudo informação sem valor. O problema reside essencialemente na qualidade desta. Esta qualidade pode ser dividir em quatro níveis: fatos, informações, conhecimento e sabedoria. Para a teoria evolucionista, a vida a partir de pequenos organismos cresceu e evoluiu inicialmente a nível genético, onde a informação dos genes e as letras moleculares começaram a aumentar lenta mas progressivamente.

Com o desenvolvimento do sistema nervoso central e o surgimento do cérebro humano, a vida encontrou uma segunda via, mais rápida, para a aquisição e memorização de informações. Em nossos cromossomos encontra-se armazenada uma quantidade imensa e desconhecida de informações, mas com um limite já estabelecido. Uma maior quantidade de informações não pode ser transmitida geneticamente sem por em risco as possibilidades da hereditariedade e assim, a sobrevivência da espécie.

Com o cérebro humano, a evolução alcançou um novo nível de qualidade. O desenvolvimento da linguagem possibilitou a troca de informações entre cérebros diferentes. Este proceso de aprendizagem se acelerou ainda mais com a invenção da escrita, o que possibilitou o armazenamento de informações fora do nosso próprio corpo. Hoje, com os poderosos computadores, a capacidade de armazenar informações fora do cérebro excede a capacidade biológica. Máquinas são superiores aos humanos no registro e armazenamento de informações. O conhecimento, ordenado e empregado corretamente, sempre foi um fator de poder na luta pela existência.

Com a inteligência artificial dos computadores, a civilização ampliou seus conhecimentos de tal forma que os cientistas aceitam isto como uma nova fase de nossa evolução. Precisamos de mais e não de menos conhecimentos sobre nós mesmos. E mais inteligência e mais sabedoria para assegurar nosso futuro. As possibilidades existem, só precisamos aproveitá-las. Saber de onde viemos não significa saber para aonde vamos, nem saber quem somos e como fomos criados. Para os pessismistas o futuro do homem já se encontra meio vazio, enquanto que para os otimistas continua incompleto.

Na atualidade existe uma doença mortal chamada desânimo, contra a qual os homens tem de encontrar medidas preventivas. As raízes deste desânimo se encontra provavelmente nos bens materiais como industrialização, automatização, urbanização e comunicação de massas. O ser humano foi transformado numa pequena engrenagem de uma máquina colossal. O progresso criou o tempo livre, que se mata mais do que se aproveita. Os meios de comunicação criaram o isolamento e a solidão.

Ao mesmo tempo surgiu a destruição do meio ambiente, a crise energética, a explosão demográfica, a escassez de matérias primas e a fome no mundo. O abismo que separa os povos de países altamente desenvolvidos e as nações pobres é de tal profundidade que se tem a impressão de que os seus povos vivem em mundos completamente distintos. Ninguém pode prever como será a humanidade num futuro distante.

Os cientistas que conceberam a criação do Universo a partir do Big-Bang, deduzim o fim da Terra num espaço de 4 a 5 bilhões de anos, quando o Sol tiver consumido seu combustível nuclear e se tornar, num último estertor, numa enorme bola vermelha de fogo que devorará toda a Terra. Será que tudo terminará num "buraco negro"? Os cientistas acreditam que o fim de todas as coisas ocorrerá daqui a cem bilhões de anos, quando o universo, nascido da grande explosão, tiver alcançado sua expansão e extensão máximas e começar a se contrair de novo, até que desaparecerá arrastado pela própria força da gravidade, num buraco negro universal.

Assim como a vida humana tem início e fim, o mesmo acontecerá com o universo, conforme o pensamento científico. Mas como a vida humana continua através de outras vidas ou mesmo através da memória, será que o fim do universo representará o fim de tudo? Nesta etapa todas especulações e dúvidas entram no âmbito da fé. Deus deixará também de existir? Ou Deus é eterno. Ou simplesmente nosso intelecto não compreende o próprio Universo, restando-nos apenas ampliar também nossa sabedoria, através da fé.

Cerca de 99,99% dos seres humanos vivem diária e constantemente dramas existenciais de anonimato, crises emocionais, familiares, profissionais, financeiras, sociais, políticas, culturais, filosóficas e religiosas. O 0,01% restante vive a mesma crise, com exceção de não existir no anonimato, pois é formado por pessoas que ocupam posições de destaque na sociedade, como lideranças políticas, econômicas, religiosas, culturais e artísticas, entre outras. Uma forma crescente de liderança na psicodinâmica de grupos humanos é o processo de influência religiosa que ocorre entre indivíduos, levando à formação de estruturas nacionais e mesmo internacionais que exercem intensa e profunda dominação e condicionamento dos integrantes desses cultos.

A vivência social é baseada no aprendizado de convívio no microcosmo familiar, que evolui para o macrocosmo social, local, nacional e internacional. Nesse processo de vivência, o comportamento humano se baseia no aprendizado condicionado, consciente e inconsciente. Desde a fase infantil de aprendizado por observação e imitação, passando por reflexos condicionados e condicionamento operante que atuam no desenvolvimento da personalidade, culminando com a adaptação a regras sociais estabelecidas, o ser humano vive e interage de forma constante com seu hábitat natural.

No passado o poder de uma pessoa influir em outras era considerado sobrenatural, razão pela qual muitos médicos passaram a serem considerados deuses ou pais supremos, como Asclépio, deus grego da medicina, Imhotep, deus da medicina egípcia, Sheng Nung, pai da medicina chinesa ou Hipócrates, pai da medicina. Com a evolução e complexidade das sociedades, esse domínio passou a ser econômico e político, além de religioso.

Na atualidade, o desânimo, a frustração e o estresse da vida diária estão fazendo com que uma significativa parcela da população procure ajuda em outros, esquecendo-se de sua própria capacidade. Assim recebem grande influência da literatura de auto-ajuda, gratificação ou a orientação de líderes religiosos, cuja principal fonte inspiradora é Jesus Cristo, que originou o cristianismo.

Jesus ensinou que visitar doentes é uma obra de caridade misericordiosa: "estive nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, estava preso e viestes ver-me" (MATEUS 25:36) e despertou no ser humano a motivação para imitá-lo, quer cuidando da saúde da alma humana, através dos pastores, padres e demais religiosos, ou da saúde física e mental do ser humano, através da classe médica e demais profissionais da saúde, como dentistas, enfermeiras, farmacêuticos, nutricionistas, assistentes sociais, fisioterapeutas e muitos outros.

Mas em nome de Jesus, um universo imenso de pessoas forma cultos com programas de reforma, de doutrinação e de ressocialização, de onde podem mesmo emergir imensos poderes econômicos e políticos que passam a atuar em toda a estrutura social.

O estabelecimento de um dízimo, a décima parte das rendas consagradas ao Senhor como fonte de arrecadação de cultos e igrejas encontra um amplo embasamento na Bíblia, na qual não apenas os egípcios (GÊNESIS 47:24), mas particularmente a lei mosaica dos israelitas assim estabelecia (GÊNESIS 14:20; LEVÍTICO 27:30-32; NÚMEROS 10:37-38 e 18:24-27; DEUTERONÔMIO 12:5-6).

O pagamento dos dízimos continuou na história do povo judeu (MACABEUS 3:49) e no tempo de Cristo o pagamento dos dízimos sofreu alguma alteração (LUCAS 11:42 e 18:12). O dízimo era enviado aos sacerdotes e por eles coletado. Posteriormente os sacerdotes passaram a ser prejudicados pela cupidez e ganância dos sumo-sacerdotes, que se apoderavam à força dos dízimos. Esse exemplo foi transferido para a posteridade e no presente a totalidade dos cultos e igrejas ou cobra dízimos ou solicita doações em substituição ao dízimo.

Isso serve para a arrecadação de verdadeiras fortunas, que raramente são reinvestidas em benefício da comunidade participante dos cultos, em suas necessidades básicas como nutrição, moradia e assistência médica. Fortunas são usadas de forma obscura para a compra de meios de comunicação, como jornais, televisões, rádios, bem como para financiar campanhas e carreiras de políticos, numa simbiose em que existe sempre um único parasitado – o incrédulo e crente.

Inequivocamente a Igreja Católica e os Evangélicos, dentre outros, buscam, por meio da disseminação do evangelho, enriquecer espiritualmente o ser humano, mas isso deveria ser de forma altruísta, principalmente porque o gasto em livros é muito pequeno – apenas um, a Bíblia. Um médico ou qualquer outro profissional precisa gastar fortunas com livros e atualizá-los periodicamente.

Muitos cultos e adeptos do cristianismo contrariam os próprios ensinamentos do Novo Testamento referentes aos bens materiais, que afirma: "Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corroem, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está teu tesouro, aí estará também teu coração" (MATEUS 6:19-21), bem como "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar o outro; ou se devotará a um e desprezará o outro.

Não podeis servir a Deus e às riquezas" (MATEUS 6:24). A fé, a capacidade de trabalho que gera dinheiro e o poder está nas mãos das massas. O que as oprime e as torna vulneráveis é a sua ignorância e a sua insensatez egoísta e cega. A maioria dos cultos rejeita a medicina e atua de forma a praticar curas milagrosas e expulsões do diabo, o qual seria o agente causador da doença, numa regressão aos primórdios do pensamento humano – o pensamento mágico.

Essa transgressão e perversão de funções de cultos e seitas religiosas pode se constituir numa séria ameaça à saúde da população e cabe à classe médica adotar uma atitude para impedir tais abusos, mas de forma prudente e racional. Cabe ao médico respeitar a fé mas esclarecer os seus pacientes sobre os papéis de cada um, pois ciência e religião são fundamentais na vida do homem.

A moderna ciência passou a dedicar grande atenção a temas religiosos no final do último milênio. Enquanto físicos buscam descobrir a origem do Universo, astrônomos procuram identificar a extensão deste Universo e médicos procuram entender o papel da fé em Deus na cura de doenças, através da neuropsicoteologia.

A maioria dos cientistas afirma que a fé é capaz de curar e de fazer milagres, mesmo que de forma ainda incompreensível para os conhecimentos científicos da atualidade. Já há dados que permitem concluir que a fé ou crença em alguma religião pode ser o melhor e mais poderoso remédio contra diversos tipos de doenças, desde a simples ansiedade ou insônia até graves problemas cardíacos ou o câncer.

Modernos estudos científicos têm demonstrado que pessoas que vivem em contato com comunidades religiosas levam uma vida mais saudável que os demais e que acreditar em Deus faz bem à saúde. Pessoas com princípios religiosos costumam beber e fumar menos que as demais e a participação em reuniões coletivas ajuda a descarregar as tensões. As pessoas religiosas sofrem menos dores crônicas, insônia, ansiedade, depressão, infertilidade ou problemas cardíacos.

Um grande número de doenças possui tanto a sua causa como o seu tratamento inteiramente desconhecidos pela ciência médica, embora exista um grande e variado número de medicamentos que podem beneficiar e controlar de forma temporária esses problemas. Por isso é importante sempre que cada doença receba avaliação e tratamento médicos como primeira opção. Mas nos casos em que a ciência médica se revelar impotente, quer para curar ou para aliviar, a religião pode se tornar um grande e eficaz recurso para a cura, para o alívio e para o conforto. Milagres que levaram e podem levar à cura já foram observados em todas as doenças que afligem o ser humano, pois é usado um dos mais poderosos remédios: a fé em Deus.

Todos nós cometemos pequenos e grandes erros na vida, pequenas e grandes injustiças e causamos pequenas e grandes dores em nós mesmos e em pessoas que amamos um dia e que nos amaram um dia. Ou que talvez mesmo ainda amemos e amaremos sempre da mesma forma que somos amados. Mas a nossa dificuldade em reconhecer este erro, grande ou pequeno, em perdoar um erro, grande ou pequeno, muitas vêzes nos deixa sós, tristes e infelizes.

Pois com Deus a solidão não existe e através da fé podemos mudar para melhor. Caso cada um mudasse sua maneira de pensar frente aos outros, certamente se sentiria mais feliz. Caso cada um mudasse a maneira de agir, faria os outros mais felizes. Caso cada um se aceitasse como é, e usasse apenas o que tem de bom dentro de si, certamente tornaria mais alegre sua vida e seu ambiente familiar, social e de trabalho.

Caso cada um desejasse sempre o melhor para os outros, se visse sempre algo positivo em todos, na sua esposa, no seu marido, nos seus filhos, na sua mãe, nos seus irmãos, nos seus amigos e mesmo nos seus inimigos, a vida seria mais fácil. Caso cada um amasse o mundo, talvez ele mudasse para melhor.

Caso todo mundo lastimasse menos e ajudasse mais, caso cada um criticasse menos e perdoasse mais, caso cada um mudasse um pouquinho…. o mundo mudaria muito. Por isto, caso todos nós mudassemos o nosso modo de pensar, agir, aceitar, desejar, perdoar e amar as pessoas conforme elas são, com certeza estaríamos criando um mundo melhor. Mesmo que nossa contribuição ao mundo possa ser comparada a uma gota no oceano. Mas sem esta gota o oceano seria menor.

Após seguirem caminhos paralelos por séculos, a ciência e a religião finalmente começam a unir esforços para conseguirem seu objetivo comum: tornar a vida humana mais feliz e com paz interior. A neuropsicoteologia esta lentamente desvendando os segredos e a fonte da grande força que existe no cérebro humano, que liga a mente à alma humana e que consegue fazer grandes transformações em nossa vida, unindo o físico como espiritual.

Independentemente da crença, condições sócio-econômicas ou sexo, o que o âmago de cada ser humano procura com mais obstinação chama-se paz. E para isto existem vários meios, como a ciência e a religião. Em 1988 o cardiologista Dr. Randolph Byrd no Hospital Geral de San Francisco na Califórnia selecionou um grupo de 393 pacientes da unidade de tratamento coronariano, os quais foram divididos em dois grupos por um computador. O primeiro grupo era integrado por pessoas que oravam, rezavam, sós ou na companhia de outras pessoas, enquanto que participavam do segundo grupo pessoas que não davam nenhuma atenção as orações e preces.

Ninguém sabia, nem o computador, a que grupo pertencia cada um dos pacientes. Após quase um ano de acompanhamento dos pacientes (10 meses) foi constatado que aqueles que oravam apresentaram muito mais benefícios que os que não oravam. Os benefícios eram diversos, como cinco vezes menos necessidade de antibióticos, duas vezes menos risco de insuficiência cardíaca e menor risco de parada cardíaca.

Muitos médicos, ao conhecerem os resultados mostraram-se céticos, afirmando: "Caso o estudo seja válido, nós, médicos, deveríamos passar a receitar: Reze três vêzes ao dia, antes das refeições". E muitos médicos continuam a não acreditar no papel da oração e seu poder de recuperar a saúde. Duvidar de tudo é como acreditar em tudo. São posições igualmente perigosas. Ambas nos dispensam de refletir.

É importante saber que confiança é contagioso. Assim como falta de confiança. Acredite em suas crenças e duvide de suas dúvidas. Não pense que poderá encontrar paz para sua alma, sem fé.

O que procurar na Bíblia?


"Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos abrirão.
Pois quem pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, se abre."
(MATEUS 7:7-8)

Niguém pode pensar que pode encontrar paz para sua alma, sem fé. A Bíblia é o livro da humanidade onde milhões de pessoas encontram um sentido para a vida: "Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (MATEUS 4:4). A sua leitura nos ensina que nunca estamos sós e que sempre que acreditarmos podemos dispor de uma força e uma companhia de valor inestimável e incompreensível.

O ser humano pode dar amor e companhia a outro, um amor que é mais forte entre pais e filhos, mas mesmo este amor não oferece segurança total sempre. Muitas vezes filhos decepcionam pais, pais agridem ou abandonam filhos ou simplesmente não possuem diálogo com seus filhos. E a visão vai mais longe que as palavras, quando guiada por Deus pois "toda escritura divinamente inspirada é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e capacitado para toda boa obra" (2 TIMÓTEO 3,16).

Qual é a mensagem central da Bíblia? A resposta não é fácil, pois depende da vivência. Até quando alguém gosta de uma pessoa e é perguntado: "Qual é, em poucas palavras, a mensagem desta pessoa para você?", isto não é fácil responder. O resumo da pessoa amada é o seu nome! Basta você ouvir, lembrar ou pronunciar o nome, e este lhe traz à memória tudo o que a pessoa amada significa para você.

A Bíblia, a sua mensagem central, é a fé em Deus, que ser presença libertadora e pacificadora no meio de nós! E ele deu provas bem concretas de que esta é a sua vontade. A primeira prova foi a libertação do Egito. A última prova está sendo, até hoje, a ressurreição de Jesus, onde venceu as forças da morte e abriu para nós o caminho da vida. Uma pessoa insatisfeita e frustrada consigo mesma que consegue, através da força gerada pela fé, se transformar e mudar sua vida para melhor, renasce, ressuscita, consegue a paz.

Por isto é difícil compreender ou explicar o que o nome de Deus evocava no cérebro, na mente e no coração do homem. Só mesmo aquele que vivencia a Sua presença pode avaliá-la. Faz um bem tão grande você ouvir, lembrar ou pronunciar o nome da pessoa amada, ajuda tanto na vida. Dá força e coragem, consola e orienta, corrige e confirma. Um nome assim não pode ser usado em vão.

Deus é o centro de tudo. Ser o povo de Deus significa ser um povo onde não há opressão como no Egito; onde o irmão não explora o irmão; onde reinam a justiça, o direito, a verdade e a lei dos dez mandamentos; onde o amor a Deus é igual ao amor ao próximo. Esta é a mensagem central da Bíblia; é o apelo que Deus faz a todos aqueles que querem pertencer ao seu povo.

É uma fonte inesgotável de paz e esperança, nutridas pela fé. Quanto maior esta, maiores aquelas. Um exemplo foi a esperança dos antigos profetas. Caindo e levantando, o povo foi andando, procurando e buscando atingir para si e para os outros os bens da promessa divina. Muitas vezes, porém, esquecia o chamado de Deus e se acomodava. Em vez de servir a Deus, queria que Deus servisse ao projeto que eles mesmos tinham inventado. Invertiam a situação. Nestas horas surgiam os profetas para denunciar o erro e para anunciar de novo a vontade de Deus ao povo.

A Bíblia conserva as palavras de profetas como Elias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel e muitos outros. Os profetas, cujos nomes, gestos e palavras foram conservados, são como flores. Elas supõem um chão, uma semente e uma planta. O chão, a semente e a planta destes profetas são as comunidades que lhes transmitiram a fé; são os inúmeros profetas locais, cujos nomes foram esquecidos. É como hoje.

Os grandes profetas são conhecidos no país inteiro, mas eles só puderam surgir graças ao povo anônimo e fiel das suas comunidades. Diante das falhas constantes do povo, desviado por seus falsos líderes, os profetas começaram a alimentar uma nova esperança.

Foi esta esperança maior, alimentada pelos profetas, que sustentou o resto fiel do povo e o ajudou a superar as duras crises da sua caminhada. Como a mãe enfrenta as dores do parto, porque tem amor à vida nova que ela carrega dentro de si, assim os pobres e desanimados enfrentavam as dores da caminhada, porque tinham amor à promessa divina que eles carregavam dentro de si. Eles acreditavam na vida nova que dela haveria de surgir para todos os homens.

Esta vida nova chegou, finalmente, em Jesus, o Messias. Deus mandou o seu próprio filho, Jesus que realizou a promessa do Pai, que trouxe a libertação para o povo e anunciou a Boa-Nova. Ele queria uma mudança radical. Para ele, o povo de Deus tinha de ser um povo irmão e servidor, e não um povo dominador a ser servido pelos outros povos.

Jesus iniciou esta mudança: colocou-se do lado dos pobres, marginalizados pelo sistema dos líderes judeus, denunciou este sistema como contrário à vontade do Pai e convocava a todos para mudar de vida. Mas os grandes não quiseram. O que era Boa Notícia para os pobres era má notícia para os grandes, pois Jesus exigia deles que abandonassem os seus privilégios injustos e as suas idéias de grandeza e de poder. Eles preferiram as suas próprias idéias, rejeitaram o apelo de Jesus e o mataram na cruz com o apoio dos romanos.

Foi aí que Deus mostrou de que lado estava. Usando o seu poder que protege a vida, ressuscitou Jesus. Animados por este mesmo poder de Deus que vence a morte, os seguidores de Jesus, os primeiros cristãos, organizaram a sua vida em pequenas comunidades, viviam em comunhão fraterna, tinham tudo em comum e já não havia mais necessitados entre eles. Assim, a vida nova, prometida no Antigo Testamento e trazida por Jesus, apareceu aos olhos de todos na vida dos primeiros cristãos. Eles se tornaram "a carta de Cristo, reconhecida e lida por todos os homens". Através deles surgiu o Novo Testamento.

Foi nas comunidades implantadas pelos primeiros cristãos, sustentada pela fé, que apareceu uma amostra clara do projeto que Deus tinha em mente quando chamou Abraão e quando decidiu libertar o seu povo do Egito. Jesus trouze a luz para o povo poder entender o sentido da longa caminhada do Antigo Testamento. Assim os primeiros cristãos conseguiram, através da Bíblia, entender e realizar a vontade de Deus.

O Antigo Testamento é a semente e o Novo Testamento é a flor que nasceu da semente. Um explica, entende e completa o outro. Como eles, todos nós devemos rever a nossa vida à luz da fé em Deus, com a ajuda da Bíblia, e tentar descobrir dentro dela o apelo e a mensagem de Deus.

Como saber o que queremos

A ressurreição de Jesus foi o grande estalo que iluminou os olhos e revelou aos cristãos o sentido da Bíblia e da vida. A história dos discípulos de Emaús é um belo exemplo a ser conhecido. Durante a Páscoa, depois de Pedro ter constatado que o corpo de Jesus tinha desaparecido de seu túmulo, onde fora colocado após sua crucificação, dois de seus discípulos caminhavam para a cidade de Emaús, perto de Jerusalém.

E no percurso Jesus caminhava com eles, mas eles não o reconheceram. Faltava a luz da fé nos olhos dos discípulos. Faltava a experiência da ressurreição. Quando, finalmente, o reconheceram na partilha do pão, Jesus desapareceu (LUCAS 24:30-31). Nesta hora, a fé iluminou o cérebro dos dois e ambos se conscientizaram da verdade divina. Venceram o desânimo e voltaram para Jerusalém, onde estavam os poderes que, matando Jesus, tinham matado neles a esperança.

Mas eles já não os temiam. Neles estava a força maior, a força da vida que vence a morte, a força da fé. Isto pode servir de modelo para nós. Muitas vezes não vemos algo importante e grandioso que pode estar bem ao nosso lado. Todos devemos exercer sempre uma reflexão sobre a realidade. Jesus soube estabelecer um diálogo com seus discípulos de forma a obter toda a verdade: a tristeza, o desânimo, a frustração, a falta de esperança, a decisão do governo e dos sacerdotes de condenar Jesus, a cruz e a morte, a conversa das mulheres que provocou espanto, a incapacidade dos dois em crer nos pequenos sinais de esperança (LUCAS 24:13-24).

É posssível através do estudo da Bíblia interpretar os fatos da vida e obter ânimo e esperança. Refletir e reconhecer erros e aprender que os fatos não escapam da mão de Deus. A interpretação da Bíblia atinge seu objetivo quando acontece o milagre da mudança, através da descoberta da força da fé. Com isto tudo se transforma; os olhos se abrem, as pessoas mudam; a cruz, vista como sinal de morte e de desespero, torna-se sinal de vida; o medo desaparece, a coragem retorna; as pessoas se unem, se reencontram e começam a partilhar entre si a sua experiência de ressurreição; os poderes que oprimem e matam já não causam desânimo.

A fé e a esperança renovadas, abrem novos caminhos (LUCAS 24:33-35). A luz vem do interior, da paz interna de cada ser e brilha à medida que permitamos que ela flua. A paz é nosso bem final.

Orar significa não estar só

O que pode um paciente moribundo mas lúcido fazer enquanto espera a morte ? Pois um médico recebeu de Deus a oportunidade de cuidar de um paciente muito querido – seu próprio pai. Após vários meses de cuidados extremos de seu pai, vítima de um câncer incurável, êle olhou para o filho médico sentado ao seu lado numa vigília quase constante e disse no seu leito de morte: "Meu filho, pode ir descansar. Sei que minha hora esta bem próxima.

Quero orar, rezar mais um pouco". Ao que o filho, um médico ateu, perguntou: "E o que você pede quando ora, quando reza?" Ao que o pai respondeu: "Não oro para pedir mais nada, pois sei que estou no fim. Eu oro para não me sentir só. Quero chegar seja para onde vou bem acompanhado". E após ouvir centenas de pacientes moribundos, mesmo aquelas que pediam por um milagre que não veio, o médico descobriu o poder da oração.

Uma oração pode não conseguir fazer um milagre ou salvar uma vida. Uma oração não é somente para pedir algo ou receber um favor. Uma oração é para nos lembrar de nossa natureza fraca e limitada, finita no tempo e no espaço. E para nos mostrar que seja onde estivermos, nunca estaremos sós. E que através da fé, tudo podemos conseguir, inclusive a paz e a felicidade. E principalmente nunca se sentir só. O amor é o grande milagre da cura. O amor a nós mesmos promove milagres em nossas vidas. E os milagres acontecem para todos aqueles que acreditam neles.

Referências:
ESKIN, P. (2003) A MEDICINA NA BÍBLIA, MEDSI/GK, RJ
http://www.editoraguanabara.com.br/

 

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