A morte para as religiões


 

 

As religiões têm diferentes formas de compreender a morte. O ponto coincidente em várias delas é a crença na continuidade da vida após a morte neste mundo.

Islã – tudo o que você quiser e o sofrimento eterno

De acordo com os preceitos do islamismo, os seres humanos passam por cinco vidas. A primeira é a Vida no Campo das Almas, onde Deus sopou sua luz sobre as almas. Elas ingressam na Vida Terrena entre os 60 e 120 dias de gestação. Quando a morte chega, a alma se separa do corpo, esvaindo-se pelos olhos.

Começa então a Vida no Túmulo, onde se espera pelo Dia do Juízo Final. Esse acontecimento seria anunciado pela morte de todos os seres humanos e pela mudança de rotação da Terra. Começa então a Vida no Dia do Juízo Final. Para os profetas e mensageiros, essa passagem dura um milisegundo. A última entrada no Paraíso acontece após 50 mil anos. Tem início a Vida Eterna.

Quem vai para o Paraíso pode ter tudo aquilo que desejar. Já os encaminhados ao Inferno são castigados eternamente. A punição mais branda consiste em um sapato de ferro que, sob brasa, queima o cérebro eternamente.

Hindu – segunda chance

O hinduísmo tem como princípio a constante reencarnação do ser humano, que tem a alma eterna. Segundo Luciana Marques de Sousa Ferraz, coordenadora nacional da Organização Brahma Kumaris, representante da corrente Raja Yoga, a consciência entra no corpo durante a gestação. Quando morre, vai para outro corpo carregando as contas de suas ações, o que é chamado karma. De acordo com os atos, determina-se o nascimento na vida futura. A morte é apenas a passagem entre uma vida e outra. “A morte é uma troca de roupas, deve ser vista com simplicidade”, explica.

Kardecismo – erros e acertos

A doutrina espírita kardecista baseia-se nos ensinamentos de Alan Kardec, agrupados no “Livro dos Espíritos", publicado na segunda metade do século XIX. Estaríamos no mundo, na forma humana, para, nas palavras do escritor espírita e médium Humberto Pazian, “evoluir nosso espírito através dos erros e acertos e, dessa maneira, religar-se com Deus”. A evolução do espírito pode implicar em várias passagens pelo mundo físico, entrando aí o princípio da reencarnação, que é a chance que o espírito tem de aperfeiçoar-se através das experiências adquiridas em diversas vidas. Os espíritos superiores, que não necessitam mais reencarnar, migram para um plano astral também superior.

Sem dúvida, a tradição espírita se fortificou no Brasil pela presença do médium Francisco Cândido Xavier, conhecido como Chico Xavier, que, através da psicografia, escreveu por seu pulso livros ditados pelo espírito Emmanuel, com fortes traços humanitários. “Todos nós somos médiuns. O que acontece é que essa sensibilidade é mais aguçada em algumas pessoas, o que resulta na comunicação espiritual”, explica Pazian. “O importante é estarmos abertos à mediunidade e seguir a religião que nos faz bem”,conclui.

Guaranis – sem mal

Para os indígenas guaranis, após a morte as pessoas se encaminham para um lugar de fartura e felicidade, denominado terra sem mal. Portanto, é um evento que causa tristeza e alegria simultaneamente. Também acreditam que algumas pessoas já nasceram várias vezes, enquanto outras vieram ao mundo uma vez só. Logo que nascem, os guaranis já lidam com o dilema entre vida e morte. Para eles, as crianças, em seus primeiros anos de vida, tentam perceber se é bom viver nesse mundo ou não. “Se elas levam surras, por exemplo, o espírito delas pode se entristecer e decidir ir embora. Assim, adoecem e morrem”, conta Olívio Jekupé, escritor e membro de aldeia guarani em Parelheiros. Por isso, os pais guaranis evitam maltratá-las, e incluem-nas em diversos ritos, como o funerário.

Budismo – metamorfose

A morte e a vida não são vistas como antagônicas para o budismo, mas sim partes de um processo de transformações. "Após a morte, a consciência pode se juntar a outras consciências e formar outro ser vivo", explica Hayda. Esse processo, chamado de transmigração, só termina quando a
consciência alcança a iluminação.

Catolicismo – Julgamento

Já o catolicismo lida com as disparidades de concepções de vida e morte entre seus fiéis, causada em parte pela grande quantidade de adeptos não-praticantes e as relações que estabelecem com outras crenças. A primeira delas diz respeito ao Dia do Juízo Final. O padre Antonio Guimarães, ex-reitor do Instituto de Teologia da Diocese de Santo André, explica que a ressurreição acontece logo após a morte da pessoa.

Para o catolicismo, a morte é um momento de transformação, na qual o corpo carnal é descartado para que a pessoa ressuscite num corpo ilimitado, chamado de glorioso. "Não há aparência terrena após a ressurreição, mas cada pessoa continua sendo uma identidade, uma
personalidade", diz Guimarães.

Outra noção díspar entre os adeptos do catolicismo diz respeito ao tipo de vida após a morte. "Não haverá passividade na ressurreição. Haverá movimento, dinamicidade de relações e plena realização. Ou seja, não ficaremos ali parados, olhando para Deus", enfatiza o padre.

Fonte: http://www.eca.usp.br/claro/indice/edicaoAgosto2005.html

 
       
 
 
       
   
 
 
   
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